Itsumo Yakusoku
3 Capítulo 3 - Negai ga kanau nara
Notas iniciais
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O tempo é inútil, uma vez que continua passando
Em meu peito há um buraco vazio
Nada que eu faça o preenche
Eu somente quero você
Mesmo agora, eu estou sempre pensando em você
Este sentimento é apenas minha esperança
Porque estou sempre querendo estar ao seu lado
Capítulo 3
~
Negai ga Karau Nara
— Ei, Tadase, está me ouvindo?
— Claro, claro… eu concordo com você, Hinamori-san.
— O que? Você acha que eu vou ficar horrível na roupa de maid?
— Ahn? Ah, não, claro que não! — Tadase se apressou em consertar, voltando a olhar para a amiga. Assim como Amu, Kukai e Rima o fitavam com seriedade, apreensivos pelo comportamento preocupante do seu Presidente nos dias que se aproximavam.
Eles estavam na sala do conselho estudantil, e o festival escolar seria dali a apenas alguns dias, ou seja, eles estavam absolutamente ocupados. Tadase sabia que não podia ficar se distraindo e viajando nos seus pensamentos o tempo todo, e que todos esperavam que ele fizesse um bom trabalho no festival… mas ele simplesmente não conseguia evitar.
Havia certas épocas que o faziam lembrar-se de Nagihiko ainda mais do que nos dias normais, e o Festival Cultural era apenas um de várias dessas datas. Havia sido em um festival, em Seiyo, que Tadase beijara Nagihiko, e finalmente percebera tudo aquilo que sentia por ele. Eles dançaram ao redor da fogueira, sentindo-se felizes, sem nada a perder, sem nenhuma preocupação… Tadase desejava ardentemente voltar a esse tempo, mais do que tudo. Mesmo que não pudesse se declarar para Nagihiko, e ser seu namorado, como antes… apenas estar com ele, no mesmo lugar, onde seus olhos pudessem ver como ele estava, e onde suas mãos pudessem alcançá-lo… Essa vontade não se acalmava, e ainda parecia estar aumentando a cada dia, cada vez mais insuportável.
— Tadase… você quer ir para casa? Acho que nós conseguimos terminar tudo a partir daqui… — Amu desistiu de tentar fazer Tadase se focar na reunião, e suspirou, tirando os documentos da frente do Presidente para cuidar deles ela própria.
— O que? Não, eu posso terminar a reunião! – ele insistiu, preocupado – Qual era mesmo o tópico em que estávamos? A divisão das salas… ou os materiais…
— Nós já passamos por todos esses assuntos, Tadase – como secretária, Rima mostrou todas as suas anotações – Você definitivamente não está bem… como sempre acontece nesse tipo de situação, não é? Está pensando naquele festival… — assim como era o habitual, Rima atingiu o ponto exato de Tadase. Ele se encolheu, sentindo-se culpado por cometer sempre os mesmos deslizes com seus amigos. Mas não havia nada que pudesse fazer quanto a isso. E eles sabiam muito bem o motivo.
— Então… — Tadase fechou os olhos, apertando a fonte do nariz com os dedos, num esforço para afastar aquela dor de cabeça e se concentrar no assunto – Qual o assunto agora…?
— O assunto é a “Ida do Kaichou para casa!” – Amu replicou, erguendo Tadase pelo braço. Rima atirou a mochila no colo dele enquanto Kukai já ia abrindo a porta, como em uma coreografia ensaiada. Amu o empurrou então corredor afora – Nós cuidamos de tudo, só volte aqui quando estiver bem! – e arrastou a porta na cara dele.
Expulso da sua própria sala, o Presidente fitou a porta fechada por alguns segundos, e então não viu alternativa além de ir para casa, apesar de não querer ir embora realmente. Em casa, as brigas dos seus pais se tornavam tão frequentes que era impossível ficar muito tempo com eles no mesmo ambiente, sem falar que naquele lugar havia muitas lembranças fortes de Nagihiko. Visitar a Seiyo, então, era impossível para ele. Na única vez em que tentou ir visitar Yaya no Royal Garden, logo depois de se formar, teve uma crise de choro, e desde então não foi mais até lá.
No lugar disso, a sua atual escola estava cada vez mais se tornando o seu refúgio, assim como Seiyo era para o seu tio. Lá, não havia nenhuma lembrança forte de Nagihiko pelos corredores, e trabalhando no Conselho, ele conseguia distrair a sua mente daquela depressão em que vivia. Ouvir e cuidar dos problemas dos alunos, de certa forma, era mais reconfortante do que ter que lidar com os seus próprios. Porém, nesse instante, a proximidade de mais uma data da qual tinha boas recordações com Nagihiko, faziam Tadase voltar ao estado de letargia que se seguiu a separação, e ele acabava se tornando um inútil outra vez.
— Você está indo para casa, Tadase-san? – quando Tadase passava por um dos corredores, descendo as escadas vinha Nanami, acompanhada de mais duas amigas. Ela parou ao lado de Tadase, fitando-o com aquele olhar que não tinha significado algum – Podemos ir juntos se quiser…
— Claro, por que não… — apesar de não suportar a garota, ele ainda se esforçava para manter uma relação minimamente saudável entre eles. Ainda na escada, as duas garotas que a acompanhavam antes ficaram cochichando qualquer coisa, e soltando risadinhas irritantes. Tadase estava acostumado a apenas ignorar esse tipo de coisa.
Os dois continuaram a caminhar juntos, com Nanami um pouco mais a frente, enquanto Tadase fitava o céu distraidamente, com as mãos nos bolsos. Não havia muito assunto entre eles, então depois do habitual “Como foi a aula?” “Foi bem” a conversa morreu de vez.
— Já faz quase um ano… nee, Tadase-san? – Nanami comentou sem nenhuma intenção, olhando para o chão. Tadase olhou para ela, sem entender, e ela continuou – Um ano que nós ficamos noivos… Eu juro que não entendo como isso foi acontecer tão repentinamente. Eu sempre soube que teria um onmiai, já que a minha família é tão restrita e tradicional, mas a sua família nem mesmo é assim…
— Foi minha mãe quem decidiu isso, você sabe – ele respondeu automaticamente, e então suspirou, de repente cansado demais para continuar a falar.
— Eu sei que você não queria isso – ela disse, virando o rosto na direção dele. Eles já estavam perto da rua comercial que teriam que atravessar para chegar até o bairro de Nanami – Eu também não queria, no começo, mas… acabei me acostumando com a ideia. Eu gosto de você, Tadase-san, como um amigo. Talvez até como um irmão… — ela riu constrangida – Então, acho que posso conviver com você pacificamente, no futuro. Você é gentil, e educado, eu sei que jamais faria nada para me machucar, por isso, eu aceitei. Mas… você não pensa assim em mim, não é?
— Bem… — depois de ouvi-la falando desse jeito, Tadase sentia-se culpado pelos pensamentos ruins que tinha sobre a sua noiva. – Eu realmente nunca quis esse onmiai, nunca escondi isso de você nem de ninguém. Eu não posso fazê-la feliz, Nanami-san, e você também não pode me fazer feliz. É apenas isso.
— Eu sei… por isso, estou disposta a recusar esse casamento arranjado quando você quiser. Embora eu não tenha escolha, e minha mãe certamente escolherá outro noivo para mim… bem, você não precisa ficar amarrado a isso, Tadase-san, só por causa da sua mãe…
— Eu não me importo, Nanami-san – Tadase replicou, sem muita emoção – minha mãe é alguém difícil de se lidar, você sabe, eu prefiro não ir contra ela agora. E além do mais, não é como se houvesse outra garota com quem eu quisesse me casar, também… Até que o dia chegue, podemos ficar dessa forma e antes de formalizarmos essa união de vez, nós arranjaremos um jeito de cancelar isso, eu presumo.
— Que bom… — ela riu fracamente – Por que o outro candidato além de você é um tal de Onomiya-san, e eu não gostei nem um pouco dele… ele me dá medo…
— Então, está bem… — Tadase suspirou, olhando para o lado. Uma cor captou sua atenção. Violeta. Cabelos violeta, brilhando ao Sol, longos e lisos… — N-não pode ser…
— Tadase-kun?
Ele correu rapidamente, com seu coração quase explodindo pelo esforço de acelerar tão repentinamente. Sentiu outro baque doloroso no peito, e sua respiração falhou, enquanto ele se apressava em aproximar-se. Pousou a mão no ombro da pessoa, sentindo-a arfar de susto. Olhos azul-escuros o encararam, assustados.
— Desculpe-me, eu me enganei… — ele disse, surpreso, soltando o ombro da mulher que o fitava com assombro – Pensei que fosse… outra pessoa… – acrescentou para si mesmo, em tom decepcionado.
A mulher se afastou, mas Tadase continuou parado no mesmo lugar, tentando normalizar as batidas do seu coração. Apoiou-se na grade de proteção que separava a calçada da rua, onde também estava estacionada uma bicicleta. Não era a primeira vez que confundia alguém na rua com Nagihiko, e todas as vezes, sentia essa enorme dor que apertava seu peito aumentar ainda mais. Algum dia, isso iria ter fim?
— Você achou que fosse ele, não é? – Nanami indagou, sorrindo calmamente. Tadase ergueu os olhos para ela, surpreso – Eu já sei de tudo… Kyou-nii me contou há algum tempo, na verdade – ela olhou para o céu, segurando a bolsa atrás das costas – Você e o Nagihiko-kun se amavam, certo? Eu não sei como não fui capaz de notar isso antes… eu gostei do Nagihiko-kun, é verdade, e você era sempre tão hostil comigo por perto. Eu deveria ter deduzido que era ciúme…
— Agora que você sabe, deve entender por que eu não deveria me casar com você, não é? – Tadase disse, em tom de pesar.
— Você não pode casar comigo por que não me ama, isso é diferente. – ela afirmou – porém, você o ama, e qualquer um pode ver isso. Até mesmo eu posso perceber que você não é mais o mesmo desde que ele foi embora. Sabe… eu acho que entendo isso, um pouco. Quero dizer, eu nunca me apaixonei, é claro, acho que isso nunca vai acontecer comigo de qualquer forma, mas… — ela se apoiou na grade, ao lado de Tadase – Eu posso entender por que você escolheu o Nagihiko-kun. Realmente… nunca encontrei uma pessoa mais incrível do que ele! Acho que não existe ninguém tão fantástico, e brilhante… se eu tivesse convivido mais tempo com ele, acho que teria me apaixonado também, talvez. – ela riu sem graça, tentando arrancar alguma reação, qualquer que fosse, de Tadase.
— Parece que nós temos o mesmo gosto para garotos, então. – Tadase tentou brincar, mas nada além de uma risada amarga saiu dos seus lábios. Ele se ergueu, recomposto, pronto para voltar a caminhar. – Bom, isso faz de nós… rivais?
— Ou amigos. Você escolhe – ela piscou, segurando-o pelo braço – Mas pra falar a verdade, eu não me importo…
Tadase apenas aquiesceu, conformado, seguindo o caminho com Nanami pendurada. Pelo menos, andando com ela, as outras garotas perdiam a motivação para dar em cima dele, e dessa forma, ele estava tendo um ano escolar mais tranquilo do que o habitual. Era uma troca justa de favores. Um noivado de conveniência. Isso podia funcionar, por enquanto…
— Você quer ir a algum lugar agora? – Tadase indagou, mesmo que não estivesse com nenhuma vontade de fazer isso. Era uma forma de dizer que não tinha nada contra Nanami, ou qualquer coisa assim. Ele era sempre tão frio com ela, isso começava a fazê-lo sentir-se culpado, ainda mais quando parecia que ela estava se esforçando para compreendê-lo.
— Só se você quiser… — ela respondeu, surpresa. Era a primeira vez que Tadase a convidava para sair.
— Então vamos…
~
Dois dias se passaram rapidamente, e depois de muita preparação, finalmente, chegou o dia do Festival Cultural da Escola de Ensino Médio Koyama. O dia estava ensolarado, e o clima ameno, era perfeito. Embora Tadase não tivesse participado ativamente da elaboração do Maid Café da sua sala, por que precisava verificar cada uma das salas, e garantir que nada desse errado, pois os outros membros do conselho estavam ocupados com as suas atividades, e por isso, esse trabalho era exclusivamente dele.
Andando pelo pátio da escola, Tadase passava de tenda em tenda verificando se tudo estava andando corretamente. Ele não precisava ficar fazendo isso agora, mas estava sempre tão ansioso para manter sua mente ocupada que terminava suas tarefas sem nem perceber. Os visitantes já haviam começado a chegar, e aos poucos, o festival, que já era famoso pela vizinhança, estava ficando cheio. Tadase já havia feito a transmissão dos avisos do dia pelos autofalantes, e ainda tinha algum tempo até que ele tivesse que fazer isso novamente. Todos pareciam bem e até agora, nenhum problema havia ocorrido. Faltava meia-hora para a peça de teatro do Primeiro Ano começar, e a banda de música leve devia estar tocando no auditório. Pessoas fantasiadas passavam de um lado para o outro, crianças com máscaras e comida na mão corriam para todos os cantos, todos sorriam e se divertiam alegremente. Tudo ia bem, e Tadase não tinha nada que mantivesse sua cabeça ocupada.
— Eei, Tadase! – ele ouviu o chamado, e então, Yaya vinha vindo correndo na sua direção, animada, acompanhada de Kairi. – Yaya veio visitar o festival da sua escola! Pode se alegrar!
— Ah, olá, Yuiki-san, Sanjou. – Tadase virou-se para eles, recepcionando-os. — Sejam Bem-vindos, espero que se divirtam no nosso festival!
— O que tem para a gente fazer aqui? — Yaya nem se preocupou em falar da falta de entusiasmo de Tadase, completamente acostumada com aquela atual personalidade fria e inexpressiva do amigo, então, tratou de encontrar algo para diverti-la logo.
— Tem as barracas de comida aqui fora, como você está vendo. A nossa sala está fazendo um Maid Café, Hinamori-san e Mashiro-san estão lá em cima trabalhando. O Souma-kun está fazendo uma casa assombrada na sala dele. A Nanami-san está apresentando uma peça com o clube de teatro. E ainda tem muitas outras atrações lá, vocês podem aproveitar.
— Wow, parece animado! A Yaya vai ir visitar a Amu-chi, e a Rima-tan então! Você vem, Iinchou?
— Vou dar uma olhada na exposição de livros antigos do clube de literatura – Kairi disse, olhando para o folheto que havia pegado logo na entrada.
— Uhh, achei que você ia querer ver a Amu-chi vestida de maid… — Yaya alfinetou, cutucando o garoto com o cotovelo. Kairi corou furiosamente, ajeitando os óculos para disfarçar.
— Aqui, eu ganhei da Nanami-san, mas vocês podem ficar com isso… — Tadase entregou ingressos da peça de teatro para os dois – A apresentação é daqui a uns vinte minutos.
— Que peça eles vão apresentar? – Yaya indagou, curiosa. Tadase baixou os olhos.
— Branca de Neve… — não foi necessária uma explicação do motivo pelo qual ele não queria assistir, e um incômodo silêncio se instalou. Kairi e Yaya se entreolharam, desconfortáveis.
— Aaah, olha, aquela não é Hoshina Utau? — o grito vindo da tenda de yakisoba chamou a atenção dos três. Logo, Tadase viu se aproximando a garota alta e loira, com os cabelos longos e lisos soltos, sorrindo para ele. Estava acompanhada de dois garotos. Um com semblante despreocupado, mãos nos bolsos, e cabelos azulados e bagunçados, e o outro mais despojado, de cabelos alaranjados até o ombro. Obviamente, eram Ikuto e Kyouharu.
— Oi, Yaya, Kairi! Olá, Tadase-kun! – Utau não se conteve em abraçar o “irmãozinho”, mesmo estando em público, e logo um monte de comentários sobre a famosa cantora e atriz que estava com o presidente do Conselho se espalhou como fogo entre os estudantes da escola.
— Me solte, Utau-nee… — ele conseguiu se desvencilhar, sem dificuldade, agora que era da mesma altura que a garota – Eu pensei que você disse que estaria ocupada e não ia poder vir…
— Eu consegui uma pausa nas gravações para vir. Você não imagina o quanto é difícil gravar um dorama, Tadase! Ah, isso me lembra, eu consegui uma coisa pra você, Yaya-chan! – ela estendeu um pedaço de papel, e Yaya soltou um grito. – Uma foto autografada do ator que está fazendo “Waku Waku no Kimochi” comigo, como você pediu!
— Yeey!!! Era o que a Yaya queria! – ela abraçou a foto, com os olhos brilhando.
— Bem, eu consegui tirar uma folga hoje, com algum custo – ela voltou-se para Tadase – Sem falar que… — Utau continuou, ignorando os gritinhos entusiasmados da ruiva — … o Kyou-kun queria de todo jeito vir ver a irmãzinha dele no festival, e insistiu para eu conseguir uma pausa! Ficou falando disso o tempo todo até aqui, esse babão!
— Eu nem falei tanto assim! – Kyouharu se defendeu rapidamente – Eu só disse que queria ver a Nana-chan atuando, foi só isso!
— Onde é que tem comida aqui, hein? – Ikuto olhava para todos os lados, impaciente. – Eu ganho desconto por conhecer você, Tadase?
— A peça dela vai começar em breve... E, não, Ikuto-nii-san, você tem que pagar o mesmo que todo mundo. – Tadase respondeu, com uma gota na cabeça. – Bem, eu fico feliz por vocês terem vindo, espero que se divirtam.
— Ah, é tão nostálgico vir a um festival depois de tanto tempo! – Kyouharu olhou ao redor, com ares saudosos – Eu me lembro de todos os meus festivais!
— Você deve ter se divertido muito naquela época, não é… — Utau o fuzilou com um olhar desconfiado, e Kyou engoliu em seco. Eles estavam namorando há quase meio ano, quando ele finalmente havia a convencido a aceitar seu pedido, e mesmo assim Utau insistia em jogar o seu passado obscuro contra ele a todo o momento.
— E você nem deve lembrar mais, não é Utau? Já que faz tanto tempo… — Ikuto comentou, colocando as mãos nos bolsos – Acho que você ficou velha demais para isso…
— Q-quem você está chamando de velha, seu gato pulguento? – ela gritou, indignada, e Kyouharu a segurou antes que ela acertasse Ikuto em cheio, e fizesse uma cena ali, no meio dos alunos que os observavam.
— Vamos, Utau, ver as outras coisas… — ele segurou a mão dela na sua, e seguiu a rebocando. Ikuto teve o cuidado de andar para o outro lado, acompanhando Kairi e posteriormente Yaya que se juntou a eles. Assim que se viu sozinho novamente, Tadase soltou o ar, cansado. Seus amigos podiam ser muito barulhentos quando queriam…
Tadase estava voltando a checar a sua prancheta, para ver qual o próximo item a ser conferido, quando algo chamou a sua atenção. Aquele tom único de violeta, brilhando à luz do sol. Ele ergueu a cabeça tão rápido que podia ter deslocado, olhando naquela direção. Seu coração acelerou, quando ele viu a pessoa movendo-se por entre a multidão.
— Não… eu não posso ficar me iludindo desse jeito. – ele balançou a cabeça, tentando recobrar os pensamentos. Mas aquilo continuou a martelar a sua mente, insistentemente, até que ele desistisse de se segurar, e começasse a andar para aquele lado, mantendo a visão fixa no ponto em que o havia visto. Não era possível que fosse verdade, não é? Tadase era tão tolo em criar esperanças dessa forma. Mas apenas não podia fazer nada quanto a isso. Quando se tratava de Nagihiko ele ainda era a mesma criança simplória e tonta de sempre, acreditando que um milagre pudesse realmente vir ao seu encontro…
Subitamente, Tadase perdeu de vista os cabelos arroxeados. Olhou para os lados, tentando encontra-los novamente. Talvez, tivesse sido a sua imaginação novamente, pregando peças para enganá-lo, ou apenas outra pessoa com cabelos parecidos com os dele. Quem poderia garantir? Era óbvio que era apenas isso. As lembranças fortes que o assolavam nos últimos dias eram as culpadas por essas ilusões recorrentes. Tadase se deixava enganar tão facilmente…
— Ei, o que você está fazendo aqui, Hotori? – Rima surgiu do nada na sua frente, surpreendendo-o. Ela estava com um vestido de maid branco e preto, com os cabelos amarrados em duas marias-chiquinhas altas por fitas brancas. Nas mãos, segurava os folhetos de divulgação do Maid Kissa da sala 1-A. – Você ainda não foi ver nossa sala.
— Tem razão, eu estava indo para lá agora… — Tadase recuperou o fôlego, desistindo da sua procura infundada.
— Então, estava indo para o lado errado – Rima foi sucinta. Tadase apenas assentiu, e então voltou a entrar na escola, caminhando apressadamente. Suas pernas ainda estavam bambas, e ele suava frio. Tinha que parar de se martirizar dessa forma a cada vez que pensava nele… isso estava o deixando maluco! – Você está bem? – ela indagou de repente, percebendo o quanto ele estava pálido e perturbado.
— Sim, estou ótimo – ele mentiu muito mal, e Rima resolveu não interferir. Tadase andava tão estranho, principalmente nos últimos dias, que isso já não era novidade.
Entrando na sala 1-A, Tadase caminhou por entre as mesas arrumadas com toalhas brancas, onde todas as garotas serviam seus clientes com sorrisos no rosto, usando roupas idênticas as que Rima usava. Ele foi até o lado da sala onde Amu estava terminando de servir uma mesa. Seu coração ainda batia rápido.
— Como estão as coisas aqui, Amu-chan…? – ele indagou, hesitante, querendo agir normalmente.
— Está tudo indo bem e… — ela sobressaltou ao ver o estado em que Tadase se encontrava – Tadase, você está bem?!
— E-eu estou… — o esforço em mentir novamente foi muito grande, e sentindo um nó trancando sua garganta, Tadase foi incapaz de terminar a frase. Aflita, Amu o segurou pelo braço, e o arrastou até o canto que estava separado por uma cortina, onde funcionava a cozinha improvisada do Café. Estava vazio agora, pois todos os pratos servidos foram preparados anteriormente.
— O que houve, Tadase-kun? – Amu se esforçou para não falar alto, preocupada com o garoto. Ele já estava com os olhos marejados, e tremia fracamente.
— Nada… e-eu… — ele gaguejou, e por pouco, conseguiu segurar algumas lágrimas teimosas, que faziam seus olhos arderem – Eu fiz de novo, Hinamori-san... – ele soluçou, desistindo de disfarçar, e Amu se aproximou, tentando confortá-lo de alguma forma – Eu pensei ter visto ele…
— Calma, calma, Tadase… — ela o abraçou, desajeitadamente, sem saber o que dizer ou o que fazer nesse momento.
— Isso continua acontecendo, mesmo depois de tanto tempo… eu não sei se vou aguentar mais disso… — ele admitiu, fraquejando. Amu o ajudou a sentar-se em uma cadeira que estava ali, e serviu para ele um pouco de chá que estava em térmicas para serem serviço aos clientes, numa tentativa de consolá-lo. Ela era péssima nessas coisas… não sabia o que deveria fazer.
— Tadase… eu realmente não sei o que falar para te ajudar. Eu também sinto falta do Nagi, mas sei que não deve nem se comparar ao que você sente… — ela o fitou, solidária – Se tiver alguma coisa que eu possa fazer para te ajudar, qualquer coisa…
— Você não pode trazê-lo de volta para mim, Hinamori-san… – Tadase murmurou, olhando para a xícara fumegante sem realmente enxergá-la – Essa era a única coisa que eu queria…
— Fique aqui um pouco, e descanse. – Amu sentiu algo na sua garganta. A impossibilidade de ajudar seu amigo só a fazia sentir-se pior consigo mesma. – Está tudo dando certo, você não tem com o que se preocupar quando ao Festival. Eu sei que você não vai querer assistir à peça da Nanami, então…
— Obrigado, Hinamori-san – Tadase tentou esboçar um sorriso, e então se levantou, deixando a xícara intocada de lado – Mas se eu ficar parado aqui, vou acabar enlouquecendo. Acho que vou apenas caminhar por aí e ver se precisam de alguma coisa.
— Você é quem sabe – Amu deu de ombros – Mas se você estiver se sentindo mal de novo, volte aqui! – ela sorriu – Nós temos o serviço especial Omelete de Arroz Moe-moe, com escrita de ketchup! Como membro da classe, você pode comer de graça!
— Está bem, eu vou me lembrar disso – Tadase suspirou, recuperando suas forças, e apreciando o esforço da amiga em reanimá-lo.
Despediu-se de Amu, que continuava bem preocupada com ele, e então voltou a descer para o pátio tentando não olhar para a multidão dessa vez, ou acabaria tendo alucinações novamente. Ele rodeou as barracas, caminhando por trás delas para chegar até o fundo e pensou em talvez comprar alguma coisa para comer, ou então encontrar Yaya e os outros para conversar com eles e distrair sua mente. Ficar pensando em Nagihiko agora, só o fazia sentir-se ainda pior.
Sentou-se em um banco de concreto, na lateral da escola, onde o movimento era menor. Abriu o seu colar, aquele que ele nunca tirava, para ver a foto antiga e amassada de Nagihiko, sorridente e lindo, como sempre. Aquela dor aguda, que insistia em apertar seu peito, estava tornando-se cada vez mais sufocante. Ele sempre pensou que o tempo atenuaria todo esse sofrimento, que ele acabaria por se conformar uma hora ou outra. Era isso o que as pessoas falavam. O tempo é remédio para tudo… Com o tempo, essas feridas se cicatrizariam. Quando ele menos percebesse, pararia de doer tanto. Ele se esqueceria de tudo, eventualmente.
Era mentira.
O tempo não curou nada, e aquela dor só fazia aumentar, cada vez mais pungente, até o ponto em que tornou-se insuportável até mesmo respirar. Sonhava com Nagihiko todas as noites, e todas as manhãs, acordava com lágrimas nos olhos. Mesmo pequenos detalhes durante seu dia, o faziam lembrar-se dele. A forma como as sakuras floresciam, ou o céu dourado no fim da tarde… a maneira como uma criança na rua sorria, uma roupa que alguém vestia, os flocos de neve caindo no inverno, uma música que tocava no rádio… as árvores de Natal, os chocolates de Dia dos Namorados… Tadase vivia em uma constante lembrança de Nagihiko, e ele não o deixava nem por um segundo. Fechou os olhos. Perguntava-se o que ele faria, o que ele diria, se estivesse ali… como estaria sua aparência, depois de tantos anos. Como seria a sua voz, agora…
— Hotori-kun…
Ele podia ouvir com perfeição, o timbre grave e ainda gentil, aquele rouco leve e calmo, que envolvia seus ouvidos, fazendo girar a sua mente. Era assim que a voz dele soaria, agora?
— Hotori-kun…!
Mais alto, mais claro. Era quase como se ele realmente estivesse ali. Aquela ilusão era simplesmente perfeita demais… Tadase queria tanto que isso pudesse ser verdade…
— Eu finalmente te achei, Hotori-kun…
O loiro abriu os olhos, assustado, quase escorregando do banco ao se endireitar. Aquela voz não estava vindo da sua cabeça!
Isso por que, parado a sua frente, ao alcance das suas mãos, com o sorriso mais lindo do que Tadase podia se lembrar, estava Fujisaki Nagihiko.
Ele estava bem mais alto, mais forte, e tão lindo que Tadase mal podia acreditar que fosse algo real. Seus cabelos, naquele exato tom que ele havia visto mais cedo, cintilavam ao refletir a luz do dia atrás da sua cabeça, caindo como cascatas pelas suas costas. Seus olhos de ouro líquido estavam quase transbordando, enquanto ele olhava para Tadase com afeição e incredulidade. O coração do menor parecia que ia explodir a qualquer segundo, e antes que percebesse, ele já chorava copiosamente, como uma criancinha.
Correu até ele, tropeçando, sem pensar nem por um segundo. Aquilo era um sonho? Então Tadase preferia continuar sonhando, para sempre. Apesar de não acreditar, seu coração sabia que era real. Esteve esperando seu desejo se realizar durante todo esse tempo, a esperança não havia morrido completamente.
Ele estendeu os braços, e quando a ponta dos seus dedos tocou o corpo de Nagihiko, e ele não se desfez em fumaça como uma miragem, Tadase soluçou mais uma vez, emocionado, e o abraçou com todas as suas forças, enterrando o rosto no peito dele. Segurando-o com tanta vontade que seus dedos sumiam no tecido do casaco, Tadase sentiu novamente o calor tão aconchegante daqueles braços o envolvendo em resposta, e ouviu as batidas do coração dele, em uníssono com as suas, na sua melodia favorita. Ele não queria acordar, não queria…
— F-f-fujisaki-k-kun… — balbuciou fracamente, sem afastar-se. Tinha medo de que se soltasse Nagihiko agora, ele fosse sumir da sua vista. – É v-v-você mesmo?
— Sim… Hotori-kun, eu estou de volta… — ele suspirou, e disse aquilo que estava esperando para dizer durante três anos inteiros – Tadaima…
Notas finais
Não posso deixar de dizer... esse Nagihiko mais velho me seduz~ E o Tadase, awn, eu apenas quero abraçar ele e dizer que tudo vai ficar bem, omg, ele é tão fofo!!
Agora nosso querido casal finalmente está reunido... e os problemas apenas começam~ Esse festival ainda não terminou! Aguardem ansiosos o próximo capítulo, com a Teffy-senpai!
Espero ansiosa pelos reviews de vocês ♥~
Bye bye o/
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