Itsumo Yakusoku
25 Capítulo 25 - Smile
Você não vai avançar, mesmo que você se preocupe.
Vamos começar? Agora mesmo.
Inseguranças predominam, mas não é assustador caminhar sozinho.
Agora é a hora de descobrir os seus sonhos,
Não se preocupe que eles sejam apenas sonhos.
Coisas como as suas formas, números ou o que quer que seja,
Não me importo com nada disso
A estrada a partir deste ponto é longa e íngreme,
Com alegrias e com tristezas
Que você possa sorrir quando
As suas mãos estiverem cheias
Capítulo 25
~
Smile
Hideyoshi perguntava-se a todo segundo o que raios estava fazendo ali. Por algum motivo, acabava sendo sempre arrastado por aí pelos amigos de Nagihiko, e ainda não entendia como é que isso acabava dessa forma. A garota ruiva, Yaya, parecia ter realmente gostado dele, por que não parava de falar durante todo o caminho.
Eles deveriam estar indo para a casa de Kyouharu e Nanami, mas Yaya teve mais uma das suas usuais brilhantes ideias, e resolveu que eles deveriam passar em uma loja de brinquedos para comprar jogos, e outras coisas para fazerem em grupo durante a festa, o que só aumentava o martírio do garoto. Quando é que ele poderia escapar mesmo?
— Olá, Hideyoshi-kun… que surpresa encontrá-lo na rua…
Uma voz grave, muito parecida com como a de Nagihiko estava ficando ultimamente, sobressaltou o grupo. Hideyoshi virou-se, a tempo de ver o pai de Nagihiko, Atsushi, aproximando-se pelo lado de trás da rua.
— Waaa, parece muito com o Nagi! – Yaya sussurrou para Nanami, olhando admirada para o homem, que apesar de estar mais velho do que quando ela o viu pela última vez, ainda não aparentava ter a idade que tinha. Os longos cabelos violáceos ainda eram tão brilhantes como sempre, sem nenhum fio branco, amarrados em um rabo de cavalo firme. Usava um kimono, como sempre, embora parecesse estar a caminho do carro do outro lado da rua.
— Sim – Nanami concordou, também maravilhada – Será que o Fujisaki-san irá ficar assim quando for mais velho? – indagou, e Yaya sorriu, imaginando como a versão do futuro de Nagi pareceria ao lado de Tadase, que certamente seria como Tsukasa quando estivesse naquela idade.
— Olá, tio… — Hideyoshi cumprimentou, incerto. O homem sorria para ele, e parecia feliz de ver o sobrinho saindo com alguém, para variar. Ele estava sempre sozinho, sério demais, isso às vezes o preocupava.
— Onde está Nagihiko? – ele perguntou. Ao olhar para cada um dos jovens, e reconhecer Yaya, ele repentinamente teve um lampejo de compreensão.
— Nós nos separamos em grupos, ele ficou de comprar a comida… — Hideyoshi explicou rapidamente.
— E com quem ele está? – ele perguntou. Nanami, Kyouharu e Yaya se entreolharam, sabendo muito bem o quanto aquilo era perigoso.
— Ele foi com… Ikuto-san, com Mashiro-san e com…
Yaya teve uma crise de tosse violenta, apoiando-se em Hideyoshi para manter-se de pé, e impedindo-o de continuar a falar. Passaram-se alguns segundos com todos a observando atônitos, enquanto ela continuava com a tosse mais encenada e longa da história.
— Você está bem, querida? – o Sr. Fujisaki indagou, sério.
Ela subitamente parou de tossir, e olhou para o homem. Pelo olhar que ele a fazia, estava na cara que não havia caído no seu teatro, e sendo ele um Fujisaki, isso era bem provável.
— Como eu ia dizendo – Hideyoshi prosseguiu, relevando o bizarro momento anterior – Nagihiko-kun está comprando comida com…
— COM MUITA VONTADE DE COZINHAR PARA NÓS! – Yaya gritou de repente – Ele disse que aprendeu um monte de receitas novas na Inglaterra, e está doido para mostrar para a gente! Não é, não é? – ela olhou para Kyou e Nanami, buscando ajuda.
— S-sim… ele está cheio de ideias novas para as receitas, certo, Onii-chan…? – Nanami riu sem graça, olhando amedrontada para o irmão.
— Ahn… claro… comida da Inglaterra… — Kyouharu fazia uma cara de dar pena, enquanto coçava o pescoço, sem jeito.
Atsushi observou os adolescentes atentamente, e sorriu para si mesmo. Reconheceria aqueles olhares nervosos, de quem quer esconder algo, em qualquer lugar. E ainda, pela expressão de Hideyoshi, ele também não parecia saber de nada. Suspirou, parecendo um tanto cansado.
— Está certo, jovens tem mesmo que se divertir – ele disse, afagando a cabeça do sobrinho, parecendo entender tudo, e ao mesmo tempo, não se importar. – Aproveitem a juventude de vocês… e diga para seu primo, Hideyoshi, para ele ter muito juízo.
— Ahn… sim senhor. – Hideyoshi respondeu apenas, e o tio começou a se afastar pelo lado oposto da rua.
— Ufa… essa foi por pouco – Yaya soltou o ar, aliviada – Vamos logo, antes que a Yaya tenha um ataque do coração e caia durinha aqui! – ela foi puxando Hideyoshi em direção às lojas, e ele nada entendeu daquela conversa maluca e sem pé nem cabeça.
Eles adentraram a primeira loja de brinquedos que encontraram, e enquanto Yaya e Kyouharu estavam empolgadíssimos escolhendo jogos de tabuleiro e de cartas, Hideyoshi foi para perto da porta, esperar que eles terminassem. Inesperadamente, Nanami também se aproximou, parando ao lado dele, balançando as mãos atrás das costas, toda sem jeito.
— Eles com certeza são cheios de energia, não é? – Nanami comentou com um sorriso, olhando para o irmão mais velho, que corria de um lado para o outro com uma máscara de Papai Noel Zumbi atrás da escandalosa Yaya. Daquele jeito, não demoraria até que fossem todos expulsos da loja, de qualquer forma.
— Com certeza. Não sei como você aguenta… — ele comentou sem pensar, mas logo se arrependeu. Aquele era o irmão dela, e ela poderia se ofender de alguma forma. Porém, ao contrário do que ele temeu, ela apenas riu.
— Você se acostuma. Yaya-chan realmente gosta muito de planejar festas, e aproveita cada data comemorativa para reunir todos… — ela contou.
— Por quê? Ela gosta tanto assim de fazer bagunça?
— Também – ela concordou – Mas não acho que seja apenas isso. Eles todos se conhecem desde que são bem pequenos, e criaram laços bem fortes… Acho que ela está tentando manter seus amigos unidos, e aproveita cada chance como esta para se divertir com eles. Eles já foram separados muitas vezes, entende… acho que ela apenas não quer que a amizade entre eles acabe. E então, organizando coisas como essas festas juntos, ela consegue fazê-los ficarem juntos durante vários dias, planejando e organizando tudo… e então comemorando… Bem, acho que é um plano muito efetivo – ela suspirou, parecendo contente. Hideyoshi a fitou por alguns instantes, sem saber o que dizer. Ela parecia bastante feliz em contar sobre isso, e ele nunca havia pensado daquela maneira. Ela o fitou novamente, inclinando a cabeça, e continuou a falar — Desde que eu conheci os guardiões, tenho me divertido muito também. Eles são muito animados – ela sorriu – Você vai aprender a conviver e se divertir com eles, também, tenho certeza…
— Guardiões? – Hideyoshi murmurou, incerto.
— Ah, sim! É como eles eram conhecidos quando estavam estudando na Seiyo… uma espécie de Conselho Estudantil, eu acho… — ela explicou, colocando o dedo no queixo – Tadase-kun sempre gostou muito dessas coisas, quando eu os conheci, eles já estavam no sexto ano… Ele sempre teve muita aptidão para cuidar dos outros…
— Entendo… — Hideyoshi se remexeu, um tanto incomodado ao ouvir Nanami falando de maneira tão casual e natural sobre Tadase. Resolveu mudar de assunto, e lembrou-se de outra coisa que o intrigava há algum tempo – Ah, você os conhece desde a época em que estavam no Elementar, não é? Então, deve saber como era a namorada dele!
— Namorada? Eu nunca ouvi sobre nenhuma… ah! – a compreensão tomou o rosto dela, quando ela percebeu do que ele falava – Namorada… bem…
— Você sabe quem era? – ele indagou, muito mais curioso do que o costume. – Nagihiko disse durante a viagem, que ela era sua amiga de infância, e eles namoraram quando estavam no elementar ainda! Eu realmente quero saber como ela era…
Nanami virou o rosto, olhando para a prateleira de bonecas ao lado, como se isso pudesse realmente disfarçar sua inabilidade de mentir.
— Eu, b-bem… não a conheci pessoalmente, q-quero dizer… — ela mordeu os lábios, nervosa. Não queria contar nada que comprometesse Nagihiko e Tadase, mas ao mesmo tempo, sentia-se muito mal em ter que enganar alguém como Hideyoshi, que aparentava ser tão… ingênuo, para certos assuntos.
— Ah… então eles já tinham terminado quando você os conheceu… Que pena, eu realmente fiquei curioso… — ele lamentou.
— Você e o Fujisaki-san parecem se dar muito bem um com o outro – ela observou, com um sorriso, querendo mudar de assunto.
— Nós moramos juntos durante o tempo em que ele ficou na Inglaterra. Ele nunca foi muito de conversar, embora… para falar a verdade, desde que voltamos ao Japão, é que começamos a nos relacionar mais facilmente, e ele parece muito mais feliz, também…
— Eu sei… — ela sussurrou mais para si mesma, e fitou o teto da loja, vendo os móbiles de aviões bem acima da sua cabeça, que se balançavam lentamente – A vida do Fujisaki-san está aqui… — ela imediatamente pensou em Tadase. Ele era a vida de Nagihiko, era evidente para qualquer um. Mas ainda, seu coração insistia em doer cada vez que pensava nele, e isso a fazia sentir-se frustrada consigo mesma. Não queria ser esse tipo de personagem, que só atrapalha a vida de um casal feliz…
— Heeeey! Nós já terminamos aqui! – Yaya surgiu à frente deles, de repente, trazendo algumas das compras, e Kyouharu vinha logo atrás, carregando mais um monte de sacolas. – Vamos para a casa agoooora, organizar tudo!
— Hai~ — Nanami os acompanhou para fora da loja, ajudando o irmão a carregar um pouco das sacolas – Você não vem, Fujisaki-kun? – ela olhou para trás, onde Hideyoshi ainda a observava.
Se ele queria fugir, agora era a hora perfeita. Yaya estava distraída com as compras, ninguém poderia segurá-lo. Mas, inesperadamente, ele não quis. Realmente, do fundo do seu coração, ele queria ir com aquelas pessoas, e ajudar a organizar uma festa de Natal com elas. Estava surpreso consigo mesmo por se sentir dessa forma.
— Esperem por mim… — a voz que ele ouviu não parecia ser a sua, mas ele não se importou por estar agindo fora do seu normal. Pela primeira vez na vida, ele realmente estava sentindo-se parte de algo… e isso não era ruim.
— O que acha deste, Hotori-kun? – Nagihiko indagou, mostrando a embalagem de cobertura de biscoitos natalinos – Ou quem sabe esse daqui é melhor? Ele é mais caro, mas também vem mais…
— Acho que este é melhor… — ele apontou para uma das caixas, ainda na dúvida – O preço não está tão ruim também…
— Sim, tem razão… vou levar dois – ele foi colocando no carrinho, e então voltou a empurrá-lo. – Ah, temos que pegar amêndoas e nozes!
Enquanto iam juntos fazendo as compras, embora não pudessem namorar bem como desejavam, Tadase não podia negar que era divertido. Passar algum tempo com Nagihiko, fosse da forma que fosse, era sempre agradável. Porém, estar fazendo com ele algo tão cotidiano como compras em um mercado, o deixava ainda mais feliz. Não conseguia se conter, e acabava imaginando, que de alguma forma, eles poderiam estar fazendo exatamente isso no futuro. Morando juntos ou algo assim… ah, isso seria um sonho.
— Por que está sorrindo…? – Nagihiko fitou Tadase de canto, sorrindo também – Pensou em alguma coisa?
— N-não, eu… não pensei em nada. – Tadase desconversou, corando ligeiramente.
— Conta pra mim, vai… — Nagihiko insistiu, inclinando a cabeça na direção de Tadase, com seus irresistíveis olhos dourados completamente suplicantes. Tadase revirou os olhos, rendendo-se.
— Está bem. Eu estava só imaginando… que…. Bem, fazer compras junto com você dessa forma… seria bom se… fosse todos os dias… é isso. – ele virou o rosto, constrangido, e sabia que nesse momento, Nagihiko iria rir dele.
— Você estava imaginando como seria morar comigo, Hotori-kun?
— Mais ou menos… algo assim… — ele desconversou – Olha ali, as amêndoas…
— Espera! Isso é… isso é muito fofo, Hotori-kun! – ele bradou, e Tadase corou furiosamente, encarando-o com indignação – Você quer se casar comigo e morar juntos, e fazer compras dessa forma todos os dias! Não é?
— N-não fale tão alto! – Tadase replicou, olhando ao redor com temor – É isso mesmo, satisfeito? Eu estava imaginando, é só isso! Não faça tanto escândalo…
— Ah, Hotori-kun… — Nagihiko sorriu, segurando a mão dele discretamente – Eu prometo, algum dia, vou me ajoelhar e pedir sua mão em casamento, com aliança e tudo. Apenas espere para ver…
— Pare de falar coisas embaraçosas, Fujisaki-kun!! – Tadase tentava disfarçar o rubor em sua face, enquanto olhava ao redor para verificar se ninguém os olhava.
— Droga, Hotori-kun, você está fazendo eu ter ainda mais vontade de te abraçar… — ele murmurou, como uma criança birrenta que não pode ter seu brinquedo na hora em que deseja – Certo, tenho um plano. – ele soltou Tadase, e saiu a toda velocidade com o carrinho, pegando qualquer coisa das prateleiras, sem nem verificar o que era, completando assim a lista de compras de Yaya em um piscar de olhos.
Quando ele retornou para o corredor onde Tadase estava paralisado, ainda perdido na sequência de eventos, sorriu abertamente.
— O que foi isso? – Tadase indagou, atônito.
— Eu já terminei… vamos? – ele mostrou a lista e o carrinho cheio, e Tadase não teve outra opção além de acompanha-lo. Logo, eles encontraram Ikuto e Rima, que inesperadamente, discutiam sobre que tipo de chocolate deveriam levar para derreter e fazer os chocolates quentes.
— Eu to dizendo, esse com rum vai ficar ótimo!!!
— Não! Você só quer embebedar todo mundo que eu sei! Vamos levar apenas o que está na lista.
— Você fala como se precisasse muito pra ficar bêbada mesmo…
— Quieto, Tsukiyomi!! Eu já deixei você levar várias bebidas que nem estavam na lista, então… – Rima vociferou, mas ao perceber que Nagihiko e Tadase vinham na sua direção, parou subitamente, fitando-os com morbidez – Vocês estão planejando fugir das compras, não estão? – ela comentou tediosamente, antes de qualquer um dizer algo. Tadase corou furiosamente, delatando-se, mas Nagihiko apenas sorriu com descaso.
— Nós já terminamos a nossa parte, apenas isso – ele afirmou com inocência, quase crível – Aqui, fiquem com o carrinho, a lista e o dinheiro. Vocês só precisam carregar isso para a casa do Kyouharu, não é? Chamem um táxi, se ficar pesado demais. Eu e o Hotori-kun temos um compromisso, com licença…
— Aham, compromisso – Ikuto revirou os olhos, enquanto Rima pegava tudo o que Nagihiko estendia para ela – Isso é fugir das suas responsabilidades – ele replicou, como se fosse realmente a pessoa indicada para falar sobre responsabilidades e lições de moral.
— Isso é aproveitar oportunidades. – Nagihiko respondeu apenas – Diga para o Hideyoshi que eu fui para casa antes. – pediu, e segurando a mão de Tadase, os dois saíram dali mais rápido do que Rima poderia dizer bala-balance no chara change, deixando para trás os dois com todas as compras para pagar.
— Para onde será que os dois vão? – Ikuto comentou desinteressado, colocando os chocolates que escolhera no carrinho sem Rima ver.
— Não sei. No mínimo devem estar indo procurar um beco escuro ou um banheiro para se agarrarem. – ela observou, empurrando o carrinho extra com certa dificuldade pelo corredor – Isso não é nada bonito, mas… deve ser difícil também. Ter que se esconder dessa maneira… eu não sei se conseguiria.
— Então você os admira? – Ikuto indagou, surpreso.
— De certa forma. – ela respondeu, inflexivelmente – Fui eu quem disse pela primeira vez para o Nagihiko parar de ser um banana e se declarar de uma vez, mas ele ainda demorou meses para me escutar. Fico me perguntando como teria sido se eles tivessem ficado juntos antes, o se Nagihiko nunca tivesse se declarado. Acho que não tem como saber…
— Eu soube, pelas minhas fontes… — Ikuto estava hesitante, e isso nunca era um bom sinal. Rima ergueu a cabeça na direção dele, curiosa – Que você se declarou para o Fujisaki uma vez. É verdade?
O simples fato de Ikuto chamar algum dos “Pirralhos” pelo nome já era surpreendente por si só, mais ainda ele parecer realmente interessado na resposta. Rima corou ligeiramente, mas manteve-se firme.
— Sim. Eu achava que estava apaixonada por ele, durante certa época. Deprimente ter se apaixonado por um gay, mas acho que acontece na vida de qualquer garota dos tempos de hoje, pelo menos uma vez – ela abanou a mão, como se não fosse nada digno de nota – Ele me tratava diferente dos outros garotos. Não como se eu fosse alguém especial, fofa ou qualquer coisa assim. Ele não agia como meu escravo, e eu gostava disso. Ele agia comigo como se eu fosse apenas alguém normal, uma amiga, e até ria de algumas das minhas piadas. Só então percebi que ele agia assim com todas as garotas… e a pessoa que ele realmente valorizava e tratava de uma maneira especial era o Hotori.
— Qualquer um perceberia isso. Mas você não ficou com raiva, ou triste? – ele franziu o nariz, como se achasse ridícula aquela ideia. Rima pensou por alguns segundos, dando uma olhada nas embalagens da prateleira ao lado.
— Não. Eu sabia, de alguma forma, que acabaria assim. Como você disse, qualquer um teria percebido, menos talvez, o baka do Tadase… enfim, eu superei isso há muitos anos. Não foi nada de importante– ela se colocou na ponta dos pés, esticando a mão ao máximo, para tentar alcançar a sua marca de chá favorita. Os braços longos de Ikuto se entenderam acima da sua cabeça, chegando até lá facilmente, e pegou três caixinhas, colocando no carrinho. Ele tinha um sorriso estranho no rosto, e Rima não gostava disso.
— Então você se apaixona por qualquer um que seja seu amigo? – ele aumentou o sorriso, fitando-a com escárnio. Rima, contra sua vontade, sentiu o rosto corar.
— Felizmente, você não se encaixa nessa categoria, Tsukiyomi. – ela virou o rosto, e empurrou o carrinho na direção do caixa – Vamos logo. Yaya vai pirar quando souber que aqueles dois conseguiram escapar…
Ikuto sorriu mais uma vez para si mesmo, e a seguiu. Talvez a festa de natal dos pirralhos fosse mesmo ser mais interessante do que ele pensou que seria.
Enquanto isso, depois de sair do mercado, Nagihiko olhou para todos os lados, quase em desespero para achar algum lugar aonde ir com Tadase. O estúdio de dança ficava longe dali, e no meio do distrito comercial era difícil encontrar um lugar onde não houvesse pessoas. Nagihiko não queria ter que recorrer a banheiros novamente, e haviam poucas opções restantes, mas de repente, um letreiro luminoso chamou sua atenção, e iluminou sua mente.
— Ali, Hotori-kun! – Tadase se assustou quando ele o chamou de repente – Um karaokê!
Sendo que os karaokês possuíam salas reservadas e ainda eram discretos, seria pouca a probabilidade de encontrar alguém conhecido ou ser interrompido. Nagihiko animou-se com sua súbita ideia, mas Tadase ainda estava envergonhado demais para dizer qualquer coisa.
Eles andaram até o local, e ao entrar, Nagihiko foi logo pedindo por uma sala. Enquanto ele fazia o cadastro, Tadase olhou ao redor, um tanto tenso. Embora quisesse realmente ficar algum tempo sozinho com Nagihiko, mais do que qualquer coisa, a ideia ainda parecia arriscada, e ele não conseguia se livrar de uma intensa sensação de que estaria sendo observado. Temendo a possibilidade, ele fitou discretamente o lado da porta. Uma sombra se moveu, parecendo se afastar no momento em que ele olhou, e o loiro se encolheu, aproximando-se de Nagihiko inconscientemente.
— Vocês aceitam cartão? – ele perguntava para a moça, estendendo o cartão para ela. Ele parecia tão animado agora que Tadase decidiu não incomodá-lo com suas suposições malucas. Devia estar apenas nervoso, era isso.
A atendente os encaminhou até a sala reservada, e depois de uma breve explicação sobre o funcionamento das máquinas, e de dizer que se quisessem qualquer coisa para comer ou beber, poderiam chamá-la pelo interfone, ela se despediu e saiu da sala, deixando-os enfim a sós.
Nagihiko tirou o casaco que usava, deixando-o de lado, e sentou no sofá, ligando a televisão do karaokê. Tadase afrouxou o cachecol vermelho do pescoço, lentamente, e sentou ao seu lado, folheando a lista de músicas com atenção, embora não estivesse lendo nada do que estava escrito ali.
— Eu senti tanto a sua falta durante as semanas de provas… o tempo parecia se arrastar, não passava nunca… — Nagihiko comentou, aproximando-se de Tadase, o que o fez estremecer. Ele já estava sensível aos atos de Nagihiko desde antes, e agora que estavam finalmente sozinhos, parecia que iria desmaiar a qualquer momento, seu coração batendo como louco. Nagihiko tirou o caderno de músicas da mão de Tadase, fazendo-o fita-lo diretamente – Você não sentiu saudades de mim, Hotori-kun?
— Sim, muita… — Tadase se rendeu, praticamente derretendo nos toques de Nagihiko. Sem pensar, aproximou-se, cerrando os olhos para apreciar melhor o carinho do maior em seu rosto. Nenhum dos dois parecia motivado a cantar, de qualquer maneira, e Nagihiko não se preocupava com mais nada além do fato de que Tadase estava ali, completamente entregue em seus braços, em um lugar onde ninguém os atrapalharia.
Claro que não poderiam se empolgar demais, em um local como aquele, evidentemente, e a hipótese nem mesmo passou na cabeça dos dois. eles só queriam matar as saudades que sentiam um do outro, com um pouco de privacidade, algo que era raro, e muito valorizado por eles.
Nagihiko abraçou Tadase, encaixando seus lábios nos dele perfeitamente. Sentiu-o estremecer diante disso, enlaçando seu pescoço ao mesmo tempo, entrelaçando os dedos nos seus cabelos como tanto gostava de fazer. invadiu os lábios rosados com a língua, percorrendo o caminho já conhecido, mas que parecia ainda ter tanto a explorar. Ele o trouxe para mais perto, quase para cima de si, enquanto o segurava pela cintura, a camisa levantando ligeiramente com o movimento. Sentia o perfume dele inebriar seus sentidos, e perguntava-se, como é que conseguira sobreviver a tantas semanas longe dele afinal?
Os dois se separaram, ofegantes, e Nagihiko se endireitou no sofá, acariciando a cabeça de Tadase levemente. Beijou o topo da sua cabeça, e foi descendo lentamente, pelo rosto, nariz, bochechas, orelhas. Tadase soltou uma pequena interjeição, que Nagihiko interpretou como de satisfação.
— Você já sabe o que quer de Natal, Hotori-kun…?
— Eu queria nunca mais ter que te deixar, Fujisaki-kun… — ele murmurou com voz fraca, segurando o rosto de Nagihiko com ambas as mãos, enquanto sentia ele escanear seu rosto com os olhos atentos. – Cada vez que temos que nos despedir, é tão doloroso… queria estar sempre com você… todos os dias da minha vida. Queria não ter que me esconder... queria poder fazer você feliz…
— Eu sei disso, também é o que eu quero… — Nagihiko o abraçou com força, beijando-o mais uma vez na testa, carinhosamente – Eu te amo tanto, tanto… se apenas eles pudessem perceber, e aceitar… mas, não diga isso como se fosse algo impossível. Eu vou fazer acontecer, apenas espere… e, só para constar, você já me faz muito, muito, muito feliz. – ele sorriu, cutucando com o indicador o nariz de Tadase, fazendo-o corar. – Talvez, se continuarmos juntos, consigamos um Milagre de Natal, hm?
— Seria bom. – ele abraçou Nagihiko com força, enterrando o rosto no peito dele. – Ainda quero passar muitos, muitos natais com você, Fujisaki-kun… — ele sussurrou, lembrando-se repentinamente de outros dezembros, quando Nagihiko não estava mais ali. Apenas a lembrança desses tempos, mesmo que eles já estivessem no passado, fazia seu coração se apertar.
— E assim vai ser… — ele se inclinou e tomou os lábios de Tadase mais uma vez, com facilidade. Queria transmitir toda a extensão dos seus sentimentos com aquele beijo. Deixar Tadase mais tranquilo, acalmar o coração dele, transmitir um pouco de esperança para o futuro que eles tinham em frente, juntos.
Subitamente, uma batida na porta os fez recuarem. A repentina recordação de que não estavam sozinhos no mundo os fez acordarem do mundinho de sonhos. Nagihiko ergueu-se, indo atender à porta. Ali estava a atendente sorridente de antes, estendendo algo na sua direção.
— Sinto muito, o senhor deixou isso na recepção – ela entregou o cartão de créditos a Nagihiko, que agradeceu. A sua falta de atenção e a súbita interrupção eram apenas um amargo lembrete de que as coisas não eram tão simples para eles dois. nada que um Milagre de Natal pudesse realmente transformar.
Porém, enquanto a recepcionista sumia escadaria abaixo, Nagihiko notou com surpresa algo que não estava ali antes.
— Hotori-kun, olha só… — ele chamou, e Tadase veio correndo. Ele apontou para a janela do corredor, de onde eles podiam ver delicados flocos brancos descendo lentamente do céu, acumulando-se onde quer que tocavam, desde o peitoril da janela, até a rua, os carros, as arvores e prédios do lado de fora.
Os olhos de Tadase brilharam como os de uma criancinha, enquanto ele corria para a janela para olhar melhor.
— Vai ser outro Natal Branco! – ele observou, alegremente. Nagihiko sorriu, afagando as costas dele delicadamente, enquanto se colocava de lado para observar – Espero que seja também um natal feliz… — adicionou com certo receio, fitando Nagihiko com o canto dos olhos. alguém podia aparecer a qualquer segundo, mas agora, ele não se importava tanto. só queria poder ficar assim, olhando a neve com ele, por mais algum tempinho.
— Contando que eu esteja com você, Hotori-kun, todos os natais… – ele sorriu e beijou o rosto corado de Tadase, afagando-o levemente logo depois – melhor dizendo, todos os dias da minha vida serão completamente felizes…
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