Itsumo Yakusoku

9 Capítulo 9 - Shadow of Love


Confie em mim

Mesmo se estivermos separados

Memórias não podem apagar laços

Você irá confiar em mim

Você pode ver as estrelas que eu aponto, certo?

Sem desviar os olhos

Vamos tentar falar pela primeira vez:

A pessoa que estou sempre olhando

É você



Capítulo 9

~

Shadow of Love

Sentindo o vento frio do outono bater em suas costas, Nagihiko caminhava rapidamente pela rua, querendo chegar ao seu destino o mais rápido possível. Adentrou no pequeno restaurante, que ficava muito longe de qualquer lugar que ele costumava frequentar, e era a primeira vez que ia até lá. Não era muito grande, revestido de madeira e com as paredes cor de creme. As mesas perto de onde ele estava ao entrar ficavam na janela, mas havia outras mesas com divisórias altas repletas de folhagens no topo que as mantinham privadas das mesas vizinhas. Nagihiko se dirigiu direto para lá, sem perguntar por informações para as atendentes.

E lá estava sentado calmamente Tadase, esperando-o enquanto brincava com a colher da sua xícara de chocolate quente. Nagihiko não pode deixar de sorrir para si mesmo, antes de avançar na direção dele. Ao erguer os olhos do que fazia, e ver que Nagihiko se aproximava, ele também sorriu, docemente, com o coração batendo rápido com apenas essa pequena troca de olhares.

— Olá, Hotori-kun… como você está? – ele indagou tranquilamente, tomando o assento a frente de Tadase.

— Estou bem… — Tadase respondeu sem jeito, batendo os pés contra o sofá ritmicamente, tentando se acalmar. A felicidade momentânea que sentiu ao ver Nagihiko chegar se esvaiu em um segundo, quando ele lembrou por que tinha vindo até ali, aceitando o convite de Nagihiko. Parecia uma boa oportunidade de contar a ele sobre como não havia conseguido desmanchar o noivado com Nanami. No entanto, agora que estava prestes a fazer isso, parecia uma tarefa impossível! Ainda mais quando Nagihiko sorria para ele daquela forma…

— Me desculpe por fazer você sair do seu caminho para vir até aqui… Como é um lugar longe, e fica em uma rua mais afastada… eu pensei que ninguém que nós conhecemos viria até aqui. Mas parece um lugar legal, não é? – Nagihiko falou rapidamente, chamando a garçonete. Enquanto ele fazia seu pedido, Tadase retorcia as mãos no colo, pensando na melhor maneira de dizer aquilo a ele. Não queria estragar aquele sorriso lindo que Nagi reservava apenas para ele… mas tinha que contar logo, ou perderia a sua chance.

— F-fujisaki-kun… tem algo… algo que eu preciso falar para você… — ele esfregou ainda mais as mãos uma na outra. – É importante…

— Pode falar… — Nagihiko incentivou, pausadamente, sentindo o quanto Tadase estava nervoso. Ficou imediatamente preocupado, e o fitou com seriedade.

— Eu… falei com a Nanami-san, como nós havíamos combinado, e ela aceitou tudo muito perfeitamente, e nós só precisávamos falar com nossos pais sobre isso… — Tadase hesitou, pensando bem nas palavras que precisava dizer – Nós havíamos feito um acordo, de terminar o noivado de qualquer forma, antes que tivéssemos que nos casar. Mas… ela me pediu um pouco mais de tempo… Parece que se ela acabar o noivado comigo, terá que se casar com outro garoto, e ele é absolutamente repugnante… por isso, ela pediu que eu ficasse noivo dela somente até ela ser maior de idade, e poder decidir sozinha com quem quer se casar… — Tadase encerrou. Tinha os olhos pregados em suas mãos, e sentia-se incapaz de fitar Nagihiko diretamente agora. Todas as esperanças que ele havia nutrido com tanta vontade estavam esvaindo-se como areia em suas mãos, e ele não podia fazer nada para mudar isso.

— Ah, então é isso… — Nagihiko murmurou, enfim compreendendo o motivo da inquietação de Tadase. – Suponho que não há nada que possamos fazer agora… mas, por que você está tão nervoso, Hotori-kun? – indagou, deslizando a mão sobre a mesa para segurar a de Tadase, que ainda tremia levemente.

— Você… não está bravo comigo? – o loiro ergueu os olhos finalmente, surpreso – Quero dizer… eu disse que ia acabar com esse noivado, mas no fim, não fui capaz de fazer isso, e…

— Está tudo bem, é sério! Não é como se nós pudéssemos realmente ficar juntos apenas desmanchando esse noivado, certo? Então, acho que foi melhor assim. Pelo menos elas não têm como desconfiar de nós enquanto você estiver comprometido… — ele acariciou a mão de Tadase gentilmente, sorrindo para acalmá-lo – E ainda, eu sei que você nunca iria deixar uma garota como ela tendo que enfrentar um mau casamento por sua culpa, não é? – ele sabia muito bem que Tadase fizera isso pensando unicamente no bem de Nanami, e admirava esse lado altruísta dele. Ele mesmo, provavelmente não faria o mesmo se estivesse no lugar dele.

— M-mas… eu ainda estou noivo dela, oficialmente. Isso não incomoda você? – Tadase murmurou, incrédulo.

— Eu só aceitei esperar você terminar com ela por que sabia que ficar comigo pelas costas dela o fazia sentir-se culpado, mas… eu não me importo de verdade com isso. Quero dizer, é claro que me incomoda, e muito, o fato de você estar comprometido dessa forma com qualquer pessoa que não seja eu – ele entrelaçou os dedos com os de Tadase, e ele corou ligeiramente, sentindo seu coração bater loucamente no peito – mas eu entendo que isso é necessário, e talvez seja até favorável para nós dois. Se você estiver com ela, minha mãe não tem motivos reais para pensar que estamos juntos novamente, isso nos deixa com algum tempo de folga para pensar em como agir daqui para frente…

— Então… você não está com raiva de mim? – indagou Tadase em um fio de voz, só para confirmar.

— Raiva? – Nagihiko riu com vontade – Como se eu pudesse ter raiva de você, Hotori-kun! Eu entendi perfeitamente os seus motivos, e concordo com você que essa acabou sendo a melhor escolha. Eu só… sinto um pouco de… — os olhos dele minguaram um pouco, e o sorriso se tornou melancólico -… inveja dela, por poder ficar do seu lado com tanta facilidade… Eu queria estar no lugar dela. Se eu fosse uma garota de verdade…

—Não diga isso! – Tadase o interrompeu, quase impaciente, segurando com as duas mãos a de Nagihiko, que surpreendido pelo tom de voz alto usado pelo menor, ainda mantinha na sua. – Eu amo o Fujisaki-kun da maneira que o Fujisaki-kun é! Não pense que deveria mudar só por minha causa, eu não ia ficar feliz com isso!

— Tem razão… — Nagihiko baixou os olhos, relaxando os ombros. – Isso foi só um pensamento idiota, eu não devia dizer essas coisas para você. Não é como se nós pudéssemos controlar nossos destinos, de qualquer forma. Só nos resta… lutar para ficarmos juntos, da maneira que somos, com as armas que temos…

— Sim, é isso… — Tadase voltou a sorrir, baixando a mão de Nagihiko de volta na mesa – E… b-bem, a Nanami-san disse que… n-não se importa se eu quiser me encontrar com você, de vez em quando… — ele admitiu em voz baixa, corando um pouco.

— Então, isso faz de mim o seu amante? – Nagihiko sorriu de canto, pegando Tadase de surpresa. O loiro corou ainda mais furiosamente – Ora, isso parece interessante! Vamos, Hotori-kun, não é emocionante? Eu serei seu amante. – ele fitou Tadase provocantemente, erguendo a mão dele e repousando sobre seus lábios, beijando de leve os dedos finos. Tadase sentiu um arrepio percorrer a sua espinha – Como em um filme antigo, nos encontrando em ruas escuras, usando capaz longas e chapéus para não sermos reconhecidos…

— Não diga essas coisas com tanta facilidade, Fujisaki-kun! – ele repreendeu, recolhendo a mão de uma vez – Você parece até animado com a ideia…!

— Não posso negar que a ideia de encontrar você escondido de todos me excita um pouco… — ele sorriu ainda mais provocantemente, e Tadase desejou se esconder debaixo da mesa pela vergonha – Minha alma de artista se sente atraída por esse lado dramático… — ele colocou a mão no peito, recitando poeticamente. Tadase não conseguiu se segurar, e riu da feição solene de ator que Nagi fazia agora.

— Pare de falar besteiras, Fujisaki-kun! – Tadase, ainda rindo, tentou repreendê-lo – Esse assunto é sério!

— Claro, claro, gomen, Hotori-kun… — Nagihiko segurou novamente a mão de Tadase, vendo-o rir ainda, com um olhar cálido tomando o seu rosto. Em momentos assim que ele tinha a certeza de que jamais deixaria de amar aquele garoto, não importando pelo que tinham que passar.

A garçonete se aproximou novamente, deixando o pedido de Nagihiko no espaço entre os dois, e então se afastou, não antes de lançar um longo e intrigante olhar na direção das mãos entrelaçadas dos dois.

— Você pediu torta de frutas! – os olhos de Tadase brilharam, ao ver o colorido prato colocado na sua frente.

— É o seu favorito, não é? – Nagihiko sorriu, servindo com a colher um pedaço do doce, e erguendo na direção da boca de Tadase – Diga “ah”!

Tadase ia dizer que era perigoso fazer isso assim em um lugar onde alguém poderia vê-los, mas não resistiu ao ver o sorriso carinhoso que Nagihiko lançava para ele, e depois de hesitar um pouco, abriu a boca e aceitou o doce.

— Ah, está gostoso! – ele exclamou, feliz – Mas… eu ainda prefiro a que você faz…

— Sim… da próxima vez eu faço uma para você, então… — ele provou um pedaço da torta, e então ofereceu outro pedaço para Tadase, que aceitou de bom grado.

— Eu sinto tanta saudade da sua comida! – ele contou, enquanto Nagihiko comia mais um pouco.

— Só da minha comida? – Nagihiko ergueu os olhos de forma suplicante, ensaiando um beicinho contrariado.

— Claro que não! Eu senti falta de você por inteiro! Muita, muita falta mesmo… — ele baixou os olhos escarlates, sentindo o peito doer um pouco com essa lembrança.

— Eu sei disso, Hotori-kun. Também me senti assim… — ergueu a mão, acariciando ao colocando a mecha de cabelo do loiro atrás da orelha dele, pra ver melhor o seu rosto – Mas eu estou aqui agora, não estou? Então vamos aproveitar o nosso momento juntos.

— Ah! Sim, você tem razão. – Tadase ergueu os olhos, sorrindo tranquilamente para Nagihiko. Queria aproveitar aquele momento que tinha com ele, queria muito. Mas os fantasmas dos problemas que tinham que enfrentar não deixava de assombrá-lo. – Aqui, está sujo… — Tadase avisou, erguendo a mão e delicadamente limpando o restinho de glacê da ponta dos lábios de Nagihiko. Foi a vez dele tremer diante do toque inesperado. – O que foi? – Tadase indagou inocentemente, limpando o dedo com a língua.

— Nada… — ele respondeu, com um sorriso – Só estou pensando que… sem que eu me desse conta disso…você cresceu. – ele acariciou o rosto de Tadase com o polegar, e voltou a se afastar, sentando para trás. Ele o fitou, intrigado, mas Nagihiko apenas ergueu novamente a colher com um pedaço de torta nela – Vamos lá, abra a boca, Hotori-kun…



Nagihiko ergueu a bola acima da cabeça, apoiando a força nos joelhos flexionados, e depois de um salto perfeito, lançou. A bola girou pelo ar, batendo na tabela e caindo direto na cesta.

— Aaah, você continua bom como sempre nas de 3 pontos, nee, Fujisaki? – Kukai comentou, meio ofegante e suando depois de ter ficado horas jogando com Nagihiko. Eles estavam na quadra do parque, desde o início da tarde, e ele estava absolutamente exausto. Como não jogava basquete direito desde que fora para a Inglaterra, Nagihiko já estava quase no seu limite, e precisava extravasar, mas Kukai não aguentava mais acompanhar o seu ritmo. – Ei, vamos dar um tempo, ok? – Kukai pediu, correndo para o outro lado e tentando recuperar o fôlego.

— Certo, então! – Nagihiko recolheu a bola, também ofegante, e sentou ao lado de Kukai na beirada da quadra. Enquanto ele tomava água, outras crianças que antes brincavam por ali começaram a jogar, no lugar que eles haviam deixado vago. Kukai sentou para trás, descansando os músculos. Daichi e Rhythm voavam pelo parque, alegremente, enquanto Temari havia se instalado em meio as flores de um canteiro próximo, cuidando Nagi de longe.

— Como vai indo as coisas com o Tadase? – ele perguntou sem fazer cerimônia, e Nagihiko sobressaltou com a pergunta feita tão inesperadamente. Segurou a bola no colo, olhando para o alto, pensando no que dizer.

— Você deve saber que eu voltei só por causa dele, não há porque esconder isso… mas as coisas são mais complicadas agora…

— Vocês já conversaram? – Kukai indagou, curioso. Sabia muito bem que o caso deles era complexo, ainda mais com um casamento envolvido, mas queria poder ajudar de alguma forma.

— Sim – Nagihiko respondeu, e Kukai apenas confirmou algo que já tinha alguma ideia. Claro que eles já deviam ter se encontrado por aí, sem que ninguém soubesse, e todos já suspeitavam disso há algum tempo. – Nós decidimos que queremos ficar juntos, e isso é tudo o que importa para mim. Não me importo nem um pouco com a minha família, com a dele ou com esse noivado sem fundamento. Só quero ficar com ele… mas ainda precisamos decidir como vamos fazer isso acontecer…

— Então é melhor agir logo, Nagihiko – Kukai entoou em tom preocupado, parecendo muito mais sério do que normalmente era. Nagihiko lembrou que, apesar do amigo não parecer ter mudado tanto fisicamente, estando somente mais alto, ele ficara também mais velho, e já estava quase se formando no ensino médio. É claro que estaria um pouco mais maduro, afinal. – Alguns alunos do meu ano conhecem pessoas da sua escola, e muitos comentários sobre você e sobre o Tadase tem se formado… você deveria tomar mais cuidado.

— Sim, eu já ouvi sobre eles na minha escola. Na verdade, ouço isso todos os dias, eles não tentam nem ser discretos para falar mal das pessoas. – Nagihiko suspirou, passando as mãos pelos cabelos que estavam amarrados com um rabo de cavalo frouxo, durante o jogo – Eu sei que será muito ruim se a minha mãe ouvir sobre eles também… provavelmente vai me mandar para fora do país de novo…

— E você não quer isso, certo? – Kukai completou, tomando um gole de água na garrafa plástica – Então, deveria dar um jeito de acabar com esses boatos. Embora não sejam exatamente “boatos”.

— Eu sei disso. Já pensei que preciso conter esses comentários antes que cheguem aos ouvidos da minha mãe, mas simplesmente não sei como fazer isso. – Nagihiko ergueu a cabeça, jogando os cabelos para trás – Na verdade, eu sinto como se não quisesse negá-los. Eu simplesmente não consigo mais mentir dessa forma. Não consigo mentir sobre quem eu sou… e nem sobre quem eu amo…

— Acho que isso é bom pra você… lembra, quando nós conversamos sobre você gostar do Tadase, e você disse que era melhor esconder isso? – Kukai sorriu, e Nagihiko acenou com a cabeça, recordando dessa passagem. Havia sido durante um aniversário de Tadase, há muitos anos… — Então… eu fiquei bem preocupado na época, mas agora estou mais tranquilo. Você já é capaz de aceitar a verdade, e quer dividir a verdade com as outras pessoas, então isso é bom.

— Tem razão, Kukai-kun… eu vivi uma mentira completa, durante tanto tempo, que acabei desaprendendo a viver a verdade. Foi o Hotori-kun quem me ensinou sobre isso… — Nagihiko sorriu, observando as crianças que jogavam na quadra agora. Elas devia ter a idade que ele tinha quando foi embora. Pareciam se divertir tanto…

— E você já falou com ele sobre o isso?

— Sobre o que?

— Sobre os comentários… acho que você devia conversar com ele sobre isso também, certo?

— Não. O Hotori-kun só ia ficar preocupado, e ainda ficar pensando besteiras sobre a culpa ser toda dele, e tentando arrumar uma maneira de me ajudar… iria acabar sendo pior para ele. Não quero causar problemas desnecessários. Eu vou dar um jeito nisso por mim mesmo…

— É melhor se apressar, essas fofocas correm rápidas, você sabe melhor do que ninguém. E não é mais como quando você estava em Seiyo, que eu ou os outros guardiões podíamos defender vocês, ou o Tsukasa-san poderia acabar com esses comentários de uma só vez. Sem falar que você e o Tadase tinham uma penca de fãs, elas nunca acreditavam de verdade nessas histórias, e até defendiam vocês também…

— Ah, Kukai! Você acabou de me dar uma ideia…



No dia seguinte, Nagihiko levantou com muito mais disposição para a aula. Não que estivesse realmente com vontade de ir ver seus colegas metidos, ou ouvir eles falando coisas às suas costas, mas precisava por seu plano em prática o quanto antes, e modéstia a parte, tinha muita confiança na eficiência dele.

Depois de tomar um café da manhã rápido, e sair com Hideyoshi para a aula, encontrou com Tadase e Nanami “casualmente” como sempre no caminho. Cumprimentou-os rapidamente, notando que a garota parecia ainda mais reclusa, e evitava olhar para ele, seguiu para a Academia Iwasaki como em todos os dias, sentindo-se renovado depois de apenas um pequeno vislumbre do seu amado, e ainda mais motivado a resolver ao menos um dos problemas que eles tinham pela frente.

Afastando-se de Hideyoshi, encaminhou-se para a sua própria sala de aula, ele notou que não havia ninguém ali, além de um pequeno grupo de três garotas que conversavam e riam entre si. Nada muito diferente do habitual, já que Nagihiko se acostumara a vir para a escola mais cedo apenas para ter seus encontros matinais com Tadase no caminho (e Hideyoshi, um entusiasta das regras e do bom comportamento, não se opunha a ele nesse quesito). Mas aquele ambiente era realmente muito propício para ele colocar em execução o seu plano.

Como ele chegara de repente na sala, e tomou seu lugar ao fundo, não demorou para que as garotas logo começassem a comentar sobre o assunto do momento: Nagihiko e seu gosto esquisito por garotos.

— Sabe aquela garota que saía do terceiro ano que saía com um monte de caras? Ela saiu com um tal de Tarou-kun também, e me contou o que ele disse sobre o filho dos Fujisaki… — a garota sentada na classe, que tinha cabelos compridos e pretos, amarrados em parte por uma fita cor-de-rosa, começou a falar.

— Ei, eu já ouvi isso, Akane-chan! Não é sobre ele estar se agarrando com alguém no banheiro, no show de uma idol? – outra, que estava sentada na classe a frente dela, de cabelos castanho-claro ondulados nas pontas, continuou.

— Que nojo! No banheiro? Essa parte eu não tinha ouvido…

— Sim! E era o show da Hoshina Utau! Eu fui nesse show! Parece que era um garoto que estava com ele, e eles estavam… sabe… fazendo coisas… em uma das cabines. – disse baixinho a terceira, de pé ao lado delas, corando furiosamente. Ela tinha cabelos loiros amarrados em dois, e não parava de lançar olhares disfarçados para Nagihiko, temendo que talvez ele ouvisse a conversa delas, sem saber que na verdade ele sabia tudo o que estavam falando, pois os Temari e Rhythm estavam reportando tudo para ele.

— Dois garotos! Ah, não brinca? Sério mesmo, Momoka-chan? – a de cabelos pretos exclamou para a loira. As outras fizeram sinais para ela fazer silêncio, mas ela continuou, falando mais baixo – Ele tem toda aquela pose, mas no fim, tem esses gostos duvidosos… ah, todos os garotos desse mundo estão perdidos mesmo! Esse Tarou-kun também, parece que é um inútil que sai com um monte de garotas, e apanhou do Fujisaki depois de pegar ele com o tal garoto no flagra…

— Ei… será que o Fujisaki está namorando esse outro menino, ou é só diversão? – a de cabelos castanhos indagou, curiosa.

— O que importa? É outro garoto no final das contas, Sayako! Continua sendo errado. Eu acho que todos esses homossexuais deviam se apressar e sumir da face da terra! — a garota chamada Akane exclamou, um pouco mais alto do que pretendia. Momoka e Sayako fizeram “ssshhhh!” em coro, mas não adiantou, pois Nagihiko havia ouvido tudo, e não havia como elas disfarçarem.

Ele calmamente se levantou, e andou na direção delas. As três tremeram, sabendo muito bem que ele tinha noção do assunto que elas comentavam.

— Ah, F-fujisaki-san… hm… G-gokigen yo… — Momoka gaguejou de mal jeito, e suas pernas tremiam tanto que ela não conseguia se mexer.

— Hunf, não importa se ele ouviu ou não, eu não vou retirar as minhas palavras! – teimosa, Akane cruzou os braços, virando o rosto para a parede – Esse tipo de comportamento imoral mancha o nome da nossa Academia! Fujisaki-san devia saber disso.

— Eu não vim até aqui pedir para você retirar as suas palavras, Akane-san. Você tem o direito de expressar o que pensa. Mesmo que sua ideia esteja equivocada… — ele se inclinou na direção do rosto da garota, que se afogueou com a proximidade inesperada. A despeito de tudo o que dissera, Nagihiko era um rapaz lindo, e ela não estava acostumada a ter garotos bonitos chegando perto dela daquela forma – Porém, eu não acho certo que palavras tão rudes e descabidas saiam de lábios tão bem desenhados como os seus… — ele sussurrou de forma provocante. Momoka e Sayako soltaram gritinhos abafados, e Akane parecia prestes a desmaiar. – Bem, espero que no futuro, você pense melhor antes de falar sobre tais assuntos tão displicentemente… tenham um bom dia, senhoritas… — ele sorriu para todas, antes de se afastar com as mãos no bolso.

— A-ah… Akane-chan!!! O que foi isso?!?! – Momoka quase teve uma síncope, pulando e gritando enquanto chacoalhava os braços da garota.

— N-não… não tem chance de ele ser gay, não mesmo!!! – Sayako gritou junto, empolgadíssima – Você viu o jeito que ele olhou pra você?

— E-eu… pensei que fosse desmaiar… — Akane pronunciou com dificuldade, demorando a recuperar o foco – E-ele é tão… tão…

— Kyaaaaaaaaaa~

Do lado de fora da sala, Nagihiko ouviu os gritos empolgados das garotas, e sorriu para si mesmo. Temari e Rhythm, que o acompanhavam, também ouviram.

— Parece que seu plano de seduzir as garotas para espalhar uma boa imagem começou bem… — Temari observou, embora fosse completamente contra esse plano desde o início. Para ela, usar as garotas da escola apenas para conter os boatos era errado, além de parecer ser injusto com elas, fazia Nagihiko parecer uma espécie de conquistador barato, inimigo das mulheres.

— E você nem precisou do Chara Change!! – Rhythm exclamou, impressionado. Para ele, tudo havia sido perfeito, e ele estava ansioso para ver o dono agindo novamente.

— Claro, eu sou um ator, afinal… — Nagihiko sorriu, embora não estivesse compartilhando da mesma alegria que o chara. Mesmo que fosse para acabar com os comentários antes que eles chegassem onde não deviam, fazer esse tipo de coisa o fazia sentir-se como se estivesse enganando Tadase, e essa era a pior das sensações. Ele só queria que esse pesadelo acabasse logo, e ele pudesse ter Tadase em seus braços, como devia ser… suspirando, Nagihiko continuou a andar pelo corredor, esperando o tempo passar até o início da aula. Pegou o celular, escrevendo rapidamente.

“Podemos nos encontrar amanhã depois da aula? Eu amo você…”.

Tudo o que mais queria era ver Tadase, o tempo todo, e seu coração se corroía com a saudade. Mas ele tinha que ser forte, e aguentar isso por mais um tempo. Até que pudesse bradar orgulhosamente para todos que quisessem ouvir que amava Tadase, e que ele pertencia somente a ele. E se dependesse somente dele, isso seria o mais rápido possível.



Notas finais
Yoo minna! Shiroyuki desu! Desculpem o atraso, final de semestre, provas e trabalhos, eu realmente fiquei sem tempo até pra respirar! Mas logo isso acaba, e eu vou poder descansar nas férias... Entaaaao o que estão achando dos problemas enfrentados pelo nosso amado casal?? Nada fácil, não é...? Mas vamos continuar torcendo por eles! Por favor, deixem reviews, nós apreciamos muito a opinião de todas vocês!! Kisu♥~ bye bye