Itsumo Yakusoku

58 Capítulo 58 - Harukaze



Antes de partir para bem longe
Eu não parei de pensar nas coisas
Que eu deixei de dizer.
Hoje eu vou passar o tempo rindo de novo
Apesar do
Meu peito doer um pouco.
Naquelas noites, enquanto a brisa da primavera soprava
Eu fiquei pensando:
Eu não quero me separar
E acabei dizendo coisas que não devia.


A noite você chorou.
Eu enxuguei suas lágrimas.
Nós brevemente assentimos com a cabeça
Aceitando o futuro que foge ao longe.
Ei, levante sua cabeça.
Para que eu possa
Rir ao seu lado novamente.


Capítulo 58
~
Harukaze

Tadase parou no meio do corredor, escorando-se na parede, encolhido. Nagihiko estava logo atrás dele, fitando-o com semblante preocupado. Hesitou por um momento, mas resolveu avançar, e abraçá-lo por trás, segurando firme na sua cintura, trazendo-o para tão perto quanto podia. Tadase pareceu travado por alguns segundos, mas então relaxou minimamente, nos braços do namorado e suspirou.
— Desculpa, Nagihiko-kun… Eu fiz de novo, agi como uma criança mimada e estraguei tudo. É o que eu sempre faço, não é? — ele riu de maneira triste, e Nagi sabia, sem precisar ver seu semblante, que os olhos dele estavam marejados, e ele mordia os lábios para conter as lágrimas iminentes.
— Ssshh… vamos procurar algum lugar para conversarmos direito… — Nagihiko virou Tadase, e o abraçou fortemente, antes disso, porém — Mas você sabe que eu amo você mais do que qualquer outra pessoa nesse mundo, não sabe? Sempre vou amar, não importa o que aconteça.
— Eu não queria agir assim com o seu amigo, eu não queria… — Tadase soluçou contra o peito de Nagihiko.
— Eu sei, eu sei… — ele beijou a testa de Tadase longamente, e então ergueu seu rosto para poder fitá-lo, com um sorriso tranquilizador — Vem, vamos para algum lugar…
Ainda abraçado em Tadase, eles desceram juntos de elevador, e chegando à rua, pegaram um táxi. Nagihiko decidiu ir para o estúdio de dança, já que era o único lugar privado aonde poderiam ir sem ser incomodados por ninguém.
Chegando lá, Tadase se acomodou no sofá, assim que subiram ao segundo andar. Nagihiko colocou água para esquentar para fazer um chá, e enquanto preparava isso, ficou observando Tadase sentado do outro lado da sala de descanso, abraçado em si mesmo, fitando sua frente com olhar vazio e pensativo. Ele parecia uma daquelas crianças que tinham seus ovos do coração retirados, e esse pensamento apavorou Nagi por um momento. Mas o coração de Tadase ainda estava lá, batendo, e ele conseguia sentir… embora fosse muito preocupante que ele o sentisse tão fraco agora.
Sendo sincero, Nagihiko não sabia o que poderia fazer para confortar Tadase. Aquela situação toda era algo que ele nunca havia sequer cogitado. Mesmo que tivesse problemas na sua família, e muitos deles com a maneira rígida que sua mãe o criara, ele simplesmente não conseguia imaginar-se sem uma família. Ainda que não concordasse com a maneira que sua mãe pensasse, e tivesse morado durante muitos anos longe de qualquer um dos seus familiares, sabia dentro de si que seu pai e sua mãe o amavam, e que eles estariam ali quando ele retornasse. Não sabia como seria se de repente, tivesse tudo isso tirado de si tão bruscamente, e ainda, descobrindo que tudo o que sempre existiu na sua vida, não passava de uma mentira. Ter as pessoas nas quais você mais deveria confiar, e que tinham o dever de cuidar e protegê-lo, mentindo para você dessa forma durante todos esses anos… Nagihiko não sabia o que fazer. Nada do que dissesse agora poderia consertar essa situação, nada faria Tadase sentir-se melhor.
Subitamene, as palavras de Haruka, de uma conversa de tempos atrás, retornaram para sua mente:
“Fique ao lado de Tadase. Nos momentos mais turbulentos, você vai ser o porto seguro dele. Esteja lá, aconteça o que acontecer, e apoie ele o quanto puder.”
“Estar com você ao lado dele, vai ser o suficiente para mantê-lo firme nas horas de necessidade.”
Sim. Essa era a única coisa que ele podia fazer agora.
Com o chá pronto, Nagihiko veio com as duas canecas fumegantes para o sofá. Entregou uma delas à Tadase, que aceitou, ainda em silêncio. Nagihiko passou os dedos, aquecidos por segurar a xícara, por toda a extensão do rosto dele, delicadamente, até fazê-lo olhar na sua direção.
Tadase soltou outro riso fraco, ao olhar para ele, e voltou a olhar para o chão. Queria pedir desculpas de novo, mas tinha medo de incomodar Nagihiko demais com isso. Sentia-se tão inseguro… como se qualquer coisa que dissesse ou fizesse pudesse fazer Nagihiko ir para longe e nunca mais voltar. Não aguentaria se isso acontesse.
Partia o coração de Nagihiko, ver o rosto de Tadase, tão lindo e tão triste daquele jeito. Ele faria qualquer coisa para apagar de vez aquela nuvem espessa que cobria os olhos que ele tanto amava. Ele se aproximou mais, abraçando Tadase pelo ombro e trazendo-o para bem perto, tanto quanto podia, contra seu peito. Ele se acomodou, delicadamente, respirando fundo e fechando os olhos, tomando um gole pequeno do chá ainda quente.
— Não precisa se preocupar, meu bem… — Nagihiko sussurrou, repousando o queixo acima da cabeça loira de Tadase. Os dedos da mão que abraçava ele, fazia carinho no seu ombro, lentamente — Sabe, o Chris tem um pequeno problema com álcool. Quando ele bebe, perde a noção muito rápido, e fica meio ridículo… Eu sei que você se preocupou, mas não tem motivos, certo? Eu não te trocaria por ninguém, nunca…
— Eu sei… — Tadase murmurou, suspirando outra vez — Então o Chris-san já ficou nesse estado outras vezes? — ele indagou, tentando aliviar o rumo da conversa. Nagihiko sentiu a hesitação de Tadase em tratar daquele assunto, e resolveu seguir o ritmo dele.
— Sim, algumas vezes já. E antes que você pergunte, não, ele nunca havia dado em cima de mim desse jeito. — ele riu, e Tadase assentiu, sorrindo ligeiramente também — Geralmente, quando o Jamie ia fazer shows em pubs ou bares à noite, ele ia também. Algumas vezes eu fui junto. Ele sempre acabava bebendo mais do que aguentava… o que já não era muito, pra começar, e dava escândalo. Brigava com as mulheres que davam em cima do Jamie, tentava passar pra área VIP dos lugares sem ser visto, entrava no banheiro feminino… Teve uma vez que ele subiu no palco, no meio do show, e começou a cantar. Jamie ficou furioso, mas só não brigou muito com o Chris por que no fim a plateia gostou… — Nagi riu, relembrando — Naquele show, eu estava, e no fim da última música, o Chris beijou o Jamie na frente de todo mundo! Eles nunca esconderam o relacionamento que tinham.. mas muitas das fãs da banda não sabiam, na verdade.. foi um escândalo.
— Mesmo? E eles tiveram problemas por causa disso?
— A dona daquele pub é uma quarentona muito vívida que não se importa muito com nada… então ela apenas riu e mandou os dois arrumarem um quarto. Parte do público não ligou ou nao se importou, outra parte achou que isso era uma performance, ou que os dois estavam bebados demais e não sabiam o que estavam fazendo.. Só as fãs mais dedicadas é que ficaram em choque. Mas a maior decepção delas era justamente por Jamie estar comprometido, e não por ser com um cara.
— Ah… — Tadase murmurou — Parece que lá as pessoas são mais liberais então…
— Depende do lugar. Entre os jovens, o nível de aceitação é um pouco maior mesmo, mas isso pode variar. Não importa em que parte do mundo, preconceito é algo que sempre vai existir, em maior ou menor nível…
— Tem razão… — Tadase bebericou um pouco mais de chá, e se acomodou mais perto de Nagihiko. — Eu… vou me desculpar para ele amanhã. Ele está sofrendo por que está longe do seu amor, e eu sei o quanto isso dói. Não posso culpá-lo por causa dos problemas que eu estou enfrentando. E ele é uma boa pessoa, eu quero ajudá-lo também. — ele repousou a caneca na mesa de centro em frente.
— Sim, eu sei que você entende. — Nagihiko beijou o rosto de Tadase, e acarinhou o braço dele. — Por isso que eu te amo tanto…
— N-nagi… — a voz de Tadase falhou, e quando ele ergueu os olhos, eles estavam marejados. — E-eu t-também de amo… d-demais — ele soluçou — Você não vai me d-deixar t-também, não é?
— Claro que não! — Nagihiko soltou a sua caneca na mesa, e tratou de abraçar Tadase o mais forte que conseguia, enterrando o rosto em seu ombro, sentindo seu coração bater contra o seu, em um ritmo dolorido, e tênue. — Você sabe disso! Eu nunca vou te abandonar, nunca! Eu nem conseguiria, viver sem você…
— E-eu sei… — Tadase soluçou, e Nagihiko sentiu as lágrimas quentes dele na sua camiseta — Eu sei de tudo isso, aqui na minha cabeça, mas parece que essa aflição não quer ir embora de jeito nenhum! Eu tento não pensar, mas esses sentimentos pessimistas ficam voltando e voltando… eu não sei o que fazer. Parece que nada vai dar certo… que todo mundo está desaparecendo da minha vida, eu não posso fazer nada, e vou acabar sozinho! Eu não quero isso…
— Calma, calma… eu estou aqui, e não vou a lugar algum… — Nagihiko foi entoando com a sua voz serena e doce, enquanto deitava para trás no sofá, e acomodava Tadase acima de si. O loiro se ajeitou, abraçando-o e deitando em seu peito, deixando-se ser acolhido e sentindo o cheiro confortável e familiar do outro preencher seus sentidos. — Você está aturdido agora, com tantas mudanças… mas não importa o que aconteça ao redor, eu sempre vou estar aqui para você, meu amor… Para o que você precisar, eu sempre vou estar por perto, e você não precisa mais pensar nisso… Tudo vai dar certo. Eu não gosto de te ver sofrer… se você soubesse o quanto eu queria poder pegar essa dor que você está sentindo, e passar para mim…
— Não! — Tadase se ergueu, alarmado — Eu não quero que você sinta dor…
— Então você sabe como eu estou me sentindo agora, não é? Vendo você assim, e sem poder fazer nada… — Nagihiko acariciou o rosto de Tadase, e ele repentinamente, entendeu o que Nagihiko estava pensando. Assentiu, voltando a deitar em seu peito.
— Me desculpa… por te fazer pensar essas coisas. Eu só arranjo problemas para você, Nagihiko-kun… — ele balbuciou, fechando os olhos, sentindo o toque suave, reconfortante, das mãos de Nagihiko.
— Pois saiba que eu te quero por inteiro… com problemas e tudo… Sem você, minha vida não iria ter significado algum. — ele ergueu o rosto de Tadase apenas o suficiente para tocar seus lábios. Um beijo demorado, lento, suave… cheio de sentimentos que transbordavam, e se misturavam. Um beijo para acalmar o coração de Tadase. — Eu te amo. Te amo muito, demais….
— Você está repetindo isso tantas vezes hoje… Por quê? — ele indagou, com voz fraca. Sentiu os dedos de Nagihiko na sua franja.
— Por que eu acho que é o que você está precisando ouvir…
Tadase afundou o rosto contra o peito dele. Como sempre, Nagihiko estava certo.


~


— I’m so sorry!! So, so sorry!!! — com seu sotaque britânico impecável, Chris se curvava à moda dos japoneses para implorar pelo perdão de Tadase — Me perdoe, please, eu não deveria ter agido daquela forma tão vergonhosa e errada, eu estraguei tudo, realmente!
— Está tudo bem, Chris-san… — Tadase riu, sem graça, movendo as mãos de forma a tentar tranquilizar o desesperado inglês. Nagihiko apenas ria da cena inusitada.
Estavam mais uma vez na sala do apartamento de Utau, mas dessa vez, apenas eles. Tadase ainda estava dormindo ali, e Nagihiko havia vindo trazer algumas roupas de Hideyoshi para ele poder usar, então Chris ligou para ele pedindo para vir junto, mesmo com os sintomas da ressaca, pois precisava muito pedir desculpas à Tadase depois do vexame na outra noite.
— Eu sempre perco o controle quando bebo um pouco a mais, isso não é bom, eu sei, é uma péssima mania que eu tenho, acabo me excedendo — ele falava sem parar, no seu japonês enrolado e difícil de entender, mas Tadase fazia um esforço — Eu não tive intenção de dar em cima do seu namorado nem nada do tipo, eu juro! Eu só estava carente, e pensando demais em coisas ruins, eu exagerei! Não quero roubar ele de você, por favor, acredite em mim!
— Eu acredito… eu também, exagerei e descontei em você as preocupações que estavam na minha mente, me perdoe por isso… — Tadase murmurou em um tom calmo e controlado. Seu tom de voz ainda era baixo, Nagihiko notava, ele ainda estava pálido e não parecia ter dormido muito bem, mas ao menos aparentava estar melhor do que no dia anterior.
— Então, está tudo bem? Mesmo? — Chris ainda estava inseguro — Porque, you know, Nagi nem faz o meu tipo! Ele é muito feminino!! Eu só quis dizer que ele é um ótimo namorado para você, e que eu gostaria de ter um relacionamento tão sólido como o de vocês dois, mas não significa que eu queira o Nagi, okay?
Tadase riu, e Nagihiko se mostrou ligeiramente indignado com aquela afirmação (como assim, “muito feminino”?), Chris pareceu se aliviar com a descontração momentânea do outro.
— Eu entendo.
— O Jamie sempre se irritava quando eu bebia demais e fazia escândalo… ele brigava comigo, e dizia que nunca mais iria me deixar chegar perto de um copo de bebida… mas mesmo brigando comigo, ele ainda ficava comigo no dia seguinte, preparava banho e café bem forte… e cuidava da minha dor de cabeça por causa da ressaca… — o olhar de Christopher ficou marejado, enquanto ele olhava para baixo, relembrando — E-eu não queria terminar com ele, s-sabe? Mesmo com tantas divergências, eu o amo tanto… t-tanto… Não sei como seria minha vida s-sem ele — ele soluçou, se esforçando para secar as lágrimas que corriam livres pelo rosto — E-eu quero pedir desculpas para ele! Tentar consertar as coisas… Será que ainda dá t-tempo? — ele sorriu tristemente, as lágrimas correndo livremente dos seus olhos verdes. — T-talvez seja mesmo… too late…
— Não, não, você não pode ser tão pessimista, Chris-kun! Você e o Jamie ainda se amam, e vão conseguir ultrapassar esse obstacúlo juntos. O relacionamento de vocês me parece forte o bastante para vencer esse empecilho — Tadase sorriu tranquilamente, segurando a mão de Chris para passar mais conforto. Nessas horas, ele parecia tanto com Tsukasa, que era impressionante. Até mesmo o tom de voz calmo, para dar conselhos, era o mesmo. — Aqui, beba um pouco de chá… — ele empurrou a xícara já servida, que Nagihiko havia acabado de preparar e colocar ali, na direção do inglês, que aceitou, secando as lágrimas para tomar.
— Sabe, assim como na Inglaterra, nós guardiões temos a mania de tentar resolver tudo com chá… — Nagihiko comentou, e Tadase riu. Christopher também sorriu.
— Quando eu retornar, vou conversar com o Jamie — ele afirmou, logo após terminar o chá, e seu tom de voz já estava muito mais resoluto. — Não posso deixar tudo terminar assim, por causa de um desentendimento…
— Exatamente… — Tadase sorriu — Por mais que os atos dele possam ter te machucado de alguma forma, ele ainda deve ter uma justificativa para tudo isso, e você deveria ouvir o lado dele antes de tomar qualquer atitude precipitada da qual pode se arrepender mais tarde. Mesmo depois de tudo, ele é a sua família, não é mesmo…?
— Você tem razão…
— Além do mais, por que você tem tanto medo de morar com ele? — Nagihiko interviu — Sabe, se eu pudesse, já estaria passando todos os dias com o Tadase-kun há muito tempo!
— Nagihiko-kun! Isso não está ajudando! — Tada ralhou, o rosto esquentando.
— Não, não, ele está certo nisso também. Não há realmente um motivo para eu ter tanto medo. É algo novo e desconhecido…. mas vendo vocês dois, que lutaram tanto pra poderem ficar juntos, e mesmo assim, não podem abertamente assumir que se amam, eu entendi que o meu medo é infundado. Eu tenho a chance de passar a vida com a pessoa que eu amo, e estou desperdiçando isso… Me sinto mal por ter sido tão auto-centrado antes. Se por algum motivo, eu fosse forçado a me separar do Jamie contra a minha vontade, eu morreria… Mas só pude entender isso agora. Não vou mais fugir nem me esconder, vou enfrentar tudo isso de uma vez. É o mínimo que eu posso fazer em consideração a vocês dois…
Nagihiko e Tadase se entreolharam, com aquela compreensão mútua que quem via de fora, não entendia, e voltaram-se novamente para Chris. Parecia que o trabalho deles em ajudá-lo estava feito. A partir de agora, ele teria que resolver o restante por si mesmo, junto com Jamie, e eles só poderiam torcer para que tudo desse tão certo quanto imaginavam que daria.
— Fico feliz que tenha entendido, Chris. Você estava tão perdido quando chegou aqui…
— Vocês me ajudaram muito, de verdade, mais do que podem imaginar! — ele se levantou — Mas… eu ainda não sei o que vou fazer. Preciso pensar com cuidado no que dizer ao Jamie… acho que vou voltar ao hotel…
— Ah, não quer esperar para jantar aqui? — Tadase ofereceu — Nagihiko-kun vai cozinhar…
— É uma proposta tentadora, por que eu adoro a comida do Nagi — ele piscou um dos olhos — mas eu preciso mesmo colocar a cabeça em ordem, e não vou ser uma boa companhia… — ele foi indo em direção à saída. Nagi e Tadase se levantaram também, entendendo que o inglês precisava de um tempo sozinho para se reorganizar, ainda mais por causa da ressaca causada pela bebida. — Agradeço muito por tudo o que têm feito por mim, de verdade, thank you…
— Não precisa agradecer, Chris… — Nagihiko deu um suave tapinha nas costas dele, amigavelmente.
— Amigos são para isso. — Tadase completou.
— E mais uma vez, sinto muito pelo mal-estar que eu causei, eu estou tão arrependido…
— Eu já esqueci sobre isso, não se preocupe! — Tadase sorriu mais abertamente, e Chris suspirou, mais tranquilo.
— Eu vou indo então, deixarei vocês à sós — ele saiu pela porta em um meio salto, e voltou a olhar para trás, com um sorriso provocador — Juízo, viu? Vocês são só estudantes do ensino médio ainda…
— Está bem, está bem, Chris, vá dormir no hotel que a bebida está fazendo efeito no seu sistema ainda — Nagihiko, acostumado às piadinhas de Chris, apenas o empurrou para fora. Quando fechou a porta, ainda ouvia a risada debochada dele. Pelo menos, ele parecia um pouquinho mais animado.
Nagihiko voltou-se para Tadase, que continuava parado ao lado dele no hall de entrada, e parecia bastante pensativo. Andou lentamente até ele, e envolveu sua cintura em um carinhoso abraço. Tadase apenas deixou-se ser enlaçado, e apoiou a cabeça no peito do maior.
— O que houve? Está pensando no quê? — ele acaricou a cabeça de Tadase, conduzindo-o para sentarem-se no sofá. Tadase suspirou longamente, antes de responder.
— Não sei. Ultimamente, tantas coisas têm acontecido, que eu gostaria de poder não pensar em nada… — ele deitou melhor, no ombro de Nagihiko, e o abraçou, cerrando os olhos.
— Sabe, Tadase-kun… eu estou sempre pensando no que eu poderia dizer para você, para te ajudar nem que seja um pouco, a clarear os seus pensamentos, e nunca consigo chegar à conclusão nenhuma — ele ia falando, enquanto com uma das mãos, desenhava círculos nas costas de Tadase, lentamente — Mas de nós dois, você sempre foi o melhor em dar conselhos, definitivamente…
— Do que está falando? — Tadase ergueu ligeiramente os olhos.
— Sobre hoje, as coisas que você disse ao Chris… Você prestou bem atenção no que falou? — ele indagou, deixando o menor intrigado. Ele recapitulou mentalmente suas próprias palavras, e baixou os olhos, perturbado, ao perceber que parte delas também eram bastante propícias no seu caso.
— Não Nagihiko-kun…. é diferente… — Tadase murmurou — Tsu… Ele, mentiu para mim, d-durante anos… durante toda a minha vida…. Todos eles…
— Shh, eu sei, eu sei. — Nagihiko tentou tranquilizá-lo, abraçando-o com força — Só estou dizendo que ele ainda é a sua família. E você o ama, não ama? Deveria ouvir o lado dele da história também. Você só ouviu o lado da Mizue-san até agora, não é mesmo? Mais do que isso, é o seu direito de saber toda a verdade, a partir do próprio Tsukasa-san. Não acha?
— Não sei se estou pronto para conversar com ele agora…
— Não estou dizendo que precisa ser agora. Leve seu tempo, siga no seu próprio ritmo… — ele riu baixinho da frase usual do seu Chara. Estava cada vez mais fácil para ele compreender os lados da sua personalidade que compunham Temari e Rhythm, e isso só poderia significar uma coisa… mas ele não queria pensar nisso agora — Eu vou estar aqui com você seja o que for que acontecer daqui pra frente, então não precisa ter medo. Apenas pense, no que você quer para o seu futuro…
— Eu quero você no meu futuro. — Tadase sussurrou, enterrando o rosto em Nagihiko para se esconder. Os dois cairam deitados sobre o sofá, ainda abraçados.
— Então vamos garantir isso. E não vai demorar muito, está bem? — Tadase assentiu e se aninhou, com as pernas entrelaçadas nas de Nagihiko, relaxando o corpo tenso no calor dos braços dele — Mas eu quero que você esteja feliz, plenamente. E eu sei que você não está feliz agora. Então… eu não sei o que fazer para te ajudar, meu bem… e a única coisa em que eu consigo pensar agora, é que você deveria mesmo conversar com o Tsukasa-san para resolver isso de uma vez por todas…
— Eu vou pensar nisso… — Tadase, relutante, aceitou — Talvez daqui mais um tempo. Eu não sei mais como encará-lo… Às vezes, parece que é tudo um sonho muito ruim, e que logo eu vou acordar e nada vai ser verdade…
— A sua m… a Mizue-san tentou entrar em contato alguma vez?
— Nenhuma. — Tadase murmurou, a voz embargando por uma dor esquisita na garganta. Um nó que não queria sumir, cada vez que ele pensava na sua família. Família… como é que poderia pensar neles dessa forma agora? — Acho que ela realmente nunca pensou em mim como um filho de verdade. Eu era só uma decoração que ela precisava, para mostrar aos outros…
— Não pense assim, Tadase-kun, você é muito mais do que isso. Aquela mulher é perturbada, maluca, você não deve ouvir o que ela diz… — Nagihiko suspirou — E o seu pai? Digo… Yui-san — Nagihiko não conseguia chamar os pais de Tadase pelo sobrenome, nunca conseguiu… isso por que, para ele, só existia um “Hotori”.
— Ele ligou para a Utau algumas vezes, mas não tenta falar comigo. Ele só pergunta como eu estou, e disse a ela que, quando eu estiver pronto, quer me ver e conversar. Mas ele não está forçando nada…
— Yui-san é uma boa pessoa, e conhece bem você… Ele sabe que não deve te pressionar demais. Você poderia tentar encontrá-lo, também…
— Acho que sim… Não sei. No fim das contas, parece que ele não sabia de toda a história…
— É mesmo…
O fluxo da conversa foi mudando lentamente. Depois de contar algumas amenidades da escola, e comentarem sobre assuntos menores, ambos foram ficando sonolentos. Logo, só se ouvia o som das respirações cadenciadas e sincronizadas dos dois, que dormiam a sono alto.
Algum tempo depois, acordaram, com o som do flash da máquina fotográfica de Utau trabalhando loucamente.

Notas finais
Heey~ minna! Aqui é a Teffy-chan falando, mas esse capítulo é da Shiroyuki, a vida dela tá suuuuuper enrolada, a coitada tá sem tempo pra nada, então eu postei pra ela... espero que tenham gostado do capítulo ^_^ Deixem reviews por favor, isso nos motiva muito a continuar escrevendo!!! *---* Kissus^^