Itsumo Yakusoku
55 Capítulo 55 - Yasashii Uso
Notas iniciais
No fim das minhas memórias
Eu procurei por planos futuros para meus ideais
Eu me assustei com alguma coisa
Eu não pude entender o que era, e na solidão
Tremi
Você sempre me mostrou
Um sorriso gracioso
Você sempre me envolveu em seus braços
Mas você sempre, sempre...
Você sempre me conta
Uma mentira gentil
Sem falar nada
A razão da minha hesitação
É a razão do meu próprio egoísmo e medo
Sem estarmos abraçados
Você sempre sorriu graciosamente
E olhou para a noite sem fim
Mas você sempre, sempre...
Você sempre me conta
Uma mentira gentil
Nós nos tornamos tão distantes
Que o tempo parou
Capítulo 55
~
Yasashii Uso
Depois de correr desnorteado pelo que pareceu uma verdadeira eternidade, Tadase acabou indo parar no lugar mais improvável em que poderiam lhe encontrar: A Nyanderful. Estava sentado em um banco simples de madeira, sentindo todo o seu corpo tremer, ainda derramando uma ou outra lágrima mesmo após absorver aquela série de informações, sentindo aquela dor insuportável em seu peito crescer cada vez mais. Havia uma xícara de chá em cima do balcão de frente para ele, mas Tadase ignorou sua existência, estava sem vontade nenhuma de beber chá agora.
— Agora que você pareceu se acalmar um pouco, será que dá pra contar essa história direito, Tadase? — Tsukiyomi Ikuto perguntava, encarando-o perplexo e curioso. O loiro havia corrido sem rumo por tanto tempo que, quando se deu conta, tinha ido parar na loja dele, que fora fechada assim que Tadase lhe contou o que tinha acontecido — Como assim você foi adotado?!
— É o que estava escrito naquele papel... eu não sou filho deles de verdade — Tadase murmurou, encarando os próprios pés, sua voz agora soando inexpressiva, embora ainda estivesse meio tremida — Eles... não são meus pais de verdade. Sempre interferiram tanto na minha vida, sempre me obrigaram a fazer as vontades deles... mesmo eu nem sendo filho deles de verdade.
— Tadase, querido... mesmo que isso seja verdade, você tem certeza sobre aquela última parte que nos contou? — Utau, que também se encontrava na loja após ter sido chamada pelo irmão, indagou, apoiando a mão no ombro do loiro numa tentativa de reconfortá-lo — Você tem mesmo certeza de que o Tsukasa-san é o seu pai biológico?
— Foi o que a minha mã... d-digo, o que aquela mulher disse — Tadase respondeu, impedindo-se de chamar Mizue de "mãe"por pouco, muito embora isso fosse difícil e estranho depois de tê-la chamada de mãe por toda sua vida — Ela mesma falou que ele é o meu pai verdadeiro. E como o Tsukasa-san não negou, deve ser mesmo verdade. Parece que aconteceu por causa de um antigo amor dele que não deu certo, ele conheceu alguma mulher, acabou fazendo alguma besteira, e... eu nasci dessa "besteira" — ele praticamente repetiu as palavras de Mizue — Nem faço ideia de quem seja minha mãe verdadeira, e nem sei se quero saber. Todos... todos naquela casa me enganaram a vida toda... todos, sem exceção, mentiram pra mim...
— Ah, Tadase... eu sinto muito, de verdade — Utau falou sinceramente, abraçando-o — Nem o Ikuto e nem eu não vemos nosso pai há anos, como você sabe, então acho que posso entender um pouco como você se sente, mas... nem imagino o quanto deve ser difícil descobrir que foi adotado...
— Pois eu ainda estou curioso é sobre aquela última parte da conversa — Ikuto intrometeu-se — Então o Tsukasa é mesmo o seu pai no fim das contas... cara, a gente deveria ter percebido isso há muito tempo, o Tadase é a cara dele, cuspido e escarrado! — ele exclamou, parecendo não ter se dado conta totalmente da gravidade da situação — Sem falar na personalidade, tão certinho e sensível ao mesmo tempo... isso sem contar essa cara de uke! — ele exclamou, acabando por se deixar levar pelo hábito da irmã e acabar usando essa palavra — Mas como será que aconteceu? Não consigo imaginar alguém como ele tendo um caso secreto ou algo assim... muito menos dar o próprio filho para aquela megera da irmã dele, o Tsukasa é sentimental demais pra fazer algo assim! Ah! Essa coisa toda não pode ser obra de incesto, não é?! Isso explicaria porque aquela bruxa age desse jeito horrível com o Tadase, sem falar em...
— Já chega, Ikuto! — Utau interrompeu os devaneios sem sentido do mais velho, dando-lhe um tapa na cabeça para fazê- lo calar a boca — Pare de falar tanta asneira ao mesmo tempo, seu insensível, não vê que desse jeito vai acabar magoando ainda mais o Tadase?!
— Não importa Utau-chan... nada mais importa depois de tudo o que aconteceu — Tadase murmurou num sopro de voz — Duvido muito quanto à parte do incesto, mas o resto não me importa... o fato é que ele me deu pra outra pessoa criar
afinal — Tadase acrescentou, sentindo outra lágrima escorrer pelo seu rosto, embora já não se importasse mais com isso — Ele sempre foi tão gentil comigo, tão carinhoso, tão compreensível... mas era apenas porque ele se sentia culpado pelo que fez, e tentava compensar isso me tratando bem. Ele sempre me aconselhava e abraçava nos momentos difíceis... mas também estava mentindo pra mim no fim das contas.
— Não fale assim, Tadase! — a cantora exclamou — Não faço ideia de qual seja a razão disso ter acontecido, mas alguém tão bondoso e correto como ele seria incapaz de te dar para alguém criar, ainda mais a própria irmã! E eu tenho
certeza de que ele sempre foi gentil com você porque ele gosta de você, e não porque se sentia culpado!
— Então por que ele me deu para aquela mulher me criar?! Por que não cuidou de mim como seu filho?! — Tadase alteou a voz, enfim encarando-os — Se ele gostasse mesmo de mim... ele não teria me dado pra outra pessoa me criar, como se eu fosse apenas um estorvo do qual ele queria se livrar!
— Tadase! — uma voz masculina exclamou e, quanto o loiro virou-se na direção dela, viu Nagihiko irrompendo pela porta, correndo até ele preocupado — Tadase, você está bem?? Aquela história que a Utau-san me falou... não é verdade, é?!
— N-Nagihiko... Nagihiko! — Tadase conseguiu apenas balbuciar o nome do namorado, irrompendo em lágrimas novamente, colocando-se de pé e se atirando nos braços dele. Nagihiko o abraçou com força e carinhosamente, afagando seus cabelos com uma das mãos numa tentativa de acalmá-lo — É t-tudo verdade, Nagihiko... eu fui adotado, eles não são meus pais, eu vi na minha certidão de nascimento... o meu pai é... o meu verdadeiro p-pai é...
— O Tsukasa-san, pelo que a Mizue-san disse — Utau completou a frase do mais novo — Você demorou muito pra vir, Nagi-kun! — ela acrescentou, virando-se para Nagihiko com ar de reprovação.
— Tive que dar um jeito de fugir da minha mãe, eu vim o mais rápido que pude — o garoto respondeu apenas — Tadase, eu... nem sei o que dizer... você realmente foi sempre muito parecido com o Tsukasa-san, mas, daí a ser filho dele...
— Acho que é como o Ikuto-niisan disse — Tadase falou, acalmando-se um pouco e soltando-se dos braços de Nagihiko, voltando a se sentar — Minha aparência é praticamente igual à dele, eu devia ter percebido isso há muito tempo. Ele... mentiu pra mim esses anos todos... sempre foi gentil e compreensivo comigo, mas era só pra amenizar o sentimento de culpa que ele deve sentir por ter me dado!
— Tadase, escute no que você mesmo está dizendo! — Nagihiko exclamou de volta — Acha mesmo que logo o Tsukasa-san seria capaz de fazer algo assim? Ele sempre te protegeu tanto, sempre nos apoiou e nos ajudou como podia... acha mesmo que alguém tão bondoso e compreensivo quanto ele seria capaz de fazer uma crueldade dessas com uma criança?
— Eu não sei! — Tadase gritou de volta — Não sei de mais nada... não sei mais quem é a minha "família" de verdade. Só o que eu sei... é que eu preciso muito que você esteja ao meu lado, Nagihiko... por favor, não saia de perto de mim,
fique ao meu lado... por favor...
— É claro, meu amor... sempre vou estar ao seu lado, não importa o que aconteça... eu nunca vou te abandonar — Nagihiko respondeu com a voz serena numa tentativa de tranquilizá-lo, voltando a envolver Tadase em seus braços.
— Promete que vai ficar comigo pra sempre, Nagihiko? — Tadase indagou, afastando-se minimamente, apenas para encará-lo — Eu não quero voltar para aquela casa, só tem mentirosos naquele lugar...
— É claro que sim, nós prometemos ficar juntos pra sempre há muitos anos, esqueceu? — o mais alto lembrou — Adoraria poder te levar pra casa, mas... você sabe como minha mãe reagiria...
— Não se preocupe, ele pode ficar aqui por um tempo — Ikuto pronunciou-se — Sei que não é lá grande coisa, mas pelo menos ele vai ter comida e um teto debaixo dele.
— Ikuto-niisan... muito obrigado, de verdade — Tadase agradeceu, tentando forçar um sorriso de agradecimento para o mais velho, sem sucesso — Juro que não vou te incomodar, só vou ficar até arranjar outro lugar pra ir...
— Ei, não esquenta, Reizinho — Ikuto o interrompeu, usando o antigo apelido de quando ele era criança — Fique o tempo que precisar. Os "irmãos mais velhos" servem pra isso, não é? — ele acrescentou sorrindo, dando uma piscadela. Tadase apenas concordou com um aceno de cabeça, voltando-se então a abraçar Nagihiko.
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No dia seguinte, Nagihiko tinha saído mais cedo da escola, não porque faltou algum professor ou porque tinha um treino de dança (o que de fato era verdade), e sim porque simplesmente resolveu matar a última aula para ter uma séria e importante conversa. Apenas avisou apressadamente Hideyoshi sobre ele precisar resolver um assunto sobre Tadase que o primo não lhe perguntou mais nada e apenas concordou, dizendo que inventaria alguma desculpa para a mãe dele caso Nagihiko demorasse a voltar, o que foi uma sorte, pois Nagihiko não queria ter que explicar um assunto delicado desses para ele agora, ainda mais porque não podia ficar contando sobre um assunto desses para os outros.
Nagihiko realmente tinha um assunto importante para resolver sobre Tadase, mas não foi com ele que o garoto foi se encontrar primeiro. Assim como tinham combinado, Tadase passou a noite na casa/loja de Ikuto e, antes de ir ver o
namorado, Nagihiko adentrou a lanchonete mais próxima, onde Haruka o esperava em uma mesa no fundo do estabelecimento, assim como Nagihiko tinha lhe pedido para ir encontrá-lo. Estava em sua forma masculina de novo, o
que Nagihiko não havia se acostumado direito ainda, depois de tantas vezes vendo-o como uma mulher, mas isso era o que menos importava no momento. Sentou-se de frente para o homem e, depois de pedir qualquer coisa para a garçonete que foi acompanhá-los, a tensa conversa começou:
— Ele descobriu, não foi, Nagi-chan? — Haruka indagou apenas, deixando de lado os bons costumes sobre cumprimentar uma pessoa assim que a vê ou perguntar como ela está.
— Sim... ele soube de tudo ontem — o mais novo respondeu aflito — Então você realmente sabia disso, Haruka-san... por que nunca me contou? Nem para o Tadase?
— Eu lhe disse na última vez em que nos vimos, não foi? Esse é um assunto que diz respeito apenas ao Tsukasa e o Tadase-chan, nós somos apenas meros expectadores que não têm o direito de se intrometer — Haruka lembrou — A única coisa que podemos fazer é consolá-los e estar ao lado deles enquanto precisarem. Aposto que você está fazendo isso pelo o Tadase-chan, não é? Está cuidando bem dele?
— Mas é claro — Nagihiko respondeu prontamente — Adoraria poder levá-lo para minha casa, pra poder cuidar melhor dele, mas... minha mãe me mataria se eu fizesse algo assim... ele está na casa do Ikuto agora. Você conhece o Ikuto,
não é?
— Não o conheço pessoalmente, mas o Tsukasa já me falou sobre ele — Haruka respondeu — Que bom.. ao menos ele está seguro na casa de alguém que gosta dele, o Tsukasa vai ficar muito mais aliviado ao saber disso... — ele suspirou, também parecendo aliviado.
— Como ele está, Haruka-san?
— Péssimo, é claro. Ele chorou muito ontem, se sente culpado pelo que aconteceu, está completamente arrasado... mas o que o faz se sentir pior é o fato do Tadase-chan não ter nem escutado o lado dele — Haruka contou, com ar preocupado e tão ou mais angustiado do que Nagihiko — Até entendo que o Tadase-chan deve estar chocado e atordoado demais com essa história, mas... seria muito bom se ele pudesse conversar com o Tsukasa depois que se acalmar um pouco, ele está completamente desconsolado.
— Posso tentar falar sobre isso com o Tadase depois, embora eu ache que vai demorar algum tempo para o Tadase superar essa história o suficiente para concordar em escutar o Tsukasa-san — Nagihiko respondeu sinceramente — Mas, Haruka-san... você sabe o motivo disso tudo ter acontecido? Nem imagino o motivo do Tsukasa-san ter tido um filho sendo... b-bem, como nós... sem falar que ele não parece ser o tipo de pessoa que abandonaria o próprio filho, e ainda por cima daria para a irmã criar. Ainda mais uma irmã como aquela...
— Eu sei o motivo disso sim — o maior respondeu — Mas...
— Mas você não pode me contar, não é? — Nagihiko completou a frase dele, já imaginando o que Haruka ia dizer, e o mais velho concordou com um aceno de cabeça — Agora entendo o que o Tsukasa-san viu em você.. vocês dois são igualmente sabidos demais sobre tudo, tanto que chega a irritar às vezes, mas nunca podem contar pra ninguém — ele resmungou.
— Não sou nenhum "vidente" como o Tsukasa, querido — Haruka respondeu, dando uma risadinha triste — Sei disso apenas porque ele me contou. E, assim como o fato do Tadase-chan ser filho dele era um segredo que diz respeito apenas aos dois e à irmã do Tsukasa, por tê-lo "adotado", o motivo disso ter acontecido também é assunto deles. Apenas... apenas peço para que você fique ao lado do Tadase-chan e que cuide bem dele, ele também deve estar muito mal com isso tudo.
— Ele está arrasado, nem sequer foi pra escola, e nem deu sinal de vida quando nossos amigos telefonaram para ele — Nagihiko contou — Bem, não tinha mesmo como ele ir pra escola, sendo que todas as coisas do Tadase ficaram na casa
dos "pais" dele... agora que parei pra pensar, ele fugiu apenas com a roupa do corpo, acho melhor levar algumas mudas de roupa minhas mesmo pra ele depois...
— Faça isso, por favor, e cuide bem daquele menino. Ele precisa de apoio e de alguém ao seu lado, tanto quanto o Tsukasa precisa — Haruka pediu, ainda com o tom de voz aflito — Ele também não foi trabalhar hoje, nem sei quando
deve ir de novo... os dois precisam muito de alguém para lhes dar apoio, até que essa situação seja resolvida.
— Eu sei. Por favor, cuide bem do Tsukasa-san também, Haruka-san. Ainda não entendo como algo assim possa ser verdade, mas eu não consigo acreditar que alguém como ele tenha feito uma coisa dessas — Nagihiko respondeu.
— Não se preocupe querido, eu farei isso. Preciso cuidar bem do seu futuro sogro afinal, não é? — ele deu um fraco sorriso numa tentativa de melhorar o clima, mas aquilo só pareceu abalar Nagihiko ainda mais, deixando-o chocado, que
tinha sentido seu queixo cair, os olhos arregalando-se lentamente — Ara, não me diga que ainda não tinha se dado conta disso?
— Ahn... b-bem... é... — Nagihiko apenas balbuciou algo incompreensível, realmente sem perceber esse fato depois de toda aquela série de acontecimentos. Pensando bem, Haruka tinha razão... Tsukasa era o verdadeiro pai de Tadase afinal. E ele conversou sobre os mais variados assuntos íntimos e pessoais sobre Tadase com ele durante todos esses anos... Nagihiko não entendia direito o sentimento que aquele fato o fazia sentir, mas não tinha gostado daquilo. Era no mínimo desconfortável e terrivelmente embaraçoso, sem falar que por algum motivo lhe fazia se sentir um tanto culpado e nervoso também — E-Eu não tinha... pensado nisso... — o garoto balbuciou apenas, sentindo sua garganta seca.
— Ai, parece que eu não devia ter tocado nesse assunto agora, desculpe — Haruka respondeu, notando que aquele não era realmente um bom momento para fazer o garoto se dar conta disso — Bem, esqueça isso por enquanto, o que realmente importa agora é que você cuide bem do Tadase-chan, entendeu?
— É claro... pode deixar que farei isso — o mais novo respondeu, tentando se concentrar no que realmente importava no momento, embora não fosse muito fácil — Bem, já que falou nisso, eu preciso ir ver o Tadase agora... matei a última
aula para isso afinal de contas. Sem falar que não posso ficar muito tempo com ele, ainda tenho ensaio de dança depois, e minha mãe certamente ficaria furiosa e desconfiada se eu me atrasasse. E não posso demorar muito, pedi ao
meu primo para me dar cobertura caso ela comece a fazer perguntas, mas ele não é muito bom em mentir, sabe...
— Geralmente eu diria que não é certo você ficar matando aula, mas... é por uma boa causa, então vou ficar calado dessa vez. Então, nos vemos depois, Nagi-chan.
Os dois se despediram e, enquanto Haruka seguia de volta para o apartamento que dividia com Tsukasa, Nagihiko seguiu na direção oposta, seguindo o caminho que levava até a Nyanderful para ver como Tadase estava, mas acabou encontrando outra pessoa no caminho, a pessoa que ele menos esperava ver naquele dia. Deparou-se com um rapaz de cabelos medianos, ondulados e claros, divididos em dois lados, os olhos verdes como esmeraldas. Reconheceu-o imediatamente, muito embora ainda não conseguisse acreditar que aquele garoto estivesse ali, diante dele, em pleno Japão.
— Não acredito... Christopher?!
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