Itsumo Yakusoku
5 Capítulo 5 - Mirai Chizu
Notas iniciais
http://letras.mus.br/uta-no-prince-sama/1973976/traducao.html
Vamos caminhar juntos
Compartilhar nossas lágrimas e fraquezas
Como um beijo conectando esse sonho
Irei te abraçar com força
E a felicidade irá vir até nós
Capítulo 5
~
Mirai Chizu
— Uma noiva? What a fuck???
— É, isso mesmo… — Nagihiko suspirou, largando-se na sua cama, e cobrindo os olhos com o braço. Estava falando no celular, com Chris, há mais de meia hora, para contar a ele tudo o que acontecera no seu tão esperado reencontro com Tadase. Ele parecia absolutamente ansioso para saber sobre cada pequeno detalhe do acontecimento, mas a notícia inesperada o pegou de surpresa.
— Mas… ele não tem a mesma idade que você? Como pode estar noivo??
— Não é algo tão incomum, aqui no Japão, casamentos arranjados entre as famílias acontecem com frequência… — ele tentou explicar, embora devesse ser difícil para um estrangeiro entender esse tipo de tradição.
— Bem, suponho que sim. E o que você vai fazer?
— Eu não vou desistir – Nagihiko respirou fundo, sentando na cama – Eu não vou cometer o mesmo erro duas vezes! Vou fazer de tudo para conquistar Hotori-kun novamente, e tê-lo somente para mim… mas vou fazer isso com todo o cuidado do mundo.
— Era isso que eu esperava ouvir de você. – Chris riu do outro lado, otimista – Jamie manda lembranças, e deseja sorte a você também.
— Obrigado. A vocês dois. – ele sorriu, verdadeiramente emocionado com o apoio que recebeu durante tanto tempo – Eu espero que da próxima vez que ligar, eu tenha boas notícias para dar. Estou ansioso para apresentar a vocês o meu Hotori-kun.
— E nós para conhecê-lo! Ah, Jamie disse que você é um indecente por tentar seduzir um inocente garoto comprometido…
— Parece que sou mesmo não é? – Nagi riu, como há muito tempo não fazia. Chris se surpreendeu com o tom despreocupado daquela risada. Era a primeira vez que a ouvia.
— Você vai se dar bem, eu tenho certeza – Chris parecia estar mais aliviado agora – Nunca te vi tão motivado, isso só pode ser um bom sinal!
—Espero que tenha razão – o barulho da porta sendo arrastada fez Nagihiko se sobressaltar, mas era apenas Hideyoshi. Ele devia estar impaciente para ir logo à escola, afinal – Eu tenho que desligar, Chris-kun.
— Ah, é claro. Não deixe de me manter atualizado sobre a sua missão, certo? Não se esqueça de nós!
— É claro que não! Eu ligo outro dia! Good bye, Chris-kun, até a próxima.
Depois de desligar o celular, Nagihiko suspirou. Sentia-se incrivelmente relaxado, e de bem consigo mesmo, como há muito não se sentia. Conseguia até sorrir sem nenhum motivo em particular, ao colocar o paletó azul listrado, com o emblema da Academia Iwasaki gravado do lado direito. Apertou a gravata vermelha, e ajeitou a calça marrom. Riu com a expressão aborrecida que Hideyoshi fazia, da porta do seu quarto, reclamando sobre sua lentidão. Nagihiko não se importava com a escola de elite ou com a reputação da família Fujisaki caso chegasse atrasado no primeiro dia, mas Hideyoshi levava esse tipo de coisa muito a sério.
Pela primeira vez, havia conseguido dormir a noite inteira, sem acordar dezenas de vezes. Sonhou com Tadase, e ao acordar, aquela terrível realidade de que não o veria mais não o assombrou. Ele se sentia tão descansado, tão bem por isso, que mesmo todas as reclamações de Hideyoshi não tirariam o otimismo que ele tanto demorou em conseguir de volta. Estava entusiasmado, determinado a conquistar Tadase novamente, e nada o derrubaria deste estado sublime da sua mente. Nem mesmo sua mãe.
— Tenha a certeza de se apresentar apropriadamente – ela dizia, logo depois do café da manhã, enquanto apertava bem o nó da gravata dele – E seja educado com todos. São filhos de famílias importantes e tradicionais, não quero que crie problemas com essas pessoas, está bem?
— Claro, Okaa-san – Nagihiko respondeu automaticamente. O que sua mãe pensava que ele era? Algum delinquente? Sinceramente, esse excesso de cautela que ela demonstrava estava começando a deixá-lo nervoso. Não era como se tivesse uma doença contagiosa, um distúrbio mental, ou qualquer coisa assim!
Ela tratava Nagihiko como algum condenado que havia acabado de sair da prisão, em condicional, e que precisava de vigilância constante para não ter recaídas, e estava o tempo todo tentando colocá-lo na linha, como se o fato de ele sentar-se errado na mesa, ou falar um pouco mais alto do que o habitual fosse algum caso urgente de rebeldia irremediável. E ainda, ela o enchia de recomendações, alertando para que ele se comportasse bem na escola, e parecia apreensiva de que algo desse errado. Ele não era um pervertido incontrolável, que ia atacar qualquer garoto que estivesse por lá, francamente!
Depois de enfim conseguir se desvencilhar da mãe, e colocar os sapatos ouvindo as milhares de recomendações dela, e os pedidos de que não arruinasse o nome da família, ele atravessou o pátio correndo, com Hideyoshi em seu encalço, e os dois foram para a rua. O carro preto estacionado deixava bem claro que sua mãe queria que ele fosse escoltado até a escola, mas contrariando todas as expectativas, Nagihiko seguiu caminhando. Sentia-se ainda renovado pela noite bem dormida, e queria sentir um pouco mais do ar matutino do Japão no seu rosto. Contrariar as ordens dela uma vez ou outra não faria mal.
— Ei, onde você está indo? – Hideyoshi vinha acompanhando com dificuldade o seu passo apressado, e já estava ficando ofegante. Não era do lado atlético da família.
— Para a escola, onde mais? – ele sorriu, confiante. Os dois continuaram a andar, sem muita coisa a dizer. Hideyoshi colocou-se ao lado dele, com certo esforço para caminhar rápido, e parecia estar começando a se irritar com a inesperada aleatoriedade do primo. Nagihiko achava que isso era uma ótima distração… – O que minha mãe falou com você naquela noite, quando chegamos do festival? – ele perguntou, sem rodeios, vendo que Hideyoshi não parecia ter se importado com o assunto.
— Ela só queria saber com quem nos encontramos. – ele respondeu prontamente – Eu disse que conheci todos os seus amigos, e você parecia estar com saudades de todos. Nós aproveitamos o festival, você conversou com eles e então viemos embora. Só isso…
— Hm… — Nagihiko estava grato pela inocência de Hideyoshi, e era bom que sua mãe tivesse tanta vergonha desse assunto que não falasse nem mesmo para o seu “espião” os motivos reais pelos quais queria saber de tudo. Desse modo, enquanto Hideyoshi não soubesse a verdade, ele não se preocuparia quanto a ser delatado. Mas precisava ter cuidado ao encontrar Tadase…
Nem bem havia formulado esse pensamento, e várias hipóteses e planos mirabolantes, que envolviam se infiltrar na escola dele com um disfarce, ou sequestrar Tadase e nunca mais devolvê-lo, se formaram na sua mente. Ele sorriu com a perspectiva, e Hideyoshi considerou que talvez seu primo tivesse realmente ficando louco. Ele era tão sério e calado quando estavam na Inglaterra, e subitamente, havia se tornado uma pessoa espontânea e imprevisível, e ele não sabia o que pensar dessa pessoa desconhecida.
Nagihiko, porém, estava exatamente pensando em algum bom esconderijo onde pudesse manter Tadase quando o sequestrasse, quando uma silhueta na rua oposta ao cruzamento chamou sua atenção.
Tadase andava pela calçada, indo para a sua escola, que ficava do outro lado. Seu coração imediatamente se acelerou. Ele viu o momento em que Tadase desviara os olhos carmesins do chão e os focara nele. O reconhecimento, e então, suas bochechas se coloriram de vermelho. Ah, ele estava tão lindo hoje também! Nagihiko se apressou em andar na direção dele, sem se importar com Hideyoshi que parecia cada vez mais confuso.
Só então percebeu que ele estava acompanhado, por uma garota baixinha de cabelos loiros curtos e ondulados, que Nagihiko imediatamente reconheceu como sendo Nanami, irmã de Kyouharu. Noiva de Tadase. Eles estavam até indo para a escola juntos. Mesmo sem ter nada contra a garota antes, e até achá-la agradável quando a conheceu três anos antes, ele não podia evitar os pensamentos ruins que vinham na sua mente nesse momento.
— Ohayo, Hotori-kun. – ele preparou seu melhor sorriso. Tadase parecia evidentemente abalado, e Nanami também, para sua surpresa. Ela se encolheu atrás de Tadase, completamente corada – Que bom vê-lo hoje… você está bem?
Tadase sentia que seu coração ia parar a qualquer momento, quando Nagihiko o olhou. Havia passado noites em claro, imaginando se aquele reencontro no festival durante o fim de semana havia sido mais uma fantasia sua, e não seria surpresa se ele finalmente houvesse ficado maluco de vez. Porém, agora, ele pode confirmar a sua sanidade mental, vendo Nagihiko novamente… parecia até um sonho! Ele estava tão lindo usando aquele uniforme… e o rosto dele, tão sereno e perfeito. As palavras que ele sussurrou em seu ouvido naquele dia retornaram a sua mente, e por um breve momento ele perdeu a compostura. Ah! Ele já estava tendo devaneios novamente! Segundos depois do que seria considerado educado, ele voltou a si, e tentou de alguma forma agir normalmente.
— Ohayo, Fujisaki-kun, Hideyoshi-san… — cumprimentou, com um aceno de cabeça, embora suas pernas tremessem como gelatina. Nagihiko sabia, pela respiração ofegante dele, que seu coração deveria estar quase explodindo de tão acelerado. Não pode deixar de se sentir um pouco presunçoso por ser o causador desse efeito. – E-essa é Tachibana Nanami-san, minha… minha… — ele fechou os olhos e baixou a cabeça, absolutamente embaraçado ao falar aquela palavra – N-noiva…
— Prazer em conhecê-la, Tachibana-san – Hideyoshi curvou-se respeitosamente – Eu sou Fujisaki Hideyoshi…
— É um prazer… — ela respondeu vagamente, com os olhos pregados em Nagihiko. Havia ouvido no dia anterior comentários do seu irmão sobre o retorno dele, e chegou a pensar que Tadase terminaria de uma vez com o noivado por causa disso, mas ele não chegou a dizer nada a ela, e ela pensou que talvez Kyouharu tivesse se enganado. Mas ali estava, Fujisaki Nagihiko, bem na sua frente. Ele estava tão alto! E lindo! Ela mal podia acreditar.
Ela fitou então Tadase, esperando para ver a reação dele agora, mas tudo o que ele fazia era ficar com a cabeça inclinada para cima, olhando para Nagihiko com uma cara de bobo. Ela não podia culpá-lo. Também deveria estar parecendo boba agora…
— Como vai, Nanami-san? – Nagihiko sorriu para ela, um sorriso encantadoramente falso. Acabara de descobrir que podia muito bem detestar aquela garota. Ela era tão pequena, e era uma garota, então podia andar livremente com Tadase, sem precisar temer nada, nem ser cuidadosa. Ela não precisava se esforçar nem um pouquinho para estar ao lado dele. Isso era irritante. Nagihiko sentia inveja daquela garota, e queria mais do que qualquer coisa no mundo estar no lugar dela agora.
— V-vou bem… — ela conseguiu mal gaguejar, e lembrou-se de todas as conversas que já havia tido com Tadase sobre ele, sentindo-se ainda pior consigo mesma ao vê-los perto um do outro – E-e-eu vou indo, já estou atrasada. E e-eu nunca fiz nada com o Hotori, e eu nem gosto dele na verdade, então não me odeie..!!! – ela disse tudo em um só fôlego, saindo correndo logo depois sem dar tempo a ninguém para processar o que ela havia gritado.
— O que ela disse? – Hideyoshi franziu a testa, confuso. Nagihiko riu baixo, escondendo a risada com a mão, e Tadase sentiu seu peito dar outro solavanco, emocionado ao vê-lo de perto, fazendo aquele gestou tão familiar, e aquele sentimento o fez voltar momentaneamente à realidade.
— E-eu também tenho que ir, Fujisaki-kun… — disse de repente, parecendo envolver cada sílaba do nome de Nagihiko de uma maneira especial. Ele estava apreciando a sensação de poder chamar o nome dele novamente, agora… — Foi bom ver você… de novo… — ele não pode evitar um sorriso, que se espalhou rapidamente pelo seu rosto ao olhar novamente para Nagihiko. Mal podia acreditar que não era um sonho, e mais uma vez sentiu vontade de abraça-lo ali mesmo para garantir que era real. No entanto, o seu bom senso ainda estava intacto, e o impediu de agir impulsivamente.
— Sim, foi bom ver você também, Hotori-kun… — Nagihiko tocou levemente a mão na de Tadase, ao passar por ele. Sentiu-o estremecer, e sorriu de canto. Hideyoshi nada percebeu. – Nos vemos outro dia…
— S-sim. O-outro dia… — Tadase parecia hipnotizado pelos orbes dourados de Nagihiko e permaneceu parado no mesmo lugar, seguindo-o com o olhar, até que ele sumisse do outro lado. Sentiu seu corpo inteiro estremecer quando, pouco antes de virar a esquina, Nagihiko virou-se para ele, e sorriu de maneira provocante. Quase se esqueceu de que tinha que ir para a escola. – Ele está aqui… Ele está mesmo aqui… — repetiu para si mesmo, com seu coração preenchendo-se com uma louca e esperançosa felicidade. Poderia até mesmo sair saltitando pela rua, envolvido naquela atmosfera brilhante e cheia de expectativas.
Nagihiko estava perto, tão perto quanto sempre esteve, e ele podia vê-lo… de alguma forma, apenas esse pequeno detalhe, fazia com que ele se sentisse completo novamente. Até respirar era mais fácil, com essa certeza. Tadase sentia que estava pisando em nuvens. O dia estava tão resplandecente, o ar estava tão fresco…
Logo que chegou ao portão da escola, porém, seu devaneio foi bruscamente encerrado por Amu, que parecia estar esperando-o como uma fera que encurrala sua presa. Ela o atacou, arrastando-o pelo braço até um canto afastado do lado de dentro, e então o fitou com seriedade.
— Tadase, você viu o Nagihiko? – Amu foi rápida e sucinta.
— C-como você…
— A Nanami me contou, logo que chegou aqui. Você o viu, certo? Aah, nem precisa me responder, essa sua cara toda vermelha e tola já diz tudo. – ela parecia verdadeiramente preocupada – Vocês dois… o que vocês estão pretendendo com isso, hein? – ela indagou, e o garoto engoliu em seco. Ele não sabia o que responder. Mas a apreensão de Amu era genuína. Por mais que Tadase estivesse feliz em poder ver Nagihiko novamente, logo apenas vê-lo já não seria mais suficiente, e isso traria problemas a ambos.
No entanto, antes que ele pudesse pensar em uma boa resposta, o sinal da aula soou, e Tadase escapou pelo lado, correndo até a entrada do prédio.
— Nós vamos nos atrasar, corra, Hinamori-san!
— Essa conversa ainda não acabou! – ela ameaçou, correndo então atrás dele.
~
Nagihiko adentrou os enormes portões de ferro, onde carros pretos de vidros escuros largavam crianças bem-nascidas e alinhadas na entrada da escola. Outros alunos chegavam a pé, e esses certamente eram aqueles que moravam nos dormitórios, que ficavam a poucos metros dali. O prédio era imenso, e parecia com as construções que Nagihiko via todos os dias pela janela do seu apartamento em Londres. Era bonito, mas nesse momento, tudo o que Nagihiko queria era esquecer aquela época escura da sua vida, e pelo jeito, isso ainda não seria possível.
O jardim imenso abrigava todo tipo de vegetação, em um paisagismo rigidamente planejado. Algumas árvores aqui e ali eram rodeadas por muros de concreto, e esses pareciam bons lugares para se passar o tempo. Seguindo pelo caminho, Nagihiko e Hideyoshi encontraram o professor que faria a orientação. Eles ficariam em salas diferentes, afinal não havia tantas vagas assim no meio do ano, mas Nagihiko estava satisfeito por ter algum tempo sem vigilância direta.
Eles foram conduzidos pelo professor, que explicou sobre as regras da escola – e como havia regras! Nagihiko parou de ouvir quando ele começou a falar sobre as normas de vestimenta, e então, sua mente viajou para algumas quadras adiante, onde Tadase estaria chegando à escola dele. Como será que ele ficava durante a aula? Nagi tinha certeza de que nada nele mudara durante esse tempo. Certamente ainda era tão empenhado em fazer tudo certinho como antes… Ele deveria ter muitas fãs ainda. Afinal, ficava tão bonitinho naquele uniforme! Será que ele ainda pensava no encontro daquela manhã…
— Fujisaki-san! – o professor já parecia estar tentando chama-lo há um bom tempo. – Esta é a sua classe a partir de agora, espero que se dê bem com o resto da turma. Boa sorte. – ele bateu na porta, e quando o professor que devia estar em aula atendeu, seguiu com Hideyoshi para a sala seguinte.
Nagihiko teve que entrar, e enquanto o professor explicava rapidamente sobre a sua transferência da Europa para os alunos, ele olhou superficialmente para todos os rostos da turma. Eram todos filhos de famílias importantes, e alguns Nagihiko até lembrava-se de ter visto em alguma das suas apresentações ou em festas. A maioria deles mostravam risinhos irônicos ou interessados, e logo comentários foram se espalhando em burburinhos, principalmente entre as meninas.
Depois de escrever seu nome no quadro negro e apresentar-se mais uma vez, dizendo de forma sucinta o discurso pré-estabelecido pela sua mãe sobre seus interesses e as atividades da sua família, ele seguiu até a classe vaga. Ele desejava que houvesse alguma carteira na fila da janela, mas estavam todas ocupadas, de modo que ele teve que se contentar com a mesa bem do fundo, da fila do meio. Era um lugar desconfortável, mas ele conseguia enxergar toda a sala dali.
No caminho até lá, ouviu pedaços fracionados de conversas, que as garotas distraídas não conseguiam disfarçar.
— Ele não é lindo?
— … tem certeza de que é um garoto?
— Eu já o vi dançando uma vez…
— … e é tão alto!
— Aposto como tem namorada…
— … uma namorada estrangeira!
Suspirando, ele largou a pasta sobre a classe, e tomou o assento. O professor deu continuidade à aula, e os murmúrios cessaram. Ele não era um item raro naquele lugar. Garotos ricos e lindos havia às toneladas naquela escola, as garotas não precisavam focar-se somente nele, e logo o conteúdo para as conversas paralelas havia terminado. Talvez, se conseguisse manter-se discreto e sem chamar a atenção, poderia passar sem maiores problemas por esse desafio… e então, ver Tadase no final do dia, com alguma sorte.
— Eu não gostei daqui… — Temari, saindo do seu ovo que estava guardado na pasta de Nagihiko, reclamou, algo que não era muito comum a ela.
— Eu também não! – Rhythm se apressou em concordar – Essas pessoas são todas muito chatas, cheias de regras! Não é nem um pouco legal – ele cruzou os bracinhos, sentando-se na beira da classe de Nagi.
— Nós só temos que aguentar isso um pouco – Nagihiko falou baixinho, para que só eles escutassem. Se era isso o que tinha que suportar para viver novamente perto de Tadase, então não era nada. Rhythm começou a voar por entre as classes, entediado, cuidando os outros alunos e rindo das coisas que eles faziam sem perceber, mas Temari estava aborrecida demais para isso, e voltou para seu ovo.
Olhando para o lado e descansando o rosto no braço, Nagihiko voltou a pensar em Tadase, e assim ficou até que perdesse a noção do tempo e da realidade. Concordava com seus Charas quanto a não gostar daquela escola, mas isso não importava realmente. Quando fechava os olhos, podia até mesmo escutar a voz de Tadase, tão doce e comedida. Ele havia se tornado um belo rapaz, assim como nos sonhos de Nagihiko. E assim como nos seus sonhos, ele esperava poder passar por todas essas dificuldades, e viver feliz ao lado de quem amava. Não era isso o que todas as pessoas desejam? Por que isso deveria ser tratado como um erro, apenas pelo fato de que a pessoa que ele escolheu para passar a sua vida era outro garoto…?
Para ele, não importava o nome da família, o prestígio da escola, os seus colegas influentes e prestigiosos, a opinião das pessoas sobre a relação dos dois. Não, ele não levava nada disso em conta, tudo o que importava era sobreviver a isso, para poder conquistar o amor da sua vida novamente, e então, nunca mais seriam separados de novo. Enfrentaria a sério a sua mãe, e quem mais se colocasse no seu caminho, e não fraquejaria. Por que Tadase era a única coisa que ele valorizava… E ele faria qualquer coisa para que tudo desse certo dessa vez.
~
Durante toda a aula, assim como havia sido nas noites que passou em claro, Tadase ouvia a voz de Nagihiko com clareza, repetindo “Eu ainda não desisti de você, Hotori-kun” da mesma forma que havia feito na tarde do Festival. A voz dele estava tão grave e rouca, mas ainda calma e amena, como era antes. Tadase gostava da forma como ela fazia cócegas nos seus ouvidos… a lembrança o fez se arrepiar, e ele se esforçou para não demonstrar nada, afinal, estava no meio da aula! Mas ainda, um pequeno sorriso escapou. Era isso o que ele queria tanto ouvir. Que Nagihiko ainda o amava, que ainda havia esperanças para eles…
Porém, a expressão preocupada de Amu retornou aos seus pensamentos. É claro que ela estava daquele jeito. Depois de tudo, eles não podiam simplesmente ficar juntos como antes, como se nada tivesse acontecido, e esperar que tudo fosse um mar de felicidade brilhante e infinita. Havia os pais de ambos, que eram absolutamente contra isso, e fariam de tudo para que eles nunca mais se vissem… se eles mandassem Nagihiko de novo para longe, ele nem sabia o que faria. Não podia cometer o mesmo erro repetidamente, era burrice achar que seria diferente dessa vez.
E ainda havia Nanami. Embora estivesse bem claro para Tadase que eles nunca poderiam se casar, e ele ainda pensava em uma maneira de cancelar aquele noivado antes que tivesse que concretizar a união de verdade, ele não podia esquecer-se de que era comprometido, apenas por que isso lhe convinha. Tadase respeitava Nanami, e não podia simplesmente traí-la, mesmo que não existisse nada entre eles. Isso ia contra seus princípios morais, e Tadase sentia uma culpa imensa pesar no seu coração apenas com a possibilidade.
Mas ele ainda amava Nagihiko. Desejava, acima de tudo, poder estar perto dele como antes. Queria tocá-lo, sentir o calor da sua pele, beijar seus lábios… queria ser acalentado por ele de novo, e sentir-se seguro em seus braços, com a certeza de que nada no mundo os atingiria. E, quando pensava nisso, nem Nanami, nem sua mãe, ou mesmo a terrível Sra. Fujisaki. Nenhuma delas ocupava sua mente. Apenas Nagihiko, somente ele…
Antes que percebesse, ou sentisse o tempo passar, Tadase estava no escritório do Conselho Estudantil. Ele havia andando até ali com suas próprias pernas? Esteve tão distraído o tempo todo que acabou por fazer isso no automático, sem nem se dar conta.
— Aqui, agora você assina isso. – Rima passou para ele alguns documentos, que ele assinou e carimbou sem nem notar do que se tratava. Kiseki bufou mais uma vez, irritado com a distração evidente de Tadase. Reis não deveriam se deixar levar por pensamentos assim tão facilmente. Mas ele foi capaz de admitir que estava aliviado pelo retorno de Nagihiko, por que “isso demonstrava sua lealdade, como um bom valete”.
Por outro lado, Kukai, assim como Rima também, sabiam exatamente o motivo dos devaneios de Tadase, mas nenhum deles ousava tocar no tópico, e dessa forma, um longo silêncio se seguia após cada erro causado pela mente distante do presidente do conselho.
— Hotori-kun… — Amu chamou cuidadosamente, tirando os papéis das mãos de Tadase para consertá-los – Nós ainda temos que conversar sobre aquele assunto… — ela insistiu, preocupada. Os outros dois desviaram o olhar, sabendo muito bem que era um assunto delicado.
— Não, eu estou bem, Hinamori-san, é sério… — ele tentou escapar de ter aquela conversa, de qualquer maneira. Ele estava feliz, por finalmente poder ver Nagihiko novamente. Estava se sentindo vivo de novo, como se seu coração tivesse adormecido, congelado no tempo durante toda a ausência dele, e agora, estivesse voltando a bater. Essa efêmera felicidade que preenchia todo o seu corpo era muito mais do que ele havia sentido nos últimos anos. E ele não queria, de maneira nenhuma, deixar essa sensação repentina escapar, para pensar nos problemas que eles tinham que enfrentar.
Por enquanto, preferia apreciar a sensação de ter aquele sentimento confortável de ter a presença dele novamente na sua vida, ainda que de uma forma mais tênue. Era estranho sentir aquelas borboletas que revoavam no seu estômago quando pensava nele, suas bochechas corando quando deixava sua mente ir além, ou seu coração acelerando com a perspectiva de poder tê-lo novamente. Não queria pensar nas impossibilidades, não queria discutir o futuro. Pensaria nisso mais tarde… o sonho era tão melhor do que a realidade, ele não queria ser obrigado a acordar logo agora.
— Eu liguei para o Tsukasa-san agora a pouco – Amu disse, surpreendendo-o – Ele quer conversar com você agora.
— Hinamori-san, você…
— Você tem que resolver esse assunto logo, Hotori-kun! Não pode deixar esse problema de lado, e apenas se deixar levar, agindo como se ele não existisse! – ela bradou, determinada – Eu também não quero que o Nagihiko vá embora novamente, mas se vocês deixarem tudo se repetir, é exatamente isso que vai acontecer! Vocês só vão sofrer de novo, como daquela vez, e eu não quero isso! Não quero ver você naquele estado deplorável, parecendo apenas sobreviver aos dias vazios, sem sentir nada! Eu quero que vocês dois sejam felizes! – ela baixou a voz, fitando com os olhos quase em lágrimas – Converse com seu tio, por favor… peça conselhos a ele, veja o que é o melhor a fazer… eu tenho certeza de que ele será capaz de ajudar…
— Hinamori-san… — Tadase olhou para os amigos, e notou aquele mesmo olhar de preocupação em todos eles. Ele realmente agira de forma tão ruim durante todo aquele tempo? Esteve tão focado em si mesmo, que nem mesmo pensou nos seus amigos, e no fato de que eles também estavam enfrentando esse problema, junto com ele. E agora sentia-se culpado por isso. – Certo… eu vou falar com meu tio – ele aquiesceu, embora relutante, e começou a juntar seus materiais para sair. Pegou o paletó azul que estava sobre o encosto da cadeira, e seguiu na direção da saída.
Andou a passos lentos pela escola, sem nem ligar para os alunos que o cumprimentavam ao passar, e finalmente saiu para a rua. Desligou sua mente dos carros barulhentos e das pessoas apressadas, e tentou não se focar em nenhum dos seus problemas atuais. Queria prolongar ao máximo aquele trajeto, e a sensação de felicidade, mesmo que forjada… por que sabia, que assim que dissesse qualquer palavra, todas as suas ilusões iriam desmoronar, a dura realidade mostraria a sua face, e ele teria que encará-la.
Mais cedo do que esperava, ele chegou à Seiyo. Tentou por tudo no mundo não olhar para as crianças que passavam por eles, nos seus uniformes idênticos ao que ele usava quando estudava ali. Elas o lembravam tanto aquela época, que logo ele se viu parado no meio do pátio, perdido num mar de lembranças, sem coragem de avançar. Enquanto lançava seu olhar para longe, podia divisar entre as árvores o brilho forte do sol refletindo no Royal Garden.
Seu coração se apertou dolorosamente, e ele se obrigou a continuar a caminhada, adentrando o prédio para ir até o escritório do tio. O cheiro familiar do lugar o deixou atordoado por poucos segundos. Enquanto caminhava pelo prédio, examinando cada um dos corredores, das salas de aula, agora vazias já que era fim de semana, ele apenas sentia como se estivesse viajando de volta no tempo. As cores, os cheiros, tudo aquilo… estava tão repleto de lembranças fortes, de momentos felizes… Tadase apenas não conseguia aguentar tantas emoções aflorando ao mesmo tempo. Se já estava emotivo assim em ter vindo ali com Nagihiko no país, imagine então seu estado se ele se atrevesse a visitar Seiyo no período em que eles estavam separados.
— Eu sabia que você viria… — a voz enigmática não precisava ser anunciada para que Tadase soubesse exatamente de quem se tratava.
— Tio… — ele forçou um sorriso, e seguiu Tsukasa pela passagem na parede até o escritório dele.
— Eu esperava que você não aguentasse preocupar tanto seus amigos, e acabaria por vir até aqui. E eu estou feliz que tenha feito. Quero muito conversar com você, sobre tudo o que vem acontecendo. – ele disse durante o caminho, e depois de abrir a porta do outro lado, e se acomodar em sua mesa, serviu um pouco de chá ao sobrinho.
— Eu imagino que sim… — Tadase não sabia bem por onde começar, então esperava que Tsukasa conduzisse a conversa. Não ficou surpreso por Tsukasa já saber do que e tratava, ele sempre sabia de tudo. E é claro que ele foi direto ao ponto, sem titubear.
— Você viu o Fujisaki-kun no festival. Ele retornou ao Japão. O que você pretende fazer, Tadase? – Tsukasa sabia que podia estar sendo duro agora, mas colocar os acontecimentos dessa forma pontuada tornaria mais claro o pensamento. No entanto, ter os fatos jogados na sua cara de forma tão racional gerou certo conflito no garoto. Não! Ele não sabia o que fazer! Ele não sabia o que deveria querer! Ele só sabia que queria… Nagihiko. E nada mais… Ele suspirou, tomando um gole de chá para se acalmar.
— Eu não sei o que deveria fazer… — ele sussurrou, aquilo que tinha tanto medo de por em palavras. Fitou o líquido quente, de um dourado que lembrava muito aqueles olhos, e continuou a falar, agora com menos incerteza na voz – Eu… amo o Fujisaki-kun. Meus sentimentos não mudaram, e eu duvido muito que algum dia mudarão. Eu quero, mais do que qualquer coisa, ficar com ele, não tenho dúvida sobre isso… mas… eu não quero errar novamente! Eu não quero perder o Fujisaki-kun de novo! Então…
— Você tem razão. Se vocês dois agirem despreocupadamente, tudo acabará apenas em sofrimento para ambos. – Tsukasa concordou – O que irá acontecer a partir de agora… isso dependerá da forma como vocês pretenderem agir.
— Se dependesse de mim… de nós… — Tadase tentou escapar do olhar especulativo do homem, que parecia conseguir enxergar através da sua alma, e não conseguiu completar a frase. Se ele pudesse controlar tudo, ele e Nagihiko jamais teriam se separado, é claro.
— Eu sei. Não depende unicamente de vocês dois. Os seus pais, a família dele, o seu noivado… todos esses obstáculos não são simples problemas pelos quais adolescentes como vocês estejam prontos para superar… — ele balançou a cabeça, como se estivesse desconformado com essa realidade – Porém, se você estiver certo quanto a sua escolha, e o Fujisaki-kun também estiver seguro do que quer, nada pode impedi-los de tentarem mais uma vez. A vida é feita de escolhas, isso é verdade… — ele olhou para algum ponto acima da cabeça de Tadase, e ele teve a certeza de que o tio já não estava mais falando diretamente com ele – Essas escolhas exigem muito da experiência e da maturidade para que possam ser avaliadas com clareza, e vocês não possuem isso ainda… Entretanto, quando os destinos das pessoas estão unidos, traçados com um só – ele baixou o olhar, e sorriu para Tadase – Então nada, nem ninguém, serão capazes de mudar esse futuro predestinado. E eu não tenho dúvidas, Tadase… de que Fujisaki-kun e você têm uma linha conectando os seus destinos. E ela jamais arrebentará.
— Eu… sei… Eu sempre soube disso. — Tadase ergueu os olhos, timidamente. Seus orbes já estavam transbordando, e ele não tinha controle das lágrimas que escorriam pelo seu rosto – Mas… eu quero tanto estar perto do Fujisaki-kun, tanto! – ele soluçou – Por que as pessoas não podem entender, que é só isso o que eu quero, e nada mais… só isso…
Tsukasa rodeou a sua mesa, abraçou o sobrinho, consolando-o da mesma forma que fazia quando ele era pequeno, e tinha um pesadelo, ou caía no chão. Tadase o abraçou com força, deixando as lágrimas que ele tanto negou caírem livremente, e esperando que depois disso, toda aquela aflição se dissipasse. Ele sabia que não seria fácil… mas enquanto tivesse esperanças naquele futuro que tanto sonhara, podia tentar continuar de pé. Até que pudesse, mais uma vez, abraçar Nagihiko livremente. E com seus destinos conectados, viver a felicidade que só podiam encontrar um no outro.
Notas finais
Awn, capítulo é tristinho, mas pelo menos eles se reencontraram, não é?
Bem, aqui está, os uniformes das duas escolas, só para vocês terem uma ideia de como imaginamos...
Escola do Nagihiko e do Hideyoshi (Iwasaki):
http://imageshack.com/a/img853/5060/u99r.jpg
Escola do Tadase e dos outros (Koyama): http://imageshack.com/a/img200/1717/1fwh.jpg
Bem~ espero que tenham gostado, aguardo os reviews o/
bye bye♥
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