Itsumo Yakusoku
45 Capítulo 45 - Days
As estações em mudança colorem as ruas
Passagens ambíguas perto do tempo
Eu estava olhando até o céu colorido rasgado
Eu empurro de lado as ondas dos ventos
Meus sonhos estão por ai, mesmo que eu pode-se os ver completamente e claramente
Eu perdi a vista das coisas importantes
As promessas que nós fizemos nesse dia quebram em partes dispersadas
Pedaços de paixões e curtas memórias vividas
Mesmo se eu acordar do sonho que ambos tivemos
Eu nunca me esquecerei destes sentimentos
O vento funde com a paisagem desvanecida
E minhas memórias retornam macias
Mesmo se eu andar abaixo dessa estrada familiar, eu não posso voltar.
Minha primeira mentira, minhas palavras finais.
Com meu fingir ser forte, eu deturpo meus sentimentos
Uma resposta das estações passadas
Assim eu compreendo após aquilo tudo
Capítulo 45
~
Days
Assim como prometido, Tadase fora até a escola Seiyo para conversar com seu tio. O que não esperava, era aquele irônico aviso dado pela sua mãe, sem raio de explicação alguma, logo quando ele estava colocando os calçados para sair. Ela disse, com todas as letras e nenhuma margem para dúvidas, que não queria em hipótese nenhuma que Tadase encontrasse seu tio. Nem mesmo entrar em contato com ele por meios indiretos. Nada. Ela foi bastante clara nesse ponto ao dizer “é como se ele tivesse morrido, entendeu? Você não tem tio nenhum, esqueça dele. Aquele homem nunca fez bem à você.”
Tadase não entendeu nada, apenas assentiu, e contrariando imediatamente o aviso recém recebido, ele foi direto ao encontro de Tsukasa. Questionou o motivo pelo qual havia recebido essa ordem, e Tsukasa foi categórico ao responder que se tratava somente de um desentendimento comum entre irmãos, que Tadase não deveria se preocupar com isso. Ele não quis contar que o motivo inicial da briga era o próprio Tadase e o que havia acontecido com ele, afinal, isso só faria o garoto se sentir culpado, e ele não queria isso. Era algo passageiro, afirmou, logo Mizue se acalmaria e repensaria suas decisões. Porém, mesmo que ele dissesse isso, Tadase não conseguia se convencer. Havia algo de triste nos olhos de Tsukasa, como uma amarga lembrança do passado que o assombrava, algo do qual ele se arrependia, talvez. Tadase não tinha certeza se seria prudente questionar, afinal, seu tio tinha assuntos dos quais ele não tinha direito de saber, mas isso também o preocupava.
Depois disso, Tsukasa mudou de assunto, e não se falou mais na mãe de Tadase. Ele quis saber sobre o ataque, perguntou se estava tudo bem com ele, e como ele se sentia sobre isso. Pela primeira vez, Tadase se sentiu à vontade para narrar, não somente os fatos, como havia feito na delegacia ao prestar depoimento, mas sim os seus medos, seus pensamentos, a maneira como se sentiu em cada segundo daquele pesadelo. Sempre havia sido tão fácil de conversar com Tsukasa, e ele se sentiu muito aliviado depois de desabafar sobre isso também. Como se tivesse deixado escapar o último resquício daquele trauma, e agora realmente, ele se tornara somente um fato ruim do passado.
Tsukasa fez chá, é claro. Eles tomaram juntos, e então, os assuntos vieram para campos mais leves. Conversaram sobre a escola, os planos futuros de Tadase com a faculdade. O novo apartamento de Tsukasa, que Tadase estava morrendo de vontade de conhecer. Sobre Nagihiko, evidentemente, e Tadase contou algumas historinhas engraçadas sobre coisas que aconteceram com eles, como quando andaram por horas na praia por que Utau mudou as suas passagens de avião, na festa de halloween, sobre as fantasias absurdas que Yaya os fez usar, ou no dia dos namorados, que Tadase quase pensou que não iam conseguir ficar juntos… Tadase exagerava nas partes engraçadas, para tentar animar um pouquinho Tsukasa, e se sentia aliviado quando conseguia fazê-lo sorrir ao menos um pouco. Porém, algum tempo depois, Tsukasa voltou a ficar sério, e parecia ter algo importante para falar.
— Eu acho que eu já devia ter contado há algum tempo, Tadase… havia um motivo pelo qual eu não pude ficar com você naquela semana que seus pais viajaram, e bem… talvez toda essa confusão pudesse ter sido evitada se eu não tivesse escondido isso de você… Mais do que apenas deixar você ter alguns dias para passar com Nagihiko-kun, tem algo que eu venho mantendo em segredo já há algum tempo… e acredito que esteja na hora de você saber, também.
— Tio… está me preocupando, falando desse jeito… o que houve? – Tadase se inclinou sobre a mesa, intrigado. Tsukasa o fitou com aqueles gentis olhos lilases, de maneira misteriosa e indulgente, como usual. Tadase não sabia bem o que esperar, nesse instante. Conhecendo seu tio, poderia ser qualquer coisa. Tsukasa era alguém impossível de se prever.
— Bem… — Tsukasa levantou, colocando as mãos nas costas, e fitou a janela com ar distraído. Respirou bem fundo antes de continuar, como se medisse as palavras, ou selecionasse quais informações seria prudente dividir – Eu não pude estar com você naqueles dias, Tadase, por que estava viajando…
— Não entendo como isso pode ser algo ruim, tio… — Tadase estava confuso – Nada de ruim aconteceu, então você não precisa se justificar…
— Não é isso, querido… eu apenas quero contar a você que... eu estava viajando… com uma pessoa… Uma pessoa importante, para mim…
— Ah..! V-você… está namorando alguém, tio? É isso? – quando Tadase chegou a essa conclusão, corou ligeiramente, embaraçado com o rumo da conversa. Tsukasa pareceu levemente surpreso pelo sobrinho ter chegado rapidamente a essa resposta, mas era esperado, afinal, ele havia crescido tanto nos últimos anos… já não era mais o garoto inocente e simples da época dos guardiões, que não entendia sobre nada desses assuntos.
— É isso, Tadase… eu estou saindo com alguém. Você pode achar tolo que alguém da minha idade…
— Não, absolutamente não, tio! Eu fico muito feliz pelo senhor, de verdade! – Tadase se apressou em interromper – Eu sempre achei que era muito solitário viver apenas pela escola, como o senhor vivia… então, saber disso me deixa muito feliz! Será que… eu poderia conhecê-la? – ele timidamente indagou, sem jeito. Tsukasa riu.
— Eu queria convidar você e o Nagihiko-kun para jantar lá em casa, em algum dia... Sem sua mãe saber, é claro… teria como você conseguir isso?
— Eu posso dizer a ela que vou jantar na casa do Souma-kun para algum projeto do conselho estudantil ou algo assim, tenho certeza de que ela não vai se importar. – Tadase respondeu rapidamente. Tantos anos tendo que arrumar desculpas para sair com Nagihiko às escondidas renderam ao garoto um bom repertório de álibis prontos para usar a qualquer momento de necessidade. Embora ele fosse muito ruim em mentir, essas pequenas faltas tornaram-se um pouco mais fáceis com o passar dos tempos.
— Ótimo. Nós os esperaremos…
Depois disso, algumas semanas se passaram, mais rapidamente do que seria de se supor. Abril chegou trazendo consigo a primavera, as sakuras, e um novo ano letivo. As aulas recomeçaram para Tadase e seus amigos na escola Koyama, com um detalhe a mais: Yaya e Kairi haviam finalmente se juntado ao resto do grupo, depois de realizar as árduas provas de admissão. Yaya reclamou o tempo todo sobre o quanto estudou para poder estar ali, então, agora, era impossível tentar segurá-la. Já Kairi, ficou apenas feliz por enfim poder estudar na mesma escola que a namorada, embora os dois ficassem tímidos demais com as insinuações intermináveis da ex-ás sobre o recente relacionamento dos dois, que ia muito bem, por sinal.
Apesar disso, Kukai, foi obrigado a se retirar do conselho estudantil, e Kairi ocupou seu lugar. Além do time de futebol, do qual ele agora era o senpai absoluto e capitão, ele tinha que se preocupar com as suas provas de vestibular no final do ano. Estava querendo muito ir para a faculdade de Educação Física, e se continuasse com as notas que tinha, isso seria apenas um sonho distante, então, ele resolveu criar juízo e se dedicar aos estudos como nunca antes. Diante dessa decisão sobre o rumo da sua vida tomada, Daichi, que já vinha fiando fraco há tempos, retornou para o seu ovo e uniu-se de vez com o coração de Kukai. Ele ficou triste com isso, é claro, mas não havia realmente escolha, e ele sabia que isso havia sido para melhor.
Já para Nagihiko e Hideyoshi, na Academia Iwasaki, as aulas no segundo ano iniciaram sem grandes mudanças. As mesmas turmas, os mesmos rostos. Nagihiko continuava popular como sempre, e mesmo com poucos dias de aula, já tinha um pequeno segmento de fãs entre as calouras, que aumentava absurdamente rápido.
Com o início das aulas no seu segundo ano, o tempo para Nagihiko e Tadase se verem se tornou novamente raro. Depois de se acostumarem com a breve semana de vida a dois, com o acontecido naquele dia, ficou ainda mais difícil para Tadase sair desacompanhado, ou sem dar satisfações para sua mãe. Ela parecia uma águia vigilante, seguindo todo e qualquer passo que Tadase ousava dar.
Sendo assim, ele não conseguiu nem cumprir a promessa com Tsukasa para jantarem juntos, nem encontrar Nagihiko, no pouco tempo livre que restava, e com as aulas então, isso se tornava ainda mais difícil. Eles conversavam todos os dias pela internet, ou pelo celular. Às vezes, se viam rapidamente no caminho para a escola, naquela rua que convergia no percurso de cada um, mas esses eram momentos rápidos demais para satisfazê-los.
Houve uma ou outra ocasião onde Tadase conseguiu inventar uma reunião inexistente no conselho, ou alguma tarefa urgente, para escapar e encontrar Nagihiko no estúdio de dança, e esses momentos eram muito bem aproveitados por ambos. Excetuando essas infrequentes situações, estava se tornando uma tarefa cada vez mais difícil esconderem-se de ambas as famílias. Depois de ter visto Nagihiko na sua casa, Mizue estava mais alerta do que nunca, apesar do inesperado apoio de Yui nesse sentido. E no caso de Kaoruko, a falta de informações trazidas por Hideyoshi a fez ficar abertamente desconfiada, e Nagihiko tinha que ser o mais cuidadoso possível.
E com tantos acontecimentos atribulados e a divergentes, maio teve início. A turma do segundo ano da qual Tadase e Amu faziam parte estava tendo aulas de biologia nos laboratórios. Ambos vestiam jalecos brancos, óculos de proteção e luvas, enquanto mexiam nos equipamentos. Enquanto ele analisava as amostras de sangue que haviam sido recém-coletadas, com uma pequena picadinha no dedo, Amu fazia as anotações em um caderno;
— Nee, Tadase-kun! Você não acha que seria muito legal nós fazermos um encontro duplo? – ela indagou repentinamente, sussurrando para o caso de alguém acabar ouvindo a conversa, o que não era o caso, já que todos estavam concentrados em seus próprios trabalhos. Tadase nem teve tempo de se espantar com a proposta. Desde que começara a namorar com Kairi, Amu andava ainda mais nas nuvens do que o habitual, e passou a aceitar de forma integral e até com certa empolgação, o relacionamento entre ele e Nagihiko. Foi realmente estranho no início, quando do nada ela começou a fazer piadinhas e comentários favoráveis sobre o assunto, ainda mais quando ela era a pessoa abertamente mais relutante em encarar a situação com naturalidade.
— Você sabe que esse tipo de coisa é difícil, Amu-chan. Eu adoraria, é claro, mas é tão raro os horários meus e do Nagihiko-kun combinarem, e nós dois conseguirmos sair de casa sem problemas, que quando isso acontece… bem, nós só queremos ficar sozinhos… — ele admitiu, corando furiosamente apesar disso. Amu sorriu.
— Tá, eu entendo. – ela revirou os olhos – Mas é que seria tão divertido! Nós poderíamos ir ao parque de diversões, ou algo assim… — ela resmungou, contrariada.
— Além do mais, Tsukasa-san já nos convidou para jantar há meses, e nós estamos guardando uma ocasião disponível para isso, também… Mas tente convidar a Rima-san ou a Yaya, quem sabe? Eu aposto que nenhuma delas têm objeções quanto a isso… — Tadase sugeriu, simplesmente.
— Seria bom, mas a Rima nunca admite que tem realmente um namorado, quando é óbvio que ela não vai lá na loja do Ikuto só pra ver a mercadoria depravada que ele vende naquele lugar. E a Yaya e o Kukai só enrolam e nunca assumem nada! – Amu se irritou com a falta de romantismo dos seus amigos, e quase fez a caneta que balançava fervorosamente nos dedos voar longe.
— E a Utau-nee?
— Ah, não tinha pensado nela! – Amu espantou-se com a ideia – Realmente, ela e o Kyouharu não iriam se opor à ideia. E eles são divertidos. Bem, talvez eu tente ligar para ela. Se ela não tiver nenhum show agendado, aposto que vai querer ir…
— O único ponto negativo em sair com a Utau-nee é que ela sempre vai ter que ir disfarçada… — Tadase lembrou, pegando a caneta de Amu e fazendo ele mesmo as anotações necessárias, já que a garota não prestava a menor atenção mesmo.
— E sempre tem um segurança seguindo ela de longe. Eles acham que eu não percebo, mas um cara careca de terno preto e óculos escuros é meio destacado demais na multidão – Amu comentou, com uma gota na cabeça.
— É… — Tadase deixou o comentário solto no ar, e tratou de começar a análise da segunda amostra de sangue que tinha, a sua própria. Era para Amu analisar a amostra dele, pelo que o professor pediu, mas ele se sentia realmente solidário em ajudá-la hoje, e esse sentimento generoso poderia ou não ter a ver com o fato de que tinha marcado de encontrar Nagihiko hoje diretamente após a aula, depois de quase duas semanas completas sem sequer vê-lo.
Ele analisou o mais depressa que podia o que deveria ser analisado, movido pelo sentimento de urgência que tinha em chegar logo no final do dia, e depois de chegar às suas conclusões e fazer as observações necessárias, um curioso fator chamou a sua atenção.
— Que estranho…
— O que foi, Tadase-kun?
— Bem, acho que o teste deu errado... – ele comentou, ligeiramente curioso.
— Ah, você deve ter visto mal aí no microscópio, Tadase – Amu balançou a mão – Essas coisas nunca são muito precisas.
— Tem razão. Vou apenas anotar isso aqui – ele prosseguiu, sem dar importância ao assunto. Estava tão ansioso para ver Nagihiko dali há algumas horas que nada mais ocupava espaço na sua mente. Apenas os planos para mais tarde, para os próximos dias… enfim, enquanto a situação apertada entre o relacionamento dos dois prosseguisse, esses problemas não parariam de perseguí-lo. Então o melhor a fazer, era viver um dia de cada vez, e deixar os problemas de lado por um tempinho. Como Nagihiko aprendeu com Rhythm, e gostava de repetir, deixar tudo seguir seu curso… no seu próprio ritmo.
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