Itsumo Yakusoku

44 Capítulo 44 - Awake Boku no Subete


Notas iniciais
Awake Boku no Subete - Daisuke Ono & Hiroshi Kamiya http://letras.mus.br/monochrome-factor/1360326/traducao.html

A inapagável tristeza permanece
Te encontrar ao acaso...
É a única razão para
A escuridão se dissipar
Assim que eu te acolher

Para onde você está indo?
Não deixe que a escuridão
Confunda seu coração
O dê para mim

Não tenha medo dos pensamentos inalcançáveis
Em uma noite de luar
Quero me tornar um com estes seus lábios
Que possuem esse sorriso radiante


Capítulo 44

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Awake Boku no Subete

Uma semana se passou depois do incidente ocorrido na casa dos Hotori. Depois de ir até a delegacia prestar depoimento sobre o ocorrido, Tadase e seus pais ficaram sabendo da identidade do criminoso. O homem se chamava Yamada Satoshi, e já tinha a ficha suja na polícia devido à delitos bem parecidos com este, na maioria das vezes por perseguir meninos mais jovens, ainda que fosse só na aparência, não com a intenção de assaltar sua residência ou machucá-los, e sim para abusar deles, e na maioria das vezes ficava sabendo da existência desses garotos através da loja Nyanderful, mas nunca tinha sido definitivamente preso por ser menor de idade até pouco tempo atrás. Mesmo sabendo do tipo de pessoas suspeitas que deviam frequentar aquele lugar, Tadase ainda surpreendeu-se em saber que o homem escolhia seus "alvos" na loja de Ikuto e, pensando bem, lembrava-se vagamente de já ter visto alguém semelhante a ele na loja, ainda que custasse a acreditar que aquele homem aterrorizante com olhar ensandecido fosse o mesmo rapaz que encontrara na Nyanderful, mas forçava-se a não pensar mais nisso, desejando apenas apagar de vez todas aquelas lembranças horríveis de sua memória. O homem tinha sido definitivamente preso afinal, e não iria mais persegui-lo nem incomodá-lo, então optou por não pensar mais nesse assunto.


Foi muito trabalhoso limpar e arrumar a bagunça feita na residência dos Hotori, sem falar que várias coisas haviam sido quebradas e não havia como serem consertadas, precisariam ser substituídas por outras novas. No entanto, o que de longe foi o mais difícil foi convencer Mizue a não fazer um escândalo sobre ter visto Tadase nos braços de Nagihiko novamente e sair correndo para contar isso para Kaoruko e Atsushi. Logo que terminaram de prestar depoimento e encerrar de vez aquele incidente terrível, é claro que a primeira coisa que a mulher quis fazer foi sair correndo para contar sobre isso para os pais de Nagihiko, para que eles também tomassem as devidas providências para manter o garoto o mais afastado possível de Tadase, nem que o mandassem para fora do país novamente, e dessa vez, sem chance de ele voltar. No entanto, milagrosamente, Yui conseguiu de alguma maneira convencer a esposa a deixar aquilo passar pelo menos dessa vez. Depois de tentar os mais variados tipos de argumentos possíveis e impossíveis, quando ele enfim conseguiu convencê-la de que, por mais que ela desejasse manter os garotos o mais afastados possível, Nagihiko ainda havia se arriscado para conseguir salvar Tadase afinal, se ele não estivesse ali naquela hora, sabe-se lá o que poderia ter acontecido com seu filho enquanto eles estavam viajando, então, em um argumento desesperado, dizendo que Mizue não iria querer ficar "devendo um favor" para o garoto, a mulher teve que engolir aquela história, ainda que a contragosto, e deixar essa vez passar em silêncio ao menos dessa vez.


Durante a semana que passou, Mizue redobrou seus cuidados para manter o filho afastado de Nagihiko, muito embora eles ainda conseguissem ao menos se comunicar escondido por mensagens de celular durante o horário em que estavam na escola, embora precisassem apagar todas as mensagens depois, já que a mulher passara a revistar o celular de Tadase toda vez que ele chegava em casa depois da escola. O loiro superou gradativamente o incidente ocorrido durante a ausência de seus pais, mais pelas mensagens reconfortantes e encorajadoras de Nagihiko, mesmo sendo apenas mensagens de texto, do que pelo apoio e consolo que seus pais lhe davam (ou melhor, tentavam dar). Tanto Nagihiko quanto Tadase concluíram que era melhor não contar sobre o ocorrido para seus antigos companheiros Guardiões, nem para Nanami ou Hideyoshi, para não preocupá-los sem necessidade, já que o problema havia sido finalmente solucionado. Depois de conseguir pegar seus pertences que haviam ficado na casa de Tadase de volta, na manhã seguinte ao incidente, quando invadiu a janela do quarto do Tadase logo que os primeiros raios de sol da manhã começaram a aparecer, para que os pais de Tadase não o flagrassem ali, Nagihiko disse ao primo apenas que tinha conseguido resolver o problema que estava acontecendo com Tadase, para que ele não se preocupasse, e agradeceu por acobertá-lo durante todo esse tempo, ao que o garoto apenas respondeu um "que bom que acabou tudo bem", parecendo não querer saber mesmo nenhum detalhe a mais sobre o que tinha acontecido durante aquela semana em que Nagihiko estivera vivendo junto do loiro.


Como não conseguiu digerir aquela história sobre Tadase ser salvo por Nagihiko nem durante os dias que se passaram desde o ataque, em uma tentativa tola e imatura de descarregar a raiva que sentia em alguém, ainda que não fosse em Nagihiko, Mizue resolveu dar um verdadeiro sermão em Tsukasa quando ele enfim retornou de sabe-se lá aonde tinha se enfiado. A mulher chegou a ir até a Academia Seiyo, porém, felizmente ele não se encontrava lá, o que foi uma sorte, já que seria um verdadeiro desastre se os alunos escutassem sobre um assunto assim. Mizue foi então até o apartamento onde seu irmão mais novo estava morando e, quando já ia esmurrar a porta, Tsukasa a abriu, como se adivinhasse que ela estava ali.


– Mizue-nesan? O que faz aqui?
– Você não era o "vidente oficial" da família, Tsukasa? Pois então, adivinhe! — a mulher exclamou de volta, adentrando o apartamento sem pedir permissão
– Eu estava de saída... você tem algum assunto importante para tratar comigo? — seu irmão indagou, fechando a porta, já percebendo que aquilo poderia demorar. De fato, estava com uma pasta de documentos debaixo do braço, mas, para Mizue ter se dado ao trabalho de ir até o apartamento dele, o assunto devia ser grave mesmo. Depositou a pasta que carregava em cima da mesa, um tantinho curioso sobre o que poderia ter trazido sua irmã que mal fazia questão de falar com ele até seu apartamento
– Mas é claro que tenho! — Mizue exclamou de volta, virando-se de frente para ele — Por que você não esteve vigiando o Tadase durante a semana em que o Yui e eu estivemos fora?! Nós te falamos pra cuidar dele!! Será que nem pra servir de babá você serve??
– Ah... desculpe, eu... estive meio ocupado nos últimos dias, tive um... ahn, imprevisto...
– Sei, sei... e graças à esses seus "imprevistos", a minha casa foi invadida e o Tadase quase foi atacado!! Tem noção da gravidade que essas suas viagens repentinas se aventurando mundo afora colocaram a vida do meu filho em risco?! — Mizue gritava, sem dar tempo para Tsukasa absorver toda aquela informação jogada em cima dele — Aquele homem horrível que invadiu minha casa poderia ter machucado o Tadase, sequestrado ele... talvez meu filho nem estivesse vivo a uma hora dessas! E o pior é que ele só está inteiro graças àquele maldito pirralho indecente Fujisaki! Por sua causa, agora eu tenho que engolir esse absurdo de ficar "devendo um favor" para aquele maldito moleque, que anda perseguindo o Tadase há sabe-se lá quanto tempo! É tudo culpa sua por ser um inútil incompetente, Tsukasa!!
– Mizue-nessan... você disse que o Tadase foi... atacado? — por alguma razão, Tsukasa pareceu não ouvir uma única palavra da enxurrada de xingamentos desferidos contra ele, e somente a parte sobre Tadase ter sido atacado — O Tadase não está ferido, está?? Ele está bem?
– Não graças á você, seu irmão inútil! — Mizue gritou, agarrando um vaso de plantas próximo e atirando-o contra o irmão numa tentativa tola de descarregar sua raiva, errando por pouco a cabeça de Tsukasa — Não é possível que você seja tão incompetente que não consegue nem tomar conta de uma criança... não sei como ainda consegue ser diretor de uma escola, sendo tão inútil assim, seu traste imprestável!! — ela agarrou um quadro da parede com a foto de uma mulher que ela não conhecia e nem fazia questão de saber quem era, e o arremessou contra Tsukasa novamente, que dessa vez teve que se abaixar para não ser golpeado — Agora, escute aqui, Tsukasa: Se aquele taradinho afeminado voltar a perseguir meu filho e tentar corrompê-lo, como fez há quatro anos atrás, a culpa vai ser toda sua, está me ouvindo?! Tudo porque você deixou o meu filho sozinho!! — ela já ia agarrar outro vaso para jogar contra o irmão, mas o homem foi mais rápido dessa vez e a segurou pelos pulsos
– Nee-san, espere! — foi Tsukasa quem gritou dessa vez — Será que, por mais fechada que a sua mente seja, não consegue nem mesmo se dar conta de que o Nagihiko-kun salvou a vida do Tadase enquanto estávamos ausentes?! Você devia estar é mais preocupada com a segurança do Tadase do que com quem o salvou! Como você pode odiar tanto assim a pessoa que salvou o seu filho, quando está óbvio para qualquer um que ele só queria proteger o Tadase?!
– O Tadase só precisou ser salvo por aquele fedelho indecente porque você não cuidou direito dele como me prometeu que faria!! — Mizue gritou de volta, soltando-se das mãos do irmão — Tudo isso é culpa sua... você sempre esteve do lado daquele pirralho, você quem o apresentou ao Tadase... você está é incentivando o meu filho a continuar nesse caminho sujo e indecente, não é mesmo?! Confesse, vamos!
– Eu não estou incentivando o Tadase a fazer nada, ele já é grande o suficiente para tomar suas próprias decisões sozinho! — Tsukasa rebateu — E, se por algum acaso, ele resolver escolher esse caminho que você tanto teme e despreza, eu vou apoiá-lo sim! Se nem você e nem o Yui-san são capazes de orientá-lo direito, vocês é quem são pais inúteis! Se o Tadase precisar de algum conselho, eu darei a ele, já que os pais não são capazes de apoiá-lo como devem!!
– Nem ouse pensar em fazer isso!!! — Mizue berrou, acertando uma bofetada no rosto do irmão — O Tadase é meu filho, você é apenas tio dele, não tem porque se intrometer na vida dele!! E, mesmo que tentasse, jamais conseguiria incentivá-lo a seguir um caminho abominável desses! Não há motivo nenhum para o Tadase pedir conselhos justo pra alguém como você, que é tão inútil que nunca nem sequer conseguiu dar um rumo certo para a sua própria vida... que dirá se meter na vida dos outros! Até mesmo nossa mãe, ela apenas te tolerava, porque não tinha escolha, mas todo mundo sabe que ela gostava mais de mim!!
– Nossa mãe não me "tolerava", ela me aceitava do jeito que eu sou. Assim como fez quando aquele incidente entre o Tadase e o Nagihiko-kun aconteceu quatro anos atrás. É você quem não consegue aceitar a verdade que está exposta bem na sua cara, Mizue-neesan — Tsukasa corrigiu, seu tom de voz calmo e sério demais para alguém que tinha acabado de levar um tapa. Já estava acostumado a ouvir aquelas palavras cruéis de Mizue, então aquilo realmente já não lhe afetava tanto assim. Mas não lhe parecia nada justo usar isso como justificativa para culpá-lo pelo que aconteceu com Tadase
– Não há verdade nenhuma que eu precise aceitar! A única verdade que vejo é que você parece ser cada vez mais o responsável pelo erro que o Tadase cometeu no passado, fazendo aquelas obscenidades com aquele fedelho, e que parece que está prestes a fazer de novo... você que é o culpado de tudo, Tsukasa!! — Mizue gritou, os olhos esbugalhados de tão ensandecida que a mulher parecia estar — Agora, escute aqui: Nunca mais se aproxime do meu filho, ouviu bem?! Nunca mais ouse nem sequer falar com ele, eu te proíbo de ver o Tadase novamente!!
– O que?! Você não pode me proibir fazer de nada, eu não sou nenhuma criança em quem você pode mandar e desmandar como quiser! Não mais! É você quem está sendo imatura agora, agindo como uma criança birrenta, entrando desse jeito na casa dos outros e quebrando o que não é seu... você é quem é a criança aqui, Mizue-neesan! — Tsukasa exclamou, entre incrédulo e indignado com o que ouvia — Além do mais, o Tadase é meu sobrinho, tenho todo o direito de falar com ele!!
– Mas ele é meu filho!! — Mizue berrou de volta — E eu não vou deixar que você corrompa o Tadase e o incentive a seguir esse caminho sujo, ouviu bem?! Você nunca mais vai ver o Tadase de novo, nunca!! — ela gritou, parecendo tão decidida a afastar seu filho de Tsukasa quanto estava decidida a afastá-lo de Nagihiko. Empurrou o irmão para tirá-lo do caminho e finalmente foi embora, batendo a porta com força atrás de si depois de sair.


Mesmo depois de toda aquela discussão, Tsukasa não parecia estar preocupado com todas as ofensas horríveis que Mizue falara sobre ele, as coisas do passado que foram trazidas à tona por ela sem mais nem menos, com seu rosto que ainda doía por causa da bofetada, ou até mesmo com os vasos quebrados, com cacos de cerâmica e plantas espalhados pela sala, e sim com Tadase, como se ele mesmo não tivesse importância alguma. Assim que sua irmã se retirou, ele pegou o telefone e discou o número do celular de Tadase, ignorando a proibição da irmã sobre ele não poder mais falar com seu sobrinho, e sem nem sequer levar em conta o fato de que Tadase devia estar no colégio à uma hora dessas. Depois de chamar algumas vezes, o garoto enfim atendeu:


– Alô?
– Tadase! Ainda bem que atendeu! — Tsukasa exclamou do outro lado da linha, sua voz geralmente calma e gentil soando raramente alterada
– Tsukasa-san?! Aconteceu alguma coisa? — o mais novo indagou ao reconhecer a voz do tio, estranhando ele ligar do nada numa hora dessas — Eu estou na escola agora, apesar de estar em horário de almoço...
– Sim, eu sei... desculpe te ligar a uma hora dessas — Tsukasa respondeu, um pouco mais aliviado ao perceber que a voz de Tadase parecia soar normal — Escute, eu fiquei sabendo que você foi... b-bem, atacado... eu queria saber como você está...
– Ahh... — Tadase titubeou ao saber que esse era o motivo da ligação repentina — B-Bem, sim... a-aconteceu na noite em que meus pais voltaram pra casa, eu estava sozinho nessa hora, então... ahh... b-bem, de qualquer forma, eu estou bem... o Nagihiko-kun apareceu na última hora e conseguiu... r-resolver o p-problema... m-mas, eu estou bem, tio, não precisa se preocupar
– Tem certeza? — Tsukasa insistiu — Não está machucado em algum lugar nem nada?
– Não, eu estou bem, é sério...
– Talvez você esteja fisicamente bem, mas seu coração não parece estar tão bem assim, Tadase... — o mais velho murmurou, pensando que ele ainda devia estar emocionalmente abalado — Eu sinto muito... por não estar aí com você quando aconteceu. Prometi que tomaria conta de você, mas eu nem consegui ir aí te ver... eu sinto muito mesmo...
– O que? N-Não precisa se desculpar, tio, não foi culpa sua! — Tadase apressou-se a dizer — O senhor sempre me ajuda tanto, mais até do que meus pais às vezes, não precisa se sentir culpado nem nada...
– Mas, eu prometi que cuidaria de você...
– Tsukasa-san, já disse que não foi culpa su... ah! — Tadase interrompeu-se ao ouvir o sino tocando ao longe, anunciando o fim do intervalo — D-Desculpe, o horário de almoço acabou, eu preciso desligar...
– Está bem, mas eu ainda quero conversar direito com você — Tsukasa respondeu — Pode vir me encontrar depois da escola?
– Ah... s-sinto muito, mas eu já tinha... ahn, marcado uma coisa pra hoje... — Tadase gaguejou, lembrando-se de que planejava ver Nagihiko naquele dia, muito embora fosse tolice mentir assim para Tsukasa, ele sabia que os dois estavam juntos e apoiava os dois afinal — B-Bem, pode ser amanhã então?
– É claro, amanhã está ótimo — Tsukasa respondeu, tentando soar mais tranquilo. Na verdade, queria ver Tadase agora mesmo se pudesse, mas, desde que pudesse falar melhor com ele, não fazia mal esperar um dia — Então, venha me visitar amanhã depois da escola, eu estarei te esperando
– Está bem, pode deixar. Bem, eu preciso ir mesmo agora... então, até amanhã, Tsukasa-san — Tadase despediu-se, desligando o telefone e se apressando em juntar suas coisas para voltar para a sala.


Tadase voltou para a aula, ainda preocupado com o tio, que parecia estar mais sério e abalado do que de costume, mas poderia conversar com mais calma com ele quando se encontrassem no dia seguinte. E quando as aulas daquela tarde enfim terminaram,o loiro dera um jeito de cabular a reunião do Conselho Estudantil, resolvendo passar aquele tempo junto com Nagihiko, que ele não via desde o dia do acidente, do que ficar revisando documentos chatos. Nenhum dos outros membros pareceram se importar, já que Kukai tinha treino de futebol naquele dia e não poderia comparecer à reunião de qualquer forma, e nenhuma das meninas pareciam ter muita vontade de participar da reunião, respondendo apenas um "isso aí, aproveita pra se divertir!" e foram embora fazer compras depois da aula. Tadase nem sequer deixou-se incomodar pelas piadinhas das duas de tão ansioso que estava para rever Nagihiko. Combinaram através de mensagens de se encontrarem no velho estúdio de dança dos Fujisaki, que há tempos não era mais usado, e encontrou Nagihiko na entrada do estúdio, sorrindo assim que o avistou.


– Oi, Nagihiko-kun... há quanto tempo — o menor cumprimentou, sorrindo timidamente assim que o viu. Tecnicamente, nem fazia tanto tempo assim que eles tinham se visto, foram apenas alguns dias afastados afinal, mas, para eles, parecia uma verdadeira eternidade
– Oi, meu amor... fiquei com saudades — Nagi respondeu sorrindo de volta, acariciando rapidamente os cabelos loiros dele, já que ainda estavam na rua — Como você está? Queria muito ter te visto antes, mas, depois que sua mãe nos viu juntos, achei melhor passar algum tempo longe...
– Realmente, ela ainda está uma fera... — Tadase concordou, ficando tenso só em lembrar disso — E, acho que ela deve ter contado sobre isso para o Tsukasa-san, ele me ligou hoje, parecia tão preocupado... pediu pra me ver amanhã e tudo
– Bom, ele sempre cuidou tão bem de você, é natural que esteja preocupado afinal — Nagihiko argumentou
– Acho que ele está se sentindo culpado porque não ficou vivendo lá comigo como disse aos meus pais que faria... mas, acho que ele fez isso de propósito, já que... b-bem, ele sabia que você devia aparecer por lá pra ficar comigo... — Tadase respondeu, corando um pouco — Até que foi legal da parte dele fazer isso, nos deixar sozinhos e tudo o mais... só não esperava que... t-terminasse daquele j-jeito... — a voz dele estremeceu, recordando involuntariamente do ataque ocorrido uma semana atrás, mas sacudiu a cabeça com força, tentando não pensar nisso agora — Mas, não tem motivo para eu, o meu tio, ou você nos preocuparmos com isso agora, tudo já acabou e eu estou bem afinal. Graças à você, Nagihiko-kun, que esteve esse tempo todo comigo... — ele se aproximou mais alguns passos do maior — Aliás, você não se machucou? Eu fiquei tão preocupado, você correu um risco muito grande quando... sabe... q-quando enfrentou aquele... homem...
– Não precisar se preocupar, eu estou perfeitamente bem, como você pode ver. Tudo o que me importava naquela hora era você, Tadase... não sei nem o que faria se alguma coisa tivesse te acontecido — Nagihiko ergueu um pouco a mão, parecendo querer tocá-lo, ou talvez abraçá-lo, mas por algum motivo hesitou e acabou desistindo no último instante — Mas, não vamos mais falar disso, esse problema já foi resolvido afinal. Então, o que quer fazer? Pensei em irmos passear pela cidade... vou te levar aonde você quiser, você escolhe o lugar!
– Eh? P-Passear pela cidade? — Tadase surpreendeu-se com a proposta dele — Não sei se é uma boa ideia... seria bem ruim se alguém nos visse juntos afinal. Além do mais, eu... queria ficar com você... por isso achei melhor nos encontrarmos aqui — ele remexeu-se, entre constrangido e ansioso
– Ahn... sério? — dessa vez foi Nagihiko quem se surpreendeu — Bom, tudo bem então... eu disse que iríamos aonde você quisesse, então, se quer ficar aqui, por mim tudo bem. Anda, vamos entrar então — ele abriu a porta e deu espaço para o menor entrar, adentrando o estúdio logo em seguida e trancando o local.


Foram direto até o segundo andar, até a sala onde Nagihiko havia arrumado com um sofá, almofadas, e várias outras coisas que tornavam o lugar mais confortável e aconchegante, embora certamente não combinassem nem um pouco com um estúdio de dança. Tadase remexeu-se inquieto novamente, parecendo não saber muito bem o que fazer, já que geralmente era o maior quem tomava as iniciativas. Mas, como Nagi não parecia que ia fazer nada agora, ele decidiu-se por sentar em uma ponta do sofá, as duas mãos juntas, torcendo uma na outra nervosamente. Nagihiko o seguiu e sentou na outra ponta do sofá, mais afastado do que o menor esperava.


– Então... você quer comer alguma coisa? Sobrou um pouco do obentou que eu fiz hoje, achei que você poderia gostar — Nagihiko ofereceu, curiosamente parecendo não saber o que fazer. Ele de fato estava agindo estranho, menos impulsivo do que com o que Tadase estava acostumado, como se tivessem regredido algumas etapas na relação deles
– Ah... é claro! Estava com saudades da sua comida! — Tadase respondeu, tentando não se preocupar com isso. Talvez fosse apenas sua imaginação afinal. Nagihiko abriu a pasta da escola que trazia consigo e, de lá, tirou a marmita que tinha levado, que, de fato, ainda tinha quase metade da comida em seu conteúdo. O loiro já ia abrir a boca assim que viu a comida de Nagihiko de que tanto gostava, quando o maior apenas a estendeu para ele
– Aqui, pode comer tudo se quiser
– Ahn... — Tadase murmurou incoerente, sem saber o que dizer. Estava crente que Nagihiko ia lhe dar a comida na boca, como quando costumava fazer quando estavam sozinhos. Por um instante, sentiu-se um tanto tolo por pensar isso, mas logo deixou essa sensação de lado. Nagihiko sempre agia desse jeito quando eles estavam à sós, até mesmo quando comiam juntos em algum restaurante ou lanchonete afastados da cidade, mesmo sendo um local público. Definitivamente havia algo errado com Nagihiko afinal — O-Obrigado, mas... e-eu pensei que você ia... s-sabe, me dar a comida como costuma fazer...
– Hã? Mas eu estou te dando, já disse que pode comer... — Nagihiko pareceu confuso por um momento, até que, antes de concluir a frase, entendeu o que o menor queria dizer. Mordeu os lábios, parecendo não saber o que responder, até que deu uma risadinha e acrescentou — Ah! Você está querendo que eu te dê comida na boca como quando eu realizava as tarefas de Valete pra você, não é?! Você está agindo feito um Rei mimado outra vez, hein Tadase... nós nem somos mais Guardiões, hahahaha!
– Isso não importa, você sempre costuma fazer isso afinal... — Tadase pegou a marmita que o maior ainda lhe estendia, apoiou-a na mesa e sentou-se mais perto dele. Nagihiko ofegou, parecendo surpreso com aquela repentina aproximação — Você está agindo estranho, Nagihiko-kun... aconteceu alguma coisa?
– Não, não aconteceu nada... eu estou bem, não está vendo?
– Não minta pra mim — Tadase falou com mais convicção do que geralmente demonstrava — Você pode ser um excelente ator, mas não consegue me enganar, Nagihiko. Você pode estar fisicamente bem, e não aparentar sentir nenhum problema, mas está claro pra mim que tem alguma coisa errada. Você está agindo estranho! Não está mais agindo daquele modo... impulsivo e... a-atrevido como de costume... isso não é normal!
– Ahn... é que... eu achei que seria melhor apenas conversarmos hoje, pra variar... sabe, apenas passar o tempo juntos... conversando normalmente — o maior respondeu, muito embora aquilo não parecesse nada normal nele
– Não estou dizendo que isso é ruim, mas... n-não é isso que você costuma querer f-fazer quando estamos... sozinhos aqui... — Tadase remexeu-se desconcertado outra vez, e respirou fundo antes de continuar — Eu... estava com saudades de você. Nós ficamos esses dias todos sem nos ver, depois de passar tanto tempo juntos durante a semana em que você ficou vivendo comigo lá em casa... t-talvez eu tenha ficado mal-acostumado com isso, mas... eu senti tanto a sua falta durante esses últimos dias, pareceu uma verdadeira eternidade longe de você. Eu... quero mais do que apenas conversar... eu quero... estar junto com você você, Nagihiko...
– Tadase... — o maior começou a falar, mas foi obrigado a se calar quando o loiro praticamente pulou em cima dele, atirando os braços finos ao redor de seu pescoço e tomando seus lábios para si. Abraçou Nagihiko com força, e o trazia para o mais perto possível de si, ignorando a queimação que começava a tomar conta de seu rosto. Nagihiko começou a corresponder ao beijo antes que sua mente pudesse processar o que estava acontecendo e começou a mover as mãos inconscientemente até a cintura de Tadase, mas, antes que pudessem aprofundar o beijo, uma parte da consciência do maior pareceu despertar, e quando ele percebeu o que estava acontecendo, forçou-se a afastar Tadase de si, interrompendo o beijo bruscamente
– Pare com isso, Tadase — ele obrigou-se a dizer, muito embora desejasse mais do que qualquer outra coisa continuar com aquilo — Eu acho melhor... não fazermos isso hoje — Nagi acrescentou, desviando o rosto do menor, como que para não cair na tentação de beijá-lo outra vez
– Mas por que?! — Tadase exclamou sem entender — Eu senti sua falta, Nagihiko... tive tantas saudades durante esses dias em que ficamos sem nos ver... você não sentiu a minha falta?
– Claro que senti, mas... mesmo assim...
– "Mesmo assim" o que?! — o loiro interrompeu, ainda atônito — Por que você está fugindo desse jeito?! Por acaso você... não quer mais ficar comigo...?
– Não, não é isso, é claro que quero! — Nagihiko respondeu prontamente, voltando a encará-lo — Quero mais do que tudo ficar com você, acredite, Tadase. Eu te amo tanto, não consigo passar um dia sequer sem pensar em você... é só que... — Nagihiko hesitou e baixou os olhos, parecendo em dúvida se devia prosseguir ou não — B-Bem, depois daquilo que aconteceu... depois do que aquele homem... tentou fazer com você, eu... achei que você pudesse se assustar ou ficar com medo se eu... me aproximasse demais, ou tentasse te tocar... achei que isso pudesse despertar lembranças ruins, então achei melhor não fazer essas coisas
– Nagihiko... — o menor murmurou surpreso, erguendo então a mão até a altura do rosto do Ex-Valete e acariciando sua face, fazendo com que ele voltasse a encará-lo — Eu agradeço a preocupação, mas não precisa agir desse jeito... eu fiquei com medo naquela hora porque era uma pessoa estranha... alguém que eu não conhecia, que não tinha... b-boas intenções... e, acima de tudo, alguém que não era você. Seria mentira se eu falasse que não senti medo, é claro que fiquei apavorado naquela hora... mas... acima de tudo, eu temi aquilo porque... p-porque não queria fazer aquelas... c-coisas... com alguém que não era você. Não queria que mais ninguém me t-tocasse, não apenas porque seria... e-embaraçoso e assustador... m-mas também porque... eu não queria ser t-tocado... por mais ninguém que não fosse você. Eu... p-pertenço à você, Fujisaki Nagihiko... meu corpo, minha alma, meu coração, tudo... todo meu ser pertence somente à você, e a mais ninguém — ele conseguiu milagrosamente dizer aquilo, embora logo depois de ter concluído a frase, enterrou o rosto irremediavelmente rubro no peito do maior, como se desejasse enfiar-se em um buraco bem fundo e não sair de lá nunca mais de tanta vergonha que sentia
– Tadase... — dessa vez foi Nagi quem segurou o rosto dele entre as mãos, forçando o menor a encará-lo — Você... está mesmo certo disso? Tem certeza de que não vai... ficar assustado, nem sentir medo se eu... sabe, te tocar, e todas aquelas coisas?
– Claro que tenho certeza... — o loiro respondeu, ainda com o rosto terrivelmente corado — Não tem porque eu sentir medo se for com você, Nagihiko... eu te amo, e sei que você jamais me machucaria. Eu... confio em você
– Que bom... não sabe o quanto fico feliz em ouvir isso — o maior sorriu, acariciando a bochecha corada de Tadase com uma das mãos — Então, eu... vou começar — ele concluiu, tocando em seguida os lábios de Tadase com os seus próprios, e roubando-lhe um beijo, ao que o menor correspondeu imediatamente.


Sentiram tanta falta um do outro durante esses dias em que ficaram afastados que pareciam ansiar demais pela presença um do outro, de modo que apenas um beijo estava longe de ser suficiente para satisfazê-los. Talvez Tadase estivesse certo sobre eles terem ficado mal-acostumados durante o breve tempo em que moraram juntos, mas isso não parecia importar agora. Mais rápido do que pretendia, Nagihiko ergueu a camisa de Tadase quase que por completo, e antes que sua mente pudesse perceber o que estava fazendo, suas mãos já percorriam o corpo do menor, acariciando-o numa velocidade impressionante, parecendo querer tocar cada pedacinho dele. Enquanto aprofundava cada vez mais um beijo, explorando a cavidade bucal do menor que já conhecia tão bem, conseguiu enfim desabotoar os botões da camisa dele e livra-lo daquela camisa incômoda, abraçando-o pela cintura, trazendo-o para mais perto de si, enquanto Tadase praticamente sentava-se em seu colo, encaixando as pernas ao redor do quadril dele. Assim que sentiu seu corpo tão próximo do de Tadase, roçando um no outro, Nagi deixou um gemido rouco escapar de sua garganta, enquanto uma inevitável excitação crescia dentro dele.


Tadase tentou fazer como Nagihiko e tirar a camisa do maior, mas atrapalhou-se com os botões e desistiu na metade do caminho, optando por apenas levantar a camisa dele para poder tocar cada pedaço daquela pele suave de que tanto sentira falta. Nagihiko interrompeu o beijo entre eles apenas por um segundo, apenas para arrancar aquela roupa incômoda que vestia, e aproveitando para tirar a blusa de Tadase junto, cravando então os lábios no pescoço alvo do menor, mordiscando, lambendo e beijando cada pedacinho do corpo de Tadase que sua boca alcançava, marcando-o por onde seus lábios passavam, como se quisesse que todos soubessem que Tadase pertencia à ele e a mais ninguém. Antes que percebesse, já havia deitado sobre o corpo pequeno e frágil do loiro e agora abria a calça dele, deslizando-a para longe de seu corpo, enquanto ainda distribuía beijos e lambidas, agora por seu peito, descendo lentamente até o abdômen, arrancando cada vez mais gemidos do menor.


– Ahh... N-Nagi... hiko... e-eu... ahn... eu q-quero você... agora...
– Hai... então, eu não vou me conter — Nagihiko avisou, arrancando também as calças incômodas de seu corpo, junto com sua roupa de baixo e livrando-se daquela prisão de tecido que suas roupas pareciam ter se tornado
– Nem ouse... ahn... p-pensar em... ahhh... s-se conter... — Tadase ordenou entre um gemido e outro, mal conseguindo dizer algo coerente.


Nagihiko retirou apressadamente a própria calça e cueca, em seguida tirando também a roupa íntima de Tadase, notando que ele também já estava bastante excitado e, depois de prepará-lo devidamente, roçando seus dedos misturados com sua própria saliva pela entrada de Tadasse, o menor balbuciou antes do que ele esperava que já estava pronto, parecendo ansioso demais para gastar tempo com aquilo, e então Nagihiko tocou a entrada do menor, dessa vez não com os dedos, e sim com o membro ereto, colocando-se lentamente dentro dele enquanto deixava escapar um longo e baixo gemido, misturado aos gemidos bem menos contidos de Tadase. A dor inicial logo transformou-se em prazer, seu corpo parecendo estar cada vez mais acostumado com aquilo, o que só fez a excitação do loiro crescer. Nagihiko começou a movimentar-se devagar dentro dele, enquanto o menor arfava, cravando suas unhas nas costas de Nagihiko e arranhando-o com força, marcando a pele pálida dele com as unhas.


Tadase envolveu a cintura do maior com as pernas numa tentativa de aproximá-los ainda mais, desistindo de vez de tentar conter seus gemidos e deixando sua voz escapar cada vez mais alto, o que Nagihiko entendeu como um pedido para que prosseguisse. Começou a acelerar os movimentos de fricção, estocando-o com cada vez mais velocidade, enquanto sentia seu próprio corpo roçar no corpo quente e suado do loiro, o que só aumentava cada vez mais a excitação dentro de si. Deu um jeito de se contorcer até que seu lábios alcançassem o pescoço de Tadase e começou a mordiscá-lo entre um gemido e outro, como que tentando provocar o namorado, lambendo a pele macia e alva do menor, e deixando seus gemidos escaparem tão próximos ao ouvido de Tadase que fazia o corpo inteiro do loiro arrepiar-se de prazer. Nagihiko moveu uma das mãos até o membro de Tadase e começou a acariciá-lo, acelerando os movimentos gradualmente e arrancando gemidos cada vez mais altos e desmedidos do menor, que começavam a se transformar em gritos.


Nagihiko estocava o namorado cada vez mais mais rápido, penetrando-o cada vez mais fundo, enquanto movia sua mão na mesma velocidade, cada vez mais acelerada, e o único som que se ouvia naquele lugar eram os gemidos desmedidos dos dois, os balbucios ocasionais dos nomes um do outro, e juras de amor entre um arquejo e outro, até que, quando atingiu um ponto particularmente sensível dentro de Tadase, Nagihiko soltou um alto e longo gemido, atingindo o ápice ao mesmo tempo que o namorado, derramando-se dentro dele, e sentindo o loiro fazer o mesmo, deixando que aquele líquido branco escorresse por sua mão. Nagihiko desabou em cima dele, entre exausto e satisfeito, sua respiração entrecortada e quente misturando-se com a de Tadase, que também arfava, completamente sem fôlego. Alguns segundos depois, Nagihiko retirou-se de dentro do loiro, mas continuou deitado sobre ele e, depois dos vários segundos que levou para se recompor e recuperar algum oxigênio dentro de si, Tadase murmurou no ouvido do maior:

– Isso... foi incrível... porque foi com você, Nagihiko. Definitivamente... tem que ser com você... eu amo você, e a mais ninguém...
– Não sabe o quanto fico feliz em ouvir isso, meu amor... eu também te amo, mais do que tudo nesse mundo, Tadase... quero ficar pra sempre ao seu lado — Nagi murmurou de volta, sorrindo tolamente, lhe dando um calmo e carinhoso beijo
– Nós vamos ficar — o loiro respondeu, os lábios ainda próximos aos de Nagi — Nós prometemos, não foi...? Não importa como, nós vamos ficar... juntos para sempre.

Notas finais
Konbawa minna-san! Teffy-chan falando! o/ Sabem que eu nunca postei de noite? geralmente só posto de manhã ou de tarde, é a primeira vez que faço isso... espero não ter nenhum sonho estranho depois desse capítulo XP E aliás, que capítulo, hein gente?! Cheio de altos e baixos! Adorei escrever a parte do barraco lá no início, surtei horrores escrevendo esse lemon... pois é, espero que vocês tenham gostado XD O próximo é com a Shiroyuki! o/ Deixem reviews onegai e façam duas autoras felizes!!! *o*