Itsumo Yakusoku

43 Capítulo 43 - In my world


Notas iniciais
In my World - ROOKiEZ is PUNK'D http://letras.com/rookiez-is-punkd/1927710/traducao.html

A nuvem negra no meu coração está

Se esvaindo, e a luz está brilhando por meu caminho.

Vamos lutar sem medo,

Com uma espada brandida acima de nossas cabeças.

Minha vida não é tão solitária,

Estou sendo guiado pelas vozes de meus amigos.

Com a prova de minha existência reafirmada,

Eu liberei meu verdadeiro eu

O caminho que estive evitando e impedido de passar

Sempre foi assim.

Agora minha hesitação se dissipou completamente...



Capítulo 43

~

In my world



Trêmulo, com a respiração ofegante e os olhos marejados, Tadase mal conseguia enxergar a tela do seu celular para ligar para alguém. Seus dedos tremiam tanto que mesmo segurar o aparelho nas mãos era um desafio. Ele ouviu um barulho próximo e escondeu o telefone, antes que a luz da tela o denunciasse.

Minutos antes, assim que percebeu que a pessoa que estava ali com ele não era Nagihiko, Tadase gritou, e de alguma forma, conseguiu sair correndo o mais rápido possível para longe dali. Tentou sair da casa, mas a porta lateral estava trancada quando ele tentou abri-la, e a da frente havia sido chaveada pelo próprio Nagihiko quando ele saiu. Tadase não queria ir para o segundo andar, seria idiotice isolar-se em um lugar onde ele só poderia sair se pulasse. A única chance que tinha era encontrar uma janela aberta em algum lugar.

Em um surto de adrenalina, antes de desesperar-se completamente, Tadase tratou de pensar. Estava escuro, e ele via a silhueta desconhecida passando da sala onde ele estava antes para mais perto. Saiu correndo o mais silenciosamente possível na direção da cozinha, onde poderia pegar uma faca ou algo assim, e também, o seu celular que estava no balcão entre a sala e a cozinha.

O homem, se é que era um homem, não dizia nada, apenas caminhava lentamente, procurando por Tadase. Ele era alto e magro, um tanto desengonçado, pois no escuro se batia nos móveis, e uma tinha respiração alta e pesada que apavorava ainda mais o garoto. Tadase não sabia o que fazer, e com a faca bem segura nas mãos, pensava nas suas possibilidades.

Com o canto do olho, viu que Kiseki estava se aproximando, semblante sério e nervoso.

— Não diga nada, Tadase. Eu estou vendo ele, procurando por você na sala ainda. Você não quer fazer chara change ou algo assim?

Tadase balançou a cabeça negativamente, ainda com os olhos fixos na entrada, segurando a faca de mau jeito nas mãos, o coração tão acelerado que ele temia que pudesse ser ouvido ao longe. Chara Change não funcionaria contra adultos, e parecia que aquela pessoa era um. Além disso, Kiseki já não era capaz de manter a transformação por tanto tempo quanto antes, então, não seria prudente arriscar.

— Então, vá para algum lugar onde possa se trancar, e ligue para alguém… — Kiseki completou, aproximando-se bem de Tadase, apoiando-se no seu ombro. Tadase sabia que o pequeno chara não hesitaria em tirar a espada da bainha e defendê-lo, se tivesse a chance, mas na sua condição de Shugo Chara ele nada podia fazer.

De alguma maneira, Tadase conseguiu se esgueirar pelo corredor escuro, e no momento estava trancado no banheiro do primeiro andar, onde havia conseguido entrar sem ser percebido, e trancar a porta. No escuro, só ouvia as passadas do homem do outro lado, e se encolhia contra a parede, segurando a respiração, temendo que qualquer ruído mínimo que causasse denunciasse a sua localização.

Sua respiração parou quando ele viu a sombra projetada por baixo da porta, de alguém passando lentamente. Não podia ligar para ninguém naquele instante, qualquer ruído mínimo poderia ser o fim, ele mal ousava piscar, naquele momento. Sentia medo, puro e simples, esmagador, incapacitante, medo. E se Nagihiko voltasse para casa naquele instante, e o maníaco o atacasse? Ele poderia estar armado! Tadase queria poder fazer alguma coisa, qualquer coisa, mas se sentia indefeso, pequeno…

— Eu vou procurar ajuda, Tadase! Confie em mim! – Kiseki bradou pouco antes de sair pela janela basculante do banheiro, que, infelizmente, era pequena demais para que Tadase saísse por ali também. Vendo-se sozinho mais uma vez, Tadase tentou se controlar. Precisava estar atento a qualquer movimento, mais do que nunca.

O homem se afastou, e voltou a se aproximar da porta. Parecia sentir, de alguma forma, que Tadase estava ali. Ele agarrou o cabo da faca com ambas as mãos, trazendo-a para perto, olhando fixamente para aquele lado. A porta estremeceu, com um barulho ensurdecedor, quando o homem a forçou, tentando abrir. Tadase agora sabia que era um homem, pois a voz baixa dele soou como um palavrão quando ele percebeu que a porta estava trancada.

Ele começou a bater e chutar a porta, e Tadase soluçou, começando a chorar. É claro que ele sabia que ele estava ali. A porta não poderia ter sido trancada por fora, afinal. O homem continuava tentando arrombá-la, e Tadase se encolheu no lado da pia, o máximo que podia para ficar escondido entre a sombra. Tremia tanto que mal conseguia se manter firme.

A porta abriu com um estalo alto, praticamente arrancada da sua moldura. Ofegante e com os olhos esbugalhados que possuíam um brilho ensandecido e aterrorizador, aquela pessoa parecia para Tadase um enorme monstro. Ele não sabia o que pensar, nem o que fazer… só queria correr para longe dali, o mais rápido que pudesse.

O invasor adentrou o cômodo, analisando o seu redor com uma atenção quase fora de si. Quando ele andou até o boxe do chuveiro, Tadase aproveitou para tentar escapar silenciosamente, aproveitando a sombra do escuro em que a casa havia caído. Estava quase conseguindo, quando sentiu um par de garras desagradáveis e frias, segurando-o pelo pulso e impedindo-o de sair.

Seu primeiro impulso foi o de gritar, mas a voz morreu presa em sua garganta enquanto ele chorava no mais doloroso dos silêncios, tentando se debater. Tudo o que conseguia produzir era um som abafado, um lamento desesperado por ajuda. O homem agora sorria, o brilho nos seus olhos aumentando gradativamente, insano.

Em um movimento reflexivo, Tadase tentou mais ainda se desvencilhar, e com a mão que ainda segurava a faca, fez um movimento amplo e desajeitado, completamente instintivo. O homem urrou de dor e o soltou, caindo para trás, dentro da banheira. Tadase correu para fora.

Havia acertado o homem no braço, ou era isso o que conseguira perceber, com toda aquela confusão. Correu para a sala, tentando achar a janela aberta, e ao mesmo tempo, tentava alcançar o celular no bolso da calça. Para quem deveria ligar? Se chamasse Nagihiko, ele acabaria em perigo também. Não sabia onde estava Tsukasa, ele poderia demorar para chegar… a polícia! Tinha que ligar para a polícia!

Enfim chegou até a sala, mas a janela não abria de jeito nenhum. Ele correu para a porta, talvez a chave ainda estivesse ali… mas não havia nada. Não vinha nenhum barulho do lado onde estava o homem, também. Ele teria que ir até o segundo andar e pular da janela? Talvez se usasse o mesmo caminho que Nagihiko costumava usar… mas ele não era bom nisso, e muito provavelmente, acabaria machucado e incapaz de fugir, se agisse dessa maneira.

Tadase segurou o telefone nas mãos e digitou rápido o número da emergência. Nem esperou a pessoa do outro lado da linha atender, e foi logo falando.

— S-socorro… — ele conseguiu expelir, com a voz embargada, o choro recomeçando – T-tem um homem, na minha casa… me ajuda!

— Senhor, por favor, diga-nos o seu endereço…

Tadase disse tudo o que conseguiu, soluçando entre o espaço de cada palavra. Sua garganta queimava, seus olhos não continham mais toda a quantidade de lágrimas. Ele correu para a cozinha novamente, tentando forçar a porta para sair. Ao que parecia, o homem havia trancado todas as saídas possíveis enquanto ele ainda estava no banheiro.

Só então, Tadase percebeu que ainda tinha algo na sua mão direita. Era a faca, e ela estava coberta de sangue. Ele soltou a faca, com o susto, completamente apavorado. Foi um ato de reflexo, ele não pensou ao fazer isso, mas a faca rolou para debaixo da pia, e ele não a alcançaria para pegar novamente agora.

Outro barulho, dessa vez vindo de mais longe, e Tadase ofegou. Correu o lado oposto, tentando abrir a outra janela. Dessa vez, ela se abriu! Tadase nem mesmo teve tempo de ficar surpreso com isso. Preparou-se para subir por ela, mas subitamente, foi puxado de volta para o chão, pelo tornozelo. Bateu a cabeça no chão, e tonto, sua visão foi turvando e escurecendo.

Ele conseguia ver o mesmo sorriso insano e amedrontador de antes, agora, muito mais perto. Aquele cintilar aterrorizador, cabelos escuros e curtos, grudados na testa pelo suor. Roupas negras. As mãos em pinça, uma segurando seu tornozelo ainda, e a outra, segurando seu pulso.

— N-não! Nãaao! – Tadase chorou alto, afogando-se nas próprias lágrimas – N-nagi… me ajuda….

Tadase não conseguia ver mais nada. O choro embaçava sua visão, sua cabeça doía muito, e ainda, estava escuro. Mas ele sentiu quando as mãos do homem o deixaram repentinamente. Ouviu barulho de coisas se quebrando. A voz dele, mais longe, indecifrável, parecendo um animal acuado. E outra voz, essa familiar, gritando alguma coisa que Tadase não conseguia entender, mas que o deixava mais tranquilo apenas eu ouví-lo de perto.

Ele fez um esforço descomunal para se erguer, tentando enxergar alguma coisa além das lágrimas, do escuro, e dos cabelos no seu rosto. Via silhuetas ao seu redor movendo-se rapidamente. Cabelos longos esvoaçando para trás, em um movimento refinado, perfeito. Mesmo sem enxergar muito bem, Tadase sabia que era Nagihiko. E ele estava atacando sem piedade o homem, Tadase não via muito bem, mas podia ouvir os barulhos.

— O que… você… fez… — cada pausa pontuava um golpe, e vinha seguido de um arquejo do homem — …com … ele… maldito!

Não entendendo muito bem o que acontecia, o loiro se ajoelhou no chão, e então, já não ouvia mais sons vindos do homem, apenas a voz de Nagihiko, e o som dele batendo em algo. Provavelmente, já tinha desmaiado.

— N-nagihiko-kun… — ele balbuciou, sem ter certeza da direção onde deveria estar. Nagihiko correu ao seu encontro sem pensar duas vezes, tomando-o em seus braços com desesperada urgência, segurando-o o mais forte que podia, para ter a certeza de que estava bem.

— O que ele fez com você, Tadase? Ele te machucou? – Nagihiko disse de uma só vez, segurando o rosto de Tadase entre as mãos, machucadas e avermelhadas pelos socos que deu, aproximando-se para verificar mais de perto. Tadase não aguentou mais, e começou a soluçar, agarrando-se à Nagihiko com os braços frágeis, escondendo o rosto no seu peito – Tadase, ele fez alguma coisa com você?

— E-eu estou b-b-bem.. – ele conseguiu soluçar, embora tudo o que ele não parecesse agora fosse “bem”. – Eu… b-bati a cabeça… n-no chão, quando ele me puxou… m-m-mas ele n-não… c-conseguiu… t-tocar em mim… — ele voltou a chorar, e não conseguia pronunciar mais nada. Nagihiko ajudou Tadase a se levantar, enquanto o conduzia para longe do homem, agora desacordado, graças ao fato de Nagihiko ter chegado na hora certa.

— Eu cheguei em casa e percebi que havia algo de errado por que as luzes não acendiam. Ele apagou o disjuntor, do lado de fora, mas você provavelmente não notou por que estava dormindo… — Nagihiko disse, enquanto colocava seu próprio casaco em Tadase, abraçando com força – O que esse homem queria aqui, com você? Ele tentou roubar alguma coisa? Ou disse o que queria, ao menos? Nós temos que chamar a polícia!

— Eu já chamei… — Tadase murmurou, encolhendo-se no abraço de Nagihiko, enquanto caminhavam para a frente da casa. Kiseki, Temari e Rhythm os acompanhavam em silêncio, ainda em choque pela situação incomum – Eu acordei, e ele estava do meu lado… e-eu pensei que fosse você… t-tive tanto medo, Nagihiko-kun! E você se arriscou demais, entrando na casa daquele jeito! Ele poderia estar armado, ou algo assim! E se você se machucasse…

— Não, Tadase-kun, não é hora para você se preocupar comigo! – Nagihiko o repreendeu – Quando eu bati nele, ele já estava meio tonto, e tinha um ferimento na altura no braço. Tinha perdido sangue… foi você quem fez isso?

— A-acho que sim… eu estava tentando fugir dele, e peguei uma faca… n-não consigo lembrar direito, foi tudo tão caótico, e rápido… — ele fechou os olhos com força, como se sentisse dor. Nagihiko voltou a abraçá-lo, apoiando o rosto no topo da sua cabeça.

— Está tudo bem agora, Tadase. Eu estou aqui com você. Nada de ruim vai acontecer…

Tadase afirmou com a cabeça, desejando que aquela noite tivesse logo um fim, e que todas as recordações terríveis fossem apagadas da sua memória. Logo, as luzes azuis e vermelhas e a sirene dos carros da polícia tomaram conta da rua. Os policiais estacionaram, e foram se aproximando dos jovens. Logo, vizinhos e curiosos começaram a sair de suas casas para ver o que estava acontecendo, e Nagihiko explicou tudo o que sabia, enquanto Tadase apenas o abraçava, ainda trêmulo, sem conseguir narrar direito a sequência de eventos.

Os policiais entraram, e depois de levar o homem desmaiado para dentro de um dos carros (Tadase se escondeu no peito de Nagihiko para não ter que vê-lo) e então levá-lo para um hospital ou algo assim, começaram a fazer mais perguntas, sobre o que havia acontecido durante a noite. As luzes foram ligadas, e a casa estava um caos. Toda revirada, havia manchas de sangue pelo chão, móveis caídos, e muitas coisas quebradas. Hotosaki estava dormindo, e o policial disse que havia sido colocado algum sonífero na comida dele, e por isso, não havia reagido ao invasor.

Tadase voltou a chorar, enquanto contava tudo o que conseguia recordar da maneira mais detalhada possível, mas Nagihiko segurou sua mão o tempo tudo, acalmando-o, e respondendo às perguntas que ele não conseguia. Eles contaram sobre a suspeita de Tadase de estar sendo seguido já há algum tempo, e sobre os episódios onde ele percebeu que de fato, alguém estava rondando sua casa. O policial tomava nota de tudo, embora tivesse explicado que Tadase ainda deveria comparecer à delegacia com seus pais para dar o depoimento oficial. Eles averiguariam a verdadeira identidade do perseguidor, e muito provavelmente, ele seria indiciado e preso, por ter sido pego em flagrante. Os dois garotos ainda teriam que prestar contas pela agressão, mas como eles haviam agido em legítima defesa, não seriam punidos por isso.

O policial já estava começando a reunir seus colegas para decidir o que fariam a partir dali com os dois adolescentes, quando outro carro estacionou ao longo da calçada. De dentro dele, saiu Mizue, completamente atônita e descontrolada.

— O que está acontecendo na minha casa?? – ela gritou, ao ver os policiais. Seus olhos se focaram em Nagihiko, que ainda mantinha um braço protetor no ombro de Tadase – O que esse fedelho afeminado está fazendo com meu filho?? O que está acontecendo aqui, eu exijo saber‼!

— Calma, senhora. – o policial pediu. Yui aproximou-se da esposa e a segurou, antes que ela de fato pulasse em cima de Nagihiko para tirá-lo de perto do filho dela. Tadase, ainda assustado, apenas segurava-se com mais firmeza em Nagihiko, com medo que ele sumisse a qualquer instante – Esse menino aqui presente acabou de salvar seu filho de um perseguidor perigoso! Um homem invadiu sua casa enquanto seu filho estava sozinho, e se não fosse por esse rapaz, Deus sabe o que poderia ter acontecido com ele. Talvez nem mesmo estivesse vivo…

Tadase estremeceu, e Mizue olhou de um para o outro, completamente zonza com o amontoado de informações.

— Como é? Um… invasor? Na minha casa? – ela encarou o policial como se esperasse que ele começasse a rir a qualquer instante, dizendo que tudo era uma pegadinha da televisão – Explique isso direito! O que aconteceu com o meu filho? – ela correu para abraçar Tadase, mas ele apenas se encolheu ainda mais nos braços de Nagihiko, o rosto choroso. Ela o encarou de cara feia, mas como o policial começou a falar, explicando toda a sequência de eventos, ela achou por bem não começar uma cena logo agora.

O pai de Tadase fez a volta, e aproximou-se de Nagihiko.

— Venha comigo, eu vou levá-lo para casa. Isso aqui provavelmente vai demorar, e nós ainda teremos que ir até a delegacia, ao que parece, prestar queixa, então é melhor você ir… — ele disse baixo, para que somente Nagihiko ouvisse. Ainda que contrariado, ele concordou. Realmente, agora que os pais de Tadase haviam chegado, e ele estava seguro novamente, o melhor a fazer era ir para casa.

— Eu ligo para você… — ele sussurrou no ouvido de Tadase, antes de deixá-lo. Ele ainda murmurou alguma coisa em resposta, que Nagihiko não pode ouvir. Sem olhar novamente, para Mizue, Nagihiko seguiu Yui até o carro.

— Foi uma sorte nós retornarmos um dia antes da viagem, realmente… — Yui comentou, enquanto entrava no carro, e Nagihiko fazia o mesmo, ainda sem saber se deveria mesmo falar alguma coisa ou não. De fato, estava aliviado pelos pais de Tadase terem chegado naquele momento, mas ele havia sido visto com Tadase ali, eles ainda estavam abraçados, e não haveria como explicar essa situação de outra forma.

—Senhor Hotori… — Nagihiko respirou fundo, antes de dizer qualquer coisa. O carro se movia lentamente. Talvez, o pai de Tadase quisesse realmente conversar com ele naquele momento – Eu sei que não deveria estar com Tadase, e que muito provavelmente a sua esposa deve estar querendo minha cabeça numa bandeja por estar vendo o filho dela novamente, mas ele estava correndo perigo, e eu não podia abandoná-lo dessa forma, então…

— Calma, rapaz… — Hotori Yui o interrompeu, com um sorriso constrangido. Fisicamente, ele não era muito parecido com Tadase, mas algo na sua maneira de falar lembrava um pouco, e isso tranquilizou Nagihiko. – Eu não estou com raiva de você. De maneira alguma, pelo contrário, estou aliviado… se você não estivesse com Tadase hoje, quem sabe o que poderia ter acontecido com ele? Eu não sei exatamente há quanto tempo vocês estão se vendo… ou como é a relação entre vocês atualmente… — ele diminuiu o tom de voz, sem jeito em tocar no assunto, e Nagihiko sentiu claramente o desconforto do homem, mas não o culpava. Devia estar sendo difícil para ele também – mas, se você não estivesse aqui nessa casa hoje, a noite poderia ter acabado em uma tragédia sem precedentes. Então, eu gostaria de agradecê-lo, Fujisaki Nagihiko, por estar com o meu filho, e por sempre protegê-lo dessa forma…

— H-hotori-san… — Nagihiko balbuciou, incrédulo. Não conseguia processar a informação que acabara de ouvir. O pai de Tadase estava mesmo… agradecendo-o? Depois de tudo o que acontecera entre eles, e de tê-los separado de forma tão brusca no passado, Hotori Yui estava sinceramente grato por Nagihiko estar ao lado do filho dele? – Eu… o senhor sabe… o tipo de sentimentos que eu tenho pelo Tadase, não sabe?

— Eu sei – ele hesitou ao responder – E também sei que foi movido por esse sentimento que você protegeu o Tadase hoje. O policial contou o que você fez, e o quanto se arriscou, para salvar o meu filho. Eu seria tolo de não reconhecer isso. Sei que a minha esposa pode ser mais difícil de convencer, mas vou me esforçar para que ela não faça um escândalo sobre isso, ao menos dessa vez. Imagino que seus pais não possam saber que você estava na minha casa com Tadase, não é?

— Realmente, seria muito melhor se eles não ficassem sabendo… — Nagihiko murmurou, incerto. Yui não parecia saber que Nagihiko havia ficado ali a semana inteira, e parecia imaginar que ele apenas aparecera na hora certa e salvara Tadase, mas era melhor assim de qualquer forma – Mas… isso tudo, significa que…

— Eu não estou dizendo que aceito, ou que concordo, com a escolha de vocês. Mas também, não vou mais repreendê-los. Esses quatro anos que se passaram foram prova suficiente de que nada que nós façamos vai mudar o que vocês sentem, então acho que está na hora de nós adultos reconhecermos a decisão que vocês tomaram, concordando ou não com ela. É a vida de vocês, afinal. – ele continou sério, com os olhos fixos no caminho e na direção – Não vai ser fácil, mas parece que vocês já sabem disso. Não sei o que pretendem fazer, mas seja o que for… como pai, meu papel é o de apoiar Tadase, não conduzindo ele pelo caminho que eu escolhi, mas torcendo para que ele encontre a felicidade indo na direção que ele próprio escolheu. Não vai ser fácil convencer as pessoas, porém…

— Eu estou pronto para fazer o que for preciso, Hotori-san, para garantir que Tadase seja feliz. E vou lutar até o fim para estar ao lado dele, custe o que custar. – Nagihiko não titubeou ao falar. Talvez estivesse sendo precipitado, mas tinha quase certeza de que toda a conversa com o pai de Tadase seria decisiva para o futuro deles juntos. ao menos, parecia que podiam contar com ele como um aliado, talvez.

— Você falou como um homem agora, Nagihiko-kun – dessa vez, o sorriso de Yuri foi mais espontâneo. Nagihiko sorriu de volta, sentindo uma pontinha de esperança – Para falar a verdade, eu nunca odiei você… não como a Mizue, quero dizer, me perdoe, mas ela realmente o odeia…

— Eu sei disso, não precisa pedir desculpas. – Nagihiko disse rapidamente, aquiescendo – Mas não há nada que eu possa fazer quanto a isso. E além do mais… eu amo o filho dela, afinal…

O pai de Tadase pareceu visivelmente desconcertado com aquela afirmação, mas soube disfarçar de maneira categórica, fazendo uma manobra para estacionar o carro. Ainda faltava uma quadra para a casa de Nagihiko, mas ele entendeu que seria melhor não ser visto saindo do carro do pai do garoto que, teoricamente, ele jamais deveria ver de novo.

— Nagihiko-kun… novamente, muito obrigado. – ele disse mais uma vez, agora, olhando realmente firme nos olhos de Nagihiko. Apenas o fato de ele referir-se à ele agora pelo nome, e não pelo seu sobrenome ou simplesmente como “garoto” já era um avanço tão grande que Nagihiko tinha dificuldades para acompanhar. Provavelmente, não era uma mudança brusca, apenas por que Nagihiko salvou Tadase. Yui devia estar pensando nesse assunto há muito tempo, mas somente agora, teve a oportunidade de explanar seu ponto de vista.

De fato, tanto a sua própria mãe quanto a de Tadase, não deixaram em momento algum que Yui ou Atsushi, o pai de Nagihiko, opinassem ou tomassem qualquer atitude contrária às suas vontades. Ambas se pareciam muito nesse aspecto, apesar de serem mulheres completamente diferentes, eram autoritárias e impunham suas resoluções a todo instante, sem pensar nos sentimentos dos outros. O fato de que o pai de Tadase fosse, dessa forma, não completamente à favor, mas ao menos não contra, seu relacionamento com seu filho, era uma surpresa absolutamente chocante, e no entanto, muito agradável. Depois de uma noite de pesadelo, era um desfecho satisfatório.

— Eu que agradeço, Senhor… — a réplica foi sincera, e Nagihiko permitiu-se um sorriso, antes de deixar o carro de Yui e fechar a porta. Por um fugaz instante, pensou em dizer a ele que muitos dos seus pertences ainda estavam na casa deles, já que Nagihiko estava praticamente morando lá na semana que se passou, mas fazer uma coisa dessas era abusar da sorte, e talvez Hotori Yui, apesar de tão simpático, não estivesse totalmente pronto para saber exatamente o que acontecia entre os dois – e muito provavelmente, nunca estaria.

Vendo o carro se afastar, Nagihiko se dirigiu à caminho da sua própria casa. Sua mãe deveria estar dormindo há essa hora, e ele esperava que realmente estivesse, já que não tinha cabeça para inventar uma desculpa que explicasse sua volta mais cedo para casa. Quando chegasse, depois de um belo e longo banho, ele mandaria uma mensagem para Tadase, para saber como as coisas estavam indo com ele, e ainda, para lembrá-lo das suas coisas que ficaram lá. Se a mãe de Tadase encontrasse qualquer coisa dele, não hesitaria em por fogo, ele tinha certeza. Mas ele não queria pensar nisso agora. Só queria saber como Tadase estava, e se ficaria tudo bem com ele.

Agora que parava para analisar a situação e percebia o real perigo que correram, Nagihiko tremia, pálido. Na hora, ele só queria saber de salvar Tadase, e não pensou em nenhum risco que poderia correr. Não conseguia nem imaginar o que poderia ter acontecido se não tivesse chegado naquele exato instante. Por enquanto, não queria pensar naquele invasor, nas intenções dele, ou em como ele chegou até a casa de Tadase. Por enquanto, não importava. Porque se tivesse certeza de que Tadase estava bem, então, o resto todo podia esperar até amanhã…

Notas finais
E aí, pessoas o/ Shiro aqui~ Tenho que confessar, apesar de ser meio pesado, e diferente das coisas que geralmente acontecem aqui nessa fanfic, eu adoro escrever cenas de ação/suspense, então talvez tenha me empolgado um pouco demais. Espero que não me odeiem por ter feito o Tadase sentir tanto medo... embora, no fim tenha dado tudo certo, mas ainda foi um evento traumático pra ele... Enfim, espero que tenham gostado, e o próximo capítulo é com a Teffy-senpai o/ Não deixem de comentar o que acharam desse capítulo, quero muito saber XD Bye bye :3