Itsumo Yakusoku

35 Capítulo 35 - High Stepper


Notas iniciais
High Stepper - Mizuki Nana http://letras.mus.br/mizuki-nana/1990953/traducao.html


Será que um vetor preto ou branco significa sim ou não?
A direção aponta para uma resposta sem se perder
Porque prever é impossível, eu me sinto bem
Ouça, não de é conhecimento geral, não, não

Não existe um caminho da razão; para cima e para baixo
Parta antes de começar a hesitar
É hora de sonhar o melhor sonho
Vamos quebrar isso agora

Se você continuar tentando, o dia de glória virá
Defina o nível um pouco alto para que você possa criar sua imagem
Eu posso parar a chuva inflexível e mostrar um céu colorido
Isso mesmo, os dias voando, um acesso mais livre

Capítulo 35

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High Stepper

– Ahn... s-será que eu fui longe demais...? — Utau indagou meio receosa, embora soubesse muito bem que a resposta era "sim". Enquanto tinha ido interrogar Nagihiko descaradamente em sua própria casa sobre o que acontecera durante a viagem que ele fizera com Tadase, armada por ela e por Yaya, Hideyoshi a flagrou abraçando Nagihiko em um ataque de histeria, que parecia uma coisa completamente diferente aos olhos do mais velho, e que agora havia retornado ao seu quarto, com mil pensamentos sem sentido perpassando sua mente
– Infelizmente, eu receio que sim... — Nagihiko suspirou cansado, já pensando em como faria para lidar com aquilo — Desculpe, Utau, mas eu preciso esclarecer esse mal-entendido com o Hideyoshi-kun agora, ele anda pensando muitas bobagens ultimamente... eu agradeço de verdade por tudo o que você fez pelo Tadase e por mim, para nos reaproximarmos e tudo o mais, só que...
– Tudo bem, eu entendo — a loira colocou-se de pé, compreendendo que era melhor partir antes que causasse ainda mais confusão — Ah, desculpe por isso... espero não ter causado nenhum problema muito grande. E, mais uma vez... parabéns por ter ido tão longe, Nagi-kun, espero que dê tudo certo! Não apenas sobre o Tadase, mas... bem, sobre o que aconteceu com o seu primo... então... boa sorte, eu acho...
– Obrigado, vou precisar — ele respondeu sinceramente e, depois que Utau se retirou da propriedade dos Fujisaki, Nagi deixou escapar outro longo suspiro.


Depois de pensar por alguns instantes em como começar aquele assunto, sem chegar a nenhuma conclusão definida, decidiu deixar tudo nas mãos da senhora sorte e se dirigiu ao quarto do primo. Bateu na porta primeiro, entrando logo depois. Encontrou Hideyoshi deitado em sua cama de qualquer jeito, com a cara enfiada no travesseiro, as pernas balançando rápido para cima e para baixo, batendo no colchão com força, numa tentativa vã de descarregar sua raiva e frustração desse jeito. A xícara de chá intocada, que agora já devia estar gelado, permanecia imóvel em cima da mesa.


– Etto... Hideyoshi-kun...? — Nagihiko chamou, sem saber muito bem como continuar a frase — Aquilo que você viu na sala foi... isto é, não foi... bem...
– Não precisa inventar desculpas para se justificar, eu sei perfeitamente o que eu vi — Hideyoshi respondeu, com a voz abafada pelo travesseiro em seu rosto, ainda se recusando a encarar Nagi. Porém, apenas pelo seu tom de voz, ainda que meio abafado, dava para perceber que ele estava no mínimo irritado — O que você está pensando em me dizer? "Não é nada disso do que você está pensando"? "Eu posso explicar"? Porque, se for algo assim, desista, eu não vou cair em nenhuma dessas frases clichês que sempre falam nos animes que você e suas "amigas" assistem. Agora, se não se importa, me faça um favor e me deixe em paz — ele resmungou por fim, voltando a enterrar o rosto no travesseiro com ainda mais força, e Nagi surpreendeu-se em ver sue primo nesse estado. Nunca, em todos esses anos de convivência com ele, tinha visto Hideyoshi tão alterado assim
– Hi-Hideyoshi-kun, eu sei que isso vai parecer uma frase batida pra você, mas... realmente, não era o que você está pensan...
– Você não me ouviu?! Eu disse pra me deixar em paz! Quero ficar sozinho, então faça o favor de sair do meu quarto! Agora! — Hideyoshi enfim desenterrou a cara do travesseiro e o encarou, absolutamente furioso. Os olhos vermelhos que geralmente irradiavam tranquilidade e, algumas vezes receio ou constrangimento, agora não pareciam capazes de demonstrar nada além de uma grande onda de raiva. Nagi sentiu seu queixo despencar, abobalhado por um instante por ver seu primo sempre tão tranquilo e despreocupado naquele estado desequilibrado
– Hideyoshi-kun... sei que você parece estar muito zangado comigo agora, e quer ficar sozinho pra extravasar a raiva ou coisa assim... se for te fazer se sentir melhor, pode me bater, se quiser, mas... por favor, ao menos me escute e me deixe explicar o que realmente está acontecendo — Nagihiko pediu mais uma vez, escolhendo com cuidado cada palavra que dizia
– Ah, é? Acha que pode me enrolar com mais uma de suas desculpas esfarrapadas? Muito bem então, vamos ver qual historinha besta você inventou dessa vez — ele sentou-se em sua cama, cruzando os braços, um sorrisinho meio azedo em seu rosto que não combinava nada com ele.


Nagihiko suspirou uma última vez, concluindo que não havia mesmo outro jeito senão contar toda a verdade. Não tinha a menor ideia de como seu primo reagiria se soubesse disso, e torcia para que ele não tivesse uma reação tão ruim quanto a de sua mãe, e muito menos contasse sobre isso para ela, mas não havia outro meio de explicar aquilo afinal. Preparou-se então para começar sua narrativa:


– Certo... terei que começar a história desde o início, então preste atenção, porque vai ser longa. E, por favor, deixe as perguntas para o final — Nagi avisou — Você se lembra daquela pessoa que eu te contei uma vez que eu gostava e namorei a alguns anos atrás, antes de ir morar com você na Inglaterra?
– Sua ex-namorada? Sim, eu lembro — Hideyoshi respondeu com um ar impaciente — O que isso tem a ver com aquela cantora famosa te abraçando no meio da sala?
– É, bem... na verdade tem tudo a ver, e não é bem uma "ex-namorada"... e sim... b-bem, é o meu namorado — Nagihiko corrigiu, vendo a expressão irritada no rosto do primo mudar de irritação para incredulidade em câmera lenta
– Seu ex o que...?
– E não é exatamente um "ex" agora. Você o conhece... é o... o Tadase — Nagihiko continuou antes que o primo pudesse interromper — Desde que eu era pequeno, estudei sempre junto com o Tadase, ele sempre foi meu melhor amigo na infância, o único que conhecia todos os segredos sobre mim. Até que um dia, gradualmente, eu... não sei como ou quando exatamente, mas... um dia, simplesmente percebi que ele não era apenas um amigo para mim, mas sim que eu gostava dele... não como se gosta de um amigo, mas... eu... bem, eu me apaixonei por ele. Passei anos me culpando por nutrir esse tipo de sentimento, que na época eu considerava impuro e sujo, por alguém tão inocente quanto o Tadase... principalmente pelo fato de ele ser um garoto, como eu, e que uma família rígida e tradicional como a nossa jamais aceitaria algo assim... porém, minha preocupação maior era que o próprio Tadase viesse a descobrir sobre isso e me odiasse por ter tais sentimentos por ele e se afastasse de mim, eu não suportaria isso. Numa tentativa desesperada de tentar esquecer esses sentimentos, que na época eu considerava errados, eu viajei para a Inglaterra quando ainda estava no quinto ano do primário... no entanto, não consegui suportar ficar tanto tempo longe da pessoa que eu amava, e acabei voltando na metade do meu sexto ano escolar, ainda que eu me culpasse por ter esses sentimentos por ele e não conseguir esquecê-lo. Aos poucos, meus amigos, inclusive a Utau, descobriram o que eu sentia por ele e tentaram me ajudar a conquistá-lo, mesmo eu dizendo que não precisava e que era inútil... até que um dia eu não aguentei mais e.... bem, me declarei para ele. Para a minha surpresa, o Tadase sentia o mesmo por mim, então nós... bem, começamos a namorar. Apenas nossos amigos sabiam disso... ah, e também o tio dele, o Tsukasa-san, que era o único membro da família do Tadase que nos apoiava e aceitava bem nossa relação... meus pais jamais aceitariam, e nem os dele. Tanto que, um dia, meus pais descobriram tudo... e então contaram para os pais dele. Eles fizeram de tudo para nos separar, nos trancaram em casa, nem na escola eu estava indo mais por causa disso... parece que ele passou vários dias trancado no quarto dele também... em um ato desesperado de ficarmos juntos, nós tentamos fugir pra longe, com alguma ajuda de nossos amigos, mas nossos pais descobriram e impediram a fuga... bem, no fim, minha mãe me mandou para longe dele, na época em que eu fui para a Inglaterra morar com você... e então nós meio que nos separamos forçadamente. Depois de anos, consegui voltar, com a condição de você vir junto comigo... parece que minha mãe pretendia te usar como um espião para me vigiar, sem nem mesmo te contar sobre isso, ao que parece... ela fica interrogando você sobre mim de vez em quando, não é? — Nagi perguntou retoricamente e, antes que o primo respondesse, continuou — Bem, enfim... quando voltei, descobri que os pais do Tadase arranjaram seus próprios meios de afastar ele de mim, usando aquele casamento arranjado e obrigando ele a ficar noivo da Nanami-san. Nenhum dos dois se gostam, o Tadase ainda gosta de mim, e a Nanami-san... bem, como você sabe, ela meio que tem uma queda por mim também... e, por mais que ela seja uma boa pessoa, eu não posso retribuir os sentimentos dela porque já amo o Tadase. E ele também não é capaz de gostar da noiva que os pais arranjaram para ele porque... bem, porque já gosta de mim... — Nagi corou um pouco, deixando escapar um ínfimo sorriso ao dizer isso — Nós... tentamos ser apenas amigos quando voltei ao Japão, mas estava claro para nós dois que ainda nos amávamos, então voltamos a sair escondido... nós brigamos várias vezes por conta de ciúmes um do outro... sabe, por ele já estar comprometido oficialmente com outra pessoa, ou porque eu me tornei popular na escola... e também, porque ele quer contar aos nossos pais sobre nós e parar de sair escondido como se fôssemos criminosos fazendo algo errado, quando na verdade só queremos ser felizes juntos... nós meio que tínhamos... t- terminado... — Nagi sentiu um nó na garganta ao dizer isso, tentando afastar depressa aquela lembrança horrível e dolorosa da cabeça — Por causa desses e de outros motivos... mas, acabamos... b-bem, nos reconciliando durante aquela viagem, digamos assim... aquela troca de passagens que me fez viajar junto do Tadase e ir parar numa praia no meio do inverno, enquanto você acabou viajando com a Nanami-san foi obra da Utau e de outra amiga minha, a Yaya-chan, na verdade. As duas armaram isso tudo para nos reaproximar... e, bom, meio que deu certo. Lamento ter te envolvido nessa confusão por causa de um problema que era só meu, aliás — ele enfim pôde dizer — E, o que você viu lá na sala agora a pouco... bem, a Utau veio aqui porque queria saber se a armação dela tinha dado certo, ela deve ter tido muito trabalho pra planejar tudo isso e trocar nossas passagens afinal... e queria saber os detalhes sobre o que aconteceu na viagem, que... ahn, bem, isso não vem ao caso agora... mas, ela ficou tão feliz e empolgada que o plano dela tinha dado certo, e que eu tinha reatado com o Tadase, que me abraçou por impulso, ela pode ser bem escandalosa às vezes, sabe... e você apareceu na sala bem nessa hora — Nagi concluiu sua explicação — Sinto muito se isso te fez ter uma impressão errada... ou se deixou com raiva por... b-bem, eu ainda não entendi muito bem o porquê... — Nagihiko admitiu, pensando se talvez, por alguma razão absurda Hideyoshi poderia gostar de Utau ou coisa parecida — Mas, realmente não era o que você estava pensando, eu não tenho nada com a Utau, ela é apenas uma amiga... uma grande amiga, é verdade... mas, a pessoa que eu amo é e sempre será Hotori Tadase. Não tenho a menor ideia de como você pode reagir à isso ou o que pode estar pensando agora, mas... era isso... o que eu queria dizer.


Nagihiko esperou por alguns instantes, observando com cuidado a expressão no rosto do primo, que agora estava de queixo caído e os olhos avermelhados mais arregalados do que ele pensou que seria possível. O mais velho estava completamente paralisado e, lentamente, tentou balbuciar algo incompreensível, mas logo desistiu, voltando a ficar apenas de boca aberta, com um semblante tolo. Nagihiko sacudiu a mão na frente no rosto dele, mas o primo nem sequer piscou, parecendo incapaz de ver ou ouvir qualquer coisa no mundo exterior, completamente absorto no que quer que estivesse pensando agora, tentando absorver toda aquela informação. Mais um pouco, e Nagihiko poderia jurar que aquela se pareceria exatamente a reação de Kukai quando descobriu sobre ele e Tadase, com planetinhas voando ao fundo e tudo.


– Essa não, eu "quebrei" o Hideyoshi-kun... — Nagihiko gemeu, parecendo uma criança que acabara de quebrar sem querer um vaso muito caro de sua mãe enquanto tentava limpá-lo ou coisa parecida.


Olhou para o relógio, e viu que já tinham se passado alguns minutos desde que ele terminara sua história, e nada de Hideyoshi falar alguma coisa ou sequer se mexer. Temeu que tivesse traumatizado o garoto com tudo aquilo ou coisa assim. Desistindo de arrancar alguma reação, qualquer que fosse, de seu primo, Nagi resolveu dizer alguma coisa para quebrar aquele silêncio pesado e constrangedor:


– Bem, eu acho que isso deve ter sido muita informação de uma só vez, então vou deixar você pensar no assunto com calma... e, bem, como você tinha pedido antes, vou te deixar sozinho... — ele começou a se afastar na direção da porta, até que Hideyoshi enfim se mexeu bruscamente, segurando seu pulso e detendo-o
– Nagihiko-kun... essa história toda que você me contou sobre o Tadase-kun... isso é mesmo verdade? Você... quero dizer, vocês dois passaram mesmo por todos esses problemas para... f-f-fi-ficarem j-j-ju-juntos... — ele corou furiosamente ao balbuciar essas palavras — Ou isso é alguma mentira mirabolante que você inventou só para justificar o fato de ter uma cantora famosa te abraçando no meio da sala? Porque, se for, você poderia ter inventado uma desculpa bem melhor, sabe...
– Não é nenhuma desculpa ou mentira. É tudo verdade — Nagihiko afirmou com convicção, e Hideyoshi deixou seu braço escorregar, largando lentamente o primo
– Então... isso é verdade mesmo? — Hideyoshi perguntou alguns segundos depois — É por isso que você sempre rejeita todas as suas fãs, até mesmo a Nanami-san? É porque você gosta... de g-garotos...?
– Eu não gosto "de garotos". Eu gosto do Tadase, e apenas dele — Nagihiko respondeu com firmeza, tentando imaginar a bagunça que devia estar dentro da cabeça de Hideyoshi agora — O Tadase é meu primeiro amor, e sempre será a única pessoa que eu amo
– Eu... realmente não sei o que dizer sobre isso... — Hideyoshi respondeu sinceramente depois de algum tempo, ainda tentando absorver toda aquela informação — E pensar que você passou por todas essas dificuldades só pra ficar com a... o... err... b-bem, a p-pessoa que você g-gosta... bom... — ele coçou a cabeça, sem saber como prosseguir, ainda meio corado em pensar nisso — E-Eu quero dizer... jamais imaginei que poderia ser algo assim... m-mas, se essa é realmente a sua escolha, e o que te faz feliz... b-bem, eu realmente não tenho nada a ver com isso, então... vou me limitar a não dar nenhum palpite nem interferir em nada. Só espero que... b-bem, se tanto você quanto o Tadase-kun estão felizes... d-dessa forma... a-acho que ninguém tem o direito de interferir ou se intrometer na decisão de vocês afinal, então... se essa foi a sua escolha... eu espero que você seja feliz vivendo... ahn, desse modo — ele concluiu, forçando-se a encarar Nagihiko, ainda um tanto corado, mas com um tímido sorriso no rosto
– Hideyoshi-kun... sabia que você é o primeiro membro da minha família a aceitar nossa relação? — Nagihiko falou num tom despreocupado, embora por dentro estivesse realmente emocionado, sem falar no enorme alívio e felicidade que sentia — Obrigado, de verdade... não sabe o quanto fico feliz em ouvir isso — ele deu um rápido abraço no primo, que enrijeceu automaticamente, desacostumado com demonstrações de afeto mesmo entre a família. Nagihiko sabia muito bem disso, já que, até mesmo seus pais raramente demonstravam algum carinho para com ele, mesmo antes de saberem sobre Tadase, e então o soltou, voltando a encarar o mais velho — E, se não for pedir demais... eu ficaria muito agradecido se você não contasse nada sobre isso aos meus pais... se eles souberem, é capaz da minha mãe querer me mandar pra fora do país de novo ou qualquer coisa parecida para me afastar do Tadase, e isso seria o fim para mim...
– Ah, é... é c-claro... — Hideyoshi respondeu, ainda recuperando-se lentamente do choque — Aliás, agora que você falou, a tia Kaoruko tem feito mesmo algumas perguntas sobre com quem você falou ou com quem esteve sempre que seus amigos nos chamavam para alguma festa... e costuma perguntar com frequência se o Tadase-kun estava lá ou se falou com você... eu nunca entendi porque ela me perguntava essas coisas, apenas respondia as perguntas dela, já que a tia Kaoruko é... b-bem, meio assustadora... — ele murmurou mais baixo, e Nagihiko não pôde culpá-lo por temer sua mãe. Ele não era o único afinal — Mas então... quer dizer que ela estava me usando esse tempo todo para te espiar? — ele indagou meio incrédulo, e Nagi confirmou com um aceno de cabeça — Não acredito! E ela nem me contou! — ele exclamou num tom meio indignado, embora fosse óbvio o motivo de Kaoruko não ter contado nada para ele — Mas, não se preocupe, eu não vou contar nada sobre isso para os seus pais, nem pra ninguém. Não sou tão bom em atuar como você, mas farei o possível pra te ajudar a manter segredo sobre isso da tia Kaoruko. E, desculpe pelo modo como eu estive agindo ultimamente... não havia motivo para eu ficar com raiva de você afinal, eu entendi tudo errado... sinto muito
– Não se preocupe, não foi culpa sua — Nagihiko apressou-se a dizer- Mas, agora que tocou no assunto... por que você esteve tão zangado comigo durante esse tempo todo? O que você estava pensando, que eu... b-bem, que tinha um caso com a Utau ou coisa assim? Por acaso você... gosta dela...?
– O que?! Não, não, claro que não!!! — Hideyoshi respondeu prontamente, sacudindo as mãos em negação diante daquela hipótese absurda — Ela é mais velha, já tem namorado, e é... b-bem, um tanto escandalosa demais, eu não gosto de garotas assim... eu só... b-bem... — ele voltou a corar, pensando se deveria ou não contar aquilo ao primo
– "Você só" o que? Seja o que for, se eu puder te ajudar, eu farei isso. Prometo não contar nada para ninguém, Hideyoshi-kun — Nagi tentou encorajá-lo a prosseguir.


Hideyoshi engoliu em seco e manteve-se calado por algum tempo, pensando se deveria ou não falar sobre aquilo. Nagihiko havia acabado de admitir que gostava de um garoto, seu amigo de infância, e que tinha enfrentado incontáveis problemas, inclusive os pais de ambos para ficar com a pessoa que amava, seu "ex-namorado", que Hideyoshi antes pensava ser uma garota. Se ele realmente gostava de garotos, e estava apaixonado por Tadase, o atual noivo de Nanami, então não havia como ele sentir alguma coisa pela garota afinal... sem falar que, agora que sabia dessa história e pensara melhor, é claro que Nagi jamais poderia corresponder aos sentimentos de Nanami e vê-la como algo mais do que uma amiga, já que gostava era do noivo dela. Pensando assim, na verdade parecia que eles eram até meio que rivais, mas isso não vinha ao caso agora. O fato era que Hideyoshi precisava urgentemente de ajuda, não sabia como lidar com os sentimentos que descobrira nutrir pela garota, e estava realmente necessitando de conselhos, qualquer que fosse, sobre o que fazer agora e como lidar com isso. E Nagihiko era um ótimo conselheiro, tinha que admitir, e a única pessoa com quem ele podia contar, já que não tinha seus próprios amigos no Japão... pensando bem, nem na Inglaterra ele tinha. É, parece que ele também não tinha saída além de contar toda a verdade.


– Nagihiko-kun, eu... é verdade que estive com raiva, e ciúmes de você desde o fim daquela viagem... i-isso porque... b-bem, eu soube que a Nanami-san meio que g-gosta de você... e também acabei descobrindo durante a viagem que eu... e-eu... a-acho que... não, eu com certeza... g-gosto da Nanami-san. Não sei quando nem como, mas... sem que eu percebesse, eu... me a-apaixonei por ela... e não tenho a menor ideia do que fazer agora — ele confessou, sentindo o rosto esquentar mais e mais a cada palavra que dizia — Quero dizer, ela é uma garota tão incrível, inocente e pura... é sempre tão fofa, e tem um sorriso tão bonito e meigo... no entanto, por mais que ela seja perfeita, ou por mais que eu... g-goste dela... nada disso muda o fato de que ela é uma garota comprometida, e já gosta de outro... ela gosta de você, meu primo... — Hideyoshi baixou a cabeça, escondendo os olhos que começavam a ficar marejados com a franja
– Hideyoshi-kun... eu... realmente jamais imaginei que era por causa disso que você estava agindo assim tão estranho — Nagihiko confessou após alguns segundos que levou para absorver a situação delicada em que Hideyoshi, e até ele mesmo, ainda que involuntariamente, se encontravam, sentindo uma estranha mescla de solidariedade e culpa. Após hesitar por alguns instantes, ele se sentou na cama ao lado do mais velho, apoiando uma mão no ombro dele numa tentativa de lhe dar apoio — Bem... a questão do noivado eu acho que é menos difícil de resolver... quero dizer, os pais dela só a tornaram noiva do Tadase porque querem que a filha case com alguém bom e respeitável, de boa família... e você é um Fujisaki, certamente vem de uma ótima família, e tem um grande futuro pela frente. Não acho que os pais dela se recusariam a torná-la sua noiva, já que o peso do nome Fujisaki é bem grande... e também acho que seus pais concordariam, ela também é de uma boa família, e nossa família é bem tradicional também, casamentos arranjados são comuns em famílias como a nossa. O problema maior é... bem, ainda que vocês se tornassem noivos, ainda tem a questão dos sentimentos dela... — Nagihiko fez uma pausa, sentindo aquela sensação horrível de culpa aumentar, tentando pensar em um jeito de ajudar seu primo — Bem, antes de pensar na questão do noivado, que nem ela e nem o Tadase desejam, você precisa dar um jeito de conquistá-la! Faça ela gostar de você, conquiste os sentimentos dela, até que a Nanami-san só tenha olhos pra você
– Ficou louco?! — Hideyoshi o encarou como se Nagi tivesse dito algo completamente absurdo, como "vou ali dar uma volta ao redor do sistema solar e já volto" — Eu lá tenho cara de quem sabe conquistar alguém?! Você diz isso porque já é naturalmente popular, é bom em atuação, sabe como conquistar as pessoas e todas essas coisas! Mas eu não sei fazer nada disso! A vida toda fui treinado para lidar apenas com os assuntos burocráticos da família, lidar apenas com coisas intelectuais, e não com algo a ver com sentimentos e emoções... eu nunca me aproximei muito de ninguém a vida toda além de minha família, e olha que nem com meus pais eu tenho tanta intimidade assim, nem nunca tive amigos... e nunca me apaixonei a vida inteira, não faço a menor ideia de como se faz algo assim...
– Hideyoshi-kun... você pode ser inexperiente em assuntos amorosos e em como lidar com sentimentos, mas você ainda é um Fujisaki! — Nagi lembrou — Isso está no seu sangue também, adormecido em algum lugar dentro de você... sei que a vida toda você foi criado para sempre tomar decisões racionais, ter um caminho traçado já pré-definido, mas nada disso foi decidido por você, e sim pelos seus pais... assim como aconteceu comigo. A única diferença é que você tem que lidar com os assuntos diplomáticos, enquanto eu segui a tradição do lado artístico da família, sendo treinado para dançar desde que aprendi a andar, não importando se era isso que eu queria ou não. Admito que gosto mesmo de dançar, mas isso... bem, também tem suas inconveniências às vezes... bem, o que estou tentando dizer é que você sempre teve um rumo decidido pelos adultos na sua vida, você cresceu e viveu assim desde que nasceu, aparentemente sem nunca se opor e aceitando as decisões que tomavam por você sem reclamar. Mas ninguém, nem mesmo os adultos, podem prever o futuro ou decidir o destino da vida de seus filhos. Você sempre seguiu o caminho da razão, nunca hesitou nem nunca sentiu vontade de fazer nada em especial porque os outros decidiam tudo por você... mas, pela primeira vez, você está sentindo algo que vem unicamente do seu coração, uma vontade só sua, um sonho que você deseja realizar a qualquer custo... mas, como ninguém te mandou fazer isso, nem te disse como realizar esse sonho, você está indeciso, perdido, e não sabe o que fazer. Bem, se o problema é esse, então o que eu te digo o que fazer: Vá a luta. Se você gosta tanto da Nanami-san como está me dizendo, então lute pelo amor dela, conquiste-a, faça ela gostar de você! Pode ser que demore, e você certamente encontrará obstáculos pelo caminho, mas... não desista, não pare nunca, enfrente os problemas... e, um dia, você com certeza vai conseguir conquistar a pessoa que você ama. Não esqueça que você também é um Fujisaki. Se você se esforçar mais, tenho certeza de que também vai conseguir fazer com que a pessoa que você ama olhar somente para você, do seu próprio jeito, sem deixar de ser quem você é. E, lembre-se de que você tem uma vantagem que eu não possuo... ao menos você se apaixonou por uma garota afinal -Nagihiko concluiu, dando um sorriso entre encorajador e um pouco sem jeito
– Nagihiko-kun... eu te disse antes, não foi? Se esse é o caminho que você escolheu seguir, e se é o que te faz feliz, então... bem, você não deve se preocupar com o que os outros pensam, deve apenas ser feliz com quem você gosta, do seu próprio jeito. Imagino que a maioria das pessoas não vão aceitar isso muito bem... e-eu mesmo ainda acho um pouco estranho, e não absorvi essa informação completamente, mas... a vida é sua, então é você quem deve decidir o que fazer dela e escolher seu próprio modo de viver, nem eu nem ninguém tem motivo nem o direito de interferir nisso — ele disse ao primo, mais sério agora que já tinha absorvido melhor aquela informação — E, também... obrigado pelo apoio, de verdade. Eu não tenho a menor ideia de por onde começar, ou como se conquista uma pessoa, mas... vou tentar fazer isso... se você não gosta dela, então eu... vou lutar pelo que eu sinto pela Nanami-san, do jeito que eu puder
– Agora sim eu gostei de ouvir, é assim que se fala! — Nagihiko deu um tapa encorajador nas costas do primo, fazendo ele se curvar para a frente — Se precisar de apoio, ou de algum conselho, saiba que pode contar comigo, vou te ajudar como eu puder
– Obrigado, Nagihiko-kun... de verdade — Hideyoshi sorriu, meio sem graça, mas sinceramente, sentindo um enorme alívio por aquele sentimento ruim de ciúme e raiva ter desaparecido de seu peito, sendo substituído por algo bom e caloroso, que ele só viria a descobrir mais tarde que era uma pequena chama de esperança e coragem que começava a se formar dentro de si.

Notas finais
Konnichiwa minna-san! Teffy-chan falando =) Eis aqui o primeiro capítulo do ano, yay! /o/ Bem, finalmente o Hide-kun descobriu a verdade... ou melhor, o Nagi contou pra ele, porque se dependesse do Hideyoshi ele não descobriria nunca XP E agora resta saber o que raios esse garoto vai fazer da vida daqui pra frente... Eu me diverti muito escrevendo esse capítulo e pessoalmente gosto muito dele e também dessa fase da fic que está se iniciando, então espero que todos vocês estejam gostando também ^_^ O próximo é com a Shiroyuki /o/ Deixem reviews por favor! A cada review que você não deixa, um autor morre. Ajude a salvar os autores de fanfics comentando nas histórias! Não deixe os autores morrerem!! Kissus^^