Eu quero que você me abrace, e que você me perceba

Me faça acreditar que o que estamos fazendo não é errado..

Eu quero que você me beije, e que você me refaça..

Eu quero ser enfeitiçado por seu charme..

Quero que você se aproxime, como se fossemos imãs

Mesmo que nos separemos, ficaremos juntos novamente..

Vamos nos tornar um, não importa se não tiver volta.

Está tudo bem, pois você é meu amor, mais precioso do que qualquer coisa..

Capítulo 30

~

Magnet



O mar revolto do inverno agitava-se lá embaixo, quebrando suas ondas negras violentamente na areia da praia. O vento balançava os coqueiros que ficavam ao redor do hotel, fazendo-os curvarem-se com a sua força, e o céu estava cada vez menos estrelado, a lua encoberta por espessas nuvens cinzentas.

Tadase suspirou, ao olhar pelo vidro fechado da sacada do quarto que, atualmente, ele dividia com Nagihiko. Se alguém dissesse a ele naquela manhã que estaria nessa situação agora, ele riria dessa pessoa. A festa de ano novo na beira da praia já havia chegado ao fim, e as pessoas terminavam de limpar as ruas. Era madrugada do dia primeiro de janeiro, e considerando o seu cronograma, Tadase deveria estar em um hotel em Saitama, com Nanami, tomando um chocolate quente para se aquecer naquele frio ou algo assim.

De alguma forma, ele não conseguia pensar direito em nada disso. Era como se tivesse sido sugado para alguma dimensão alternativa, e aquela pessoa parada ali, encarando-o através do reflexo do vidro da janela, não fosse ele mesmo. Da mesma maneira, o coração do loiro se encontrava exatamente como aquele mar rumoroso, agitado, estremecido, completamente fora de controle.

Agora que estava sozinho com Nagihiko, no lugar onde começaram a namorar, sem nenhuma probabilidade de serem interrompidos ou flagrados, longe de todos os seus problemas, ele começava a questionar a si mesmo pelas decisões que tomara de cabeça quente. Tinha feito mesmo a coisa certa ao separar-se de Nagihiko? Sua razão lhe dava todos os motivos para crer que sim, mas seu coração dolorosamente suplicava que ele voltasse atrás. Ele estava confuso, estava cansado, e precisava pensar, mas não restava nem uma única reserva de energia nele. Tudo o que queria era dormir, e acordar descobrindo que tudo não passara de um sonho ruim.

Repentinamente, ouviu o ruído da porta do banheiro sendo destrancada, e sobressaltou. Nagihiko saiu de lá, enxugando os cabelos com uma toalha, usando um pijama de seda comprido azul-escuro com detalhes em branco, muito requintado, mas que de alguma forma combinava com ele. O cheiro bom do banho recém-tomado assaltou os sentidos de Tadase, fazendo-o perder-se por um breve segundo. O aroma vinha do corpo de Nagihiko, e ele sabia disso muito bem. Tanto que chegava a estremecer por dentro, só de pensar em sentir aquele cheiro mais de perto. Por pouco conseguiu se conter, e tentou comportar-se como se nada o abalasse.

— Não precisa ficar todo tenso, Hotori-kun, eu não vou fazer mais nada com você. Pode ir tomar banho… eu vou ficar na antessala do quarto enquanto isso, para dar a você privacidade. Fique à vontade. – ele disse, terminando de secar os cabelos.

— V-você não vai dormir no sofá da sala, não é? – Tadase se apressou em perguntar.

— Não tem por que você se preocupar comigo, Hotori-kun. Apenas tome banho, e vá para cama. Eu não estou com sono agora, de qualquer forma. – ele disse apenas, dando as costas à Tadase. Aquelas palavras o atingiram em cheio. Sim, ele não tinha mais motivos para questionar Nagihiko, seja lá o que ele tivesse decidido. Eles não eram namorados, não tinham mais nenhum compromisso um com o outro. O próprio Tadase foi quem decidiu assim, não é? Então, teria que se acostumar enfim.

Ele tomou um longo banho, deixando a água quente relaxar seus músculos rígidos por toda aquela caminhada, e depois de alguns minutos, já se sentia melhor. Ele e Nagihiko haviam comido um pouco antes de receber a mensagem de Utau, comidas das barraquinhas locais mesmo, então não estava com fome agora. Tudo o que precisava era de uma cama macia, onde pudesse descansar e no dia seguinte, pensar com clareza no que deveria fazer.

Depois de sair do banheiro, Tadase deitou do lado direito da cama, bem na beirada, querendo deixar claro para Nagihiko que havia espaço de sobra para os dois ali, apesar de ser bastante estranho querer dormir com a pessoa com a qual ele acabara de terminar um relacionamento. Mesmo que ele soubesse que havia sido pela sua própria vontade que tudo terminara, Tadase ainda não estava preparado para visualizar sua vida sem a existência de Nagihiko nela. Eles ainda… podiam ser amigos, então?

Tadase deitou para trás, com os olhos bem abertos. Olhando para o enorme dossel vermelho-escuro acima da sua cabeça, ele se sentia mais acordado do que nunca. Agora que havia tomado banho e estava em uma cama confortável, com o ar condicionado quentinho ligado, aquela necessidade de dormir havia desaparecido completamente. Provavelmente era por causa da inquietação dos seus pensamentos, da situação curiosa em que havia se metido, do fato de que Nagihiko estava logo ali, na sala do outro lado daquela porta… ao seu alcance. Se fosse há apenas poucas semanas, eles não estariam separados daquela forma… e Tadase corou, só de imaginar o que os dois fariam se ainda estivessem juntos, com uma oportunidade de ficarem a sós como essa nas mãos.

O ruído de passos se aproximando assustou-o. Ele se apressou em fechar os olhos e se encolher para o lado na cama. Nem sabia ao certo por que fingia estar dormindo, mas não conseguiria encarar Nagihiko de maneira alguma agora. Ouviu os passos descalços dele se aproximando, e um longo suspiro, logo depois de abrir a porta.

— Já está dormindo, Hotori-kun… — ele sussurrou com voz suave, não querendo acordá-lo. Tadase cerrou os olhos com ainda mais força. – Bem… acho que não me resta opção… — ele falou para si mesmo, e desligou a luz do quarto.

Tadase sentiu a cama movendo quando Nagihiko puxou os cobertores e se acomodou ao seu lado, tomando o cuidado de não tocá-lo acidentalmente. Ele ficou alguns minutos em silêncio, deitado olhando para cima, e Tadase sabia que ele não estava dormindo. Quando dormia, a respiração de Nagihiko se tornava mais profunda, cadenciada. E ele sempre dormia virado de lado.

Instantes depois de ter pensado nisso, Tadase sentiu que ele se movia devagar, e de repente, sabia que estava sendo observado. A mão de Nagihiko se aproximou, tocando-o delicadamente, tirando os fios de cabelo que caiam no seu rosto. O toque carinhoso fez Tadase encolher-se ainda mais, e sua farsa quase foi descoberta. Ele tinha mesmo que ser tão doce? Cada vez que Nagihiko era gentil daquela forma, Tadase sentia sua decisão vacilar.

— Eu te amo tanto… tanto… — ele sussurrou, tão fraco que se não fosse o silêncio da noite, Tadase não teria ouvido nada. Os dedos dele ainda passavam suavemente pela sua face, e ele sentia o toque deixando um rastro de calor por onde quer que passasse. – Não era pra ter terminado assim…

O coração de Tadase apertou-se dolorosamente. Ele queria responder, dizer alguma coisa, qualquer coisa. O tom de voz de Nagihiko era rouco, baixo, machucado. Causava dor nele também. Não queria que Nagihiko sofresse, ele ainda… ainda o amava. Era egoísta da sua parte, mas queria fazer alguma coisa para aplacar todo esse sofrimento, queria abraçar Nagihiko e nunca mais soltá-lo, falar que estava tudo bem, e que nada do que ele dissera antes foi verdade. Mas não podia. Isso não estava certo.

Nagihiko se inclinou sobre Tadase, e ele arrepiou-se de expectativa, tomando cuidado redobrado para que ele não descobrisse que estava acordado. Sabia que ele se aproximava, e ao sentir a respiração cálida tocar a superfície da sua pele, retraiu-se. Sentiu os dedos dele movendo seu rosto para cima, e então, algo macio e familiar pressionando de leve seus lábios. Seu coração acelerou, inadvertidamente, mas ele manteve os olhos bem fechados, com medo que Nagihiko percebesse seu nervosismo. Imaginou se Nagihiko faria mais alguma coisa enquanto ele dormia, mas ele apenas se afastou rapidamente, depositando outro delicado beijo na sua testa, e então, virou-se para o outro lado.

Tadase sentiu vontade de chorar. Todo aquele carinho, aquele cuidado… depois de tudo que havia feito e dito para Nagihiko, ele não merecia isso. Não deveria desejar mais daquele toque, estava além do que lhe era permitido, mas ele ainda queria mais, queria sentir que Nagihiko o amava, e queria retribuir esse sentimento à altura. Teve o impulso de erguer a mão, e entrelaçá-la entre os cabelos macios do maior, trazê-lo para mais perto, sentir o perfume e o calor que emanava dele, mais uma vez.

Antes que pudesse, porém, fazer qualquer coisa, Nagihiko se afastou, e depois de passar os dedos de leve pelo seu rosto mais uma vez, murmurou um “boa noite” sussurrado e rouco, e deitou virado para o outro lado, bem afastado de Tadase.

Ele se encolheu, sentindo um frio repentino que nada tinha a ver com o clima do lado de fora. Sentia-se sozinho, diminuto, incapaz… com Nagihiko ao alcance da sua mão, e sem poder tocá-lo, ou dizer qualquer coisa. Arrependia-se da decisão tomada pelo impulso, e se ao menos pudesse retirar cada uma daquelas palavras que desferiu, ele o faria, sem pensar duas vezes.

Abrindo os olhos na escuridão silenciosa, Tadase podia divisar perfeitamente as mechas lisas e purpúreas, cintilando em decorrência do tênue luar que atravessava as cortinas finas. As costas de Nagihiko estavam encolhidas, com ele virado para o outro lado, e Tadase só conseguia pensar no quanto elas haviam alargado desde quando eles tinham 13 anos.

Agora, Nagihiko era praticamente um homem. Tudo nele havia mudado, ao ponto de Tadase chegar a pensar que fosse um completo desconhecido. Mas, na realidade, nada mudara. Ele continuava sendo Fujisaki Nagihiko, o garoto que amava basquete e que amava dança, que era capaz de fazer qualquer coisa pelos seus amigos. Aquele garoto magrinho, que sorria sempre para Tadase. Que cozinhava maravilhosamente bem, e que poderia convencer qualquer um do que bem entendesse, por que sabia exatamente o que falar e quando falar. Que sabia atuar com ninguém, escondia dentro de si seus próprios problemas, e preferia resolver tudo sozinho. Mesmo depois de tanto tempo… ele continuava a ser o mesmo garoto por quem Tadase se apaixonara. E seu coração ainda batia mais forte, mesmo depois da passagem dos anos, exatamente como na primeira vez.

O loiro mordeu os lábios, sentindo as lágrimas quentes acumulando na beirada dos seus olhos, fazendo-os arderem. Sem conseguir mais se conter, lançou os braços na direção das costas de Nagihiko, prendendo-o em um abraço urgente e desajeitado, escondendo o rosto nas suas costas.

— Hoto-… m-mas… o quê…? – Nagihiko não conseguiu terminar nenhum das sentenças, sendo pego de surpresa pelo abraço repentino de Tadase. Sentiu-o tremendo as suas costas, e virou-se na sua direção, envolvendo-o em um aconchegante abraço. Tadase soluçou, sem aguentar conter as lágrimas, que vinham abundantes e sem sua permissão.

— Eu t-te amo, Fujisaki-kun, eu te amo muito! – ele soluçou, com a voz entrecortada – N-nada daquilo que eu disse foi verdade, eu não quero ficar separado de você!

— Hotori-kun…

— Eu te amo. – ele voltou a repetir, erguendo o rosto lavado de lágrimas para Nagihiko, com o queixo tremendo enquanto falava – Eu quero ficar com você para sempre, por favor, não acredite no que eu disse. Não importa se isso é errado, eu não quero mais saber, apenas… Não me deixe, Fujisaki-kun… n-não… — ele não sabia o que dizer para fazer Nagihiko acreditar em suas palavras, e seu vocabulário parecia reduzido diante de tantas coisas para dizer ao mesmo tempo.

— Eu nunca quis te deixar…

Felizmente, Nagihiko entendia Tadase mais do que a ele próprio, e sabia exatamente o que ele queria dizer. Envolveu-o em um longo e tranquilizante abraço, até que Tadase parasse de soluçar, e voltasse a respirar com normalidade. Quando ele pareceu mais calmo, Nagihiko o beijou. Primeiro, tranquilo e lento, e então, aprofundando mais, até que os dois precisassem outra vez de ar. Tadase aninhou-se ao peito de Nagihiko, querendo se sentir mais próximo dele. Ali, ouvindo o palpitar rápido do coração do outro, ele tinha certeza de que era real.

— Eu não vou mentir para você, me incomoda o fato de você estar sempre longe, com pessoas que eu não conheço… — Tadase murmurou baixinho, deixando que Nagihiko o abraçasse carinhosamente — Eu tenho medo de que você cresça e vá para longe de mim mais uma vez… Para um lugar onde eu não possa mais alcança-lo. Ou que você simplesmente perceba que eu já não sou mais tão interessante… eu sinto essa insegurança, o tempo todo… e isso, mais o fato de que eu não posso ver você todos os dias, quando eu quero… só… me deixa com mais tempo livre para pensar besteiras. Eu sinto muito, Fujisaki-kun, por tudo o que eu disse, e por tudo o que eu fiz. Eu não vou mais incomodar você com os meus problemas, eu prometo…

— Shh… eu não disse que quero isso… — Nagihiko sussurrou de volta, acariciando o rosto de Tadase lentamente, querendo gravar cada detalhe daquele rosto crescido em sua mente também – Eu quero que você se preocupe comigo… eu gosto quando você sente ciúmes também, Hotori-kun. É natural. Eu também sinto. E eu quero que você divida as suas preocupações comigo, e diga o que sente, sempre que quiser… por favor, não se retraia, você pode se abrir comigo, sobre qualquer assunto. Qualquer um. Eu ainda sou seu melhor amigo, não sou?

— Sim… você é… Sempre vai ser, meu melhor amigo. — Tadase sorriu. Seu coração se inflou, parecendo quase transbordar. Ainda que estivesse perto de Nagihiko, a distância entre eles, por menor que fosse, doía. Ele queria estar ainda mais e mais perto dele, estar apenas ali não era o suficiente… nunca era.

Ergueu o rosto, apenas o bastante para encaixar os lábios nos de Nagihiko, em mais um beijo apaixonado. Seus corpos se tocaram mais uma vez, e ambos os garotos sentiram aquele calor súbito e voraz, espalhando-se por toda a extensão das suas peles, onde quer que se encostassem.

— Hotori-kun… — Nagihiko deixou escapar, com os lábios ainda nos de Tadase – Nunca mais… diga que vai me deixar…

— Eu não vou… — ele arquejou, entre um beijo e outro, quase sem fôlego. – Amo… você…

Não havia nada nem ninguém que pudesse os impedir agora, eles estavam livres, ao menos naquela noite, para decidir o que fariam com suas vidas. E naquele mesmo instante, a mesma escolha havia sido feita, por ambos. Eles queriam um ao outro, mais do que qualquer outra coisa.

Os toques entre eles tornavam-se gradualmente mais intensos, urgentes. Nagihiko desceu a mão pela cintura de Tadase e invadiu a camiseta dele, tocando-o diretamente na pele, cingindo-o contra si. Suas pernas se entrelaçaram, e Tadase apertou as mãos nas costas de Nagihiko, procurando algo a que se firmar enquanto os beijos infindáveis do maior deixavam-no completamente tonto.

Nagihiko se afastou subitamente, ofegante, e escondeu o rosto acima do pescoço de Tadase, parecendo esgotado. Sua respiração quente roçava no ombro do outro.

— Hotori-kun… se você não disser nada… eu não vou mais ser capaz de parar. – ele admitiu. Sentia seu corpo inteiro reagindo à Tadase, de forma mais intensa do que nunca, e sabia muito bem que estava chegando a um patamar sem retorno. Suas mãos tremiam, nervosamente, enquanto ele tentava encontrar em si forças para se obrigar a parar.

Tadase o abraçou com força, deixando que ele deitasse sobre si.

— Eu não quero que você pare. Eu já disse, Fujisaki-kun, eu quero você. – ele murmurou, nervoso. Sentiu Nagihiko ofegar em seu pescoço. – Não pense em mais nada… por favor… Eu sei que esse quarto não é nosso, nem a cama… mas… mas está tudo bem se for aqui? Agora…? – ele se esforçou em erguer o rosto de Nagihiko para fita-lo, e sentiu que suas orelhas queimavam.

— Você está falando…

— Sim… — Tadase não precisou ouvir a pergunta para saber o que Nagihiko insinuava. Ambos estavam com os rostos corados, constrangidos com a situação, mas Tadase fechou os olhos e tomou fôlego, para dizer em voz alta aquilo que pensava – Eu sempre imaginei que a minha primeira vez seria com você, Fujisaki-kun, e eu estou pronto…

— S-se você falar isso, eu…

— Por favor, Fujisaki-kun… — Tadase suplicou mais uma vez, e enterrou rosto nos cabelos de Nagihiko, escondendo-se de vergonha – Faça-me ser seu… só seu… de uma vez por todas… — ele balbuciou, e Nagihiko arregalou os olhos, surpreso. Não esperava por isso, nem em um milhão de anos poderia supor que naquela noite, Tadase diria algo desse tipo. Afastou-se ligeiramente, o suficiente para encará-lo nos olhos, brilhantes no escuro da noite. Sabia que ele estava determinado, e que não havia dúvidas no seu tom de voz, apesar de todo o embaraço da situação.

— Você tem certeza disso, Hotori-kun…? – Nagihiko hesitou, perguntando mais uma vez. Ainda não acreditava no rumo que estava tomando, e não queria agir por impulso, e acabar errando mais uma vez. Apesar disso, sabia muito bem que não haveria momento certo para isso, e que não encontrariam oportunidade mais perfeita tão cedo.

— Eu tenho… — Tadase sussurrou, agora com mais determinação. Abraçava Nagihiko com força, como que para garantir que ele não fosse fugir ou desaparecer diante dos seus olhos. Nagihiko inclinou o rosto, tocando suas testas, com os orbes dourados transmitindo toda sua inquietação e nervosismo.

— Você sabe que eu te amo muito, muito mesmo, não sabe? – ele acariciou o rosto de Tadase, afastando a franja pra o lado, cuidadosamente.

— Eu sei… eu também amo você. – ele cerrou os olhos com força, circundando a cintura de Nagihiko, acima de si, com os braços frágeis e trêmulos. Nagihiko se aproximou lentamente, e antecipou carinhosamente o contato entre seus lábios, o mais cuidadosamente que podia. Queria valorizar cada pequeno segundo daquele momento, e tornar aquela noite a mais bela das suas vidas, exatamente como tanto imaginara. Não cometeria mais erros tolos… agora só existiam ele e Tadase no mundo inteiro, e nada mais importava. Toda racionalidade os abandonou de vez, e só restava o desejo de se entregarem àquela noite que seria, certamente, a mais marcante para ambos os dois. Esperou tanto tempo para estar assim com o outro novamente, que sentia como se seu coração fosse explodir a qualquer momento, tamanha era a felicidade em seu peito. Tadase queria chorar de alegria, mas seria um desperdício fazer isso agora, então apenas retribuiu o abraço, deixando-se ser tocado pela pessoa que mais amava no mundo inteiro.

Nagihiko aprofundou o beijo aos poucos, sentindo as mãos pequenas de Tadase acariciando suas costas. O loiro não ousou interrompê-lo, ao sentir as mãos dele deslizando pela sua pele, subindo a camiseta lentamente, cortando o contato entre eles apenas para retirá-la por cima da cabeça.

Ele desceu beijando a pele clara agora exposta, explorando o corpo do menor, deixando marcas avermelhadas por onde quer que passasse. Tadase estremeceu, mas acariciou a cabeça de Nagihiko, como forma de indicar que ele podia continuar. Não queria dar a ele qualquer insinuação de que pudesse estar desconfortável, pois sabia que qualquer coisa que ele dissesse, Nagihiko pararia na mesma hora. Ainda sentia vergonha, e muita… mas não desistiria daquilo que queria mais do que qualquer outra coisa.

Desajeitadamente, Tadase pensou em retirar a calça de Nagihiko, e deslizou a mão para baixo, mas sobressaltou, ao sentir o volume que o tecido abrigava. O toque descuidado arrancou um gemido baixo da garganta de Nagihiko, e Tadase não pode deixar de se sentir satisfeito por saber que havia sido ele a causa daquela reação, apesar da vergonha.

Nagihiko conseguiu se conter, e ajudou Tadase a livrar-se da peça de roupa, tirou também a incômoda camisa e logo depois, tratou de retirar também as calças dele, cuidadosamente. Encheu seus olhos com a visão do amado somente com a roupa de baixo, refletindo a tênue luz da luz na sua pele clara. Ele escondia o rosto com as mãos, Nagihiko sabia o porquê. Timidamente por entre as pernas, o singelo volume era percebido através da roupa íntima. Nagihiko se aproximou mais uma vez, retirando as mãos de Tadase do rosto para poder enxerga-lo.

— Não precisa ter vergonha, Hotori-kun… isso é normal… — ele sussurrou carinhosamente, beijando de leve os lábios dele enquanto isso.

— E-eu sei… — Tadase murmurou sem jeito. Sabia que havia sido dele próprio a iniciativa, mas agora que estava chegando o momento, a insegurança era mais forte. E se Nagihiko não gostasse do que via? E se ele acabasse fazendo alguma coisa que não devia… e Nagihiko acabasse não gostando…? Eram tantas as possibilidades de tudo dar errado…

— Hotori-kun… apenas, confie em mim… — Nagihiko tomou coragem, e sussurrou com calma – Eu sei o que estou fazendo… e eu vou me certificar de que tudo seja perfeito para você. Eu te amo, mais do que tudo… — ele se inclinou, e beijou mais uma vez os lábios trêmulos do namorado, querendo transmitir toda a segurança e a afeição que Tadase precisava com aquele ato.

Tadase decidiu parar de pensar. Fechou os olhos com força, e deixou de lado todas as suas preocupações – pensaria nelas ao amanhecer. Avançou sobre os lábios de Nagihiko de maneira desajeitada, mordiscando-os e sugando-os de uma maneira que não estava acostumado a fazer. Mas parecia estar dando resultado, pois Nagihiko não se opôs.

Passando a mão pelas costas e o abdômen do maior, Tadase teve a confirmação daquilo que já pensara há algum tempo… Nagihiko ganhara mais músculos enquanto estava fora, e eles se mostravam ainda mais proeminentes. A pele rija e cálida, que se arrepiava ao seu toque, ainda era a mesma, porém. E Tadase mal podia esperar para decorar cada um daqueles detalhes do corpo de Nagihiko, que, tinha que admitir, adorava.

Nagihiko passou a mão desmedidamente pelo tórax desnudo do outro, apertando um pouco mais em certos pontos, e concentrou-se no pescoço dele, provando com a língua, marcando como seu. Tadase gemeu baixinho, agarrando-se às costas dele com força, como se fosse cair a qualquer segundo. O maior desceu a mão para as nádegas, fazendo Tadase arquejar, e apertou-a, trazendo-a contra si, e fazendo com que suas ereções se tocassem indiretamente, impedidas apenas pela roupa de baixo que ainda usavam.

O loiro gemeu alto, e agarrou-se aos cabelos de Nagihiko, numa tentativa de manter-se na realidade. Não havia mais espaço para arrependimentos. Uma onda de calor e eletricidade percorreu seu corpo no mesmo instante, lançando impulsos que ele próprio desconhecia. Nagihiko ainda tomava seus lábios vorazmente, e ele retribuía com a mesma intensidade, seus lábios apertados um contra o outro com uma vontade que ultrapassava qualquer limite.

O maior prensou Tadase contra a cama, deslizando as mãos para cima, passando a percorrer seu peito e a nuca, tentando conhecer ainda mais do corpo do seu companheiro; já as mãos pálidas dele próprio encontravam-se na cintura de Nagihiko, mantendo-o próximo, tão perto quanto possível.

— Ah… Fujisaki-kun. – Tadase sentiu a língua de Nagihiko percorrendo da sua orelha até seu pescoço, e então para a clavícula. Remexeu-se desconfortavelmente, tomado por sensações que sequer poderia imaginar, enquanto as mãos ágeis de Nagihiko percorriam seu corpo com tanta habilidade que parecia ter dois pares delas. Tadase ficou ainda mais corado e excitado, se é que isso era possível, ao perceber a maneira como Nagihiko analisava seu corpo, com os olhos e com as mãos. então o puxou para reiniciarem o beijo. Seus corpos quase nus se roçaram por inteiro, aumentando a sensação de desejo entre ambos. Em um breve momento de sanidade, Nagihiko se afastou ligeiramente, encarando Tadase num misto de nervosismo, excitação e curiosidade.

— Você tem certeza de que quer continuar, Hotori-kun? Eu não vou ficar bravo se você quiser parar… a qualquer instante… — ele balbuciou, incerto. Tadase demorou a entender o que ele dizia, a mente fervilhando tanto quanto o corpo, e dificultando o raciocínio. A única coisa da qual tinha certeza era que não queria que Nagihiko parasse, em hipótese alguma.

— Não ouse… — Tadase conseguiu arfar, agarrando-se à ele – parar agora…

Aquele foi o gatilho necessário para Nagihiko mandar para longe o resto de racionalidade que ainda preservava. Ter Tadase tão entregue nos seus braços, certamente desejando o mesmo que ele, era o bastante para que ele esquecesse todo e qualquer problema, e se concentrasse somente nele, pelo resto da noite.

Furtivamente, ele desceu a mão até o quadril de Tadase, e deslizou os dedos repetidas vezes pelo volume guardado na roupa de baixo, fazendo o menor gemer indistintamente em protesto, arranhando sua nuca com a surpresa. Enquanto isso, ele passou a língua do pescoço até o peito arfante de Tadase, dando a devida atenção a região.

Enquanto Nagihiko ia deslizando vagarosamente pelo abdômen do loiro, provando cada centímetro de pele com a língua, Tadase se retorcia na cama, lutando para se conter.

— Eu quero ouvir sua voz, Hotori-kun… — Nagihiko gemeu, delicadamente enganchando os dedos no cós da cueca de Tadase, claramente demonstrando seu próximo ato.

— F-fujisaki-kun… aanh… — Tadase lembrou que não precisava segurar sua voz naquele lugar, pois ninguém os ouviria, e o Nagihiko tinha certeza de que nunca ouvira seu nome ser chamado de uma forma tão suplicantemente agradável… e sexy.

Tadase tentou abrir os olhos, com a visão ainda enevoada e o pensamento lento. Impaciente e ainda fora de si, ele sentiu quando as mãos de Nagihiko se moveram, e ele sabia que a última peça de roupa que ainda mantinha havia sido removida com elas. Não teve tempo para pensar no quanto isso poderia ser constrangedor, apesar de os dois já terem visto um ao outro sem roupas, pois tão logo se deu conta desse fato, focou a visão para baixo e confirmou a suspeita de que seu membro havia desaparecido dentro da boca de Nagihiko.

— Fujis… n-não…aah — ele se limitou a gemer ainda mais alto, completamente levado pelo conjunto de sensações das quais nunca na vida havia provado, nem em sonhos. Suas mãos apertavam os lençóis com força, arrancando-os, enquanto sentia os lábios de Nagihiko indo e voltando, enlouquecendo-o com seu movimento ritmado. Sua cabeça inclinou para trás, com a vinda de uma nova onda de prazer inesperada, e sua voz não parecia ser mais sua, enquanto disparava ruídos cada vez mais fora de controle. Nagihiko sabia exatamente o que estava fazendo, e isso deixava Tadase exultante, e ao mesmo tempo, desconfiado.

Nagihiko tinha visão privilegiada das reações de Tadase. Quando o via dessa forma, completamente domado pelas sensações, entregue ao desejo, em suas mãos, não conseguia evitar um pensamento egoísta e possessivo. Hotori Tadase era seu, e de mais ninguém! Somente ele tinha direito de ter aquela visão, e ele tinha certeza, para sempre seria assim. Ele estava tão distraído em observar a face de Tadase que não previu o que aconteceria, e apenas sentiu o líquido quente tomar espaço em sua boca, ao mesmo tempo em que o gemido final de prazer do loiro alcançava seus ouvidos.. Ergueu-se, limpando o canto dos lábios, e um sorriso se formou ao ver que o corpo do arquejante Tadase ainda se encontrava desperto, insaciado.

— Fujisaki-kun… me d-desculpe… e-eu…e-e-eu…

— Sshh, está tudo bem… — ele o abraçou, para tranquiliza-lo – Está tudo indo bem… você quer continuar? – ele indagou, calmamente, tentando ignorar o aperto doloroso que vinha do seu baixo-ventre, exigindo um pouco de alívio. Se Tadase, por acaso, pedisse para parar ali, ele teria que dar um jeito nisso sozinho, algo que, felizmente, não foi necessário.

— C-continue… — Tadase murmurou, segurando o rosto dele com ambas as mãos, o amor que sentia transbordando dos seus olhos naquele instante – V-vamos… até o fim…

Era a primeira vez de ambos, e Nagihiko estava disposto a preparar Tadase por tanto tempo quanto fosse possível para que ele não sentisse nada além de prazer naquela noite, ainda que os próprios desejos o sufocassem e ele desejasse tomá-lo para si naquele mesmo segundo. Beijou-o longamente, de maneira carinhosa, delicada.

Ao erguer-se novamente, Tadase teve um vislumbre magnifico do corpo esbelto do namorado, antes que ele se ajeitasse mais a frente. Escondeu os orbes rubros com as costas do braço, sentindo o rosto queimar em imaginar o que se passava na cabeça de Nagihiko ao fita-lo por inteiro daquela maneira.

Nagihiko respirou fundo, e ergueu as pernas de Tadase, tateando com os dedos à procura da sua entrada, e inclinara-se, beijando-o longamente quando a encontrara. Tadase gemeu contra os lábios de Nagihiko, ao sentir-se sendo invadido por um dos dedos do maior, e rapidamente seu corpo respondeu àquele estímulo novo, favoravelmente. Ele demorou em começar a se movimentar, esperando que o menor se acostumasse, e depois disso, a partir das reações de Tadase, que pareceu mover-se pedindo por mais, ele invadiu com o segundo dedo. Tadase cerrou os dentes, expressão de dor fina, mas não pediu que parasse.

Tadase desejava que Nagihiko pudesse estar mais perto para abraça-lo – apenas o lençol não era suficiente para conter-se. Quando sentiu que já conseguia se movimentar mais livremente com dois dedos, Nagihiko introduziu o terceiro, retirando-os e os colocando novamente, de novo e de novo, até que tivesse certeza de que Tadase estava bem, e preparado.

— Por favor… Fujisaki-kun… — já não aguentando mais aquela provocação, Tadase implorou. Nagihiko imediatamente cedeu, atendendo àquela súplica. Retirou os dedos do seu interior, ouvindo o gemido de inconstância pela súbita perda. Ele se ajeitou entre as pernas do menor, e rapidamente substituiu os dedos por algo maior. Quase não conseguiu se controlar, mas teve o cuidado de penetrá-lo lentamente, com cuidado, para que não o machucasse.

— Ah… H-hotori… aah…. – com mais um movimento, Nagihiko estava completamente no interior dele, o calor e o aperto quase o fizeram chegar ao ápice antes da hora. Tadase fechou os olhos com força, contendo o espasmo de dor. Não queria que Nagihiko suspeitasse, mas era como se estivesse sendo rachado ao meio. Ao invés de lamentar, ergueu os braços em um pedido mudo para que ele se aproximasse.

Nagihiko se inclinou, beijando os lábios de Tadase com avidez, enquanto ele o rodeava com os braços trêmulos, agarrando-se às suas costas diretamente com as unhas, liberando ali uma parte da tensão. Forçando mais ainda a união dos corpos, Nagihiko se moveu minimamente, e Tadase sentiu outra onda de novas percepções o invadindo, completamente diferentes de antes, e levando consigo a dor também.

— Ah… ahnnnn… c-continue… — Tadase arfou, desejando mais. Sua expressão se suavizou, e Nagihiko pode enxergar novamente o desejo e o prazer refletidos nos seus olhos brilhantes. Ele sentia vontade de chorar, mais uma vez, e não era pela dor ou pela vergonha. Era só e unicamente pela felicidade e a plenitude que sentia ao se dar conta de que estava, de fato, tornando-se um com aquele que mais amava. Antes que percebesse, as lágrimas escorriam, descendo pelo canto dos seus olhos na direção do couro cabeludo.

— Ah, F-fuj… N-nagi…hiko…. – o nome escapou dos lábios de Tadase, fazendo Nagihiko mergulhar ainda mais fundo na nuvem espessa de prazer que enevoava seu raciocínio. Tadase ouviu a voz grave dele gemer em seu ouvido, e rapidamente reagiu, contraindo-se contra o membro do maior.

— E-eu vou me mover… — Nagihiko o abraçou com força, mal conseguindo aguentar, e percebeu o movimento afirmativo que Tadase fez com a cabeça. Hesitante, ele segurou a mão de Tadase, querendo transmitir segurança, e com a outra mão começou a estimular o seu membro já recuperado, exigindo atenção, e arrancando mais murmúrios indistintos do menor.

Retirou quase todo o seu membro de dentro dele, para então voltar a penetrá-lo, arrancando outro ruído desmedido; começou com estocadas longas e lentas, gemendo baixo em contrapartida dos gemidos agudos do menor, que quase se transformavam em gritos abafados quando ele aumentou a velocidade.

Tocava cada canto que pudesse alcançar do corpo do outro com os lábios, tentando compensá-lo pela dor que certamente o obrigara a sentir anteriormente. Tadase tentara ainda esconder o rosto com o braço como antes, mas Nagihiko não permitiu. Enquanto avançava com seus movimentos coordenados, queria ver cada traço de satisfação, e ouvir cada gemido que escapava pelos lábios cheios, tendo a certeza de que estava fazendo da maneira correta. Em especial, quando encontrou o ponto que procurava no garoto, alcançando-o sem demora, fazendo-o gritar e se contorcer pela sensação inenarrável que acometeu seus sentidos.

A partir daí, todo e qualquer resquício de pensamento coerente sumiu, restando apenas gemidos, murmúrios e ronronados desconexos, e o ruído de corpos se chocando e da cama rangendo com os movimentos ritmados. Algumas vezes, os nomes de um de outro escapavam. Nagihiko apoiou todo o peso de seu corpo nos braços, as mãos ladeando a cabeça de Tadase que tinha os cabelos curtos espalhados pelo travesseiro e agora circulava a cintura do maior com as pernas, aumentando o contato entre eles ainda mais, e incentivando que Nagihiko aumentasse a velocidade e a intensidade dos seus movimentos gradualmente. Seus batimentos cardíacos se elevavam, em uníssono, as vozes ecoando em sintonia, o formigamento das pernas que ameaçavam ceder.

Com uma investida mais profunda que arrancou um longo grito de prazer de Tadase, viu que ele se derramava sobre seu próprio abdômen. No mesmo instante, ele não conseguiu mais se conter, e inundou também o interior do menor, com um gemido vindo do fundo da garganta. Ambos sentiam como se estivessem no meio de uma galáxia de estrelas, saindo de seus corpos, com o fogo em brasa espalhando-se através das suas peles até atingir cada recanto. Eles eram um só, e não existia nada além disso.

Suas pernas cansadas estremeceram em fraquejaram, e os dois largaram-se, sem conseguir mover-se nem um centímetro. Nagihiko roubou um beijo gentil dos lábios de Tadase, antes de finalmente sair de dentro dele, deixando que seu corpo descansasse sobre o do menor por alguns segundos. A sensação recente ainda queimava, latejava em seus corpos. Estavam suados, exaustos, os olhos quase se fechando, e no silêncio do cômodo, só se ouvia o som das respirações entrecortadas.

— Eu te amo… — os dois murmuraram quase ao mesmo tempo, e então sorriam fracamente. Estavam quase dormindo, não tinham consciência plena do que acabaram de fazer, só havia espaço nas suas mentes para o eco da sensação que ainda se espalhava pelos seus sentidos, e inundavam seus pensamentos.

Tadase tinha certeza de que iria apagar, assim que Nagihiko o envolveu carinhosamente, e ele repousou a cabeça no peito dele, o lugar mais confortável do mundo em sua opinião.

Queria ficar ali para sempre. Queria que aquela noite jamais chegasse ao fim. O vento forte finalmente cessara, e as ondas do mar escuro apenas iam e vinham, suavemente. A calmaria finalmente chegava ao lado de fora, e aos seus corações. Não sabiam quando é que teriam a chance de estar juntos novamente, mas agora, tinham certeza… nenhuma dificuldade, nenhum obstáculo era suficientemente grande para mantê-los afastados um do outro. Nunca seria.

Notas finais
Hey, minna-san! Shiroyuki aqui~ morrendo de vergonha do que escreveu .-. sério... sem comentários >/////< espero que gostem da primeira vez, tãaaao esperada, desse casal mais lindo~ Será que serve como compensação pela demora?? Amo vocês, até a próxima, a manhã seguinte~ com a senpai!! Bye bye~