Notas iniciais
Hum! Achou que os outros da banda não teriam uma participação especial? ;D
O moreno abriu os olhos. Parecia-lhe ser de noite ainda, então revirou-se mais uma vez por entre as cobertas; em vão. Não conseguiu mais fechar suas pálpebras, mesmo estando tão exausto quanto seus amigos. Sentou-se na cama, imaginando o que o faria despistar o sono tão rapidamente, mesmo seu organismo desejando apenas poder relaxar por pelo menos umas quinze horas. Bagunçou os próprios cabelos negros e suspirou, a fim de conformar-se com a insônia daquela noite. Estapeando o travesseiro e bagunçando as cobertas o máximo que podia, Touya levantou-se cambaleante até um canto qualquer do quarto onde largara seu roupão, provavelmente esticado no chão. E após apanhar a vestimenta e vesti-la por cima da camisa pólo azul clara e sua bermuda preta, o guitarrista deixou o quarto, com o travesseiro nas mãos. Sabia até onde ir. Era sempre assim que funcionava quando o moreno deixava seu sono fugir; apanhava seu travesseiro e corria para o quarto do amigo, na esperança de este estar acordado para lhe receber e talvez aproveitarem mais um pouco da noite, não só deitarem na única cama e deixarem-se dormir. Em passos lentos e cuidados, Touya passou pelo quarto de Ruka, estranhando alguma coisa, a qual não soube explicar no momento. Logo em seguida, passou pelo aposento do baterista, que parecia dormir profundamente, no mais completo silêncio. E chegando ali, no fim do corredor, estava o quarto de seu amigo mais querido, que sempre lhe recebia prontamente, fosse a hora que fosse. Bateu três vezes na porta, suavemente, como costumava fazer para alertá-lo de que era ele quem o esperava do lado de fora. Aguardou alguns segundos... e nada. Voltou a bater levemente, resmungando com voz quase inaudível o nome do querido amigo, na falsa esperança de que isso o faria atender mais rapidamente. Estava quase desistindo e voltando para o escuro entediante de seu quarto, quando ouviu o barulhinho do pingente de Rilakkuma presente no cartãozinho que dava passagem aos quartos. A porta se abriu, revelando um guitarrista com feição extremamente cansada, ainda esfregando os olhos franzidos pela claridade do corredor do hotel. –Touya-kun... –resmungou algo que o outro não pôde ouvir, e logo em seguida bocejou. –Mitsu-kun! –sorriu, ao ver a face esgotada do amigo- Desculpe te incomodar assim de novo, mas é que perdi o sono... Mitsu o observou com o rosto desconfiado, ainda com as pálpebras pesadas por ter seu sono interrompido tão rapidamente. –Perdeu o sono ou ficou com vontade de ter uma companhia para beber e fumar a noite toda? E bocejando mais uma vez, o convidou para adentrar o quarto finalmente. Touya o fez, sentindo-se um pouco mal por perturbar o amigo mesmo sabendo do dia cansativo que tiveram, mas... era preciso. –Então –disse, enquanto fechava e trancava a porta devidamente- o que te fez ficar com essa insônia de repente dessa vez? –Hm... –sentou-se na cama do amigo, logo seguido por ele- Acordei com umas batidas estranhas, e uns gritos, acho... vindos do quarto do Ruka-san. Acho que ele está tendo um daqueles sonhos estranhos que o faz bater a cabeça na parede várias vezes... sabe? O guitarrista arregalou os olhos, rindo intensamente, achando a definição que Touya dera para o que ele provavelmente sabia que estava acontecendo no quarto do baixista tão infantil e ridícula. –Acho que não... E nem quero saber! Riram juntos por alguns segundos, até Mitsu levantar-se e ir em direção à pequena geladeira posta em algum lugar do quarto e retirar duas garrafinhas de vodka, interrompendo o aconchego que Touya fazia para si na cama do amigo. –Mas já vai dormir? –disse o guitarrista, sentando-se novamente- Pensei que quisesse mesmo alguém pra beber e fumar com você hoje. –Só beber está bom... –disse o moreno, despejando boa quantidade do líquido alcoólico garganta abaixo. Observou o outro fazer o mesmo, raciocinando por alguns milésimos de segundos, sentindo-se um tanto ruim por tê-lo incomodado novamente. Respirou fundo, reunindo coragem, enquanto as maçãs de seu rosto enrubesciam. –Mitsu-kun... Touya olhava para o aconchegante edredom posto sobre suas pernas brancas e definidas, nitidamente tímido. –Você... –parou um segundo para engolir em seco, quase soando frio- Você não se cansa de ter que me fazer companhia quase todas as noites assim?... Mitsujou o observou, incapaz de impedir que sua face adquirisse o mesmo tom da do amigo. Como poderia cansar-se de fazer companhia para aquela pessoa tão amável? Mitsu tinha vontade de apertá-lo em todos os momentos, e quando o moreno não visitava seus aposentos no meio da noite, quase deixava seu sono para trás e corria atrás do guitarrista. Adorava passar uma noite em claro com ele, rindo das mesmas besteiras, filmando as mesmas besteiras, fazendo as mesmas besteiras de sempre. –Q-quero dizer, é que você pode estar cans... –Mas é claro que não! Touya levantou seus olhos, encontrando um sorridente Mitsu a olhar para sua face, com um sorriso doce nos lábios e as íris brilhando mais do que nunca. –Você é meu amigo! Jamais me incomodaria, de qualquer forma que fosse! Olhou para o carpete do quarto por um momento, a fim de procurar as palavras certas para expressarem o que tanto queria dizer, enquanto tentava disfarçar as bochechas avermelhando-se cada vez mais. –Eu... adoro quando vem até meu quarto, e me deixa sem dormir a noite toda... Falando todas aquelas coisas sem sentido... Eu... gosto mais de estar com você do que qualquer outro, Touya... O moreno o observava, com um brilho diferente no olhar. Começava a entender o que o amigo queria dizer com a última frase, ou estava apenas delirando de um sono repentino? O guitarrista não conseguiu descobrir no momento, limitando-se a mirar o rosto do outro, de uma forma tanto incrédula. Franziu as sobrancelhas, esperando entender realmente, preparando sua voz para perguntar, enquanto suas maçãs não lhe obedeciam e voltavam a tornar-se vermelhas. Separou os lábios, preparando-se, mas foi interrompido pelo sorriso doce e aconchegante que recebera de Mitsujou, juntamente com um olhar terno, quase... infantil. –Afinal... –disse, pegando nas mãos do moreno jogadas pelo edredom- Somos melhores amigos, né? Touya confessou a si mesmo estar decepcionado com a última frase. Mesmo depois de todas as noites vividas juntos, os beijos bêbados trocados, as carícias exaltadas, o outro apenas o considerava “melhor amigo”. Touya achava que era mais que nítido seu interesse pelo guitarrista... achava que era mais que nítido seu sentimento pelo de cabelos mais claros. Fazia de tudo para demonstrar, e as próprias idas ao seu quarto eram um sinal disso. Esboçou um olhar de tristeza na face, pronto para abaixar a cabeça e deixar os fios negros encobrirem sua face, quando mirou uma última vez a face do amigo guitarrista. E mais uma vez, encontrou aquele sorriso doce, encantador, sagrado. As íris castanhas brilhando de encontro às suas, os lábios desenhados sutilmente finos e inclinados esticados de ponta a ponta, lhe fizeram esquecer o sentimento de “decepção”. Na verdade, não precisava de um relacionamento a mais com seu amigo; contanto que pudesse estar junto dele, assim como agora, e de todas as outras vezes... ele estaria feliz assim. Touya acompanhou o sorriso de Mitsu, mirando confortavelmente as íris do guitarrista. Apertou-lhe as mãos, num gesto recíproco. Aquelas mãos... mãos tão macias que desejava estar sempre tão perto, as tocando, sentindo sua suavidade cada vez mais... Observou a face corada do amigo. Perfeito... O moreno não podia mais se conter. Num movimento rápido, puxou o corpo do amigo para si, na esperança de poder tê-lo pelo menos ali, naquele momento tão singelo, e que com certeza passaria tão rapidamente... –Mitsu... O de cabelos mais claros afastou-se depois de alguns segundos, surpreso. Encontrou um Touya sorridente, corado, e... lindo. O olhar brilhante, não se afastando um segundo de seu foco principal. Sentiu o coração bater mais rapidamente numa tentativa inútil de suprir toda a quantidade de sangue requerida pelo organismo do guitarrista... A respiração mais profunda... A voz suave do de cabelos negros encontrando seus ouvidos... E um... travesseiro? Quando percebeu, o amigo estava de pé em sua cama, esbanjando um inocente sorriso, com o dito cujo acima de sua cabeça, num gesto de “superioridade”. –Guerra de travesseiro! — — — Mas que barulhos são esses agora?... Pensava, ainda enrolado em suas cobertas frias, resmungando o sono perdido daquela noite. Não bastava Ruka e seus sonhos malucos esmurrando a parede e gemendo tanto? O mal-humorado levantou-se, resmungando, apanhando o roupão. Ainda cambaleante, procurou as fofas pantufas do hotel brasileiro no escuro do aposento. Uma rápida ida ao banheiro para mirar sua própria face e... resmungar mais um pouco por ver suas olheiras mais acentuadas. Passou a mãos pelos cabelos castanhos, e apanhando o cartãozinho que dava passagem para seu quarto, saiu, trancando a porta devidamente. Sabia até onde ir. Era sempre assim. Aquele bendito guitarrista não se cansava das brincadeiras noturnas, nem mesmo após um dia tão cansativo daqueles. Maldito Mitsu... O próximo a ficar sem sono vai ser você. Deu apenas mais alguns passos pelo corredor vazio do andar, e pôde identificar os sons vindos de seu quarto. Risos e mais risos compunham aquela melodia infernal que lhe dera de presente a insônia. E foi aí que percebeu. Não havia dúvida alguma: Touya estava lá. Talvez fosse mais um incentivo para o baterista adentrar aquele quarto tão animado na madrugada. Em seu quarto que não queria ficar. Não queria nem imaginar que tipo de sonhos Ruka estaria tendo dessa vez; e mesmo que tentasse, dormir não era uma opção válida naquela noite. Caminhou mais alguns passos, chegando em frente à porta do quarto do guitarrista; as pernas tão cansadas que lhe eram um convite a mais, ou para voltar ao seu quarto, ou para adentrar logo o lugar e tentar relaxar um pouco. Bateu duas vezes de forma nada sutil, como sempre fazia. Ouviu os risos cessarem momentaneamente, e suas vozes estridentes correndo rapidamente até a porta, como sempre acontecia. A porta se abriu, revelando dois guitarristas eufóricos, respirando com dificuldade, as bochechas avermelhadas e os cabelos molhados, sorrindo como crianças. E finalmente, sentiu os dois braços serem envolvidos um por cada um, enquanto suas vozes em coro repetiam o mesmo convite de sempre. –Vem brincar com a gente, Takane-san! Um sorriso desenhou-se nos lábios do mais velho, como sempre. A porta fechou-se atrás de si, encobrindo de forma sutil as risadas e diversões que viriam noite adentro. Como sempre acontecia.
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