Notas iniciais
Eu amo The Lost Canvas e vou protegê-lo

Um relâmpago cortou os céus escuros e tempestuosos sob um pequeno vilarejo italiano. A chuva já vinha o castigando há algum tempo, porém, não como naquela noite.

Na precária casa que chamavam de orfanato, Alone sentava-se em sua cama. O garoto havia tido um pesadelo e seu corpo inteiro tremia de medo tanto do que vira em seus sonhos, quanto dos ventos fortes que sopravam do lado fora, ameaçando colocar a construção abaixo.

Estava escuro, salvo a luz prateada dos raios que ocasionalmente caiam em algum lugar nas proximidades, mas Alone não podia acender uma vela. Não, naquele quarto, outras crianças dormiam e ele não podia arriscar-se a acordá-las, não quando fora tão difícil acalmá-las para que pegassem no sono em meio a tempestade. Lidaria com aquilo sozinho.

Alguns minutos se passaram. Alone os contava de acordo com o pingar de uma goteira, mas não sabia dizer ao certo há quanto tempo estava acordado. Sua respiração pesava, reflexo das cenas horrendas que ainda tomavam sua mente. Tentava rezar para que Deus as levasse embora, mas quanto mais pedia, mais forte as memórias pareciam se tornar.

Estava à beira do desespero quando, subitamente, uma voz o chamou da escuridão.

— Ei, Alone, você está acordado? — Era Tenma. Sua voz era inconfundível, e seu tom era alto demais, mesmo quando o garoto tentava sussurrar. — Teve um pesadelo outra vez?

— Não foi nada. — Alone respondeu, esforçando-se para que sua voz não soasse chorosa.

Um instante se passou em silêncio. A chuva continuava a cair. De repente, Tenma se levantou de sua cama e, o mais furtivamente que conseguia, atravessou o quarto até a cama de Alone, enfiando-se debaixo das cobertas com ele.

Alone imediatamente sentiu um arrepio percorrer seu corpo. O padre da igreja que costumava frequentar, onde lhe davam aulas de pintura, havia dito que era um pecado que dois rapazes dividissem a mesma cama, que se deitassem juntos… Mas Tenma só estava ali para protegê-lo, certo? Como sempre fazia, então não teria problema, certo?

Alone esperava que não.

— Com o que você sonhou dessa vez? — Tenma perguntou, sua voz abafada pelos lençóis.

Por um momento inteiro, Alone hesitou. Porém, logo o loiro aninhou-se mais perto do amigo, fechando os olhos e buscando coragem para admitir a ele os seus medos.

— Eu sonhei que estávamos brigando… Eu, você e Sasha… — Alone começou. — Nós vestíamos armaduras brilhantes, como os cavaleiros nas histórias…

— Isso não parece um sonho ruim… Nós brincamos de cavaleiro o tempo todo! Eu e Sasha sempre… — Tenma engoliu em seco, sentindo suas bochechas arderem de vergonha. — Nós sempre tentamos te resgatar…

— Não era assim dessa vez... — Alone interrompeu. — Eu era o vilão… Você e Sasha me odiavam…

— Do que está falando?! Nós nunca te odiaríamos, Alone!! Nós te amamos!!

Alone se afastou, deitando-se com a barriga para cima.

— Você me machucou, Tenma… — Concluiu, mais uma vez tornando a cerrar suas pálpebras. Olhos vermelhos, cheios de ódio. — Você me machucou, porque eu havia machucado várias pessoas… E eu também queria te machucar…

— Cale a boca! Eu jamais machucaria você! — Tenma insistiu e puxou o amigo para um abraço apertado. — Alone, você é a melhor pessoa que existe no mundo inteiro! Você nunca me machucaria! Nunca machucaria ninguém! E é por isso… É por isso que eu quero te proteger!

Em silêncio, Alone retribuiu o gesto, envolvendo o corpo de Tenma em seus braços, afundando o rosto em seu peito. Seu coração batia acelerado e desejava acreditar no que ele dizia, porém, no fundo de sua alma, dúvidas sombrias ainda o corroiam.

Notas finais
Weee valeu por ler!!