It's my life

4 Capitulo 4 – Só uma pitada de confusão


Notas iniciais
Eu sentia falta de um dia como esse.... Me surpreendi com o quanto esse dia foi divertido... Deixa eu te contar...

Capitulo 4 – Só uma pitada de confusão

Acordo no meio da madrugada suando frio. Um pesadelo, não tinha um desses há muito tempo. Era sempre a mesma coisa, o passeio de 8 de julho com meus pais, estávamos comemorando meu aniversário e após virar em uma curva fechada na estrada nosso carro colide com um caminhão. O caminhoneiro estava bêbedo na contramão, o carro caiu de um pequeno morro, eu fui a única sobrevivente. A última imagem que tenho é do brilho da vida deixando os olhos da minha mãe.

Sento-me no sofá, lembrando que Butters estava dormindo na minha cama, tomo a liberdade de observa-lo um pouco. Ele dormia todo desajeitado, mas era a imagem dele dormindo tranquilamente que fez meu coração parar de bater tão rapidamente. Me levanto e vou tomar um banho, quando saio percebo que ainda era umas 3h da manhã. Eu não sabia se voltaria a pegar no sono, ainda estava muito agitada por conta do pesadelo.

Me aproximo de Butters para observar melhor ele dormindo e sorrio terna, mas quando tento voltar para o sofá, Butters me agarra e me puxa pra cama. Eu fiquei assustada, mas que po*@?! Tentei me soltar, sem sucesso. Ele ainda dormia, mas me agarrava como se eu fosse a Hello Kitty dele. Suspirei cansada e me deitei na cama com ele, era meio estranho, mas eu até que me sentia mais tranquila e consegui dormir até amanhecer.

Quando acordo novamente, estou de frente pro Butters. Até que meu primo era fofo dormindo, bocejo suavemente enquanto o observo. Meu despertador do celular toca e Butters acorda abrindo devagar os olhos. Quando o loiro percebe minha presença na cama, ele se assusta e quase caí da cama, mas eu o seguro pelo pijama enquanto sorrio gentil, contendo a minha risada.

Violet: Bom dia Leãozinho... – Olho para ele, puxando-o de volta, sorrindo gentil e me sentando com ele na cama.

Butters: V-violet?! Porque... – Interrompo ele.

Violet: Você me puxou na madrugada... *bocejo* E eu acabei me deitando com você... Você tem um abraço forte... – Eu sorrio ao perceber que ele estava vermelho – Eu gostei... – Me aproximo dele só de brincadeira, mas o menino parecia que iria explodir de tão vermelho.

Butters: V-v-vi... – Ele gaguejava, já tinha conseguido minha diversão do dia.

Violet: Brincadeirinha... Vou acordar a Katy, se arrume. James vai levar você e Katy para a escola, Guinevere já deve estar servindo o café... – Cuspo informações enquanto me levanto e pego uma muda de roupa para encarar o dia.

Butters: T-ta... – Ele fala ainda sentado na cama envergonhado. Percebo seu desconforto e olho para ele gentil.

Violet: Não precisa ficar tímido, não foi nada demais. Você não precisa ficar envergonhado se encarar isso como sendo o normal entre nós – Para mim era só diversão e eu particularmente não me importava. Dormir com ele fez meu coração desacelerar do pesadelo, mas não queria ver ele coagido por causa desse pequeno incidente noturno.

Butters: Hum... acho que tudo bem... Só estávamos dormindo né? – Ele sorri gentil, se levantando.

Violet: Exatamente, agora anda logo e se arruma Leo, vou precisar passar no banco primeiro, mas chegarei em tempo na escola. Quando chegar te mando mensagem, ok? – Digo animada para ele.

Butters: Tudo bem Vi! Te vejo na escola! – Me despeço dele com um aceno fechando a porta para que ele fique à vontade para se trocar.

Caminho suavemente até o quarto de Katy e ela já estava de pé terminando de se arrumar, fico até surpresa em ver que ela acordou sozinha, sem minha ajuda, sem chamarem por ela. Fico feliz em ver a Katy se tornando uma garotinha independente.

Violet: Bom dia princesa. Dormiu bem? – Digo em um tom suave e ela olha para mim com desconfiança.

Katy: Bom dia. Dormiu bem com o nosso primo? – Mas que tom afrontoso! Eu fiquei um pouco surpresa admito, mas essa era a versão da Katy malvadinha que tive o desprazer de conviver sempre que ela estava irritada.

Violet: E-eu... Dormi no sofá... – Por algum motivo comecei a me explicar para ela. Não que eu achasse necessário, eu era a mais velha. Mas me sentia mal de ver a minha pequena irritada comigo, me sentia culpada.

Katy: Ah sim, eu vi vocês abraçados na cama. – Ela me olhava desconfiada – Mana, ele tem namorada... e você tá obcecada pela proteção dele... Você... não vai me trocar por ele vai? – Ela me pergunta com uma carinha mista de preocupação e tristeza.

Violet: Você... ta com medo que eu me envolva com ele ou está com ciúmes dele? – Perguntei um tanto confusa, minha atenção sempre foi para Katy. Sempre que tinha tempo livre eu me dedicava a ela, mas com o passar dos anos essa pratica ficou mais e mais escassa. Me perguntava se ela tinha medo de eu tentar consertar meu coração usando meu primo inocente ou se ela tinha medo de perder minha atenção totalmente agora que ele era o novo alvo de minha proteção.

Katy: E-eu... não sei. Eu só não tô acostumada com você tão próxima de outra pessoa... E relacionamento entre primos é errado eu vi na internet. – Ela diz corando um pouco, eu dou uma leve risada e começo a me vestir.

Violet: Katy, eu não gosto do Butters desse jeito. Ele é meu primo e acho engraçado as reações dele, mas não estou flertando com ele e ele sabe disso. Ele gosta da namorada dele e eu... – Por um segundo, quando eu ia dizer algo como “não tenho interesse em ninguém”, um flash no rosto do Mysterion veio a minha cabeça, foi tão rápido que me deixou atônita.

Katy: Eu sei você não tem interesse em ninguém... Mas promete que não vai trocar? – Ela me olhou com preocupação. Katy completou a frase que por um lapso, por pensar no herói, eu não consegui. Isso me deixou inquieta.

Violet: Claro que não vou te trocar. Você é minha irmãzinha linda, ninguém nunca vai tomar o seu lugar. E nem você vai me substituir pela sua nova amiguinha né? – Eu sorrio para ela gentil e brincalhona terminando de me trocar.

Katy: Ah não, você é minha irmã, mas eu gosto bastante da minha nova amiga, Vi. Acho que podíamos ser todas irmãs! – Ela sorri suavemente falando.

Violet: Se é o que quer – Dou uma leve risadinha acabando de me arrumar meu cabelo. – Anda, vai tomar café, vou passar no banco. Leva o Butters pra escola por mim? – Ela sorri gentil para mim em concordância, terminando de se arrumar. Katy era adorável mesmo.

Calço botas com salto brancas e desço as escadas. Meu guarda-roupa precisava de mais roupas de frio. Dessa vez, tive que escolher uma saia curta branca, meias 7/8 de mesma cor, uma blusinha de manga cumprida de plush lilás e meu casaco de igual cor, na real só tinha ele para me esquentar de fato. Ponho um cachecol branco, com luvas lilás claro e sigo para a cozinha. Guinevere tinha feito um café da manhã simples para Butters e Katy, ela ainda tossia e estava de máscara, mostrando sua debilitação e ao mesmo tempo seu cuidado conosco também.

Violet: Bom dia Guine, vou ao banco, quer que eu passe na farmácia e pegue algo para sua gripe? – Toco suavemente seu ombro com carinho.

Guinevere: Bom dia Jovem Princesa, não há necessidade. Estou melhor já. – Ela estava mentindo para mim, eu sabia só no tom de sua voz. – Tomei um antigripal que James me deu, logo me sentirei melhor.

Violet: Compreendo, fico feliz que ele está cuidando bem da senhora... Por favor, deixe o café dos dois aqui, pode ir se deitar. Vou pegar dinheiro para o almoço da Katy e do Butters também, sem problemas.

Guinevere: Está bem... – Ela sabe o quanto eu sou teimosa quando o assunto é cuidar dos outros e nem sequer discute comigo. Ela se retira para dentro do dormitório dela e eu pego minha mochila já de saída e uma maçã, atravessando pela porta em seguida.

Cumprimento James no jardim, ele estava arrumando o carro de Jhonny, aparentemente a farra foi boa ontem, o carro do meu irmão estava riscado e cheio de bebida. Eu decido fingir que nem vi isso, as atitudes de Jhonatan estavam muito longe do meu controle e se tem algo que aprendi sendo irmã dele é não se meter nas confusões que ele arruma, ou pelo menos nas que eu puder não me envolver.

Coloco meu capuz e sigo para o Banco em quanto como a maçã, eles tinham acabado de abrir e só tinha algumas poucas pessoas na minha frente. O relógio marcava 6:10h quando fui atendida, algumas burocracias e assinaturas, mas saquei um dinheiro considerável para nos manter. Após sair do banco, eu pego o ônibus da escola em seu primeiro ponto e sento no fundo na janela, ele enchia mais e mais conforme andava pela cidade.

Essa mistura de vida adulta e de adolescente mexia comigo de certa forma, conciliar tudo era cansativo. Me desprendo dos meus pensamentos com a gritaria naquele ônibus escolar, não estava acostumada a pegar esse tipo de transporte, mas caramba, que barulheira.

Eles gritavam e xingavam, parecia um ônibus para o hospício não pra escola, acho que fazer coisas de adultos me deixou menos tolerante aos barulhos que pré-adolescentes faziam. Me encolho no banco sentindo o ar gélido vindo das janelas do ônibus e coloco meus fones com fio, esqueci os sem fio em casa, mas lembrei de trazer o fone de ouvido de gatinho que eu pensei em dar ao Leo. Ele iria ficar tão fofinho neles! Coloco uma música e encaro a janela até chegarmos na escola, fui a última a descer, não queria ver ou falar com ninguém.

Quando estou com meus fones, sinto-me ser transportada para um outro mundo, um lugar onde poderia ser Ladynoir livremente, olho para os telhados pensando em correr ao ritmo da música francesa que tocava em meus fones e fazia meu coração bater em sincronia com a melodia. Suspiro passando pela porta. Que bom seria se eu não precisasse mais me preocupar com nada, só brincar e me divertir correndo desenfreada pelas ruas da cidade. Me pergunto se sendo Ladynoir eu poderia ficar com ele...

Encontro o meu armário, tinha recebido anteriormente a senha do cadeado por e-mail do coordenador. Dentro do armário havia um papel, com as minhas aulas e a sala. Eu já sabia dessas informações, já tinha arrumado minha grade horária, só precisava achar a sala. Trouxe todos os livros recomendados pela direção e coloquei eles no armário. Guardei o dinheiro escondido também e peguei um livro de romance que eu estava lendo para me entreter. Não gosto de romances normalmente, mas esse era um tipo de Dark Romance, algo mais sombrio. Arrumo os livros e apoio eles no armário enquanto mando mensagem para Butters. “Cheguei”. Mensagem enviada.

Estranhamente, quando olho ao redor, quase todos estavam me olhando, não tinha reparado que tinha tanta gente assim por perto, começo a ficar meio ansiosa. Desde quando estou sendo observada? Eu não gostava de ser observada, era eu quem observava geralmente. Eu sei, uma “idol” que não gosta de atenção? Parece até fingimento, mas eu ficava bem ansiosa quando era o centro das atenções longe dos holofotes.

Seguro os livros enfiando eles na bolsa enquanto fecho o armário, minhas mãos tremiam levemente, nada que desse pra reparar, eu mantinha uma feição indiferente, não queria encrenca no meu primeiro dia. Como novata eu iria sofrer bullying pela cor do meu cabelo de novo? Toco institivamente em uma mecha do meu cabelo que escapava do capuz, no fundo tinha receio. Não costumava revidar as provocações anteriores contra mim mesma, exceto se me batessem primeiro.

A parte materna do meu pai era toda asiática, um dos ensinamentos e talvez um dos poucos que ela me deu, foi o kung fu e o karete. As primeiras duas artes marciais que eu pratiquei desde nova, eram apenas para defesa, eu nunca ataquei um adversário primeiro. Todavia, quando virei Ladynoir e enfrentei a verdadeira face do crime pela minha antiga cidade, eu notei que isso era insuficiente. Havia momentos em que se eu não atacasse primeiro, pessoas teriam morrido. Porém no ambiente escolar eu preferia apanhar, eu era mais habilidosa, treinava desde pequena. Não era justo, mesmo se fossem bullies.

Sou tirada do meu devaneio com um grito familiar. “VIOLET”, olho em direção a voz, que mesmo de fone eu consegui ouvir. Era Butters animado até demais por me ver. Reparei nos garotos que o seguiam, aquele moleque do chapéu verde, o do casaco laranja, o gordo, o da touquinha azul, aquele tal de Clyde e mais uns garotos que acho que também estavam na competição de vídeo game.

Butters vinha correndo na minha direção, porém reparei que havia uma placa de “Chão molhado” logo a frente e obviamente ele não tinha intenção de desviar, o que faria ele cair e quebrar a cara no chão, com certeza. Minha analise durou cerca de meio segundo, até que conseguisse me mexer, corri na direção dele, bem a tempo de amortecer a queda de Butters, após escorregar no chão molhado. Ele caiu no meu colo e eu gemi baixinho de dor, ele vai acabar me quebrando se continuar caindo assim, mas pelo menos estava a salvo.

Violet: Você está bem? – Minha expressão de dor devia ser visível, ele me olhou com preocupação e surpreso. Sempre a mesma carinha inocente de antes, parece que salvar ele vai virar rotina.

Butters: V-Violet?! Você me salvou de novo! Você ta bem?! – Ele me pergunta preocupado. Sinceramente, a batida dos meus joelhos no chão com a pressão do corpo do menino sobre mim já tinha passado. O que me incomodava era a situação um tanto constrangedora que havia me submetido logo de cara.

Eu estava ajoelhada no chão, com Butters deitado com seu dorso inteiro em cima de mim, uma puta de uma multidão de pré-adolescentes e crianças a nossa volta e os amigos dele me olhando como se eu fosse um bicho de zoológico. Um fato curioso sobre mim, quando eu me encontro em algumas situações vergonhosas ou que não deveria dar risada, eu dou risada. E eu comecei a rir tentando me controlar, meu riso saiu fofo, mas eu estava meio envergonhada. Para não perder a postura resolvi brincar com a situação, afinal tem como piorar?

Violet: Vou ficar melhor se abaixar minha saia Leo. – Sorrio maliciosa voltando a rir. Ele cora como um pimentão e se afasta. Ele nem tinha percebido que as mãos dele estavam sobre as minhas coxas, levantando a minha saia e mostrando a renda da minha meia calça. Ele se afastou tanto que bateu a cabeça no armário e isso só me fez rir mais. Me levanto, não tinha me molhado, ainda bem, arrumo minhas vestes indo até ele e estendendo a mão – Vem, eu te ajudo – Sorrio o mais gentil possível, ele estava vermelho demais e aparentemente meu comentário fez mais garotos corarem ao nosso redor.

Butters: Oh hamburguers... Me desculpe Violet, eu só te causo problemas... – Ele abaixa a cabeça e minha atenção se volta para ele. Eu toco o topo da cabeça dele suavemente.

Violet: Não precisa se preocupar, estou aqui para resolver os problemas que você causar e cuidar de você, lembra? – Sorrio para ele colocando as mãos no bolso, meu capuz tinha caído, mas perto do Butters não sentia necessidade de passar despercebida, gostava de ser eu mesma com ele.

Butters: O-Obrigado Vi... – Ele corou mas sorriu para mim. – Ah não! Seu fone... – Olho para meu fone de ouvido, ele tinha quebrado inteirinho. Olho um pouco decepcionada, mas taco ele no lixo.

Violet: Não tem problema, depois compro outro. Alias, te trouxe uma coisa. – Digo abrindo a mochila e pegando um fone branco de gatinho. – Se quiser pode usar é da Hello Kitty, comprei um da Kiromi preto para combinar. – Tiro um fone preto de gatinho também e coloco no pescoço, logo após colocar o da Hello Kitty no Butters.

Butters: Você me salva e ainda me dá presentes? Como que vou conseguir retribuir assim? – Ele olha admirando o fone, com um sorriso sincero no rosto.

Violet: Quem falou que você precisa retribuir qualquer coisa? Eu ia te dar ontem a noite antes de dormimos, mas acabei esquecendo. Aliás, se quiser dormir comigo de novo, minha cama pode ser seu refúgio quando precisar. – Sorrio inocente, mas eu sei muito bem que essa frase deu a entender muito errado, todos coraram envolta e eu ri suavemente.

Butters: E-eu acho que vou dormir em casa hoje...Charlotte deve estar preocupada, não falo com ela há 2 dias. – Ele diz sorrindo timidamente. Mal sabe ele que está dando a entender errado, como se fosse a amante dele. Eu observo de canto as reações das pessoas ficando chocadas e eu só consigo conter o riso.

Violet: Liga para ela no intervalo, ela pode esperar mais umas horinhas. Ah é! Você não vai me apresentar aos seus amigos? – Digo com um sorriso gentil a ele e me virando para os amigos dele que olhavam tudo chocados.

Butters: Ah sim! Pessoal essa é minha prima... – Eu interrompo ele suavemente me curvando gentilmente como um princesa.

Violet: Violet Evergarden, ao seu dispor, é um prazer conhece-los. – Eu adorava me apresentar assim, bons modos que cultivei dos meus pais e da classe alta em que eu vivia. Como Butters presumiu, o primeiro a se mover foi Clyde, ele não perdeu tempo e logo tomou minha mão para si, beijando-a em cumprimento. Senti um desconforto, não por não gostar do garoto, o coitado não tinha culpa. Foi minha imaginação que me enganou, pois naquele exato momento meu coração desejou que fosse Mysterion a me cumprimentar assim, por um segundo pensei “e se for ele...?”. Meu coração apertou, mas não demonstrei nada além de um olhar gentil.

Clyde: Sou Clyde Donovan senhorita, é um prazer conhece-la. – Olhar galanteador do garoto me surpreendeu, mas ao olhar seu sorriso meu coração se acalmou. “Não é ele, não é o sorriso dele”, pensei comigo mesma. Só retribui, sorrindo gentil e esperei para que os outros se apresentassem, ou que Butters o fizesse, “Será que algum deles é ele?” por algum motivo isso tomou conta dos meus pensamentos.

Butters: É esse é o Clyde... – Ele olhou feio para o garoto, mas prosseguiu. – Temos o Craig e o Tweek... – Os dois me acenaram com a cabeça, o loiro bagunçado da cafeteria me olhou tímido e eu sorri inocente.

Ele era tão fácil de ler, estava envergonhado ainda com a situação e cada palavra e ato aqui só reforçava aquele pensamento, que eu tinha certeza que ele tinha, de que eu e Leo éramos um casal, ou alguma besteira similar. O de azul, Craig, ao seu lado presumi que me analisava, com um olhar frio e calculista. “Não são eles”. Não conseguia compreender o porque eu estava buscando Mysterion nesses meninos...

Butters: E ainda no time do Craig temos o Jimmy...

Jimmy: O-Olá – Ele sorriu para mim, o menino de muletas, Fastpass. Foi fácil deduzir, ele tinha um sorriso torto, mas parecia tão gentil, acenei alegremente para ele.

Butters: E por fim, o Token Black – Esse nome me era familiar, mas me propus a questionar.

Violet: Black? Familia Black, me é familiar...

Token: Achei que não iria se lembrar, Rosa selvagem. – Odeio esse apelido, era como me chamavam nas festas de gala. Era só Rosa no começo, por causa do meu nome ser de uma flor, mas conforme fui crescendo e me recusando a valsar com os filhos dos ricos, me apelidaram de Rosa Selvagem.

Violet: Por gentileza, poderia não se referir a mim desta forma? Foi um apelido dado por garotos mesquinhos, porque foram recusados por mim. Eu realmente odeio esse apelido... – Desvio o olhar em descontentamento, Butters me olha preocupado e confuso.

Butters: Vocês se conhecem?...

Violet: Familia Black possui certo status social e já foi convidada para as festas que meus pais costumavam organizar há muitos anos atrás... Mas não somos muito próximos. – Explico e viro para o Token – Fico satisfeita em ver que continuam prosperando. – Conversa de alta sociedade, um saco.

Token: Ah, sim... perdão pelo apelido, Violet. – Ele se redime e eu suspiro frustrada, mas não deixo isso me afetar. Pelo Butters, eu iria passar essa.

Violet: Sem problemas, espero que possamos nos dar bem. – Sorrio gentil e vejo o rosto dele corar levemente e retribuir o sorriso.

Butters: Okay... Temos agora o time do Stan...

Stan: Stan Marsh, prazer em te conhecer... – Ele me olhava fixamente, parecia meio estranho, também estava corado e meio imóvel. Acenei com a cabeça gentilmente ainda sorrindo e Butters prosseguiu.

Butters: Esse é o Kyle, ele é judeu, mas é gente boa.

Kyle: O-oi... – Ele parecia bem tímido, é o garoto de chapéu verde que eu ganhei nas semi finais. Aproveito pra tirar uma com ele.

Violet: Ah eu lembro de você, perdeu nas semi pra mim. Foi um ótimo jogo. Lamento ter saído apressada – Dou um leve riso, mas a reação dele foi diferente da que eu imaginei.

Kyle: Você joga muito bem... – Ele dizia com um olhar apaixonado, o rosto dele era bem parecido com o Mysterion “Talvez...?”. Censuro meus pensamentos e sorrio. “Pare de procurar ele Violet”, foi o que minha consciência me disse.

Violet: Obrigada, jogava muito com meu irmão, é apenas prática. – Tento ser humilde e ele suspira, mais um admirador? Dou uma risadinha leve e espero Butters apresentar o restante.

Butters: E por fim, Cartman e Kenny. – Ele aponta para o gordo e para o garoto de laranja que só observava tudo em silêncio.

Cartman: Você é a piranha que tirou o meu prêmio?! Tava usando Hack né ?! – Que moleque desagradável. Olho com indiferença para ele.

Violet: Não, apenas foi fácil demais vencer você. Você é horrível naquele jogo, é novato eu presumo... – Eu precisava debochar, não consegui me segurar. Eu ouvi o Kyle rir e isso me deu mais confiança.

Cartman: Sua piranha! Você roubou! – Ele parecia puto e isso me fez ainda mais satisfeita.

Violet: Roubar? Em um videogame que nem era meu? Em um campeonato que eu só quis participar por diversão? Você é meio perturbado, além de obeso tem algum distúrbio mental ou algo assim? – Os meninos começaram a rir e o gordo ficou ainda mais puto.

Cartman: VÃO SE FUDER PORRA! – Ele saiu estressado e eu só conseguia rir.

Violet: Seu amigo é bem estressadinho. – Comentei com o garoto de casaco laranja, ele me olhou e murmurou algo como “Ele é um gordo imbecil” acabei rindo novamente e olhei para ele concordando – Realmente ele é. – Ele parece ter se surpreendido, era meio difícil entender o que ele falava mas eu sorri para ele gentil. – Enfim, Leo, pode me mostrar a escola? – Volto para o lado de Butters sorrindo animada.

Butters: Isso é coisa de representante, a Wendy vai te mostrar a escola. – Ele diz descontraído e eu me aproximo do loiro, segurando o braço dele com carinho.

Violet: Queria mesmo saber o porque você me evita... – Olho com carinha de cachorro pidão e ele começa a corar.

Butters: N-Não estou te evitando Vi! Mas a Wendy não vai ficar nada feliz se eu fizer o trabalho dela...

Violet: Se ela não ficar feliz problema dela, quero que VOCÊ me apresente a escola, por favorzinho Leo... – Toco no queixo dele e vejo os amigos dele ficarem sem reação. Ele suspira e se afasta.

Butters: Tá bom... Vamos então, mas não precisa ficar tão perto também... – Eu fico surpresa mas dou risada.

Violet: Que estranho, essa noite você me queria abraçada com você, porque está tão tímido agora? – Eu o provoco e ele fica super sem graça.

Butters: Violet! E-eu... – Ele tenta falar, mas nada sai.

Violet: Eu to brincando... Poxa você é tão sério! Anda me leva logo pra conhecer a escola, antes que a aula comece... – Aceno um adeus aos amigos dele que estavam incrédulos e Butters começa a andar pela escola me apresentando cada lugar.

POV MENINOS ON

Butters acompanhou Katy até a escola, ele se sentiu um rei dentro do grande carro chique dos Evergarden, ainda mais andando de motorista. Quando eles chegaram, o time do Craig tinha acabado de chegar, e ao verem Butters descendo de um carro tão chique foram correndo atrás dele.

Token: Ficou rico é Butters?

Craig: Carrão maneiro... De quem é?

Butters: Oi pessoal! O carro é dos meus primos, eles se mudaram recentemente pra cidade – Ele acena para Katy que entrava para dentro da escola.

Clyde: É daquela menina do parque né?!

Butters: Também, ela e a Katy usam para vir para escola, mas a Vi teve que fazer algo antes de vir, ela vai me mandar mensagem quando estiver chegando. – Ele checa o celular. Sem mensagens. – Vamos entrar? – Eles seguem Butters para dentro ainda curiosos.

Token: Mas os pais dela são o que? Advogados, empresários...?

Craig: Cafetões... – Tweek da uma cotovelada em Craig – Ai, que foi?...

Butters: Ah... Eles são órfãos é a Vi e o irmão que bancam a casa pelo o que eu entendi. Violet é uma cantora e seu irmão compositor. – Ele sorri arrumando o armário.

Clyde: Bem que tinha achado o cabelo dela bem diferente, ela deve ser famosa! Ela é tão bonita... – Ele diz com uma voz tremula parecia que ia chorar.

Stan: Quem é bonita? – Stan, Kyle, Eric e Kenny se aproximam deles.

Clyde: Não te interessa bundão! Você já tem namorada e eu vi ela primeiro! – Clyde fica irritado de repente.

Butters: Ela mal chegou ainda, se acalmem...

Kyle: Ela quem?

Tweek: A garota nova... Ah! A amiga do Butters Ah!

Craig: Clyde só fala dela tem uns 2 dias....

Clyde: Butters, vocês estão juntos? – Ele pergunta para o Butters pressionando-o contra o armário. – Você namora aquela canadense, o que diabos estava fazendo com uma gata tão linda abraçada em você?!

Butters: E-eu... – ele fica envergonhado.

Cartman: De quem vocês tão falando porra?

Token: Da garota nova rica que tá bancando luxos pro Butters!

Butters: E-ela não me banca! Vi é minha amiga!

Kenny: *murmurando* A garota do vídeo game?

Clyde: Ela mesmo! Além de gatinha é rica! Butters fala logo! Você não tá com ela e a Charlotte ao mesmo tempo! Isso seria contra as leis da natureza!

Butters: Não! A Vi só... – Ele ouve o celular tocar e olha animado.- Ela chegou!

Clyde: ME APRESENTA ELA!!! – Clyde tenta segurar Butters, mas ele sai correndo procurando Violet, os garotos ficam curiosos e seguem ele.

Butters: VIOLET! – Ele grita para uma garota linda de saia branca e blusa lilás, ela parecia até um anjo.

Eles ficam ainda mais surpresos quando ela o salva com agilidade de bater a cara no chão, ela o trata com tanta gentileza que Clyde sente que ia chorar. Os meninos ficam perplexos, era a menina do videogame e ela parecia ser bem intima do Butters, ao decorrer da conversa eles descobrem que eles dormiram juntos, o que causa espanto e suspeita, Tweek não sabia onde enfiar a cara, sua teoria de que Butters estava traindo Charlotte com Violet e que eles estavam aprontando juntos estava mais que confirmada para ele, Kenny estava bem surpreso por Butters ter dormido com alguma garota. Todos estavam chocados, tanto pela intimidade que Butters compartilhava com aquela garota, quanto pelo fato de ser uma garota linda dando atenção ao Butters!

Quando eles finalmente saem para Butters mostrar a escola a Violet os meninos começam a comentar.

Kyle: Mas como?!...

Clyde: Exatamente! Não é possível! Ela é bonita demais para ele!

Craig: Cara ela é bonita demais para qualquer cara dessa escola. – Ele ri debochado

Tweek: Eles estão juntos! AH! Eles foram na cafeteria outro dia, os olhares que eles trocaram AH! Nem eu e o Craig trocamos aquele tipo de olhar! AH!

Stan: Nem fudendo, a garota parece uma modelo, porque ela se interessaria por ele?!

Token: Butters disse que ela é prima dele. Eu nunca vi a Rosa Selvagem desse jeito...

Jimmy: Q-Q-que merda de a-a-apelido é esse? Ela n-n-não gostou n-nem um p-po-pouco.

Token: Foi um apelido que ela ganhou dos filhos dos ricos. Nos bailes da alta sociedade, a partir dos 10 anos as garotas já dançam com os filhos de outros ricos. É como eles escolhem quem vai se casar com quem praticamente. Mas Violet nunca dançou com ninguém, era uma afronta na visão da alta sociedade e o apelido de Rosa que ela já tinha virou Rosa Selvagem, a garota que nunca teve o coração domado.

Kyle: Caramba... Ela é mesmo demais... – Ele falava com um olhar apaixonado.

Stan: Qual é cara, a última vez que você olhou assim para alguém a cidade inteira ficou armada, deu mó merda.

Craig: É né? Deixa a Wendy saber que você olhou pra coxa da novata.

Tweek: Todos olharam Ah! Não tinha nem como e olha que somos gays AH!

Jimmy: E-Ela é lin-linda demais

Clyde: TIREM O OLHO SEUS FURA OLHO! Eu vi ela no parque primeiro!

Token: Vai ter que tirar ela do Butters cara.

Kenny: *murmurando* Acho que eles não estão juntos...

Cartman: Que porra vocês estão falando ainda?! Vamos pra sala – Ele voltou com um saco de batata chips.

Os garotos concordam e seguem para sala. Antes da aula começar Violet volta com Butters rindo e conversando como eles geralmente faziam.

POV MENINOS Off

Sigo o Butters até a carteira dele e me sento logo atrás, observando-o arrumar os livros satisfeita de estar perto dele, nem me importava de estar sem capuz, ou com os constantes olhares na nossa direção, eu só encostei a cabeça em minha mão e observei a inocência do meu primo. Isso, até uma garota de boina se aproximar da minha carteira, roubando minha atenção por um momento.

Wendy: Oi, você é a garota nova né? Meu nome é Wendy, sou a representante da classe, posso te mostrar a escola se quiser. – Ele acena e sorri para mim.

Violet: Olá, Wendy, meu nome é Violet, prazer em conhece-lá. O Butters já me apresentou a escola, eu pedi esse favor a ele. Espero que não se incomode. – Sorrio gentil, então essa era a Wendy, tinha um ar de sabichona, mas eu bem queria ter uma amiga, porém vejo o desconforto da garota em saber que alguém já fez o trabalho dela.

Wendy: Ah... – Ele olhava desconfiada para nós, eu acaricio levemente os cabelos do loiro na frente dela, era como se eu insinuasse que estávamos juntos. Ela cora, hoje estou mesmo me divertindo. – E- eu não sabia que ele tinha terminado com a Charlotte... – Ela diz baixinho e eu dou uma leve risadinha.

Violet: Ele não terminou... – Respondo em um sussurro de volta para ela. Ela parece chocada, que belo dia para causar confusão haha. Eu sei, parece maldade, mas poxa era tão divertido!

O professor entra na sala e Wendy vai para seu lugar, um tanto constrangida. Sou intimada a me apresentar para a sala toda e faço a mesma apresentação, Kyle e Clyde me olhavam com coraçõezinhos em seus olhos. “Como eu queria que ele me olhasse assim...” retiro os pensamentos da minha cabeça e volto para o meu lugar, Butters sorri para mim me dando um pouco de confiança.

A aula passa tranquila, era uma matéria que eu já sabia, não tinha perdido muita coisa. Isso era bom, significava que não precisava me preocupar, tecnicamente eu estava bem mais avançada na matéria que essa turma, porém se desse indicações disso, poderiam me transferir para outra classe ou ano diferente. Como queria estar por perto e proteger Butters precisava ter cuidado e disfarçar.

Eu olhava para o professor, mas minha cabeça estava focada no Mysterion, me perguntava quem ele poderia ser e sempre que eu pensava nele meu coração errava uma batida, cada vez mais forte. Eu sei que eu estava me apaixonando, quanto mais você pensa em alguém mais se apaixona por aquela pessoa, eu sei!

Eu me forcei a prestar atenção em outra coisa, mas se eu olhasse a janela, qualquer telhado me lembrava ele. Se olhava para o professor, o quadro verde me lembrava do ponto de interrogação nas vestes dele. Se olhava para meus colegas de classe, só conseguia me perguntar “Qual deles?”. Eu juro, estava enlouquecendo, mas quando me dei conta as aulas finalmente tinham acabado, abrindo espaço para o intervalo.

Cutuco Butters, lembrando-me que não havia feito lanches para nós e, portanto, seriamos obrigados a comprar algo na cantina.

Violet: Está com fome? Vamos comer algo na cantina, eu pago. – Falo um pouco distraída, mas ele sorri e concorda se levantando e eu vou atrás dele, com meu livro de romance em mãos.

Eu sabia que ele passaria uma parte do intervalo falando com Charlotte e para dar privacidade eu iria ler após lanchar. Vamos para cantina, encontrando os meninos Stan, Kyle, Eric e Kenny na fila. Uma garotinha falava com Kenny e ao lado da menina Katy estava observando tudo. Resolvo chamá-la para entregar o dinheiro do lanche e aquele bilhete do prêmio.

Violet: Katy – Me aproximo com um sorriso gentil.

Katy: Ah! Vi. Aqui, conheça a Karen McCormick ela é a minha amiga que eu te falei! – A garotinha de vestido verde olha para mim, ela era tão fofa quanto Katy, com a mesma cor dos cabelos do Jhonny.

Violet: Senhorita McCormick, é um prazer conhece-la – Digo me ajoelhando e cumprimentando-a como se ela fosse uma princesa. – Então você é a garotinha adorável que está fazendo os dias da minha Katy mais felizes? – Sorrio gentil e ela concorda tímida com a cabeça.

Katy: Vi, porque você é sempre tão exagerada... Desculpe Karen, minha irmã é meio doida. – Ela revira os olhos.

Violet: Sou mesmo, maluquinha, mas não se preocupe. Pode contar comigo para o que quiser, minha mais nova princesa. – Digo confiante – Você tem irmãs? – Pergunto gentil.

Karen: Tenho 2 irmãos... O Kevin e o Kenny... – Ela aponta para o garoto e laranja que observava tudo curioso.

Violet: Ótimo, agora você tem a Katy como irmã e a mim, aqui toma. – Dou dinheiro para Katy e Karen – Princesas precisam comer bem, então por favor aceitem minhas irmãzinhas fofas. – Digo sorrindo animada, e as duas se olham e sorriem.

Katy: Valeu, Vi. Ta vendo? Ela é doida, mas tudo o que você precisar pode falar com a Violet, não há nada que ela não faça pela gente. É a melhor irmã do mundo!

Karen: Obrigada Violet... – Ela diz tímida.

Violet: Imagina! Ah, Katy, aqui é um passe para pegar doces na loja da cidade, pode pegar quantos você e a Karenzinha quiserem. – Sorrio gentil enquanto elas comemoram e agradecem indo para a fila comprar a comida – Espero que não se importe, quero muito que Katy tenha uma amiga. Sua irmã parece ser adorável Kenny. – Digo olhando para o garoto de vestes laranjas diretamente.

Kenny: *murmurando* Sem problemas... Karen é uma boa irmãzinha... Obrigado por ser tão generosa com ela... – Ele parecia surpreso.

Violet: Não tem de que, quero que elas sejam boas amigas. Sua mãe deixaria Karen ficar lá em casa? – Pergunto sem rodeios, quanto mais tempo elas passarem juntas mais amigas serão. – Guinevere pode cuidar delas, Karen pode passar uma noite lá em casa... Se seus pais deixarem.

Kenny: *murmurando* Não sei... acho que sim, mas porquê? – Ele era desconfiado, começo a pegar a merenda ao lado dele.

Violet: Katy não tem amigas. As que ela tinha eram interessadas apenas em dinheiro. Quero que ela tenha uma amizade verdadeira... Espero que sua irmã e a minha sejam boas amigas... – Sorrio gentil para ele, enquanto pegamos nossos lanches.

Kenny: *murmurando* Entendi, acho que se falar com eles tudo bem.

Violet: Perfeito. – Olho para o caixa – Vou deixar pago o meu e do loirinho ali – Aponto para o Butters e pago o meu e o dele. – Até mais Ken. – Dei um apelido para ele até bem rápido eu acho, vou para uma mesa e logo Butters vem atrás já no telefone falando com Charlotte.

Não quis ser intrometida, então comi o mais breve que pude e saí do refeitório acenando para Butters. Busquei uma sala vazia, uma sala de música para poder relaxar e ler até o intervalo acabar.

Sobre minhas preferências em leituras, gostava muito de ficção, mas recentemente histórias de Dark Romance, enimies to lovers ou similares estavam me fascinando. Com uma identidade falsa, comprei esse livro na livraria da Flórida, cheia de histórias eróticas, eu só sorria maliciosa a cada parte mais “quente” do livro. Como qualquer adolescente, estava com os hormônios a flor da pele e tinha costume de ler esses tipos de livros ou mangás mais adultos no privado. Meio pervertido né? Era um charminho meu rs. O problema foi quando comecei a imaginar eu e o herói em algumas partes, na verdade ansiava só pela visão dele, o mero feito de observa-lo de longe era o que eu precisava.

Queria vê-lo, estava determinada a procurar por ele essa noite, para buscar alento em meus pensamentos sobre ele. No fundo, torcia para que essa minha perturbação se esvaísse quando olhasse para aquele sorriso enigmático mais uma vez.

Ouço o sinal tocar e volto para a sala tranquilamente, sabendo que mais aulas entediantes estariam por vir. Quando finalmente somos liberados, levo Katy para casa em seu dia “sem tarefas extra curriculares”, enquanto ela insistia na ideia da Karen passar a noite conosco. Eu amava a ideia, mas Guinevere estava doente e não poderia olhar as meninas adequadamente. Outro problema seria o fato de eu não ter conseguido sair como Ladynoir noite passada, estava ficando ansiosa, queria sentir a brisa do vento no meu rosto novamente e ver ele.

Convenço Katy de que se Guinevere melhorasse, Karen poderia vir brincar em casa e a pequena concorda. Ao adentrarmos a casa noto Jhonny estressado no telefone, peço para Katy subir e fazer o dever de casa, enquanto vou até ele calmamente.

Violet: Jhonny?... – Pergunto hesitante. Ele levanta um dedo para mim e concorda com a pessoa da outra linha guardando o celular impacientemente.

Jhonny: Eles querem que apresentemos algumas músicas de amor a prefeita da cidade, para o dia dos namorados. Você que assinou essa merda né? Bem tua cara mesmo. – Ele me olha com desgosto.

Violet: 5 milhões em uma única noite de apresentação no dia dos namorados, foi o que a prefeita prometeu. – Digo ríspida.

Jhonny: Até que a grana vale a pena. Vou separar as músicas e te mando no celular. Pratica essa merda, você é péssima com músicas românticas. – Ele diz saindo da sala.

Violet: Não vai jantar? – Pergunto meio receosa.

Jhonny: Não, tenho que trabalhar, já pedi uma pizza. – Ele diz se afastando em direção ao quarto e eu suspiro.

Por um lado, ele tinha razão, eu era péssima em interpretar o amor. Sento no sofá suspirando. Eu era uma garota com um coração até então partido, que nunca tinha sentido de fato o amor, aliás o que qualquer pessoa com 15 anos sabe sobre o amor? O único tipo de amor que eu conheci era triste, frio, indiferente e não confiável. O que eu sabia de amor era sobre não deixar se apaixonar e se acontecesse não revelar para não sofrer. Nada saudável, mas eficiente.

Mas, agora eu me sentia um pouco diferente. Estava desenvolvendo sentimentos por Mysterion e embora tenhamos nos visto uma única vez, só a mera visão dele na minha mente fazia meu coração sentir aquele calor que era descrito nos livros e frases que eu sempre lia, mas não conseguia compreender. A ideia de ver ele novamente faz meu estomago virar, talvez seja aquelas “borboletas na barriga” que tanto falam. Talvez, se eu conseguisse ver ele mais uma vez, eu pudesse interpretar melhor o amor e fazer uma apresentação mais decente. Ou talvez eu só esteja arrumando desculpas para vê-lo.

O início da noite foi tranquilo, ajudei a Katy na lição de casa, verifiquei a senhora Guinevere que dormia tranquilamente em seus aposentos e resolvi fazer o jantar. Katy ficou feliz ao ver mac’n’cheese que ela tanto adorava como prato principal, eu cozinhava bem, ainda que não tivesse tempo o suficiente para isso. Após jantarmos e colocar Katy para dormir, fui para o meu quarto para virar Ladynoir, ansiosa para rever o herói, saí pulando pelos telhados de South Park, me escondendo na escuridão a sua procura.

Demorou um pouco até vê-lo na rua principal, salvando um casal de um assalto, eram dois caras armados apenas com facas pequenas e ele os derrotou facilmente. Me escondi atrás de um banner no alto para observa-lo, o sorriso dele ao receber um “Obrigado” por seu feito heroico, isso fazia meu coração derreter! Observando-o com cautela eu o segui de longe, me aproximando um pouco mais apenas quando ele parava para olhar o movimento da cidade ou para salvar alguém.

Era meio invasivo da minha parte, mas tirei algumas fotos dele com zoom para poder rever depois. Ele era tão lindo e adorável! Eu parecia uma verdadeira stalker na cola dele, observei ele até quando ele parou para beber água perto da quadra de esportes na praça. Eu cheguei perto atrás de uma árvore escondida pelas sombras, mas um gato miando assustado com a minha presença me denunciou. Mysterion olhou na minha direção e eu me escondi em silêncio. Ouvi ele se aproximar da árvore e já comecei a pensar nas melhores desculpas que eu poderia dar, para que não parecesse uma stalker louca. De repente algo como um walkie talkie toca no cinto dele e ele atende.

Coon (voz): Mysterion! Cadê você?! Capturamos o Caos, vem pra base, vamos decidir o que fazer com ele.

Mysterion: Estou indo. – Ele disse em um tom sério e hesitante.

Meu coração acelerou, mas em uma mistura de raiva, preocupação e ansiedade por ouvir a voz dele. Professor Caos, meu primo, estava nas mãos dos heróis. Eu ouço Mysterion se afastar, verificando sua ausência e ligando o GPS do Butters no meu celular. Ele estava na casa dos Blacks de novo, naquela base de heróis da qual eu o tinha salvo a última vez. Segui para a mansão vagarosamente pelas sombras para não ser vista, usando minha capa preta e minhas habilidades furtivas para me esgueirar até um arbusto mais próximo do muro. O alarme do jardim estava desligado e não havia seguranças ali, achei estranho, mas me aproximei para verificar a janela.

Me abaixei no chão para ver e ouvir melhor, lá estavam todos os heróis reunidos em volta do Butters em sua fantasia de Professor Caos, preso por cordas na cadeira. Um garoto com ferramentas se aproximou dele, era o Toolshed, conforme Caos tinha descrito, quem questionava em um tom sério.

Toolshed: Como você fugiu da prisão do Coon?

Tuppaware: E porque só agora? – Tolken Black vestido naquela fantasia de pote parecia curioso, tentando tirar informações da fuga do Butters.

Professor Caos: Nunca direi a verdade. O que importa é que eu escapei! – Ele disse durão levando um balde de água na cara, que presumi que deveria estar bem fria, pois o garoto se tremeu todo.

Coon: Não fod@ a brincadeira Caos, porra! Você é o vilão, tem que ficar preso até decidirmos que pode sair. – Ele segurava o balde apontando para Butters, parecia irritado.

Professor Caos: Não preciso... Não mais... – Ele deu um sorriso enigmático e malicioso, ele era excelente como Professor Caos agindo daquela forma, senti até orgulho!

Human Kite: Responde a pergunta do Toolshed, como você fugiu da prisão? – Human Kite, presumi pela pipa nas costas, ele cruzou os braços em frente ao Professor Caos seriamente.

Um silêncio se instaurou. Butters se mantinha firme ao nosso acordo, ele não diria nada aos Amigos da Liberdade. Mas ao mesmo tempo, meu coração apertava observando-o calado, molhado e preso em uma cadeira naquela base dos heróis. Um garoto de cadeira de rodas, se aproximou em silêncio tocando a própria cabeça em com um gesto, como se estivesse tentando ler a mente do Butters.

Mysterion: O alumínio do Caos não permite o Professor Timmothy de ler a mente dele. – A voz dele fazia meu coração acelerar, ele estava sério com os braços cruzados, tão bonito... Pena que estava do lado dos moleques que faziam mal ao meu doce primo.

Mosquito: Vamos pressiona-lo a dizer bzzz – O garoto disse se aproximando de Caos puxando o seu cabelo. Filho duma put@ estava machucando ele! Tive que me conter para não quebrar aquele vidro pequeno e descer a porrada nesse moleque.

Super Craig: Não parece que está funcionando... – Butters se mantinha quieto mesmo que seus olhos tivessem lágrimas.

Professor Caos: Eu nunca direi nada! – Ele fechou os olhos firme em seu ideal. Isso me deixava orgulhosa, mas ainda preocupada, me contive novamente, esperaria até o momento certo para resgata-lo, o momento em que todos saíssem de lá, para assim, levar meu primo em segurança para sua casa.

Fastpass: D-Deixa ele p-p-p-preso novamente. S-se ele escapar de n-novo a gente prende ele de-n-n-novo.

Tweek: A votação foi clara Ah! Coloquem o Caos na jaula, vamos ver se ele escapa de novo Ah! – Malditos...

Professor Caos: Se meus pais descobrirem que voltei tarde da noite vão me deixar de castigo, anda me deixem ir pessoal... – Ele pedia tão gentil, porque eram tão cruéis com ele?

Human Kite: Precisamos mesmo prender ele de novo...? – Ele pergunta, pelo menos alguém tinha alguma consideração pelo Butters.

Coon: Não fode Judeu do caralho! Foi decidido em votação essa porra! – Moloque insuportável, meu sangue fervia só de ouvir a voz do Eric.

Human Kite: Mysterion também não concordou com isso plenamente, né? — Ele olha para o amigo encapuzado que concorda. Mysterion, Butters defendeu você por um bom motivo. Meu coração se aquece por ele quando defende o Butters, mesmo que não tão ativamente quando eu gostaria.

Mysterion: Não vejo necessidade de ver o Caos atrás das grades, mas acho que ele deveria nos contar como escapou. Foi alguma ferramenta ou invenção nova? – Ele questiona Professor Caos diretamente.

Professor Caos: E-eu não posso dizer... – Ele desvia o olhar, Butters merecia um prêmio por sua resistência, estava durando mais do que previ.

Professor Timothy: Tirem tudo dele, ferramentas, telefone, tudo. Vamos ver se achamos algo que nos diga o que aconteceu. – Droga, se achassem o celular com as mensagens estaria tudo perdido.

Em desespero eu acionei remotamente do celular que tinha dado para Butters, bloqueando-o instantaneamente. Tuppaware e Super Craig viraram as vestes de cima pra baixo do vilão, mas só acharam o celular velho, o telefone dele normal, umas balas no bolso e uma arma de brinquedo.

Professor Caos: Ei, isso é meu Call Girl! – Ele exclamou preocupado quando Call Girl pegou o telefone velho e o normal dele. Ela era uma hacker, mas levaria tempo até ela descobrir que Professor Caos não trabalhava sozinho, tomei a liberdade de salvar o meu número com o nome “Darkness” no celular que dei a Butters. Todo o cuidado é pouco e rezo para ele não ter mudado o nome do contato.

Call Girl: Vou examinar o telefone para ver o que encontro... – Ela disse olhando o velho aparelho.

Coon: Um celular velho fudido desses? Mais fácil pedir a senha do celular do Butters mesmo.

Professor Caos mantinha um olhar nervoso sobre o celular velho e a garota já tinha sacado que tinha algo ali naquele telefone, Butters podia não dizer nada, mas seu nervosismo o condenava.

Call Girl: Professor Caos não para de olhar esse telefone antigo, sei que deve ter algo aqui... – Disse pensativa. Isso acaba de diminuir minhas chances de não ser descoberta pela metade, se ela fosse boa mesmo, estaremos fodidos.

Coon: Ah pronto, como se uma garota pudesse saber de qualquer coisa sobre interrogar prisioneiros? Leva tua namorada daqui porra! – Ele se vira para Toolshed.

Toolshed: Call Girl é boa em hackear, se tiver algo, ela vai achar. – Ele vai até a garota e dá apoio a ela. Que fofos... “Podia ser a gente, se você me quisesse...” Minha mente me traindo novamente com pensamentos fantasiosos sobre Mysterion, sinto uma pontada no coração ao lembrar que ele não me queria, não como eu o queria...

Professor Timothy: Todos para casa, Call Girl veja se consegue algo desse celular antigo. Professor Caos ficará aqui essa noite conforme votado. Reunião encerrada.

Percebo que eles deram fim a reunião e subo para o telhado para fugir da visão de qualquer um. Espero todos irem embora e depois espero os Black adormecerem, enquanto isso penso em como sairemos ilesos de lá. Olhando com mais cuidado percebo uma cabana pequena ao fundo da mansão que podia servir de apoio para sairmos sem soar nenhum alarme.

Quando a última luz se apagou já era 22h da noite, entro pelo duto de ventilação dessa vez, descendo devagar, abro a tampa sem fazer barulho e aterrisso sem problemas. Saco minha arma e ligo a lanterna embutida em direção ao Professor Caos na jaula.

Ladynoir: Caos? Tudo bem? – Observo ele na jaula apoiado na parede meio cabisbaixo, isso é claro até me ver.

Professor Caos: Lady?! O que faz aqui?! – Ele me olha surpreso e animado, o olhar de alívio dele acalenta a minha alma.

Ladynoir: Fala baixo bobinho, pode acordar alguém... – Dou uma risada suave enquanto pego meu abridor, dessa vez precisava abrir uns 3 cadeados.

Professor Caos: *sussurrando* Como me achou?! Eles tomaram o celular que você me deu... – Ele diz preocupado, enquanto eu abria os cadeados.

Ladynoir: Bom eu... – Não tinha uma desculpa formada. Eu iria dizer o que? “Tava seguindo o Mysterion porque sou doida por ele e aí eu ouvi falar que os amigos dele te capturaram” Não, isso estava fora de cogitação, mas poderia dizer uma meia verdade. – Estava patrulhando a cidade quando vi Super Craig e Wonder Tweek andando juntos vindo para cá, então decidi investigar. Fiquei surpresa de ver que tinham te capturado – Tento passar certa indiferença, para a história parecer mais realista. Abri os cadeados com maestria e ao abrir a jaula senti o abraço do vilão em mim.

Professor Caos: Oh hamburguês! Obrigado Lady, você é a melhor... – Os abraços dele eram os mais sinceros.

Ladynoir: Eu sempre vou te proteger... – Disse com uma voz suave, retribuindo o abraço carinhoso dele. – E sempre estarei aqui para te salvar. – Olho para ele carinhosa, era bom ver o sorriso dele por estar livre, acaricio seu rosto suavemente, enquanto sinto as mãos dele descerem minhas costas, se soltando de mim.

Professor Caos: Mesmo esquema de antes? – Ele pergunta se separando de mim.

Ladynoir: Tipo isso, não tive que desligar as câmeras nem o alarme dessa vez. Estranho... – Paro para pensar, mas deve ter sido só um esquecimento dos moradores. – Vem, se agarra em mim, vamos sair pelo duto de ar.

Professor Caos: O-Okay! – Ele segura na minha cintura e eu estico meu bastão.

Subimos pelo duto sem muitas dificuldades, o caminho estava liberado, aproveito para pularmos do telhado para a cabana e depois para fora da mansão. Levo Professor Caos até a casa dele em segurança.

Ladynoir: Pronto, em casa... agora se troque e vá para a cama. – Eu disse colocando-o para dentro enquanto me sentava na janela dele.

Professor Caos: Farei isso... – Ele pensa um pouco antes de continuar a falar – Acha que vão achar algo no telefone? – Essa era uma boa questão, mas na pior das hipóteses eles só saberiam que Caos tinha um cumplice e poderia ser qualquer um.

Ladynoir: Não sei, mas vou dar um jeito de nos comunicamos melhor. Um ponto eletrônico talvez – Custava dinheiro, mas talvez nos ajudasse se ficasse disfarçado de fone de ouvido ou algo similar. – Mas você precisa evitar ser capturado...

Professor Caos: Eu sei... Eles me pegaram no meu depósito.... – Ele diz um pouco chateado. – Acho que vou parar de preparar meu ataque, eles quase descobriram tudo.

Ladynoir: Não precisa parar de preparar, podemos atacar na próxima noite. Assim você se vinga e caso eles te capturem eu vou te salvando cada vez mais rápido. – Pisco para ele tentando dar segurança e leveza.

Professor Caos: Obrigado de novo Lady... – Ele me olha terno e eu devolvo olhar antes de me posicionar para partir.

Ladynoir: Até amanhã Caos, boa noite. – Pulo da janela dele em direção ao telhado da próxima casa e começo a correr pela noite.

Coloco meus fones sem fio e quando percebo estou pulando e saltando pela noite como há muito queria fazer. Feliz por salvar meu primo, satisfeita por ter visto Mysterion. Por só aquele momento deixo meus sentimentos falarem mais alto cantando e correndo pelos telhados desenfreada. Estava livre, me sentia feliz, nada mais importava. Arrisquei algumas acrobacias pela noite, a luz da lua refletia na minha pele e a brisa gélida da noite refrescava o meu rosto, eu amava essa sensação.

Assim que eu virei um mortal perfeito no telhado de uma loja vi fumaça há algumas quadras de distância. “Onde há fumaça há fogo.” pensei e sem hesitar muito, comecei a pular pelos telhados em direção ao possível incêndio. Minhas suspeitas se confirmaram, um prédio residencial estava pegando fogo, observei escondida de cima de um banner.

Os bombeiros pareciam hesitar para entrar, alegando que quase todos tinham saído já. Um homem de meia idade gritava que os filhos ainda estavam no quarto possivelmente presos, logo em seguida, um grito de socorro de uma garotinha foi ouvido. “Quinto andar.”, minha audição me indicava de onde vinha o grito e novamente meu corpo se mexeu sozinho.
Enrolada em minha capa preta adentrei pela janela do prédio em chamas. Pude ouvir as pessoas gritarem dizendo que algo tinha quebrado a janela e entrado. Sabiam que eu estava ali, mas isso não importava. Coloco a capa sobre meu rosto e sigo procurando da onde vinha voz. Era de um apartamento logo no final do corredor.

Ladynoir: Tem alguém ai?! – Grito em direção da porta tentando ouvir, olho preocupada, o caminho por onde entrei estava em chamas.

“Socorro, a gente tá aqui!” uma voz de um garoto grita. Abro a porta com um chute pois ela estava quente demais. Vejo 3 crianças, um garoto mais velho, um mais novo e uma garotinha pequena. Vou até eles preocupada.

Ladynoir: Vocês estão bem? – Digo olhando para eles e ao redor. – Eles balançam a cabeça positivamente, mas o ar começou a ficar denso pela fumaça. Vejo a escada de incêndio na janela trancada. Uso meu bastão minha capa para arrebentar o vidro e proteger as crianças para tira-las do prédio. A escada estava quebrada na parte de baixo. Só dava para subir e assim fizemos, até a cobertura.

Olho para baixo e assovio chamando a atenção dos bombeiros, eles prontamente preparam um colchão enorme de ar e eu estico meu bastão.

Ladynoir: Vamos precisar descer pelo bastão ok? — Olho para o garoto mais velho – Qual seu nome amigo? – Pergunto gentil tocando seu ombro.

Jake: J-jack... Quem é você?... – Ele pergunta um pouco assustado.

Ladynoir: Sou apenas uma amiga da vizinhança. – Pisco para ele, referência nerd uma hora dessas? Sim, porque não. Como Ladynoir podia ser ainda mais brincalhona! – Preciso que você segure firme o bastão para eu descer seus irmãos ok? Consegue fazer isso? – Ele acena um sim com a cabeça e eu passo o bastão para as mãos dele. – Vou levar a menorzinha primeiro, fiquem firme meninos!

Desço a pequena e subo agilmente com acrobacias para pegar o garotinho menor. Por último pego o garoto mais velho, a essa altura o fogo estava começando a diminuir devido ao trabalho dos bombeiros, descemos suavemente comprimindo o bastão.

Jack: O-obrigado... – Ele diz tímido mas sorrindo. Ele deveria ser um ano mais novo que eu talvez. Aceno com a cabeça e quando percebo os polícias se aproximando e os jornalistas eu subo rapidamente para o telhado fugindo dos olhares curiosos.

Isso não foi um bom jeito de se manter no anonimato, talvez minha decisão de ajudar aquela família arruinasse meu anonimato, mas sabia que tinha feito a coisa certa, salvar aquelas pessoas deixou meu coração quente de novo, dessa vez de orgulho de mim mesma.

Olho o meu celular, estava tarde e decido voltar para casa, me escondo em um beco e uso a escuridão para me disfarçar na noite até em casa. Hoje foi um daqueles dias que eu considerava produtivo, causei confusão, vi Mysterion agindo e sorrindo como eu gostava de ver e salvei meu primo e uma família. Estava satisfeita porém exausta quando arranquei a fantasia e me deitei vestindo apenas uma camisa larga e roupa íntima, estava tão cansada que apenas apaguei, sentindo a brisa da noite que entrava pela fresta aberta da janela.

Notas finais
O que será que acontece quando você junta Caos e Confusão? Eu vou te mostrar na próxima vez...