It's a Good Life

7 Capítulo 7 – Café


Notas iniciais
Mais um cap. para vocês que estão acompanhando, não esqueçam de deixar reviews, beeeijos ♥

Em menos de um mês eu já me encontrava ansiosa no portão de embarque do aeroporto, checava meus e-mails enquanto ouvia música e tentava inutilmente disfarçar minha ansiedade. Minha despedida no hospital foi simples, alguns abraços e alguns “boa sorte”, tenho quase certeza que ouvi alguns “garças a deus ela está indo embora” e outros “não achei que viveria para ver esse dia chegar”. Apesar de tudo eu estava feliz, eu estava fazendo algo bom para mim mesma, não tinha como não estar feliz e realizada.

Seis meses após minha mudança drástica (que passaram voando diga-se de passagem) eu já havia me adequado a minha nova rotina, agora eu era, juntamente com Pedro, a diretora do centro de pesquisa de Toronto. Sim, eu havia me mudado de cidade, país e até clima. Saí do meu país tropical e turbulento para um frio constante, calmo e aconchegante. Apesar de ser uma cidade grande, a vida aqui era ótima, tudo era calmo, as pessoas eram amigáveis e apesar de detestar o inverno, eu estava amando essa paisagem branca e gelada. Quando falei a minha equipe para onde eu ia, todos riram e falaram que combinava comigo e com a pedra de gelo que eu insistia chamar de coração. Na ocasião eu me senti extremamente ofendida, mas hoje enquanto esperava na fila do Starbucks, apenas ria internamente, pois me sentia mais viva e quente do que nunca, quente não no sentido erótico da palavra, mas quente por sentir meu coração batendo no peito livremente, sem dor alguma.

Enquanto pensava nessa merda sentimental, sim eu havia ficado um tanto sentimental após a mudança, peguei meu café e levei um susto enorme quando Pedro colocou a mão sobre meu ombro tentando me trazer de volta ao planeta. Após isso, eu estava inutilmente tentando limpar sua camisa branca que agora tinha uma coloração marrom devido ao fato que eu havia lhe dado um belo banho de café quente.

— Ai meu santo! Me desculpa. Puta merda, desculpa... – Enquanto falava, tentava pegar alguns guardanapos e tentava limpar sua camisa com a manga da minha, ele começou a rir, na verdade a gargalhar, e senhoras e senhores, que risada maravilhosa aquele homem tinha. Ele pegou meu braço, pediu outro café e me direcionou a uma mesa no fundo do local.

— Como uma médica tão boa pode ser tão desligada e desastrada? – Ele riu novamente e eu não consegui não sorrir junto com ele.

— Me desculpe, você me assustou. – Praticamente murmurei.

— Tudo bem. Eu realmente estava com um pouco de frio. – Ele falou dando de ombros e afastando um pouco a camisa do corpo.

Na maioria das vezes eu esquecia o fato de que eu era uma mulher e deveria me comportar mais como tal do que como a médica que faz o que tem que fazer não se importando onde ou quem é o paciente. Sentei-me ao seu lado, abri os botões da metade para baixo de sua camisa e observei seu tórax (super definido) que agora encontrava-se com uma coloração vermelha, coloquei minha mão sobre a vermelhidão para checar o quão quente e quanto ele havia se queimado, Pedro estremeceu com meu toque um tanto ousado, diga-se de passagem. Afinal, ainda estávamos no meio do Starbucks, apesar de que ninguém estava nos olhando ou parecia se importar com a situação.

— Você precisa trocar de camisa logo e passar uma água para não queimar mais, o café estava muito quente, isso pode piorar. – Apontei para sua barriga enquanto o encarava, suas bochechas assumiram um tom vermelho, um tanto fraco, mas como eu estava perto consegui perceber então me afastei um pouco e retirei a mão do seu tórax. – Desculpe eu...

— Acho que eu tenho uma camisa no hospital, obrigado. – Ele me encarou e sorriu novamente, não consegui não retribuir o sorriso. Mas que merda estava acontecendo comigo? Ele se levantou e estendeu a mão para mim que encarava o chão como se fosse a coisa mais interessante do mundo. – Vamos? – Ele perguntou.

— Va-Vamos. – Peguei sua mão totalmente sem jeito, com as bochechas pegando fogo, coração quase pulando do peito. Quando atravessamos as portas do café foi que percebi duas coisas: 1ª) eu havia me esquecido de pegar meu café, e consequentemente fiquei sem minha dose diária de cafeína; 2ª) eu havia atravessado o Starbucks de mãos dadas com ele, e eu só percebi isso pois tivemos que nos soltarmos para colocar as luvas.

Pedro fez a mesma constatação, sobre as nossas mãos, então novamente me olhou e sorriu, dessa vez eu sorri para ele também, um sorriso sincero. Eu me sentia uma adolescente e pela primeira vez, não sabia o que fazer e como fazer.

A primeira coisa que fiz quando cheguei ao hospital foi engolir a primeira coisa que tivesse cafeína, ressalto que quase tomei a jarra toda de café. Naquele momento o que eu estava precisando na verdade era algo com álcool, mas era um hospital então vai café mesmo. Era perto das 11h da manhã e desde que havíamos voltado do Starbucks eu não o havia visto e sinceramente, não sei se eu ia conseguir me manter em sã consciência se eu o visse novamente, ele e seu olhar penetrante, talvez meu coração pulasse do peito. E foi aí que eu percebi, ele mexia comigo, de verdade, um simples segurar de mãos quase acabou com a minha sanidade, eu estava quase fugindo dele pois não sabia como me portar perto dele, a verdade seja dita, Pedro sempre mexeu um pouco comigo, desde a época da faculdade. Pedro é aquele tipo de cara que qualquer garota fica idealizando, o cara dos sonhos. Ele é alto, bonito, charmoso, inteligente, educado, gentil, tem um sorriso de dar orgulho a qualquer dentista, um físico que daria inveja em qualquer instrutor de academia, sem falar no seu cabelo loiro e seus olhos verdes, eu morro de inveja daqueles olhos penetrantes já que os meus não passam de duas bolas amarronzadas (que ele insiste em dizer: “cor de mel”).

— Claire? – Era ele. O encarei com os olhos arregalados, eu havia acabado de levar o maior susto, por pouco quase enfartei. Ele começou a rir da minha cara de pavor – Em que mundo você está, garota? – Outra risada. – Paciente novo, divirta-se. – Me entregou a pasta com tudo, sorriu novamente, piscou e saiu, me deixando com uma cara de abobada mais do que o normal.

Com um grande pesar no coração fiz a minha última constatação da manhã: era o fim do mundo, Claire Landmark estava apaixonada.

Notas finais
História se encaminhando para o final :( Até o próximo capitulo!