It's The End Of The World
3 Essa é a Vida
Notas iniciais
Ok, eu não vou mentir. Eu estou desesperado. Mas também não é pra menos, não é?! Meu pai e a mãe da Annabeth estão em um prédio, sozinhos, provavelmente sem saber o que estava acontecendo aqui fora. E ainda tinha a Annie e minha mãe que estão simplesmente surtando.
– Luke, vem comigo! Mãe, vai para o banco do motorista, espera a gente aqui, entendeu? A gente volta logo! – Minha mãe somente assentiu com a cabeça enquanto se dirigia até lá e enxugava suas lágrimas numa falha tentativa de se tranquilizar.
Então eu me aproximei da Annie, a abracei e em meus braços ela começou a se acalmar.
– Hey Annie, a sua mãe vai ficar bem, entendeu? Eu vou trazer ela de volta pra você, vocês vão poder ir para o novo alojamento, juntas. Tudo vai dar certo, vocês vão ficar bem. – Eu lhe falei e aquela era a segunda tentativa de despedir-me dela num mesmo dia. Eu realmente não sabia se eu iria voltar, nunca se sabe o que pode acontecer num mundo como esse.
– Percy, não fala assim, por favor. Não fale como se nunca mais fosse me ver. Essa não é uma despedida, entendeu? – ela fala olhando em meus olhos – Você também vai ficar bem, nós vamos juntos pra esse acampamento e vamos ficar seguros.
– Annie...
– Percy, promete pra mim. Promete que você vai voltar pra mim. – ela implorou, com seus olhos marejados.
– Eu prometo Annie. Nem que seja a última coisa que eu faça na vida. – eu não estava mentindo para ela. Aquela era uma promessa que eu realmente me esforçaria para cumprir. Eu simplesmente não podia decepcioná-la. Dei-lhe um beijo em sua testa e sai correndo junto de Luke em direção ao prédio em que meu pai e Atena se encontravam. Então, quando eu já estava a certa distância do ônibus, parei e olhei uma última vez para seu rosto.
– E Annabeth! – ela me olhou — Eu te amo, nunca se esqueça disso! – gritei, e só pude ver, brevemente, um sorriso sincero se formando em seus lábios, antes de voltar a correr.
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–Luke, vamos fazer o seguinte, a gente intercala os ataques, enquanto um ataca, o outro cuida da retaguarda, beleza? E não se esquece, atirar só em último caso. – Nós estávamos em um beco que dava para a porta dos fundos do prédio. Havia alguns walkers por ali, mas essa era nossa melhor opção. A avenida principal, que dava para o hall do prédio, estava infestada deles. Seria impossível de nós dois passarmos por lá despercebidos. Iríamos chamar muita atenção.
– Beleza Percy. – Então, eu com um machado e Luke com um taco de baseball, que havíamos encontrado perdidos na rua, partimos para o ataque.
Enquanto eu lhe dava cobertura, Luke acertou um walker com um golpe certeiro na cabeça. Ah, uma coisa que me esqueci de mencionar. Por algum motivo, eles só caem mortos se forem acertados na cabeça, por um tiro, por uma pancada violenta... Annabeth me disse que isso acontecia por que a parte do cérebro que controla os nossos movimentos, voltava a funcionar de algum jeito. Eu não posso dizer nada, ela que é a Sabidinha.
Então, eu e Luke eliminamos todos os walkers daquele beco. Para a nossa sorte, a porta dos fundos não estava trancada, assim foi muito fácil de entrar. O escritório do meu pai ficava no quinto andar, já o de Atena, no oitavo. Então resolvemos nos separar, eu iria atrás de Atena já que era o único que sabia onde seu escritório ficava, enquanto ele ia atrás de meu pai.
O caminho até o escritório de Atena foi bem rápido. Como esperado, os elevadores não estavam funcionando, então fomos pelas escadas de emergência. Nós tomávamos todo o cuidado possível para não fazermos barulho, já que ainda não tínhamos a plena certeza de que o prédio estava livre daquelas pragas.
Quando cheguei ao oitavo andar, abri sorrateiramente a porta procurando por algum walker. O lugar estava vazio, nenhum ser vivo ou morto andava por aqueles corredores enormes. Encaminhei-me até a sala de Atena ainda sem baixar a guarda e entrei rapidamente.
– Percy! – Atena gritava comigo – Que droga! Tinha que entrar desse jeito? Eu tomei um baita susto, caramba!
– Pode, por favor, parar de gritar? – falei desesperado. Acho que falei alguma merda porque ela me fuzilou com os olhos, parecia que ela estava analisando cada pedaço de minha alma, aquilo me aterrorizou completamente.
– Como é que é, Perseu? – ela estava calma, calma demais... – Não fale comigo desse jeito, entendeu?! – engoli em seco e afirmei com a cabeça. Pigarreei e tomei coragem de falar com ela.
– Desculpa Dona Atena. Mas, por favor, fale baixo. Eu vim aqui buscar a senhora e meu pai. A cidade foi invadida pelos walkers, eu consegui um ônibus para nos levar até o alojamento, mas temos que sair daqui agora... A situação fica cada vez mais complicada. – falei enquanto a puxava para fora da sala e descíamos correndo as escadas.
– Percy, e minha filha? Annabeth está segura?
– Está sim, ela e seu marido já estão no ônibus junto com os outros. – chegamos ao térreo e encontramos meu pai e Luke nos esperando.
– Percy, meu filho! – meu pai correu e me abraçou. Rapidamente retribui o abraço, mas logo nos soltamos para podermos sair daquele lugar.
– Luke – chamei. Ele estava olhando por uma brecha, na porta que dava ao beco – você está vendo algum walker?
– Dois deles entraram no beco, Percy. Mas nada que nós não possamos lidar. – falou dando um sorriso convencido. – Hey Atena, tudo bem? – perguntou notando sua presença somente agora. Atena apenas acenou para ele, ela estava muito nervosa.
Assim, nós quatro entramos no beco, e Luke e eu cuidávamos dos walkers que apareciam em nosso caminho. Quando voltamos para a avenida principal, alguma coisa estava errada. Pouco tempo atrás ela estava completamente vazia e agora ela estava repleta de walkers, e a cada segundo, mais deles chegavam. Então, meu pai, Poseidon, se lembrou de um armazém que podíamos usar para cortamos caminho. Para a nossa sorte, as portas estavam destrancadas, então as abrimos e saímos correndo em direção ao outro lado, em direção à porta de saída.
Aí que começou a merda. Naquela porcaria de armazém tinha alguns walkers, não muitos, mas preferimos desviar deles, os contornando. Nós tivemos que subir uma escada para poder seguir pelo outro corredor. Na verdade eram três degraus, mas três degraus podem acabar com sua vida.
Estávamos correndo para chegarmos mais rápido no ponto de encontro, onde o ônibus estaria nos esperando. Era só seguir reto por aquele corredor e abrir a porta... Estaríamos livres... Mas então, em nosso caminho surgiu uma dezena de walkers que estavam impedindo o caminho até a saída. Rapidamente, desviamos para o outro corredor, só que nessa de virar com tudo, acabei não vendo a merda dos três degraus. Ok, parabéns Percy, você acaba de conseguir cair de uma escada de três degraus e pra piorar, acho que quebrou o pé.
– Percy! – Luke me chamou, preocupado – Tá tudo bem contigo?
– Não, acho que quebrei o pé Luke! – a cada segundo que passava, os walkers chegavam mais perto da gente.
– Vem Percy, se apoia em mim, eu te ajudo! – Luke se abaixou ao meu lado, passei meu braço por seu ombro e me levantei. Imediatamente, senti uma dor excruciante percorrendo toda a extensão da minha perna direita e soltei um grito. Meu pai e Atena já estavam na porta, e já tinham a aberto. Eles nos olhavam preocupados, e quando meu pai deu indícios de que voltaria para nos ajudar eu gritei.
– Pai, vai na frente com Atena! Leve-a até o ônibus, estaremos bem atrás de vocês! – meu pai muito hesitante concordou e seguiu com a mãe de Annabeth. Eu sabia que eu não conseguiria, não os atrasaria ainda mais e muito menos faria meu pai me ver sendo deixado para trás.
Eu e Luke tentávamos correr, mas meu pé não ajudava em nada. Quando nós chegamos à porta, os walkers estavam muito perto de nós, não daria para os dois chegarem com vida até o ônibus, eu já sabia disso.
– Luke, me deixa aqui – falei, fazendo-o parar bruscamente.
– Não Percy! Eu te ajudo! É só nós dois apertarmos o passo, qualquer coisa eu te carrego! – ele falou desesperado.
– Esquece Luke! Nós dois sabemos o que você tem que fazer! Você melhor do que ninguém sabe que não pode me carregar! E meu pé tá quebrado! Não sei nem como consegui chegar aqui!
– E-eu simplesmente não posso te deixar pra trás! – ele gritou – Você é meu melhor amigo!
– Luke, sai logo daqui! Por favor, não piora as coisas! Você sabe que isso não vai dar certo. Faz um favor pra mim, diz aos meus pais que eu os amo, entendeu? E diga para Thalia também. E cuide dela por mim, não ouse a magoar, senão não importa onde eu esteja, eu volto pra te pegar. – eu tentava me manter forte, mas era muito difícil.
– Pode deixar irmão – Luke falou, e era possível perceber a dor em sua voz. Então, ele pegou seu cartucho extra de balas, um que ele andava sempre e me entregou.
– Não Luke, fica com você. Eu não vou precisar mais do que uma bala.
– Eu não posso deixar você morrer sem tentar.
– Beleza – dei um meio sorriso – Agora vai, Luke. – falei o empurrando.
Ele olhou uma última vez para trás e começou a ir em direção a onde meu pai e Atena haviam ido. Então lembrei de algo.
– Luke! – gritei, fazendo-o parar e se virar pra mim – Diga a Annabeth que eu a amo, entendeu?! Conte tudo a ela! – Ele sabia muito bem sobre o que eu falava. Luke sempre foi meu melhor amigo, eu sempre lhe contava tudo. Era ele quem aguentava minhas lamentações sobre a Annie, quando ela aparecia com algum namorado novo, quando brigávamos ou quando eu tentava me declarar e no final acabava desistindo. Como me arrepende de não ter lhe falado antes o quanto eu a amava...
– Pode deixar Percy – ele falou com aquele sorriso brincalhão, o que sempre aparecia para me avacalhar, para tirar sarro de minha cara. E então ele voltou a correr, e desapareceu da minha vista. Agora era só eu e aqueles malditos walkers.
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