It's My Life

2 Primeiro dia da vida nova


Notas iniciais
espero que gostem.

Outubro de 2012, início das aulas na escola Maven Golden de ensino médio. Ainda estava em casa, me arrumando como uma garota normal para ir à escola, minha suposta tia me apressava, mas como dizem: a presa é inimiga da perfeição. Eu tinha que ficar perfeita para o primeiro dia de aula, surpreender todos como uma garota que viera de Nova Iorque pra morar com sua tia.

Quando desci as escadas, Rose, minha “tia” me observou como se nunca tivesse visto uma adolescente vestida para ir à escola.

– Você esta linda, Bonnie. — disse minha tia.

– Obrigado – eu realmente estava bonita, tenho que admitir.

Estava vestida com uma calça jeans escura, uma blusa regata preta, uma jaqueta de couro preta e curta e botas pretas de salto. Meu cabelo ruivo estava solto e encaracolado nas pontas. Meus olhos castanhos estavam delineados por lápis pretos e minha boca vermelha. Era assim que sempre me vestia.

Cheguei à cozinha, que era grande por sinal, e senti um cheiro de café com avelã vinda da cafeteira e dos bacons fritos que estavam em um prato de porcelana com flores desenhadas posto em cima da mesa de mármore. Fui em direção ao armário pegar uma xícara, depois peguei o café e fui me sentar em uma cadeira estofada e confortável.

Enquanto comia, Rose lia o jornal que havia sido entregue logo cedo na porta de casa. No começo me sentia desconfortável por ela fazer tudo por mim, mas passei três longos meses na casa dela que até parecia que morava ali há anos.

– Como você acha que vai ser a escola?

– Não pensei muito sobre isso.

– Eu acho que você deveria ter ido a lugares diferentes, e não só naquele café à noite e passar o dia todo trancada aqui em casa.

– Eu saia com você.

– Mas apenas pra me ajudar com as compras e foram duas vezes. Você deveria ter feito amigos pra não se sentir tão sozinha no primeiro dia.

– Não vou me sentir sozinha hoje Rose.

– Então termine seu café e vá logo, antes que você se atrase.

Tomei o ultimo gole de café, sorri para Rose me despedindo, peguei minha bolsa e sai. Quando entrei no meu carro, um Porsche Cayman preto, pensei em algo que não tinha pensado desde que vim para Mavenwoods, eu realmente me apeguei a essa senhora de 40 anos, que tinha o meu sobrenome e poderia ser minha tia. Liguei o carro e fui para a escola.

Quando parei o carro no estacionamento, todos que estavam no local me olharam desembarcar e ir até a porta da escola. O mesmo aconteceu nos corredores. Quando cheguei à secretaria da escola para pegar meu horário de aulas e a chave do meu armário, a moça que estava ajudando os alunos parou tudo o que estava fazendo, sorriu para mim e veio em minha direção.

– Você deve ser Bonnie Fields, sobrinha de Rose, certo?

– Sim, sou eu – respondi enquanto ela me entregava o horário das aulas e uma lista de atividades extraclasse para fazer no período da tarde.

– Estamos precisando de lideres de torcidas bonitas e talentosas, você já é bonita, então se tiver talento faça o teste.

– Ah, obrigado. Vou pensar nisso. – virei às costas e sai.

Assim que abri a porta esbarrei em uma garota loira, com o uniforme pink de torcedora, que ficou um pouco irritada por eu ter derrubado seus livros.

– Você é cega garota? – disse a loira

– Me desculpa, mas você que apareceu do nada. – respondi

– Quem você pensa que é pra falar assim comigo?

– Não me apresentei ainda, sou Bonnie Fields. – estendi a mão e falei com tom de ironia.

A garota ficou me olhando por um tempo, então baixei a mão e me virei para a moça do balcão e disse:

– Acho que vou fazer esse teste para as torcedoras.

Virei-me para a loira, sorri e sai andando como se nada tivesse acontecido. Enquanto me afastava pude ouvi-la xingando e bufando atrás de mim. Acho que alguém começou mal o ultimo ano.

Guardei minhas coisas no armário que me deram e fui para as aulas. A manhã toda passou como um borrão. Na hora do almoço peguei minha bandeja com o lanche e fui me sentar na grama. Quando estava comendo vi uma garota se aproximar.

Ela era baixinha com os cabelos pretos e os olhos verdes, usava um vestido florido e uma sandália baixa.

– Olá. – disse a menina – Meu nome é Sarah.

– Oi Sarah, eu sou... – ela me interrompeu.

– Bonnie Fields. – disse ela rapidamente – Ouvi você dizer para a Molly hoje cedo.

– Quer se sentar?- perguntei

A menina se sentou e ficamos sem dizer nada até o sinal do fim do almoço tocar. Quando me levantei, ela me acompanhou até a cantina, onde deixei minha bandeja.

– Qual é sua próxima aula?

– Tenho aula de química.

– Eu também. Quer ser minha parceira de laboratório?

– Claro. – respondi – Mas então Sarah, o que essa Molly é nas torcedoras?

– Molly Levine é a líder das torcedoras desde o primeiro ano, e nunca perdeu uma competição da qual a participou com a equipe. É também a mais popular da escola.

– Um orgulho para seu país e sua família.

– Você não devia provocá-la tanto assim, sabia?

– E por quê?

– Por que, até hoje quem entra numa briga com ela nunca se dá bem.

– Veremos então.

– O que você vai fazer?

– Fique comigo hoje Sarah e vera.

Entramos na sala de química e sentamos em uma bancada no fundo, fiquei observando os alunos chegarem, então Molly entrou acompanhada de um garoto, que reconheci na hora. Era ele, o menino que observei o verão todo.

– Quem é o garoto com ela?

– Aquele é Tyler Blonsson. Jogador de futebol americano, e como diria você, um orgulho para nosso país.

Eles se sentaram em nossa frente. Molly ficou me encarando e eu dei um sorriso irônico para ela.

– Acho que esse ano tem gente de mais nessa turma. – provocou ela.

– Ou cérebro de menos. – rebati. Sarah e Tyler riram.

– Garota você já ta me incomodando. Eu não te suporto.

– Como é aquele velho ditado: os incomodados que se retirem. A porta é logo ali.

Ela ia responder, mas o professor chegou e passou entregando os livros. A aula passou rápida e quando tocou o sinal para a saída peguei minhas coisas e me virei para Sarah.

– Que horas é o teste para as torcedoras?

– As 15h00min, por quê?

– Por que, eu preciso ir para casa e trocar de roupa para o teste, vem comigo?

– Mas é claro.

Quando chegamos ao estacionamento desativei o alarme do meu carro e Sarah ficou surpresa e parada olhando enquanto eu entrava no carro.

– Você não vem? – perguntei.

– Sim, já to indo. – ela respondeu.

Coloquei uma musica bem animada, pois hoje seria um grande dia. Eu não ia fazer o teste antes de descobrir que o garoto, Tyler, estava com ela exalava uma energia poderosa, igual a que senti quando voltei para a cidade. Foi ai que percebi que devia observá-lo.

– Esse musica é legal – disse Sarah aumentando o volume

– Eu gosto dela também.

Fomos até minha casa cantando as musicas da minha playlist. Sarah parecia ser uma menina legal, e acho que ganhei uma amiga que talvez possa guardar meu segredo um dia.

– Você era de Nova Iorque?

– Sim, mas me mudei pra cá, para morar com minha tia.

– E seus pais?

– Morreram há muitos anos.

– Sem querer ser indelicada, mas como?

– Uma doença forte que pegaram em uma viagem para a Bulgária.

– Sinto muito.

– Aqui na cidade não são acostumados a receber pessoas novas?

– Todos nós nascemos aqui e a maioria nunca vai sair daqui mesmo. Quase ninguém vem para cá pra morar ou passear – disse ela – você é a primeira aluna nova em anos.

– Eu não gosto muito de chamar a atenção.

– Posso contar um segredo? Isso não funcionou muito sabia.

– Por quê?

– Você tem esse carro, as roupas que esta usando é bem diferente das que geralmente vestimos por aqui e do jeito que ta agindo você não vai durar muito tempo sem ser suspensa.

– Obrigada.

– E você não ta nem ligando não é mesmo?

Sorri para ela concordando quando chegamos em casa. A casa era estilo campestre com tijolos a vista e madeira branca, um jardim com a grama estupendamente verde e com arvores bonsai por toda a extensão ao redor da casa.

– Chegamos, vamos entrar para eu poder trocar de roupa para o meu teste.

– Você já foi alguma vez da equipe de torcida da sua escola?

– Nunca. – dei risada e entramos.

– A sua tia não vai ficar brava por ter trazido uma desconhecida?

– Não, acho que ela não ta em casa. – falei – Rose? Ta em casa? – sem respostas.

Subimos as escadas até meu quarto. Abria porta do cômodo e vi que Sarah ficou surpresa novamente.

– O que foi?

– Seu quarto é incrível.

Ele era grande, com as paredes verdes, cortinas roxas e brancas, um tapete preto felpudo. A cama era king size com cabeceira de ferro posta na parede do meio para que ficasse no centro do quarto. Na parede perto da janela havia uma penteadeira preta com tampo de vidro por cima da madeira. Em frente à cama havia uma TV presa na parede com receptor de TV acabo. Do lado direito da cama, duas portas estavam postas lado a lado, uma do banheiro e outra do closet.

– Como acha que é o treino para as torcedoras?

– Chato para mim, cansativo para elas.

– Quero só ver a cara da Molly quando eu aparecer.

– Ela vai te expulsar do campo em dois segundos.

– Aposto que passo de três segundos e ela não vai fazer nada contra mim.

Sai do closet com um calção térmico azul claro e uma blusa regata branco, fui em direção da penteadeira para prender o cabelo em um rabo de cavalo alto. Voltei ao closet para pegar um tênis e saímos de casa dois minutos depois.

Entramos no carro e voltamos para a escola. Dirigimos-nos ao campo de futebol onde outras meninas estavam sentadas na arquibancada, muitas delas animadas e outras um pouco nervosas. Sentei-me no banco mais perto do campo, pois queria que Molly me visse.

– Bem vindas garotas – disse a treinadora. – os testes serão coordenados pela capitã das torcedoras, Molly Levine.

– Primeiramente gostaria de informar para aquelas que acham que isso é uma coisa fácil, que isso nunca foi fácil. – disse a loira

– Eu vou avaliar cada uma e informar quem passa para próxima fase do teste e quem para por aqui. Vamos começar.

Molly começou com saltos mortais e acrobacias no chão para “pegar leve”, a professora foi chamando cada uma das meninas. A treinadora me chamou, levantei-me e fui até ela e Molly começou com um salto simples, um toca pés, depois um mortal e uma sequencia de oito mortais com três giros. Não sei como o cérebro dela ainda ta na cabeça. Quando terminou me olho em desafio.

Fiz todos os saltos sem hesitar, e para garantir que o desafio estava aceito até o final do teste repeti tudo mais duas vezes, deixando todos de boca aberta.

– Vou falar o nome de quem passou no primeiro teste: Ashley Menson, Ariana Giles, Bonnie Fields.

Ela continuou a lista de mais sete garotas, mas eu parei de ouvir quando meu nome foi pronunciado e olhei para Molly que estava roxa de raiva. Sarah desceu a arquibancada para me abarcar e parabenizar.

– Você me disse que nunca tinha sido torcedora antes.

– E eu nunca fui.

– E como conseguiu repetir esses saltos sem o mínimo esforço?

– É um segredo que não posso te contar, por enquanto.

Abracei-a e voltei para perto da treinadora que já explicava qual seria o próximo teste. O próximo teste eram as coreografias, Molly passou a coreografia três vezes junto com suas amigas, Gabbe e Becca. Era simples para qualquer pessoa fazer. Fomos separadas em dois grupos com cinco meninas cada para ser mais fácil para fazer a avaliação. Consegui acompanha os passos na segunda vez junto com Gabbe, o que surpreendeu Molly.

Dez minutos depois a treinadora passou a lista com os nomes e eu havia passado novamente, só que o ultimo teste era mais complicado para as meninas, mas não para mim.

As cinco meninas, incluindo eu, que restaram tivemos que juntar a coreografia com os saltos que foram passados, de uma forma que se encaixa tudo. Fui a ultima a me apresentar, tudo estava indo bem, até que alguém jogou uma latinha de refrigerante em mim durante meu ultimo salto e eu cai com a cabeça cortada.

Foi aí que o primeiro problema começou. Minha cabeça começou a sangrar e quando a treinadora, Molly, Sarah e outras meninas se aproximaram com gelo e pano para limpar, perceberam algo estranho; só havia sangue na minha testa e nenhum corte.

– Como pode ter sangue e nenhum corte? – Perguntou a treinadora.

– Quem jogou a latinha? – quis saber Molly e Sarah concordou.

– Você esta bem? – Pediu Sarah

– Sim, estou. – disse me levantando.

– Agora da pra responder por que tem sangue na sua cabeça sem ter corte nenhum? – perguntou Molly

Eu não sabia o que fazer, estava em pânico. Quem podia ter jogado essa latinha deve saber o que eu sou, e isso não é bom. Molly ta desconfiando de algo. Eu preciso agir rápido antes que alguém falasse mais alguma coisa. Fingi um desmaio repentino.

Fui levada pra enfermaria, onde senti limparem minha testa com água e álcool. Pessoas como eu sente o cheiro das coisas mais forte que as outras pessoas. Ouvi também a diretora ligar para Rose, enquanto a treinadora explicava o que tinha acontecido.

Vinte minutos depois eu já havia “acordado” e tia Rose estava chegando. Não sei qual a explicação deram para ela, pois ela era a única que sabia o que eu sou então ela saberia o que dizer caso perguntassem por que eu não estava machucada.

– Bonnie – chamou a diretora

–Sim, sra. Chandeller?

– Sua tia esta aqui para buscá-la, mas antes eu a e treinadora Morris queremos falar com as duas no meu gabinete.

Entrei em pânico novamente, e se elas descobriram e iriam me expulsar. Eu sou uma tola mesmo, não deveria ter me metido em ser uma torcedora, mas eu sou teimosa e não consigo ficar quieta quando me provocam.

Acompanhei a diretora até a sala e quando entrei Rose estava conversando com a treinadora Morris, elas estavam animadas. Isso significa que eu não vou ser expulsa nem arrumei problemas.

– Sente-se Srta. Fields. – disse a diretora.

– Eu gostaria de informar que você entrou para a nossa equipe de torcedoras. Fazia anos que eu não via uma menina com tantas habilidades. Meus parabéns.

– Muito obrigado treinadora.

– Isso é tudo, já pode ir para casa, descanse bem e cuide-se. Um ferimento na cabeça que resultou em um desmaio deve ser grave.

Quando cheguei em casa corri para meu quarto, pois sabia que mesmo não tendo culpa de nada do que aconteceu, Rose iria me dar uma bronca, e eu não estava afim de levar uma.

– Bonnie – ouvi-a dizer enquanto estava no corredor.

– Entra, mas já vou deixar bem claro que não tive culpa.

– Eu sei, só quero saber por que você está com tanta vontade de fazer essa coisa, a ponto de poder ser descoberta?

– Eu só queria ser normal pelo menos uma vez na vida, ter a experiência completa de uma adolescente de 17 anos.

– Mas você sabe que não é normal, alguém vai acabar descobrindo.

– Eu só preciso chegar perto do menino e pegar a coisa, depois prometo que sumo daqui e nunca mais te arrumo problemas.

– Você não me arruma problemas, sabe que gosto de ter você aqui.

Rose me abraçou e eu retribui o abraço, nesse momento comecei a sentir uma coisa queimando dentro de mim. Meu peito estava estufado, minha respiração pesada, meus olhas estavam marejados e minha visão embaçada. Não me lembro de ter sentido algo assim antes na minha vida. Ia crescendo dentro de mim, então comecei a chorar e soluçar.

Estava com medo, mas do que? Seria medo de que descobrissem que eu sou, ou seria medo de perder essa mulher que mal conhecia e que já virou algo importante pra mim. Poderia ser medo pelas duas coisas.

– Tome um banho para relaxar, depois deite-se um pouco que eu trago algo para você comer.

– Rose você sabe que em poucos dias eu terei que sair para buscar algo que me força, já que comida humana não me fortalece.

– Mas faça isso longe daqui, por favor. E de preferência à noite, onde ninguém desconfie de nada.

Rose saiu do quarto e eu fui para o banheiro. Tomei um banho morno para relaxar, já estava parando de chorar. Sai do banheiro enrolada em uma toalha branca e entrei no closet. Coloquei uma calça de moletom rosa clara confortável e uma blusa solta dos Lakers de Los Angeles. Sequei meu cabelo com a toalha, e prendi em um coque alto.

Deitei na cama, debaixo das cobertas, e apesar do calor, eu estava com frio. Liguei a TV e estava passando a maratona de uma serie de vampiros. Alguns minutos depois Rose entrou no quarto com uma bandeja. A bandeja continha um copo de suco de uva, o meu favorito e uma tigela com sopa. O cheiro estava ótimo.

– O que esta assistindo?

– Uma serie sobre vampiros, vai passar direto hoje, parece que é o dia da estreia da nova temporada.

A campainha tocou e Rose saiu do quarto e desceu para atender a porta, comecei a tomar a sopa e continuei vendo a serie. A historia era bem legal. Uma menina que era humana e apaixonada pelos dois irmãos vampiros e após sofrer um acidente de carro morre com sangue de vampiro em suas veias e algumas horas depois volta à vida como vampira.

Notas finais
comentem o que vocês acham.