Catherine D' Angelo Jenkins

Acordei na manhã seguinte, bem disposta e feliz. Afinal depois da faculdade, minha mãe e eu iríamos dar uma olhada e escolher meu vestido para o baile, entre outras coisas. Enquanto me arrumava pra ir a faculdade, pensava na noite e no jantar que tinha passado ao lado de Christian. Fora simplesmente incrível e tinha gostado de passar aquele tempo com ele. Minha opinião sobre ele mudara depois daquele dia no Starbucks: ele era uma pessoa que precisava ser na maior parte do tempo alguém frio e difícil de alcançar, por causa da imensa responsabilidade que pesava em seus ombros. Mas quando alguém conseguia chegar perto o suficiente do seu verdadeiro eu, ele se mostrava alguém completamente diferente, alguém gentil e compreensivo. Dei uma rápida olhada no relógio e vi que tinha que correr ou perderia o ônibus. Tomei um café bem rápido, não comendo quase nada e já ia saindo, mas antes me despedi de Ian e vi que se não faltava nada a ele ou se tinha esquecido algo. Dando uma olhada nos meus livros, vi que tinha um dos papéis da palestra de Christian, com o número dele. Não sabia se aquele era o número pessoal dele, mas não custava tentar. Peguei meu celular e dei um toque, sendo atendida rapidamente por ele mesmo. – Ah, oi Christian, bom dia. Não quero te incomodar, também tenho que correr pra minha aula, só queria ver se era mesmo o seu número... Desculpa, mas não posso falar muito, nos vemos mais tarde, tá? Até lá. – disse desligando em seguida, dividida entre me sentir culpada por talvez ter interrompido algo e satisfeita por tirar minha dúvida. Com tudo nos seus lugares, saí do apartamento e corri até o ponto, em tempo de pegar o ônibus. Enquanto seguia até a faculdade, fiquei imaginando na reação da minha mãe ao saber que tinha sido convidado pelo Christian a sentar junto da Família Real. Certamente ela explodiria de tanta alegria e iria querer que eu vestisse algo bem extravagante, mas claro que eu não deixaria, afinal não gostava de coisas muito cheias de pompa. Assim que cheguei a minha sala, cumprimentei meus colegas e o professor, que começou a aula.

Quando acabou a aula, me despedi de todos e saí da faculdade. Peguei o ônibus, que chegou na mesma hora que tinha chego ao ponto e comecei a voltar pra casa. Assim que cheguei, tratei de ligar pra minha mãe. Combinamos de nos encontrar em 1 hora, o que daria tempo suficiente de tomar um banho e comer algo. Depois de me despedir dela, tomei um banho rápido e fiz um almoço bem simples. Fiquei assistindo um pouco de TV com Ian, enquanto esperava por minha mãe. Não demorou muito pra que ela chegasse, pois o porteiro me interfonou dizendo que ela já estava no saguão.

– Filha, é tão bom ver você! Que saudades! – ela disse me dando um forte abraço assim que entrou no apartamento.
– Também estava, mamãe. – retribui o abraço.
– Então, tá pronta? Assim no caminho você me conta as novidades...
– Sim, vamos. – disse ajeitando minha bolsa.

Nos despedimos de Ian e saímos do apartamento. Entrei no carro dela e começamos a percorrer as ruas, indo em direção a algumas lojas de roupa. Enquanto isso, contei a ela tudo o que tinha acontecido, inclusive o jantar com Christian. Ela quase bateu o carro depois que terminei, surpresa com o que falei. Não liguei muito para o que falou depois — que ele devia ter se interessado por mim mesmo depois de ter se desiludido e etc... -, preferindo observar o movimento na rua. Pra minha sorte, chegamos à loja que ela tinha falado. Assim que entramos, fomos recebidas por uma mulher jovem, que nos indicou um espaço onde poderíamos sentar e escolher meu vestido. Algumas horas e muitas negações depois, finalmente concordamos em um vestido: ele era simples mas também elegante, sem ser extravagante demais. Depois de pagar, saímos da loja. Fomos em outras lojas também, porque tinha que comprar outras coisas, além do vestido. Quando terminamos, estávamos bem cansadas, mas minha mãe ainda tinha algo para me dar: ela contratou uma especialista em cabelo e maquiagem para me ajudar em casa. Assim que ela estacionou em frente ao meu prédio, nos despedimos e entrei no meu apartamento, levando as sacolas comigo. Dei uma rápida olhada pro relógio, vendo que teria meia hora antes da tal especialista chegar. Tratei de acomodar o vestido na cama, junto com as outras coisas e fui tomar um banho. Assim que terminei, ouvi a campainha na porta, anunciando que ela tinha chegado. Depois de nos apresentarmos e ver as sugestões do que ela poderia fazer, escolhi algo que combinasse comigo e deixei que ela fizesse sua mágica em mim. Algumas horas depois, ela disse ter terminado e que podia me olhar no espelho. Quando me vi, quase não me reconheci direito: meu cabelo estava jogado de lado, levemente ondulado como uma cascata; meu rosto tinha uma maquiagem bem leve, quase imperceptível, mas dava um certo brilho e vivacidade as minhas faces. Ela me ajudou a me arrumar, e depois nos despedimos. Em seguida, peguei meu celular e disquei para uma companhia de táxi, para que um deles me levasse até o local do baile. Não demorou muito e logo ouvi o meu interfone tocar, sendo avisada pelo porteiro que o táxi chegara. Me despedi de Ian e saí do apartamento, me certificando antes de não ter esquecido de nada. Cheguei ao táxi e, depois de cumprimentá-lo e dizer o endereço do local, encostei no banco do carro e pensava em como seria o baile.

Carro da Mama – Roupa e acessórios para o baile: Casaco, Vestido, Bolsa, Colar e brincos e Sapatos

Salão de festa

Christian Edward Kent

Depois de voltar andando para o meu apartamento, tomei um banho e fui dormir. Acordei e vesti uma roupa. Não era tão social quanto eu costumava a usar, com terno e gravata, mas servia, já que não iria trabalhar. Saí de casa e comecei a andar. Fui resolver logo minhas coisas no banco e depois tomaria café e coisas do tipo... Depois de passar no banco, passei por uma banca de revistas e jornais e observei a capa das revistas que realmente, me fez perder o meu dia. Em várias revistas havia a minha foto do ocorrido de... ontem, e títulos como "Christian Kent causa problemas", ou "Será o Christian o causador do fim do império Kent?" e "Christian Kent e sua insanidade perigosa" e mais diversas outras manchetes. Comprei uma revista daquelas apenas para ver o que haviam escrito sobre mim e então segui para o Starbucks, para tomar um café e... observar um pouco da manchete principal "Christian Kent, o milionário maluco de Londres". Era só o que me faltava... Eu tinha chego ao Starbucks e comprado um café para mim e me sentei em uma das mesas para tomá-lo. O meu celular tocou e eu atendi. Era Catherine e ela só queria saber se era aquele o meu número mesmo e desligou. Aproveitei para salvar o número dela e tudo mais e continuei bebendo o meu café. Abri aquela revista e comecei a ler o artigo sobre mim. Inventaram uma história polêmica e louca sobre mim. Colocaram-me como um louco de pedra que deveria ir para o manicômio e que eu apresentava ameaça para a sociedade. Eu suspirei e apoiei meus cotovelos na mesa afundando minha cabeça em minhas mãos... ótimo...

Suspirei um pouco depois de ler toda aquela revista e de beber o meu café. Saí do Starbucks, joguei a revista no lixo que tinha na rua e comecei a andar. Tá, hoje era o dia da festa, a família real estaria lá, estava tudo certo e essas notícias tinham que aparecer. E claro, com todos aqueles outros magnatas que apareceriam na festa e vissem esse meu escândalo, eu iria ser mais do que "motivo de piada". Eu tinha que relaxar. Eu não poderia dar motivo para que me achassem louco. Eu... eu vou fazer alguma coisa. Decidi ir comprar logo um terno digno, em alguma loja cara de Londres. Fiz isso e então continuei a andar pelo centro de Londres: – Droga, droga, droga, maldita imprensa e repórteres! – eu murmurava comigo mesmo. Bem, falar sozinho ainda dá um aspecto de insanidade, então... é melhor eu ir para casa. Antes de seguir para casa, passei em uma loja e comprei umas garrafas de vodca e um maço de cigarros e aí então eu fui para casa. Eu não iria me embebedar ou matar o meu pulmão quando tinha uma festa com a família real eu só... iria relaxar um pouco. Andei até o meu apartamento, vesti logo o meu terno e então me servi com um pouco da vodca e acendi um dos cigarros: – Vai ser ótimo ouvir os comentários da família real sobre o louco do Kent... – disse enquanto tossia um pouco. É, teve um cara que morreu por fumar e beber ao mesmo tempo. Quero dizer, fogo, álcool... e aposto que depois disso ainda continuariam me chamando de maluco...