It's All About Destiny
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Acordei no dia seguinte, bem relaxada e motivada para mais uma aula na faculdade. Levantei e, depois de fazer minha higiene, me vesti e fui para a cozinha preparar o café. Dei uma rápida olhada nas tigelas de Ian e acrescentei um pouco de comida e água, pois estava pela metade. Depois de uma refeição leve, peguei minha mochila e livros e, me despedindo de Ian, saí do apartamento. Caminhei até o ponto, onde fiquei esperando o ônibus. Demorou um pouco, mas ele logo chegou e até que veio vazio, com um lugar para sentar. Enquanto ele seguia até a faculdade, comecei a pensar que faltava 1 dia para o baile e eu ainda não tinha decidido o que iria vestir. Não queria nada exagerado, mas teria que ser algo formal, afinal a ocasião exigia. Seria uma boa oportunidade para aceitar conselhos da minha pessoa preferida: minha mãe. Como teria tempo até chegar na sala e sabia que nesse horário ela já estaria no escritório, liguei pra ela.
– Jéssica Jenkins, bom dia.
– Oi mãe, bom dia. – disse sorrindo. Era daquela maneira que ela sempre atendia o telefone, afinal era dona de uma das indústrias mais importantes no ramo da perfumaria.
– Filha! É tão bom ouvir a sua voz! Já tem algum tempo que não me liga, não é?
– Também é bom te ouvir, mãe, e desculpa por não ligar. E o papai, tem notícias dele?
– Ah, seu pai está tentando vender uma casa bem bonita a um casal de indianos lá em Brixton... Então, como vão os estudos? E o trabalho?
– Hum... Espero que ele consiga vender. Tá tudo indo bem, a matéria que estamos tendo é bem simples... E o trabalho tá ótimo, o pessoal também... E por aí?
– Ah filha, estamos numa correria aqui. Estamos pesquisando uma nova fragrância e temos uma certa dificuldade pra escolher um nome, o frasco e a embalagem... Mas tirando isso, tudo bem. Vamos deixar o trabalho de lado e me conte: já está namorando?
– Mãe... Sabe muito bem que não gosto de falar sobre isso... Não acho que algum garoto vá se interessar por mim... – disse um pouco mais baixo, para que as pessoas do ônibus não ouvissem.
– Ora, e porque não? Como alguém não se interessaria por uma garota linda, inteligente, gentil e preocupada com os outros, como você filha? Na sua idade, eu já tinha namorado alguns meninos... Antes de se conhecer seu pai e me apaixonar por ele, é claro.
– Eu sei mãe... Mas quando tiver que acontecer, vai acontecer... Enfim, te liguei porque queria que me ajudasse numa coisa.
– Pode dizer querida.
– Bem, teve um seminário oferecido pelas Empresas Kent, que foi bem interessante. Sei que não tem muito a ver com o meu curso, mas meu chefe achou que seria uma experiência gratificante adquirirmos um pouco desse conhecimento e me liberou para ir... – dei uma pausa.
– Empresas Kent... Hum... Já ouvi falar. Eles trabalham com produtos farmacêuticos, não é?
– Sim, isso mesmo. Então, quem ministrou o seminário foi o próprio presidente, Christian Kent, que disse para que quando saíssemos não esquecêssemos de assinar uma lista que nos permitia participar de um baile amanhã... Vão ter vários convidados ilustres, além da própria Família Real lá...
– Hum, Christian Kent... Já o vi em algumas revistas, ele me parece bem novo para ser presidente da empresa, mas não tenho o que reclamar... Mas isso é ótimo! – ela disse, provavelmente já prevendo o que eu falaria.
– Sim, é uma nova chance de ver a Família Real de perto, mãe! – disse sorrindo.
– Sim, sim! É uma pena que sempre que tentávamos vê-los, algo acontecia pra nos atrapalhar... Mas agora não pode perder essa chance, filha.
– Eu sei mãe... E por isso preciso da sua ajuda: como se trata de um baile, com a presença da Família Real, tenho que vestir algo apropriado e não sei o que escolher. Mas sei que não quero nada exagerado...
– Hum... Não se preocupe querida, faço questão de sairmos amanhã para visitarmos algumas lojas que conheço, sem contar que também temos que ver seu cabelo e maquiagem... Vai ficar ainda mais linda, quem sabe não arranja alguém interessante por lá? – ela disse brincando.
– Já disse que não gosto quando fala disso, mas obrigada mãe...
– Tá bem, tá bem, não falo mais nisso... Então, quando sair da faculdade, passo pra te pegar e vamos fazer um tour bem divertido. – ela disse rindo.
– Ok, nos vemos amanhã. Agora vou desligar, porque já cheguei na faculdade. Te amo, beijos, também pro papai.
– Tá bem, também te amo, beijos. – e ela desligou.
Desci do ônibus, começando a caminhar em direção a faculdade. Cumprimentei alguns conhecidos enquanto ia para minha sala.
Assim que terminou a aula, peguei o ônibus para o Starbucks. Não demorou muito e logo tinha chegado ao café. Fui para os fundos depois de cumprimentar alguns clientes e colegas, para por meu uniforme e guardar minhas coisas. Em alguns minutos começaria meu turno. Assim que meu relógio apitou, me levantei e fui para frente do balcão, começara meu expediente. Atendi os clientes como sempre, com um sorriso e sendo sempre gentil. Vez ou outra, pegava alguns grosseiros e não sabia bem o motivo para me lembrar de Christian naquelas horas, mas conseguia contornar a situação. Também ia algumas vezes pra cozinha, ajudar o pessoal a preparar algumas coisas, como cookies e muffins. Depois voltava e atendia mais clientes, além de passar pelas mesas perguntando se queriam mais alguma coisa ou limpando as vazias. Enfim, era um trabalho um pouco cansativo, mas gostava de fazê-lo. E mesmo sendo algo que não inteiramente do nível que meus pais esperavam, eles não faziam questão de nada, desde que eu me sentisse bem onde estava. Algumas horas depois e meu turno já estava acabando. Logo, logo estaria em casa junto de Ian e dos meus livros. Porém, ao pegar um último cliente, me senti muito mal, pois ele fora extremamente arrogante. Ele já chegara de modo estranho, parecendo bem irritado com algo e decidira descontar em mim, falando várias coisas que me magoaram muito. Assim que terminei de atendê-lo, não aguentei e fui para os fundos do café. Algumas meninas perceberam o que tinham ocorrido e foram me consolar. Agradeci a todos, mas depois garanti que estava tudo bem e que podiam voltar aos afazeres. Pedi ao gerente que me liberasse um pouco mais cedo, pois não estava me sentindo bem e ele compreendeu, me deixando ir. Troquei de roupa e depois de pegar minhas coisas, saí do café. Comecei a caminhar para casa, mas decidi sentar um pouco num banco próximo e tentar me acalmar, também tentando evitar que as lágrimas acumuladas em meus olhos percorressem meu rosto. Procurava conter minhas lágrimas, mas não pude deixar que algumas escapulissem. Procurei na minha bolsa por algum lenço quando ouvi uma voz conhecida e alguém sentando ao meu lado. Ao me virar, vi que tinha acertado, era Christian. Ele me perguntou o que tinha acontecido. – Oi... N-não foi nada... Só uma coisa que aconteceu lá no trabalho... – disse não querendo incomodá-lo. Ele continuou insistindo, querendo saber o que acontecera. – N-não queria te incomodar com meus problemas... – disse limpando um pouco o rosto. – M-mesmo estando acostumada com o jeito de alguns clientes, é difícil c-continuar firme quando alguém descarrega sua raiva ou frustração em cima de mim... Simplesmente não dá... – disse não o olhando nos olhos, fitando minhas mãos em meu colo, enquanto continuava a pensar naquilo. – Nessas horas era que queria ter um amigo por perto... Alguém pra poder desabafar... Todos estão longe... M-mas o que estou dizendo? Deve achar que sou uma boba... – disse secando novamente algumas lágrimas, que teimavam em correr pela minha face.
Ouvi o que ele disse e refleti um pouco, vendo que ele tinha razão. Apesar de ter passado por aquilo, teria que continuar em frente e não me deixar mais abater por aquelas coisas. Ele disse que estava comigo, colocando sua mão sobre a minha e entrelaçando nossos dedos, reafirmou que estava comigo. Minhas bochechas rosaram um pouco, mas nada que talvez pudesse ser percebido por ele. – O-obrigada Christian... Eu... Não sei como agradecer por ter me ouvido e... – disse e então levantei meus olhos para vê-lo e notei que seu rosto estava com alguns curativos. – Christian, o que aconteceu com seu rosto? Brigou com alguém ou sofreu um acidente...? – disse e passei a mão livre pelo rosto machucado, mesmo não sabendo se ele permitiria.
Ele disse que tinha sido algo do tipo, fazendo uma rápida careta de dor. – Me desculpe, não queria te machucar... – disse recolhendo minha mão. – Hum... Sei... Não quer me contar? Me sinto um pouco melhor por ter falado com você. Talvez se sentisse melhor também se falasse comigo... – disse pegando na mão dele.
Depois de dizer que estava tudo bem por eu tê-lo tocado, ele decidiu me contar o que tinha acontecido: uma decepção amorosa — ele conhecera uma garota e começara a gostar dela, mas ele a vira beijando outro cara. Sem contar que ele se sentia cansado por ser ignorado pelas pessoas que ele gostava ou confiava. Então quando uma amiga tentou ajudá-lo e o colocou no carro dela, ele pulou dele em pleno movimento. – E-eu sinto muito... Não sei o que dizer pra você, nunca passei por isso... – disse. E era verdade, afinal nunca tinha me apaixonado para passar por aquilo, sempre estive focada nos meus estudos. – Sobre essas pessoas, você tem que ver se eles realmente merecem sua amizade e compreensão... Claro que é só minha opinião, pode ignorar se quiser... Agora sobre você ter pulado do carro, acho que foi muita imprudência... Podia ter morrido! – disse, sendo bem sincera. – Tá bem... É só que... Como nos conhecemos tão pouco, não sei se as coisas que penso ou digo são importantes e merecem ser ouvidas... Mas vou começar a não ligar muito pra isso, tá? – disse, dando um rápido sorriso. – Mas e o que seria das pessoas que se importam com você? Pensou em como elas ficariam se você morresse...? Pode achar que muitas não ligariam, mas existem aquelas que como eu, certamente sentiriam sua falta... – disse e levei uma das mãos à boca. Talvez tivesse falado demais... Fiquei feliz por ele ter dito que o que eu dizia era importante. Ele também disse que poucas pessoas, além de mim, e ele podia contar nos dedos se importariam com sua morte. Ele se levantou e me chamou para segui-lo, dizendo que precisávamos nos divertir um pouco. – Hum... E o que tem em mente? Não sou muito de baladas, gosto de coisas um pouco menos agitadas... – disse sorrindo um pouco e pegando na mão dele, também levantei. Ele concordou comigo, dizendo que a última coisa que queria era ir a um local agitado e sugeriu a London Eye. – Acho perfeito, a visão lá em cima é maravilhosa... – disse enquanto caminhávamos. Percebi então que ainda estávamos de mãos dadas. Como não queria causar algum problema a ele, caso algum jornalista nos visse, decidi largar sua mão. – Desculpa, é que... Não quero que algum jornalista ou repórter, caso apareça, nos veja assim e imagine coisas... – disse entrelaçando meus dedos e torcendo para que ele não ficasse magoado ou chateado comigo. Ele compreendeu e riu um pouco, depois disse que teríamos que pegar o metrô na estação de Waterloo pra chegarmos a London Eye. – Hum-hum... E temos que correr, porque acho que vai chegar um daqui a alguns minutos... – disse dando uma rápida olhada no relógio e sorrindo um pouco, comecei a correr. – Anda, vem! – disse incentivando-o a correr.
Ele riu e me acompanhou no mesmo ritmo e então chegamos ao metro. Depois de pegarmos o trem, não demorou muito para chegarmos a London Eye. Compramos os ingressos e entramos numa das cabines, junto com algumas pessoas. De lá, tive uma visão incrível da minha amada cidade. Quando a volta terminou, nos saímos e começamos a caminhar pela praça que havia ali. Ele comentou como a London Eye sempre era uma boa opção. – Sim, gosto da vista lá de cima, é simplesmente maravilhosa... – concordei com ele, afinal já tinha ido algumas vezes quando era pequena com meus pais e era ótimo. – Sim, um pouco... Tem alguma sugestão? – disse, olhando-o de relance. – Hum... Tudo bem, gosto de comida italiana, então podemos ir... Não, ia preparar algo em casa, mas só a ideia de provar uma autêntica massa italiana me faz querer jantar fora hoje. – respondi sorrindo um pouco a sugestão dele de irmos a um restaurante.
Sorrindo um pouco, começamos a caminhar em direção ao restaurante. Assim que entramos, fiquei admirada em como era belo, não somente belo mas também bem acolhedor. Parecia até que estávamos numa casa italiana de verdade. Nos sentamos numa mesa vazia, de onde dava para ver uma banda num pequeno palco montado num canto, afinal o restaurante tinha música ao vivo. Um garçom veio nos atender e nos entregou o cardápio. – Hum... São tantas opções... Acho que vou querer o Conchiglione à Camaresca... Parece muito bom. Pra beber, um suco natural de laranja. E não vou dispensar a sobremesa... Hum... Uma fatia da torta de limão, por favor. – disse encerrando o meu pedido, aguardando que o garçom anotasse. – E você Christian? – perguntei, baixando o cardápio. Enquanto esperava uma resposta dele, pude ouvir que a banda começara a tocar uma música típica italiana e achei aquilo divertido, pois era animado mas não muito agitado. Ele também terminou por fazer seu pedido e, depois que o garçom saiu com nossos pedidos, ele comentou o fato das comidas italianas terem nomes difíceis de pronunciar e sobre o famoso "gelato". – Bem, não acho tão difícil, já que meus pais sempre foram fãs da cozinha italiana. Mas pra quem não conhece, pode ser um pouco complicado mesmo... – disse rindo um pouco. – Ah, mas é só na aparência, porque no sabor e em como ele é feito, nisso os dois são bem diferentes. – disse sorrindo. Voltei minha atenção rapidamente a banda, que terminara a canção e já começava outra, um pouco mais lenta.
Ele riu com o que eu disse, mas depois ficou um pouco sério ao falar do pai. – Deve ser muito triste não tê-lo mais por perto... Eu ficaria se perdesse meus pais... – disse tocando de leve a mão dele, que estava na mesa. Mas logo afastei, por achar que ele não gostaria. Depois o ouvi comentar sobre a música que estava tocando. – Sim... Gosto muito da melodia... – disse apoiando meu queixo sobre uma das mãos em cima da mesa enquanto a outra repousava sobre ela. Ainda estava me sentindo envolvida pela música quando ouvi o comentário de Christian e fiquei meio sem jeito. – Não, não foi por isso Christian, que falei aquilo... É por que... Vai me achar uma boba por dizer isso, mas é verdade... Nunca namorei... – falei enquanto entrelaçava meus dedos, sem fitá-lo. Me sentia infeliz em contar aquilo, mesmo sabendo que não era algo de real interesse pra ele, só perguntava por perguntar. Ele não me achou boba por contar aquilo e contou que muitos dos relacionamentos dele também não deram muito certo. Pensei em falar algo, como que nossa situação era diferente: ele já tinha namorado e eu não; mas nossos pedidos tinham acabado de chegar, então decidi não falar nada e apreciar a comida ao som da música que tocava. – Eu também estava... – comentei enquanto saboreava o conchiglione e os camarões.
Um silêncio se instalou sobre nós, apenas atenuado pela música que tocava. Não gostava muito de falar sobre aquelas coisas, e minha mãe sabia muito bem. Não que eu estivesse esperando um príncipe encantado, mas queria encontrar a pessoas certa que não me magoasse. Depois que acabei com o conchiglione, passei para a sobremesa. Enquanto curtia a torta de limão, ouvi Christian perguntar o que faria depois dali. – Bem... Voltar pra casa, é claro. Cuidar do Ian e depois ler um pouco antes de dormir... – disse enquanto bebia um pouco do suco. – Meu gato de estimação, ele é bem manso e é uma ótima companhia... – respondi a pergunta de Christian enquanto terminava minha sobremesa e apreciava a música que continuava a tocar, ela era bem bonita. – Pode parecer mesmo... – disse rindo um pouco por ele ter comentado sobre Ian. – Sim, se não fosse por ele, me sentiria muito sozinha naquele apartamento... Estou um pouco acostumada em ficar sozinha, por conta de meus pais trabalharem muito... Mas é sempre bom ter alguém por perto. – disse pousando o garfo sobre o prato, encerrando a sobremesa. Christian chamou o garçom e pediu a conta. Procurei na minha bolsa um dos meus cartões para pagar, mas Christian fez menção de que não precisava me preocupar, pois ele pagaria. – Eu podia ter ajudado também... – falei guardando minha carteira dentro da bolsa. Ele disse que já era tarde, que ele já tinha pagado. Achei aquilo muito amável da parte dele, e pegando minha bolsa, me levantei. Saímos do restaurante e fomos em direção ao metrô. Demorou um pouco até que chegássemos à minha casa. Antes de subir as escadas, me despedi dele. – Obrigada Christian, por tudo hoje. Por me ouvir desabafar, pelo passeio e pelo jantar maravilhoso... – disse envolvendo meus braços enquanto fitava o chão. Ele também agradeceu e me disse algo incrível: me convidou a sentar na mesma mesa que ele e a família real, se eu quisesse. – Sério? Isso seria ótimo. – disse quase saltitando de alegria. Não iria apenas vê-los, mas também sentar junto deles. – Pode parecer algo inacreditável, mas eu nunca consegui vê-los de perto... Aceito sim, claro, mas não tenho como ir com você. É que combinei com minha mãe de sair com ela pra vermos algumas coisas, sabe... Mas nos encontramos lá então, está bem assim? – disse fitando-o. Ele concordou e se aproximando, me deu um beijo na bochecha, se despedindo. Ele começou a se afastar, acenando pra mim. Acenei de volta e, quando não consegui mais vê-lo, entrei no prédio. Cumprimentei o porteiro, sorrindo um pouco, e então subi as escadas. Cheguei ao meu apartamento em alguns minutos, sendo recebida pelos miados insistentes de Ian. – Oi meu fofinho. Está com fome? – disse pegando-o no colo enquanto ia em direção a cozinha para ver a tigela dele. Estava um pouco vazia, então era melhor enchê-la novamente. Deixei minha bolsa no balcão e fui até o armário pegar a ração dele, colocando-a na tigela em seguida. Depois peguei um pouco de água e coloquei na outra tigela. – Pronto. Agora vou tomar um banho antes de deitar... – disse a mim mesma enquanto seguia até o quarto, para pegar uma roupa. Se não fosse pelo jantar maravilhoso e pela companhia agradável que Christian soubera passar, com certeza estaria deprimida. Entrei no banheiro e, depois de me despir, fiquei embaixo do chuveiro adorando a água morna passando pelo meu corpo. Lembrei do beijo que Christian havia me dado na bochecha, passando a mão pelo local. Mas não podia me permitir pensar que aquilo era algo mais que uma forma de despedida, afinal ele acabara de se desiludir e de me conhecer... Saí do banheiro, completamente vestida e fui para meu quarto, depois de jogar a roupa no cesto. Afastei as cobertas, dando espaço para Ian também deitar e depois me enfiei embaixo delas. Não demorou muito para que pegasse num sono profundo e tranquilo.
Restaurante– Músicas do restaurante: Tarantella, Andrea Bocelli — Con Te Partirò, Laura Pausini — Strani Amori, Laura Pausini — Incancellabile, Laura Pausini — La Solitudine
Acordei cedo com o barulho do despertador. Bati nele para que parasse de tocar, mas ele acabou caindo no chão e fez um estardalhaço ainda maior. "Droga", praguejei, ainda sonolento. Mas então esfreguei meus olhos e me espreguicei. Levantei-me e fui para o banheiro, tomar um banho. Assim que terminei, tratei de ir até a Empresa acertar alguns detalhes para o baile e as reuniões. Depois que terminei, saí mais cedo e voltei a lembrar do que tinha acontecido na noite anterior. Enquanto pensava naquelas coisas, fui andando pelo parque, até que vi uma garota que chorava sentada em um banco. Era Catherine. Imediatamente, fui até ela e me sentei do seu lado: – Catherine... o que houve? – perguntei fitando-a. Suspirei um pouco e passei a mão pelo meu cabelo... tsc, pelo visto, hoje o dia não estava fácil para ninguém: – O que aconteceu no seu trabalho? – perguntei voltando a fitá-la. Ouvi o que ela disse e desviei um pouco o olhar dela, fitando o chão. Acho que eu entendia a parte de "é difícil continuar firme" tão bem quanto ela, mas... é, nos expressamos de maneiras diferentes, entretanto passávamos pela mesma situação. Voltei a fitá-la e murmurei: – Não é com você. Talvez... essas pessoas apenas não saibam como lidar com os próprios problemas e... só queriam que alguém as ouvisse. – disse e assenti às ultimas coisas que a garota disse: – Eu estou com você, Cath. – falei, colocando a minha mão sobre a mão da Cath que continuava em cima do colo dela, e entrelacei os nossos dedos: – Eu estou com você. – murmurei a mesma coisa, fitando as nossas mãos e desviando o olhar para a garota. Catherine passou a mão livre pelo meu rosto, o que doeu um pouco por causa dos meus machucados, mas mesmo assim eu não a impedi: – É... foi algo assim... – disse e suspirei um pouco: – Você sabe... às vezes é difícil continuar firme e... foi algo do tipo. – disse fitando-a. Eu gostaria de contá-la tudo, desde o meu amor incompreendido por Laura, até eu ter saltado do carro de Saphira, mas... aquela situação já estava mais do que péssima e a última cosia que eu queria era relembrar. Fora que todos aqueles jornalistas fariam a história vazar em pouco tempo, mesmo que não sabendo de tudo... o que eles não fazem para ganhar uma matéria?
Disse um rápido "tudo bem" quando Cath disse que não queria me machucar e suspirei quando ela perguntou sobre o assunto: – É... é complicado. – disse desviando o olhar para a minha mão que ela segurava e voltei a fitá-la: – Havia uma garota e... eu realmente gostava dela... só que a vi beijando outro cara... – disse suspirando um pouco e voltei a falar: – E eu já estava cansado de que todas as pessoas de quem eu gostava me ignorassem... e então uma amiga minha, meio que percebendo isso, me colocou em um carro para tentar me ajudar e conversar comigo e eu... pulei. – disse, às vezes gaguejando em umas partes e desviando o olhar de Catherine e então fitando o chão: – Foi mais ou menos o que aconteceu... – murmurei, sem fitá-la. Assenti para o que Catherine disse e então balancei um pouco a cabeça na negativa, voltando a fitá-la: – Você deveria parar com isso Catherine... a sua opinião é tão importante quanto uma frase que a rainha diga. – disse encarando-a e suspirei um pouco: – Naquela hora, morrer me parecia a última coisa a ser considerado um problema... – disse, voltando a encarar o chão. Acabei rindo um pouco com o que ela disse: – Mas o que você diz é importante... – comentei enquanto fitava-a e depois de ouvir o que ela disse acabei sorrindo mais uma vez: – Além de você, acho que daria para contar nos dedos as pessoas que se importariam com a minha morte. – disse fitando-a e então me levantei do banco e estendi minha mão para ela: – Venha, acho que estamos precisando... nos divertir um pouco?– perguntei rindo um pouco enquanto fitava-a. Acabei rindo um pouco e comecei a andar quando Cath pegou a minha mão: – Acredite, o último lugar que eu quero ir hoje é um lugar agitado... – comentei e voltei a fitá-la: – Hum... que tal a London Eye?– perguntei enquanto caminhávamos. De repente ela largou a minha mão dizendo que não queria que nenhum jornalista nos visse assim e imaginasse coisas e tudo mais: – Ah, desculpe... eu nem havia percebido que nós estávamos andando de mãos dadas... – disse rindo um pouco e então colocando as mãos nos meus bolsos. Bem, ela é bonita, obviamente deve ter... um namorado, noivo, confidente... e isso realmente traria problemas à ela. Continuei andando com as mãos nos bolsos enquanto fitava a rua: – Bem, vamos ter que pegar o metrô na estação de Waterloo se quisermos ir para a London Eye... – comentei enquanto caminhávamos. Eu ri, assentindo ao que Catherine disse e comecei a correr. Logo chegamos na estação e corremos mais um pouco para entrar no metrô. Não demorou muito e chegamos a London Eye. Compramos um ingresso e entramos numa cabine. Londres estava realmente bonita hoje e quanto mais subíamos, melhor era a visão. Mas logo voltamos ao solo, e voltamos a caminhar pelas ruas: – Ah , a London Eye sempre é uma boa opção. – comentei, enquanto andava com as mãos nos bolsos e fitava Catherine: – Você está com fome? – perguntei, fitando-a. Assenti para o que ela disse e pensei um pouco em algum lugar para comer: – Hum... tem um restaurante de comida italiana perto daqui e ele é realmente bom. – comentei, enquanto continuava caminhando: – Tudo bem se formos lá ou... você tem outra coisa em mente? – perguntei fitando-a. Acabei rindo um pouco: – Tudo bem, então... vamos. – disse e comecei a andar em direção ao restaurante.
Chegamos ao lugar — que afinal era bem bonito, com aquele ar de típico restaurante italiano — e nos sentamos em uma mesa vazia, e logo um garçom veio nos atender, nos dando o cardápio: – O que você vai querer Cath? – perguntei, enquanto observava o cardápio. Ela pediu alguma coisa realmente italiana e quando ela me perguntou o que eu queria eu voltei a olhar o cardápio: – Hum... eu acho que vou ficar com um spaghetti e... vou querer um suco natural de laranja e como sobremesa um gelato de morango. – disse e o garçom anotou tudo, pegou o cardápio e se retirou, quando eu suspirei um pouco: – Essas comidas italianas são muito difíceis de pronunciar... e depois não sei por que chamam o sorvete de "gelato". Sim, ouvi dizer que é diferente, mas... continua parecido com sorvete... – comentei e então ri um pouco. O lugar era até divertido e a música era realmente... típica. Acabei rindo um pouco com o comentário da Cath: – Tem razão... o meu pai sempre tinha esses jantares, mas ele nunca me levava, então tudo o que eu sabia sobre culinária era o que eu tinha em casa... – disse rindo um pouco, mesmo que por um instante tivesse ficado um pouco triste por pensar no meu pai, mas logo voltei ao meu humor, voltando a fitar Cath: – A música daqui é realmente boa, não acha? – perguntei fitando-a e desviando o olhar para a banda que tocava. Suspirei um pouco e assenti ao que ela disse sobre a música, e então voltei a fitá-la: – Mudando de assunto... você disse que nunca havia tido alguma coisa... ruim com o amor... você deve estar com um cara realmente, bom, não é Cath?– perguntei rindo um pouco e então fitando-a. Acabei rindo um pouco: – Não te acho uma boba por isso. – comentei e então suspirei um pouco: – Os meus relacionamentos nunca deram certo, também... – murmurei, mas antes que eu pudesse dizer outra coisa, vi que os nossos pratos chegavam: – Ah, finalmente. – disse rindo um pouco, vendo o garçom servir os pratos e as bebidas — já que a sobremesa viria depois — e voltando a fitar a Cath: – Eu já estava morrendo de fome. – disse, rindo um pouco. – É... – comentei por último, antes de começar o comer o meu spaghetti. Se não fosse a música que tocava, eu diria que um silêncio inóspito se instalava ali, já que tanto eu quanto Catherine não falávamos nada, apenas comíamos. Deve ter sido esse assunto que nos constrangeu, mas enfim. Terminei de comer meu spaghetti e logo veio a minha sobremesa (o gelato) e então comecei a comê-la, e voltei a fitar a Cath e decidi quebrar aquele silêncio: – E então... o que vai fazer depois daqui? – perguntei fitando-a. Comi mais um pouco da minha sobremesa e voltei a fitar Cath, ouvindo o que ela dizia: – Ah... quem é Ian? – perguntei fitando-a, enquanto percebia que as músicas continuavam tocando no restaurante. É, até que era bom ter música ao vivo...
Sorri um pouco e voltei a fitá-la: – É engraçado ouvir alguém dizer que "gatos são uma ótima companhia”, mas do jeito que você fala parece que ele é realmente um... bom amigo. – comentei sorrindo um pouco e então terminando a minha sobremesa. Como Cath também estava terminando, eu chamei o garçom e pedi a conta. Eu havia queimado a minha carteira, mas eu ainda tinha alguns cheques no outro bolso, afinal eu não poderia deixar Catherine pagar. Assinei o cheque — e isto vai de aviso para voltar no banco e pedir novos cartões e depois de retirar dinheiro, comprar uma carteira nova — e o garçom levou-o com a conta e então eu apenas fiquei observando a Cath terminar de comer. Acabei rindo um pouco e balancei a cabeça na negativa: – É, mas agora eu já paguei... – disse e então me levantei e me voltei para Catherine: – Vamos? – perguntei fitando-a. Saímos do restaurante e levei Cath até em casa. Ela se despediu de mim e eu sorri com as coisas que ela disse: – Obrigado também, Cath. – disse fitando-a: – E afinal... amanhã de noite é o baile... se você quiser, poderíamos ir juntos, sentar na mesma mesa que a família real... quero dizer, se você quiser,é claro... – disse um tanto desconcertado. Assenti para Catherine e sorri um pouco: – Tudo bem então... nos vemos amanhã. – disse e me aproximei dela, dando um beijinho na bochecha e então me afastei. Comecei a andar e ainda me voltei para acenar para ela. E logo voltei a caminhar. Depois de pegar um metrô, voltei andando para a minha casa. Amanhã seria um longo dia...
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