It's A Boy Girl Thing
1 Prólogo
Notas iniciais

Observou os olhos azuis vibrantes que a fitavam de volta com entusiasmo aparente e sorriu para si mesma, encarando seu reflexo no espelho. Não que Rose Weasley se achasse bonita, a mesma apenas exigia a perfeição. Seus cabelos longos e ruivos estavam bem hidratados em um corte reto, presos com um delicado laço azul na parte de trás. Impecáveis, como tudo na garota.
Rose não era o que podemos chamar de popular, na verdade, beirava o que chamamos de CDF. Vez ou outra se tornava o foco das atenções, mas não era como se todos desejassem sua amizade ou quisessem convidá-la para suas festas mais badaladas.
Rose se considerava uma adolescente “normal”, exceto pelo fato de ser a garota destaque em todas as matérias, líder do jornal da escola, oradora da turma, presidente do grêmio estudantil e melhor aluna da escola durante anos consecutivos. Modéstia a parte, claro.
Fitou novamente o espelho, seu uniforme escolar encontrava-se perfeitamente passado. A blusa de mangas social branca juntamente com a gravata vermelha e prata perfeitamente alinhada caiam-lhe muito bem. Usava uma saia de pregas preta um pouco acima dos joelhos. Borrifou um pouco de perfume no ar, passando com o tronco pelo local segundos depois. Sorriu. Estava magistral.
Tudo parecia perfeitamente alinhado, até ouvir aquele som irritante de todas as manhãs.
Seu vizinho, um estúpido ignorante, ouvia música absurdamente alta e inapropriada para o horário. A ruiva revirou os olhos de forma impaciente, Scorpius idiota Malfoy não tinha jeito.
Rose Weasley sempre fora vizinha de Scorpius Malfoy, ao menos desde que era possível recordar em seus 16 anos. Nunca chegaram a conviverem com muita proximidade. Porém, o fato do garoto ser uma pessoa INSUPORTÁVEL era inegável. Segundo a mãe de Rose, suas famílias se odiavam arduamente desde os tempos de escola — sempre ouvia seu pai falando horrores da família Malfoy e bom, ao menos os filho deles fazia jus ao ódio da garota.
Respirou fundo enquanto contava até dez e desceu as escadas calmamente observando sua família. Hermione Weasley, sua mãe, tentava cozinhar algo aceitável na cozinha enquanto Ronald Weasley, seu pai, lia um jornal qualquer demonstrando desaprovação. Seu irmão, como sempre, dormia no sofá. Provavelmente se jogou ali mesmo e ninguém se deu ao trabalho de acordá-lo.
Rose tinha uma família grande, muitos primos, tios e tias. E adorava aquilo! Era agradável quando todos se reuniam sempre que possível e faziam aquele barulho e baderna típicos da família Weasley. A família de Rose fugia dos padrões, todos tinham seu jeito de ser e eram diferentes a seu modo. Mesmo que fossem loucos, eram felizes e isso Rose não trocaria por nada.
Ela era diferente da maioria das garotas de sua idade, passava a maior parte de seu tempo livre na biblioteca central, às vezes na livraria do shopping ou administrando uma de suas milhares de funções na escola. E, mesmo que muitos achassem isso altamente depressivo, Rose gostava de sua vida monótona, dentro dos eixos e das regras da normalidade. Amava a calmaria.
Pelo menos, não corria o risco de ter filhos antes do tempo ou ser presa. Como Hugo. Riu com esse pensamento estúpido.
- Como esse moleque é atrevido — Ronald resmungou, ajeitando-se em sua cadeira e chamando atenção dos restantes.
Olhando daquela forma, o pai da garota até mesmo pareceria um homem sério de negócios, mas Rose sabia que seu pai estava longe de ser algo assim. Era a pessoa mais desajeitada que conhecera e ás vezes, segundo sua mãe, tinha a sutileza de um elefante e o emocional de uma colher de chá. O pai de Rose era sócio de uma rede de lojas de doces e brinquedos inovadores, espalhadas por toda parte, junto com o tio de Rose, George.
Pensando bem, a única pessoa consideravelmente normal em sua família era ela mesma e, talvez, sua mãe.
A mãe de Rose trabalhava para o governo. Era considerada uma figura importante na sua função e todos a respeitavam. Mas Hermione estava longe de ser durona, era um doce — menos quando estava brava e gritava como uma louca.
— Essa hora da manhã Hermione... — fitou o relógio de pulso, de forma irritada, Rose sabia que seu pai estava falando do vizinho energúmeno — Sete horas!... Sete horas da manhã! E esse moleque escutando o som numa altura dessas!
Por uma grande ironia, o som pareceu aumentar.
As aulas começavam sete e meia, por isso, Rose andou tranquilamente até a escola, que ficava a pouco mais de duas quadras de sua casa. Ainda chegou alguns minutos adiantados, dando tempo para que lesse um de seus livros. Era dia do passeio mensal. Péssimo.
∞
06h30min AM
Um, dois, três, quatro... E na quinta vez o despertador já voava pelo quarto, tendo seu destino final quando colidiu com a parede. O garoto aconchegou-se mais em sua cama, ignorando os protestos do aparelho agora estilhaçado no chão.
06h45min AM
- Scorpius Malfoy, levante agora dessa cama, ou eu mesma irei até ai!
06h55min AM
- SCORPIUS MALFOY, SAIA JÁ DESSA CAMA OU SERÁ DESERDADO!
Scorpius, a contra gosto, levantou-se de forma que praticamente se arrastava. Olhou ao espelho e tudo que viu foi um garoto — lindo, modestamente — musculoso, cabelos loiros medianos, jogados sobre seu rosto, olhos de um azul gelo, estampado na testa: cafajeste. Sorriu para seu reflexo.
Foi até o som depositado em um canto de seu quarto, enquanto ligava-o quase no último volume, sua mãe reclamaria, mas não estava nem ai. 16 anos era tempo suficiente para acostumar-se ao fato de seu filho não ser como ela o idealizava. E isso era óbvio. Scorpius Malfoy era a ovelha desgarrada, assim por dizer. Seus pais esperavam dele postura, educação, etiqueta e atitudes que honrariam o nome da gloriosa família Malfoy. E o que o loiro pensava sobre isso? Foda-se.
Ele não queria seguir os padrões e estereótipos que todos faziam questão de impor.
Sua mãe era ótima com ele, mas também o pressionava certas vezes. Astória Malfoy, uma bem sucedida estilista, dona de uma das marcas de roupas e sapatos mais cobiçadas do Reino Unido, a marca Greengrass.
Seu pai, Draco Malfoy, um empresário bem sucedido, CEO de uma multinacional conhecida, fabricante de carros de luxo. Uma grande merda. Acontece que, apesar de Draco ser um bom pai, não respeitava os limites do filho. Sempre impondo coisas e mais coisas. E tudo que o garoto queria era viver sua vida sem dizerem a ele o que tem que fazer a todo o momento.
O garoto era sempre o assunto principal na mesa de jantar, quer dizer, ele e os vizinhos. Os Weasleys. Scorpius odiava a filha deles, Rose. Uma CDF patricinha e, ainda por cima, mimada. Achava-se inteligente e superior. Porra nenhuma na opinião do garoto. A Weasley tinha uma família que às vezes Malfoy invejava, eles eram tão unidos e liberais. Sem pressão. Lógico que não eram tão ricos como eles, mas tinham uma boa fortuna, muito boa, aliás.
E mesmo assim, a garota preferiu ser a certinha. CDF mimada. Era tudo que o garoto tinha a dizer dela. E sabia que a recíproca é verdadeira. Quer dizer, a garota com certeza não gostava dele, nem fazia o mínimo para fingir o contrário. E isso já rendera discussões épicas.
Tomou um banho rápido, devido ao atraso. Apesar de tudo, não queria mais um dia na detenção ou isso o mancharia para o time. Scorpius Malfoy era o que podemos chamar de popular, aliás, era o garoto mais popular da escola. Era o principal jogador do time de basquete, o mais cobiçado entre as mulheres, chamado para todas as festas e, todos o amavam. Todos queriam ser como ele.
Observou-se no espelho, sua calça preta do uniforme caindo perfeitamente, sua blusa branca meio amassada — o que dava um charme. A gravata propositalmente afrouxada, uma das partes da camisa por fora da calça e o sorriso sedutor. Os cabelos loiros bagunçados de uma forma rebelde, caindo sobre seu rosto. Tudo em uma bagunça charmosa, sexy e harmônica. Nada alinhado, nada perfeitamente passado. Estava pronto para arrasar corações.
- Scorpius, cadê sua educação? Que música é essa? — Astória dizia na porta de seu quarto, enquanto a raiva era perceptível apenas com um pequeno olhar — Desligue esse som imediatamente e desça para o café da manhã. Ou ficará sem dinheiro por um mês.
Astória lançou um olhar desaprovador para o uniforme do filho, indo até ele e ajeitando a gravata, que Scorpius afrouxou novamente alguns minutos depois. Comeu um pacote de biscoitos rapidamente, enquanto pegava seu conversível preto e dirigia-se a escola. Chegou alguns minutos atrasado, mas conseguiu livrar-se da detenção.
Foi em direção a seus amigos, enquanto todos o cumprimentavam no corredor. Sorriu, aquele era seu território.
Vidas diferentes. Duas pessoas completamente opostas. Famílias que se “odeiam”. Rose Weasley e Scorpius Malfoy não tinham idéia do que estava prestes a acontecer.
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