Notas iniciais
Desculpe-me pela demora do capítulo, houve várias coisas durante estes meses e não pude escrever um novo capítulo. E aí está. Obrigada àqueles que mantiveram acompanhando esta história, sou realmente grata.

Narrativa: Autora

—Por favor Senhorita, não chores – O rapaz que aparentava ser poucos anos mais velho que Hiyori, com pele pálida que destacavam seus olhos negros por trás de seus óculos redondos, e seus cabelos acinzentados e longos, presos em um rabo de cavalo, com uma vestimenta social da coloração preta. Ele vira a cadeira giratória em que a garota permanecia aflita e olha diretamente em seus olhos negros, limpando suas lágrimas – Não há motivos para desesperar-se, estou aqui para lhe ajudar.

—Me ajudar...? – Pergunta junto aos soluços, recebendo um leve sorriso da parte do rapaz a sua frente que responde calmo:

—Sim, este sempre fora meu trabalho, Senhorita.

—Mas... Quem... – Não conseguindo pronunciar sua pergunta, é interrompida:

—Começaremos novamente minha Senhorita. Prazer em conhecê-la, sou Yakushi Kabuto, seu servo pessoal – Ao apresentar-se, segura delicadamente a mão direita de sua Senhorita e dá-lhe um beijo.

Após sua apresentação, Kabuto explica-lhe que desde sua infância, já havia sido criado como futuro servo da família Yuuki, podendo-se submeter ao trabalho, após seus quinze anos. Revela-a ao dizer que passara sua infância ao lado de sua Senhorita e de sua irmã, apresentando tristeza ao falar de Hikari a ela. Sem ao menos poder continuar explicar para receber sua confiança novamente, é interrompido por Hiyori que pergunta em desespero:

—Yuuki Hikari, minha irmã... o que foi que...

—Acalme-se Senhorita, não poderei lhe responder ao menos que mantenha sua calma – Kabuto pede-a, olhando-a gentilmente. Respirando fortemente, logo retoma um pouco de sua calma e permite que o rapaz continue – Não saberei responder a todas suas perguntas, mas direi as conseguir.

Hiyori confirma com o balançar de cabeça, levantando-se de seu lugar e convidando-o para o cômodo ao lado. Ao aconchegar-se em seu sofá, pede que Kabuto sente junto a ela, recebendo rapidamente uma negação: "Não Senhorita, como seu servo, não preciso de seus aconchegos", mas com a insistência de sua Senhorita, rende-se e senta ao lado dela.

—Posso perguntar qualquer coisa...? – Pergunta-o, recebendo sua confirmação – Tudo bem... Como você entrou na minha casa? – Sem esperar por esta pergunta, Kabuto espanta-se e envergonha-se de lhe responder, ficando com as bochechas pouco coradas.

—Bem... Desculpe a intrusão, porém, recebi a permissão de sua tia para o ato. Recebi uma cópia da chave esta manhã e não pude conter-me, logo quis vê-la – Responde desajeitado, mexendo em seus cabelos.

—Entendo – Ela sorri, deixando-o pouco mais envergonhado – Você realmente deve ser uma pessoa gentil.

—Quanta gentileza de sua parte Senhorita... Obrigado...

—Então, próxima pergunta: Onde você estuda? – "Ela fará perguntas pessoais de minha parte...?" Kabuto perguntava-se ao escutar esta pergunta.

—Ah... Eu costumo estudar em casa – Responde – Mas caso frequentasse um colégio, eu estaria prestes a entrar em uma faculdade.

—Faculdade? Nossa... você aparenta ser mais novo... – Hiyori envergonha-se, fazendo o rapaz soltar uma risada baixa e dizer sua idade: "Tenho dezenove" – Entendo... Então, conte-me sobre você.

—Sobre mim? – Pergunta pouco confuso, não esperando por isso. Recebendo poucas explicações e exemplos da garota curiosa a sua frente, começa – Eu...

Narrativa: Kabuto

Desde que lembro-me, o orfanato em que frequentei contou-me que meus pais faleceram após um assalto a minha residência – sendo sincero, não havia tantas coisas de valor e nunca houve – meus parentes próximos não aceitavam minha presença entre sua família e que acabei indo a um orfanato até alguns anos de vida.

Sendo adotado aos meus dois anos pela família em que trabalho atualmente: Família Yuuki, os pais adotivos eram gentis e bondosos e fizeram-me de um membro da família, e após um ano, "minha mãe" deu origem a duas lindas irmãs: Yuuki Hikari e Yuuki Hiyori, gêmeas. Mas, mesmo tendo um novo lar, costumava frequentar o orfanato e ajudar de várias formas.

Elas cresceram e aos seus quatro anos e aos meus sete anos, fomos junto aos nossos "pais" em uma viagem de negócios ao Brasil. Lembro em detalhes que... O acidente fora horrível, lembrando-me do sangue que manchava o carro e todos nós, o insuportável cheiro e a morte que levara minha família. Não tive ferimentos graves, apenas alguns arranhões e ossos quebrados, mas em compensação, Hiyori foi diagnosticada com Amnésia Parcial.

Permaneci na guarda de "minha tia" por parte de "pai", enquanto Hiyori a tia por parte de sua mãe, no Brasil. Admitirei que a tristeza havia me preenchido e que a vontade de reencontrar minha irmã era enorme, porém, eu era proibido: "A partir de agora, você será nosso servo pessoal. Estudará para isso e seu trabalho será após completar quinze anos. Entendido?". "Nossa tia" era bastante rigorosa.

—... Desde as épocas antigas, minha família costumava trabalhar como servos de sua família, Senhorita – Sei que é mentira, sei que isso afetará nossa relação futuramente, porém... Não preciso pressiona-la a processar tantas informações de uma vez.

—Mas... Isso é cruel... – Ela sussurra, recebendo um sorriso de minha parte.

—Não se preocupe, estou acostumado a isto, somos destinados a isso.

—Mas...

—Peço perdão, porém, não poderei lhe ajudar desta forma, minha Senhorita – Intrometo-me – Mas afirmarei que não precisa forçar-se a lembrar dos detalhes passados desta forma. Sua irmã não gostaria que sofresse com seu falecimento, principalmente após tantos anos, vamos aos poucos.

—Mas como poderei lembrar das coisas que eu ainda não sei...? – Pergunta cabisbaixa.

—Aos poucos, logo retornará a lembrar – "Assim espero... Quero que ela se lembre de mim, de Hikari e de todos nossos momentos. Mas..." Penso pouco desanimado – Eu lhe ajudarei a relembrar, é uma promessa.

—É uma promessa.

Aquele dia passou-se rápido e admitirei que gostaria de ter passado mais tempo com ela, mas o meu dever não permitia. Despedi-me dela com um beijo em sua mão direita e pedi-me que ligasse a qualquer momento que eu rapidamente viria ao seu encontro, e rapidamente retirei-me do local.

Retornando a minha casa, afrouxei a gravata que rodeava meu pescoço e rapidamente deitei-me no sofá do pequeno apartamento em que frequentava, estava exausto. Restavam-se poucos minutos para às 20h e eu não aguentava meu cansado, que acabei adormecendo ali mesmo.

"Pense como ela fosse seu alvo e não como membro da família"