Notas iniciais
Hehehe oi, essa não é a primeira fic que eu posto na internet, mas to louca pra postar essa por que faz muito tempo que eu tenho essa ideia na minha cabeça. Espero que gostem!

Faziam anos que toda a família se reunia.

Já era dia 24 de dezembro, quase 5 da tarde e minha mãe tinha começado a fazer as comidas que iam ser servidas de noite.

Depois de eu, meu pai e minha mãe nos mudarmos para uma casa no centro da cidade, a gente decidiu fazer uma festa de Natal. E tentar reunir todo mundo, afinal, conseguir era difícil, por que minha mãe tem 13 irmãos e meu pai tem 7 (como minha mãe mesmo diz, antigamente não tinha tv), além de que ainda tem os tios e tias e primos e primas de segundo grau, além de avós e avô e etc.

Eu tinha desistido de lembrar dos nomes de todo mundo, por que tinha gente que eu nunca tinha conhecido, e outros que eu só tinha visto quando era pequena.

A maioria deles iria embora na manhã do dia 25, mas minha tia Júlia e meu tio Thomas ficariam até a manhã do dia 26, já que na casa nova haviam dois quartos vagos.

Tia Júlia morava sozinha (ainda não tinha se casado) e longe, no interior, por isso passaria o dia aqui.

Já meu tio Thomas (quem eu não lembrava que existia até minha mãe me mostrar algumas fotos) ficaria aqui por que estava vindo de Nova York pra cá, e como ainda não tinha lugar para ficar, minha mãe tinha oferecido um quarto para ele.

Aparentemente, Thomas tinha ido embora quando o meu avô materno morreu, e somente agora estava voltando para o Brasil. Ele também era meu tio favorito quando eu era pequena, mas agora eu nem lembrava que ele existia.

Cerca de 5:30, minha tia Ana e meu tio André chegaram (por que minha família paterna tem um costume irritante de chegar cedo demais nos cantos).

Tia Ana sorriu para mim e me abraçou. Não fazia nem um mês que a gente tinha se visto.

–Tudo bem com você?

–Tudo sim tia.

–Sua avó vem mais tarde, ela pediu pra seu pai ir buscá-la.

Balancei a cabeça concordando, tentando me lembrar de avisar isso à meu pai.

Meu tio André deu um passo a frente e sorriu para mim.

–Olá Sophia.

Eu não gostava dele; ele tinha cara de pedófilo e uma barba que me dava agonia, além de ter o péssimo hábito de beber o tempo todo. Não pretendia chegar mais perto dele, mas ele mesmo se aproximou de mim, me abraçou e beijou minha bochecha.

–Linda, como sempre.

Me afastei rapidamente, e tia Ana empurrou um pacote na minha mão.

–Presente de Natal.

Agradeci a ela e fui até a cozinha falar com minha mãe.

–Vá rápido se arrumar, já que as pessoas estão chegando; quando você estiver pronta, eu vou e você toma conta das coisas.

Eu subi as escadas rapidamente; meu quarto era o mais perto do banheiro do primeiro andar, isso para compensar que meus pais tinham ficado com a suíte.

Tomei um banho rápido e coloquei meu vestido vermelho com mangas 3/4 que tinha sido comprado especialmente para essa festa. Eu não gosto de batom, muito menos escuro, mas passei batom vermelho para combinar com o vestido. Calcei minhas sapatinhas pretas e me olhei rapidamente no espelho.

Ainda conseguia ver a garota de 17 anos nos meus olhos verdes, cabelo castanho claro e nas sobrancelhas escuras e grossas, mas eu parecia diferente; Normalmente eu parecia mais velha, mas agora eu parecia ter quase 30.

Abri o presente da minha tia e achei um colar com um pingente de estrela; coloquei o colar, que acabava bem acima da minha barriga. Agradeci silenciosamente que o colar fosse grande, não gostava muito de colares com cordões pequenos.

Desci novamente até o andar de baixo; meu pai estava recebendo as pessoas que estavam chegando.

–O bolo deve estar pronto em dois minutos, fique aqui e tire quando o relógio tocar. -Minha mãe subiu as escadas para trocar de roupa.

Eu entrei na cozinha, e enquanto colocava um pouco de refrigerante em um copo para mim, comia uns biscoitos que estavam em cima da mesa.

–Precisa de ajuda? -Era André, que tinha entrado na cozinha sem que eu ouvisse. Ele era a última pessoa com quem eu queria ficar sozinha.

–Não, obrigada. -Consegui dar um sorriso falso para ele, antes de me virar para tomar um gole do refrigerante.

–Tem certeza? -Ele tinha se aproximado mais, quase me prendendo contra a mesa. -Não é o que parece.

Que droga, esse cara é marido da minha tia!

–Tenho. -Falei um pouco mais alto e empurrei ele um pouco.

Por sorte, o alarme ao lado do fogão começou a tocar, o que fez com que ele se afastasse um pouco.

Eu peguei a luva e tirei o bolo do forno.

–Você é, com certeza, uma bela visão.

Estava prestes a jogar o bolo quente na cara dele, quando meu pai chegou e se aproximou de mim.

Meu "tio" aproveitou a deixa e foi embora.

–Ele fez alguma coisa com você?

–Não pai, mas ainda bem que você chegou.

–Da próxima vez, meta logo uma faca na barriga dele. Eu vou apoiar você com certeza.

Eu ri um pouco enquanto saí da cozinha, mas ainda assim não me senti mais calma.

–--

–Você vai perder FEIO! -Eu nem tinha percebido que estava gritando até minha prima Letícia me olhar de cara feia.

–Shiu! Também não precisa gritar!

Eu estava jogando Ludo com minha prima Letícia (que era a segunda ganhando) de 15 anos, meu primo Erik de 21 e minha prima Isabelle de 10.

Eu estava oito casas a frente dela, e faltavam dez para eu ganhar.

A campainha tocou e minha mãe logo gritou meu nome.

Olhei para meu pai, mas ele também estava entretido demais conversando com meus tios para se importar.

Suspirei e olhei o relógio. Oito horas em ponto.

Me perguntei quem ainda estava faltando, já que a casa já estava cheia de gente.

Quando abri a porta, um homem de capacete, casaco de couro, calças jeans pretas e coturnos também pretos estava esperando do lado de fora.

Quem droga é esse cara?

Ele retirou o capacete e me abraçou forte.

–Oi, sobrinha.

O rosto tinha mudado; em vez de um cabelo totalmente escuro e um rosto ainda com resquícios da adolescência, esse homem na minha frente tinha um rosto com sinais de uma barba que tinha sido devidamente removida e pouquíssimos cabelos grisalhos que invadiam os cabelos pretos, mas os olhos azuis continuavam os mesmos, brilhando com sugestividade e imoralidade.

Droga, ele é lindo.

–Oi tio Tom.

Ele riu. -Você continua baixinha.

Fechei a cara para ele, que riu um pouco mais.

Ele atravessou a porta e desejou boa noite; mais de cinco pessoas se levantaram para cumprimentá-lo.

Eu o observei um pouco mais antes de me sentar novamente; ele retirou o casaco, mostrando uma camiseta social branca e uma gravata verde (que era a única coisa natalina que ele estava usando.

–Uau.–Minha prima Letícia era a única que ainda estava sentada esperando o jogo continuar, Erik estava junto dos adultos agora, e Isabelle tinha ido brincar de pega com as outras crianças. Letícia estava boquiaberta.

Eu suspirei. -Eu sei.

–Esse é mesmo seu tio? Tipo, desde quando? E você nunca me contou? -Letícia era minha prima por parte de pai, enquanto Tom era meu tio por parte de mãe.

–Desde sempre. Mas eu nem lembrava dele, sério mesmo.

–Da próxima vez, guarde bem na memória pra me contar depois.

Percebi que minha tia Júlia ainda não tinha chegado, mesmo tendo se passado uma hora do horário oficial de início da festa, e ela nunca se atrasava. Será que tinha acontecido alguma coisa?

Continuei jogando com Letícia; duas rodadas depois ela estava duas casas a minha frente, e eu ainda estava 8 casas longe de ganhar.

–Sophia, você tá distraída demais. To achando que você vai perder.

Joguei o dado e tirei um 6, o que me deu direito de jogar de novo. Tirei um 4 acabei o jogo.

–Ok, nunca mais falo nada.

Nós rimos enquanto guardávamos as peças e o tabuleiro.

Minha mãe estava terminando de servir as comidas e nos chamou para jantar.

–Mãe, tia Júlia não chegou ainda.

–Vou ligar para ela. Você termina de trazer as comidas?

Eu fui até a cozinha e estava trazendo o chester, quando quase esbarrei em Tom no caminho de volta.

–Pode deixar comigo. -Ele tomou o chester das minhas mãos e deu um sorrisinho. Não pude fazer nada a não ser sorrir também.

Outras pessoas estavam levando os pratos para a mesa, o que fez com que não tivesse mais nada para eu carregar, então apenas sentei na minha cadeira.

Quando todos se sentaram, ou no sofá ou ao redor da mesa, minha mãe avisou que Júlia não viria por que teve um problema com o carro.

Minha mãe se sentou numa cabeceira da mesa e começou algo como um discurso.

–Eu só queria dizer a todos que estou-- estamos muito felizes por vocês estarem aqui. Quero dizer, faz anos que não vejo minha família assim reunida. Quero agradecer principalmente por meu irmão Thomas estar aqui, -Tom sorriu e balançou a cabeça — agradecer pela existência da minha filha linda que eu amo -Sorri para a minha mãe- e meu marido maravilhoso. Feliz Natal a todos.

Quando todos começaram a atacar a comida foi quando eu percebi que não estava com fome nenhuma, por que já tinha comido um pouco várias vezes. Decidi colocar um pouco de comida no meu prato e ir sentar do lado de fora.

Sentei nos degraus que saiam da porta de trás, desistindo totalmente de comer alguma coisa. Encostei a cabeça na parede e fiquei observando o vento bater nas árvores e os carros na estrada.

–Você vai ficar me evitando o dia todo?

André estava na porta, segurando um copo de bebida. Eu me levantei rapidamente e desci o resto dos degraus.

Ele agarrou meu pulso e me puxou para ele.

–Calma aí garota, eu não vou fazer nada de mal a você.

Eu pudia sentir o cheiro de álcool de longe; ele estava completamente bêbado.

Enquanto ele se aproximava, eu procurava uma maneira de ir embora, puxando meu braço ou empurrando ele, mas nada dava resultado. Eu já estava apavorada demais.

–Algum problema aqui?

Tom desceu os degraus e empurrou André para longe de mim.

–Acho melhor você voltar, sua mulher está procurando por você.

André cambaleou para dentro novamente.

–Tudo bem com você? -Tom segurou meu queixo entro os dedos e olhou fundo nos meus olhos.

O perfume dele era a única coisa que eu conseguia sentir, então fechei os olhos com força.

–Acho que tem algum problema com essa porta. Eu não ouvi nenhum de vocês chegando.

Eu senti o corpo dele vibrando enquanto ele ria, e eu ri também.

Abri os olhos e encontrei os olhos dele examinando meu corpo. Senti meu rosto esquentando, então me afastei e sentei novamente nos degraus.

–Sabe, a última vez que eu te vi, você ainda tinha 6 anos.

Ele se encostou na parede a minha frente.

–Faz tanto tempo assim?

Ele balançou a cabeça, confirmando.

–Você era bem pequena e muito curiosa, você gostava de sentar no meu colo enquanto eu te contava histórias.

–Pra falar a verdade, eu nem lembrava de você.

Ele sorriu. -Eu lembrava de você muito diferente. Você está muito mais bonita agora.

Olhei para o chão, rezando pra que ele não conseguisse ver meu rosto vermelho naquele escuro.

–Eu vou entrar, querida. Vejo você mais tarde. -E piscou para mim.

Eu esperei que minha respiração se acalmasse antes de segui-lo. Esperava conversar mais com ele em algum outro momento.

Quando eu entrei novamente na sala, meu pai veio logo até mim.

–Aconteceu alguma coisa lá fora?

–Não, por que Thomas chegou logo.

–Tom é um homem muito bom e gosta muito de você. Você tem sorte por ele estar prestando atenção na hora. Da próxima vez, não vá para longe sozinha.

Eu joguei o resto da comida no lixo e coloquei meu prato sujo na pia.

–Sophia! -Minha mãe me chamou da mesa. -Thomas está lembrando das histórias de quando você era pequena.

Minha mãe e duas tias minhas estavam sentadas de frente para Tom, eu sentei em uma das cadeiras vagas ao lado dele.

–É mesmo? Qual é a história da vez?

–Quando você pintou uma centopeia na parede do meu quarto. Você lembra disso?

Lembrava vagamente de riscar um parede enquanto estava deitada na cama de alguém, e minha mãe reclamando comigo depois.

Balancei a cabeça confirmando.

–Mas com certeza não foi pior do que quando você riscou o meu carro novinho.

Todos ao redor da mesa riram.

Eu não me lembrava de nada disso.

–Quantos anos eu tinha quando isso aconteceu?

–Uns quatro, eu acho. -Minha mãe balançou a cabeça em desaprovação. -Essa não foi a primeira nem a última vez que você fez estripulias.

Fiz uma careta quando minha mãe demonstrou o quão antigo o vocabulário dela era.

Tom, ao contrário de mim, sorriu.

–Sim, ela é uma das garotas mais atrevidas que eu conheço.

Ele colocou a mão na minha coxa e passou o polegar pela parte de dentro. Instintivamente fechei um pouco as pernas, o que o fez subir a mão um pouco mais. Senti meu rosto esquentando. Olhei para ele, que não olhava para mim e sim para minha mãe. Mordi meu lábio inferior com força.

–Acho que vou me deitar um pouco, estou muito cansado da viagem. Se importam se eu subir?

–Não, nem um pouco.

–Sophia? -Ele olhou para mim, esperando alguma reação, mas eu nem sabia por que ele estava fazendo isso.

–Ah, não, tudo bem.

–Sophia, você se importa de ir mostrar o quarto para ele?

Droga, droga, droga.

–Não mãe.

–Então vamos lá.- Ele piscou para mim, e se levantou da cadeira.

Notas finais
Ufa, acabou kkkkkkkkkkkkkk