It Was You
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Notas iniciais
Por que a gente acorda com vontade de dormir? Isso é horrível. Acordei mais cedo que o normal por causa do dia da praia. Por que eu não a impedi?
Me lembro ainda dos lábios dela pressionando os meus. Era doce, mas a mesmo tempo errado. Ela apenas saiu correndo depois daquilo e depois disso nunca mais a vi. Idiota. E se alguém da escola nos visse? E se a mãe dela passasse para comprar camisinhas? E por que diabos eu pensei em camisinhas para ele comprar? Por que eu não disse, sei lá, abacate?
– Deus, preciso de remédio – Eu falo para mim mesmo. Quando vou levantar já tropeço nas minhas caixas – La vem tudo de novo – Eu sussurro. Minha casa está completamente bagunçada. Fazer o que? Inicio de mudança é sempre assim, um desastre. Mas bem, eu tenho que levantar e ir para a escola...- Ah, hoje é domingo...Eu tinha esquecido – Eu falo levantando com mais alivio.
Vou para a cozinha que é o lugar mais organizado da nova casa e preparo um café. Se passam uns 15 minutos e pronto, meu café esta feita. Quando eu dou o meu primeiro gole já posso dizer com vontade de vomitar:
– Que merda é essa? – Eu pego um pouco de água e bebo. Quando eu olho para o café, vejo que ele está na validade. Quando eu ia me perguntar o que dava o mal gosto, eu olho do lado do café. De primeira, eu penso que é o açúcar, porque o pote é igual, mas quando vejo a tampa, entendo o porque do mau gosto. Eu coloquei sal ao invés de açúcar – Idiota
Tomo banho, arrumo a sala e pronto. Já tenho a sala, a cozinha e o banheiro. Só falta agora o quarto,a garagem e o sótão. Mas hoje, estou muito desligado para continuar a fazer isso. Me sento no sofá e penso... É, A ruiva não sai da minha cabeça.
– Quero ir a praia...-Eu sussurro, mas logo me levanto rapidamente pensando no que eu disse. Que merda é essa? Eu? Ir a praia? Pensando nela? Opa, se controla, homem! Se eu fizer isso, o meu fundo ruim ganha. Não posso deixar isso acontecer, mas também não posso deixar isso desse jeito.
Então, pego meu telefone e com um esforço eu ligo para a casa dela torcendo para que ela atenda.
– Alo? – Uma voz doce atende. É ela, isso me deixa aliviado – Quem é? – Ela pergunta me trazendo de volta a vida real
– S-sou eu – Eu digo um pouco nervoso. Ela não fala por um tempo, olho para o telefone para ver se ela desligou e vejo que a ligação ainda está rolando. Coloco de novo no ouvido
– S-Sububafu? – Ela pergunta. É que hora ótima para ela fazer piada com nomes, uhul!
– Jennifer, quem é? – Uma pessoa do lado dela a pergunta bem alto me fazendo ouvir
– Um amigo...Nada de mais – Ela fala um pouco nervosa – S-Subumafu. Eu sei que a gente tem que conversar sobre o trabalho, mas não pode ser outra hora? – Ela pergunta para mim meio nervosa ainda.
– Pode ser, que tal me encontrar no restaurante perto do lago? Aquele fechado? Estarei te esperando lá 12:00, ok? – Eu falo tentando parecer o mais seguro possível
– Está bem, tchau – Ela fala desligando rapidamente sem eu nem conseguir dizer adeus.
Eu continuo arrumando a casa e pensando nela e no que vou dizer sobre aquilo. Sinceramente, não quero machuca-la, mas isso não vai dar certo. Não preciso mais do que a mesma objeção da qual eu usei da ultima vez: Eu e ela somos Professor e aluna, simples. Não pode existir mais do que essa relação entre nós, e eu tenho que deixar isso claro hoje.
Já é 11:40, já arrumei metade do meu quarto e a garagem. Acabei me sujando com graxa, então acabo tomando outro banho e me arrumando para sair. Quando saiu de casa já é 11:50.
– Vou chegar atrasado – Já falo. Como ela é mulher, ela deve chegar antes, preciso me apresar. Acelero o mais rápido possível só para não deixa-la esperando. Não estou fazendo isso porque não quero deixar ela lá sozinha por muito tempo, estou fazendo isso por questão de educação. Depois de enfiar isso na minha cabeça, chego lá 12:01. Entro na loja e lá esta ela me esperando mexendo no telefone como cabelo preso. Caminho até a mesa e me sento. Ela logo me percebe e fica um pouco vermelha
– O-Oi, eu nem vi você entrar – Ela diz apontando para a porta e rindo um pouco depois.
– É, eu percebi – Eu falo serio. Ela já se ajeita. Eu olho para ela nos olhos, e ela olha nos meus olhos também. Já posso sentir que posso falar serio – O que aconteceu com você da ultima vez que nos vimos?
– Aquilo...- Ela fala com uma voz meio baixa – Eu já te expliquei. Depois de um tempo, eu comecei a gostar de você. Não precisa me dizer que é impossível, porque eu sei que é. Você é meu professor, só ia te trazer problemas, mas eu não consegui me conter. Por alguma incrível razão, eu me senti tão feliz naquele carro com você que eu acabei não me aguentando — Ela fala sorrindo, mas logo tira o sorriso – Desculpa...- Ela fala novamente com a voz baixa
Dar discurso agora é inútil. Ela sabe o que é certo e o que é errado. E, também, eu acho que eu entendi como ela se senti.
– Está tudo bem, mas você tem que me prometer que isso não sairá de nós dois. – Eu falo. Ela logo balança a cabeça
Depois disso, a comida chegou e de uma hora para outra, começamos a conversar sobre algo completamente diferente. Eu ria, ela sorria. Eu brincava, ela tentava me bater. Risos iam e vinha de formas diferentes sempre. São nesses momentos que percebemos aqueles que fazem o nosso mundo girar. Comemos, e andamos um pouco. Eu a levei para casa e quando chegamos no mesmo lugar onde ocorreu o beijo, eu me liguei. O que eu estou fazendo aqui? Não acredito que me deixei levar de novo... Antes mesmo de dizer algo, ela já tinha se ligado também e já estava andando na minha frente. Chegamos até a frente da casa dela sem dizer nada
– Chegamos... Até a aula, Jennifer – Eu falei
–Ah, sim. Obrigada por me trazer, ainda bem que você sabe que eu tenho medo de andar sozinha, se não... – Ela falou meio para baixa- Eu odeio explicar para os outros que eu não gosto de andar sozinha. Eles sempre entendem que eu estou dando em cima deles. É bom ter uma pessoa que sabe que não é isso... – Ela fala se virando para falar comigo, mas logo se vira de novo – Bem, até a aula , professor
– Para você é Subumafu – Eu falo brincando e logo ouço ela rindo e virando para mim. Por que eu disse isso? Por que eu não queria que acabasse assim? Então como eu quero que acabe? Eu não entendo mais nada
– Por que você sempre dificulta as coisas para o meu lado? – Ela pergunta chegando mais perto de mim
– Como? – Eu pergunto
– Você... Faz isso! Você fala de forma gentil e amorosa, e acaba me fazendo ficar desse jeito. Isso dói, sabia? Tentar não amar algo que você ama... Isso dói muito – Ela fala com as lagrimas nos olhos. Ela está triste, está com raiva. Parece até que ela não quer nunca mais olhar para a minha cara, mas ao mesmo tempo não quer que isso aconteça... E agora? – Quer saber, esqueça tudo que aconteceu, esqueça o que eu te disse no dia da praia, esqueça o beijo e, ah, esqueça de mim – Ela fala se virando e quando ela chega na porta da casa dela, eu a paro
– Espera, por favor – Eu falo segurando a mão dela. Ela para – Tem alguém em casa? – Pergunto
– Não... Vão chegar daqui a pouco – Ela fala ainda de costas com uma voz chorosa
– Então vou ter que ser breve – Digo. Não sei muito o que fazer, mas não quero me esquecer dela... O que eu...pera...- Jennifer Franker, eu tenho uma proposta para você...- Eu falo. Ela se vira
– Uma proposta? – Ela pergunta serena limpando os olhos – Como assim?
– Eu não quero que acabe assim. Não quero que você vá embora, não quero que nossos momentos divertidos acabem, não quero nada assim. Eu quero continuar assim com você, feliz, sorridente, com piadas, com o seu sorriso no rosto e com os seus sentimentos a mostra – Eu falo com todo o meu coração – Eu quero estar com você mesmo eu não podendo, mesmo eu não querendo admitir para mim mesmo porque acho errado. Eu quero – Eu falo. As lagrimas dos olhos dela começam a cair de novo. Sinto que ela quer falar algo, mas não consegue por que o choro a impede – Então, la vai a minha proposta. Esteja comigo, mas ao mesmo tempo não esteja. Quero que viva a sua vida como ela esta agora, mas quero que você também viva momentos comigo. Não quero pedir namorar agora, mas a minha proposta é que fiquemos assim até você se formar- Eu falo e ela fica meio surpresa – Se conseguirmos durar até você se formar, eu farei o pedido certo – Eu falo sorrindo agora, ela corre e me abraça. Ficamos abraçados até ela parar de chorar e se ajeitar
– Essa é nova para mim – Ela diz rindo um pouco. Ela olha no fundo dos meus olhos e eu posso perceber que ela está feliz , mas não quer demonstrar tanto assim – Então – Ela começa meio meiga – Eu até aceitaria, mas eu tenho algumas regras – Ela diz fazendo de difícil, isso não vai dar certo — 1° Na escola, você é somente meu professor. Se quiser me ver e falar comigo assim, vai ter que sempre marcar um lugar para conversarmos – Ela diz
– Justo. Ah, se for para a Samantha e para a Emily, você pode falar – Eu digo sem pensar – Não pera, deixa eu reformular isso... Se você acha que elas podem manter isso em segredo e são confiantes, você pode contar – Eu falo mais segura de mim
– Ok... 2° Se um de nós acabarmos nos apaixonando por outra pessoa, nós temos que parar com isso. Isso não é relacionamento, mas com certeza afetaria a pessoa que estaríamos gostando. Certo? – Ela pergunta chegando mais perto
– Certo – Eu falo chegando mais perto. Estamos a centímetros de distancia... – Eu acho que acabou as regras agora, né? – Eu pergunto sussurrando
– É – Ela responde sussurrando.
– Então, eu já posso dizer, a proposta é oficial – Eu digo destruindo os últimos centímetros que faltavam para beija-la e ela retribuiu. Foi o primeiro beijo que demos que foi aceito pelos dois. Dizer que foi mágico seria um Gustavo da vida, então eu logo digo que foi diferente. Que ela é diferente.
Com tantas coisas diferentes na minha vida agora, tomara que isso tudo não me torne diferente, mas já é tarde demais para dizer isso. Porque, que eu me lembre, nessa manhã mesmo eu disse a mim mesmo que eu nunca deixaria meu lado ruim ganhar, mas acabou que esse lado ruim ficou meio bom e...Ele ganhou
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