Notas iniciais
Clichêzinho básico, eu não gostei muito do resultado, mas a JUke disse que estava "passável" então resolvi postar e ver o que vocês acham.

Espero que digam o que achem e que se divirtam nesse pequeno clichê:

Yohan não estava nem um pouco a fim de sair naquela noite, mas por insistência de sua melhor amiga, Eliora, acabara por se aprontar para a tal festa.

Chegando lá, atrasados como de costume pela demora imensa do rapaz em escolher o que vestir, estavam todos sentados a jogar um daqueles jogos idiotas e infantis, na percepção de Yohan, verdade ou consequência. Porém, naquele jogo as regras ainda pareciam fazer sentido e a pessoa não poderia simplesmente escolher "verdade ou consequência": algo lhe seria perguntado e caso não quisesse responder, teria de aceitar as consequências por querer manter o segredo.

Mais uma vez, naquela noite, por insistência de Eliora, Yohan fez algo que não queria: sentou-se junto a todos aqueles adolescentes meio altos pelas bebidas ingeridas no inicio da festa e deixou que girassem a garrafa, já seca, de um liquido desconhecido.

Não é como se Yohan fosse um nerd esquisitão, anti-social, que usa óculos enormes, tem um corte de cabelo feito pela mãe e usa roupa de velho. Yohan, com seus recém-completados 21 anos, tinha longos cabelos castanhos que desciam ondulantes até um pouco a baixo de seus ombros, olhos negros, queixo fino, expressão não tão máscula, mas ainda assim charmosa, corpo bem definido, um e oitenta e oito de altura, dentes perfeitamente brancos e alinhados e covinhas adoráveis que surgiam cada vez que o garoto sorria.

O rapaz trajava uma camiseta de uma de suas bandas favoritas, Atreyu, escondida pelo casaco fino em tom claro que contrastava com a calça de jeans negro e os Allstar verde-escuros.

A garrafa parou de rodar e logo a pergunta fora feita.

- Yohan, é verdade que você gosta da Eliora desde que a viu na escola pela primeira vez, na terceira série? – perguntou um dos rapazes que havia estudado com ele na época.

Sem jeito, o tímido Yohan sorriu esperando pela pergunta que veria a seguir. – Verdade ou consequência, Yohan?

- Isso já faz tanto tempo, não vejo pra que remexer no passado agora. Consequência, por favor. – Yohan fora um tanto rude com as palavras, mas a verdade era que ele ficava incomodado toda vez que alguém dizia haver sentimentos a mais de sua parte para com a garota que tanto protegera; era apegado a ela, sentia ciúmes e a queria apenas para si, mas via tudo aquilo apenas como consequência do amor fraternal e de sua superproteção.

O loiro do outro lado da garrafa continua em silêncio por breve momento até que por fim dita a sentença. – Beije Eliora, um beijo de língua.

Com o rosto um tanto rubro Yohan vira-se para sua esquerda, onde indiferente permanecia sua até então melhor amiga. – Eli, não precisamos fazer isso se você não quiser, afinal é só um jogo estupido. – sentia-se sujo por ter de fazer aquilo com a garota que passara boa parte de seus 21 anos protegendo.

- Vá em frente, Yohan! Ésó um jogo mesmo. – disse a garota, sem notar que o rapaz ao seu lado estava apenas querendo protege-la, achando que, na verdade, ele queria fugir da brincadeira e encontrar um motivo para arrasta-la de volta para casa.

Yohan então fez o que lhe fora dito. Aproximou-se de Eliora, tocando-lhe a face com delicadeza exagerada enquanto aproximava o rosto lentamente. Estava um tanto tremulo, não queria ter de fazer aquilo.

Eliora, a fim de fazer o jogo andar com maior rapidez e acabar com o incomodo desconforto que fazia suas bochechas ficarem rubras, apesar de já ter feito aquilo milhares de vezes, e de retomar o controle do coração que pulsava rapidamente dentro do peito, fez seus lábios se juntarem aos dele num beijo terno e infantil, apenas um selinho. Selinho este que fora aprofundado quando lentamente ambos entreabriram os lábios, fechando os olhos, por conseguinte.

As línguas se tocaram timidamente e neste ponto os dois já estavam viajando em um mundo só deles, onde cada um tentava apreciar e guardar na memoria o máximo do outro que conseguisse com aquele contato tão intimo.

Estavam quase sem ar, porém não queriam se separar, sabiam que assim que isso acontecesse, não conseguiriam se olhar, a vergonha e a culpa tomariam conta deles e então a noite estaria acabada.

Não foi preciso que se separassem para recuperar o folego, pois, incomodados com a duração do beijo, algum dos outros participantes do jogo separou-os, afinal os protestos para que pudessem continuar a jogar já estavam sendo feitos há algum tempo e sendo também completamente ignorados pelo casal.

Já devidamente separados e recuperados, Yohan finalmente tomou coragem para erguer o rosto e olhar para a garota ao seu lado, que estava vermelha como um pimentão e olhava para as próprias mão que se encontravam cruzadas sobre o colo.

- Eli. –chamou ele baixinho, quase sussurrando.

Segundos depois tornou a chama-la, já que não havia obtido resposta na primeira tentativa, e só então, parecendo ter notado a presença alheia, Eliora virou-se levemente na direção de Yohan, olhando não para o rosto do rapaz, mas para seu peito e conseguiu sussurrar um muito fraco “o que foi?”.

Tentavam esconder, mas era evidente que o beijo havia mexido, e muito, com ambos.

- Estou indo pra casa. – disse ele num fio de voz.

- Tudo bem. – ela falou mais para si mesma do que para ele.

- Precisa que eu venha de buscar depois ou consegue carona? – apesar de todo confuso, não podia evitar se preocupar com o bem-estar da amiga.

Apesar da voz de Yohan ter saído um tanto falha, Eli entendeu-a completamente, e com o coração palpitando voltou a olhar para as próprias mãos. – Eu dou um jeito.

Yohan então ergueu-se e se dirigiu rumo a porta sem dizer uma palavra.

Já na rua, direcionou-se tão logo quanto pôde ao Mustang 68 e fechou a porta, seguindo rumo ao desconhecido com as janelas abertas e o som alto nos fones de ouvido que tocavam musicas aleatórias as quais ele nem mesmo prestava atenção por estar absorto nas lembranças do que acontecera mais cedo.

Surpreendeu-se ao notar a musica que tocava em seus fones quando chegara a seu destino final, um parque em péssimas condições perto da escola onde cursara o fundamental e repreendeu-se mentalmente ao ver que aquela era a única musica que tocava já há um certo tempo, não tendo se dado conta do momento exato em que a colocara para tocar.

Abriu o porta-luvas e retirou de lá uma carteira de cigarros já pela metade junto do isqueiro. Saiu do carro e foi sentar-se perto de algumas arvores, acendeu o primeiro cigarro, já meio velho, esquecido há muito ali, e deixou-se levar pelo som da musica e pelas memórias frescas que lhe doíam na alma.

Mal se deu conta de quando começou a cantar:

- "It started with a kiss and turned out something else.
The blood coils in through my veins I think of no one else.

I never believed in much but I believe in this.
I'm incomplete without you, I'd kill to taste your kiss.

I'm lost and lonely scared and hiding.
Blind without you.

When the the world comes crashing down and the skies begin to fall,
I'll wait for you
When the days grow old and long and my skins turns into stone,
I'll wait for you
When the pain it seems too much and my heart starts beating out of touch I don't need a thing,
I'll wait for you


It's all so different now, emotions burn me out..."

Notas finais
Era isso, sei que provavelmente o clichê deveria ter um final feliz, mas, se fosse totalmente perfeito eu acho que seria clichê de mais para o meu gosto.
Desculpe se esperavam algo mais, mas, não consigo um final feliz todo rosado, não me deixa muito contente um final assim.
Foi, o melhor que consegui.
Espero ansiosamente por saber suas opiniões.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!