It Had to be You! Hyunlix
7 Será que Felipe realmente é o Sam?
Notas iniciais
Terça-feira, 7h34min.
Para: Lixie.
De: Prince Sam.
Assunto: Bom dia!
Caro Lixie,
Como estão às coisas com o meu correspondente eletrônico hoje? Como eu sei que é homem? Bom, seria bem estranho alguma garota com um apelido desses, alias, ele me parece bem familiar... Só não sei dizer de onde. Eu realmente estou um bagaço de laranja depois de ser chupado. Não dormi bem à noite — acho que ando meio confuso por causa de umas coisas muito estranhas que têm me assombrado, acho que estou amando, e isso tem me feito ter insônia, sabe? Queria te dizer um pouquinho sobre mim — sem abrir muito o jogo! Afinal, as melhores coisas começam assim, com um pouco de suspende e curiosidade. Sou um cara bem legal, pelo menos eu acho isso, que adora de conhecer gente nova para ter boas amizades. Amo viajar. A faculdade até que não é ruim como pensava, mas estou louco para me formar e botar o pé na estrada. Já te falei que adoro o cheiro de Jasmim? Ele é chamado muitas vezes de jasmim-dos-poetas, e não sei por que me associou a ti. Uma vez viajei pela Índia com minha família e passamos por um campo imenso coberto de arbustos espessos (da família oleácea, uma trepadeira bem delicada), de folhas ovais e bem brilhantes, tem de cinco a seis pétalas brancas, e o melhor de tudo, ela não é nada venenosa. Quando o vento mudou de direção pela noite, lembro que senti um perfume muito doce e gostoso no ar. Foi Incrível.
Já estou me sentindo bem melhor depois de lhe contar isso. Desejo-te um ótimo dia!
Sam.
Terça-feira, 7h50min.
Para: Prince Sam.
De: Lixie.
Assunto: Gostei da sua recuperação.
Oi, Sam,
Obrigado pelo bilhete. Confesso que fiquei meio surpreso com as suas conclusões sobre mim, e que está de fato certo, eu sou um cara. E te garanto que meu apelido não é familiar para ninguém, deve estar pensando demais. Eu também amo viajar, se bem que não tenho viajado muito por conta do trabalho dos meus pais e também pelas aulas. Já estive na Coreia, em todos os estados litorâneos dos EUA e no Havaí. Passei uma semana na Irlanda, ótima recomendação para quem ama uma cervejinha. Eu adoraria cruzar toda a Europa um dia desses, talvez depois de terminar a faculdade ou arrumar um bom emprego de meio período. Entendo-te quando você fala que faculdade é meio chata. Às vezes acho que estou só matando o tempo, entediado, á espera que pinte alguma coisa melhor. Estou louco para terminar tudo e cair no mundo sem preocupações.
Não tenho muita coisa interessante para te contar sobre mim. Realmente gostei do que você falou sabre não querer abrir o jogo por agora. Também prefiro não lhe dizer quem eu sou, pelo menos por enquanto...
A gente se fala.
Lixie.
— Eu disse que dessa vez ia funcionar, Lixie! — berrou Changbin em pleno pátio, lendo o bilhete do Prince Sam que tinha acabado de imprimir exclusivamente para lhe mostrar.
— Fale baixo, porra! Você vai acabar me denunciando! — torci mentalmente para que ninguém por ali tivesse escutado nossa conversa.
Chang brincava com o seu cabelo levemente enrolado. — Esse garoto parece ser tão romântico. Quando é que vocês dois vão se encontrar, Lix?
— Ainda é cedo para pensar em marcar um encontro com ele. — Tirei a tampa do iogurte de frutas vermelhas e dei uma mexida com a colher. — Além de que isso pode ser tudo uma enganação.
— Como pode ser tudo verdade também, apenas dê uma chance — acrescentou o mais velho.
Eu não podia me basear muito, mas pelas duas únicas mensagens que ele me mandara, parecia de fato ser um menino muito doce, civilizado, ‘sensível’ e, quem sabe, talvez um pouco bom demais para ser de verdade, afinal, nunca se sabe quem está do outro lado; falo disso sobre as experiências negativas de Changbin. Não ia me deixar levar apenas pelas palavras dele, não até exclusivamente ter um pouco mais de informação.
Dobrei a folha impressa e guardei no bolso da calça antes que mais alguém pudesse ver. — Não posso perder tanto tempo me perguntando se esse cara é real ou não, Bin. Tenho problemas muito mais sérios que isso para resolver. Ainda tem essa história toda da banda querer se desfazer acaba me deixando deprimido. Não tem nem ideia de como é difícil encontrar um lugar para fazer uma apresentação, sem precisar de gravação ou reserva!... — Minha voz acabou sumindo aos poucos ao ver Felipe entrar na cantina. Meus olhos o seguiram enquanto ele passava pela pilha de bandejas.
— Me deixa adivinhar... O furacão brasileiro acabou de entrar — Bin falou sem nem precisar levantar os olhos da fatia imensa de pizza.
— Como você sabe? Esse seu radar disparou?
Seo abanou a cabeça em negação. — Não. Mas é só olhar para você. Fica meio bobo e idiota sempre que ele chega a dois metros de distância.
Ele tinha toda razão. Quanto mais eu o via com o passar dos dias, mais caído por ele ficava. Para onde quer que me vire, lá estava Perez, mostrando seu sorriso branquíssimo ou então passando a mão pelos cabelos pretos macios e sedosos. Todos os seus gestos a meu ver eram elegantes e ardentes, totalmente sensuais. Ele era igualzinho a um enorme colar de diamantes que uma vez eu vira em uma vitrine no shopping — exclusivo, deliciosamente lindo e totalmente inalcançável.
— Acho que é melhor você começar a botar mãos à obra — falou o outro, tirando todos os pedacinhos de tomate da sua fatia de pizza vegetariana. — O baile é dentro de um mês, Felix.
Engoli uma colherada de iogurte. — Depois do encontro que tivemos ontem na biblioteca, percebi logo de cara que eu não tenho a menor chance, Binnie. Sobretudo com a Valeria na cola dele.
Como se fosse uma ‘deixa’, Valeria saiu rapidamente da outra ponta da cantina indo diretamente para onde estava Perez. Jogou os braços de forma bem dramática em volta do pescoço dele, falando bem alto na tentativa óbvia de chamar a atenção de todos que estavam por ali. Fiquei olhando em expectativa como ele reagiria, mas não consegui perceber se ele a achava tão chata e problemática quanto eu.
— Ela me dá nos nervos total — disse Seo fazendo uma careta de deboche. — Essa garota não tem um pingo de vergonha na cara, sempre se atirando para cima dos garotos. Não me surpreende se ela for a mais rodada daqui.
— Você acha com certeza que ele pode gostar dela?
Os olhos de Seo se franziram diante da minha pergunta. — Como poderia?
— Bom, ela é bem bonita.
— Bonita e galinha. Por que será que ele não lhe dá o fora de uma vez?
Encolhi os ombros em dúvida. — Vai ver ele acha que todas as australianas são assim.
Changbin colocou várias fatias de cogumelo no meu prato. — Cabe a você abrir os olhos dele, Lix. Faça isso pelo bem da nação antes que seja tarde demais.
Valeria levou Felipe para uma mesa redonda, onde estavam todas as lideres de torcida que ficaram incrivelmente satisfeitas de vê-lo por ali, como se ele fosse uma peça gorda de carne. — A concorrência por ele é muito violenta. Não quero me decepcionar depois de tudo.
Changbin agarrou-me pela manga do meu moletom rosa e disse:
— Será que vou ter que te lembrar de certo acompanhante muito comprometedor chamado Sivan que foi com você ao baile do ano passado?
— Está bem! — concordei apavorado, não queria que aquilo acontecesse novamente. — Prometo pensar no assunto.
Quando fui ate meu armário, durante a aula de literatura, encontrei um envelope misterioso grudado na porta. Estava endereçado para mim numa letra que eu conhecia vagamente. De quem poderia ser mesmo? Abri o envelope.
Lilixie,
Estes são alguns lugares aqui por Sydney que talvez queira conferir:
1º – The Eve of Starfall;
2º — The Blessing of Zopha;
3º — The Tournamente oh the Rose Countess;
4º — The Thief and Shield;
5º — The Jovial Hell-hound;
6º — The Harpers Tavern;
7º — The Blue Chalice.
Se quiser uma ajudinha extra para tentar reservar uma data neles, sabe onde me encontrar.
Hyunjin.
De fato não achei graça nenhuma nessa brincadeirinha de mau gosto. Na realidade, fiquei bem furioso tanto que amassei e joguei o bilhete junto do envelope na lixeira mais próxima de onde estava. Além do mais, Hwang seria a última pessoa do mundo a quem eu chamaria se precisasse de ajuda.
Ainda fervendo de raiva, me dirigi para a ala dos laboratórios, estaria deserto àquela hora do dia, rumo à sala de informática. Meu sangue começou a borbulhar com toda a raiva que sentia, subindo para o meu rosto e os meus olhos começaram lacrimejar e arder. Incrível como ele sempre conseguia ser insensível. Todo mundo devia achar que Hwang era um encanto, um cara super legal, mas no fundo eu sabia que era tudo fingimento. Era bem do estilo dele, brincar com a minha cara quando as coisas estavam ainda mais difíceis. Afinal de contas, quem sairia ganhando se eu fracassasse?
Na outra ponta do corredor, a porta do laboratório de Informática se abriu e alguns alunos saíram. De relance vi um cara com uma camisa verde xadrez amarrada na cintura. Levei um segundo exatamente para perceber que era Hyunjin.
Não posso deixar ele me ver nesse estado deplorável, pensei, limpando umas lágrimas do rosto. Por mais que quisesse gritar e brigar com ele por conta daquilo, não queria que suspeitasse sobre o quanto seu bilhete me perturbara. Não queria lhe dar esse gostinho.
De repente, ele parou para amarrar os cordões das botas e eu aproveitei o momento para desaparecer dali.
Não estava conseguindo pensar com muita clareza, naquele momento; só desejava sumir do mapa antes que ele terminasse de amarrar as botas. Fui andando de costas, sem ter certeza de onde estaria indo, procurando uma porta, entrei na primeira que apareceu e me escondi.
Consegui, pensei aliviado por um momento.
Enquanto a porta se fechava a minha frente, me virei dando de cara com Marissa enxugando as mãos com um bolo de toalhas de papel. Eu estava no banheiro das meninas!
— O que você está fazendo aqui? — ela perguntou com os olhos praticamente fora das órbitas assustada.
— Ai, essa não! — Respondi abaixando-me para espiar por baixo das portas, com medo de outra garota aparecer por ali. — For favor, diga-me que você esta sozinha!
Marissa jogou as toalhas de papel no cesto de lixo próximo a ela. — Neste exato momento para a sua sorte, estou, mas pode entrar uma garota a qualquer instante.
— Agora não mais. — Tranquei a porta rapidamente. — Estou fugindo de alguém.
— De quem exatamente?
Não conte para a Marissa sobre o que aconteceu em relação ao bilhete, avisou uma voz dentro de mim. — De um professor babaca — resmunguei sem interesse e revirei os olhos. — Estou sem a porra autorização para ficar fora da aula.
— Fica então com a minha Lix, se quiser. Eu digo que perdi e recebo outra.
— Olha obrigado de verdade, mas eu prefiro esperar até ele ir embora, que não deve demorar! — Olhei-me no espelho sobre a pia, estava da cor de um tomate bem maduro. — Além disso, sempre tive curiosidade para saber como era o banheiro das meninas.
Marissa balançou a cabeça, em um gesto de aprovação como se estivesse acreditando no meu assunto maluco. — É muito diferente?
— Mais ou menos — falei, fazendo uma careta para o banheiro organizado, mas cheio de toalhas de papel jogadas pelo chão, além do cheiro ser mais agradável. Tentei ouvir por trás da porta. Os passos pareciam mais pesados pelas botas de Hwang ecoando pelo corredor, quase que no mesmo ritmo do meu coração disparado pelo susto.
— Será que eu posso sair agora ou você vai me manter aqui dentro como refém?
Esperei até que passos dele sumissem. — Agora está tudo em ordem, Ma. — Destranquei a porta com cuidado. — Só por favor prometa que não vai contar isso para ninguém, nem para o Bucky. — Estava me sentindo um idiota completo.
— Não se preocupe com isso. — Ela pegou no meu ombro e apertou sem muita força. — Ninguém vai ficar sabendo de nada.
Abri a porta, e para o meu absoluto e completo horror, vi Perez parado bem ali com a Valeria. Soltei uma exclamação abafada e acabei recuando. Meus joelhos dobraram-se e cai com tudo em cima da Marissa, que rapidamente teve que me segurar para evitar que caísse e acabasse a machucando.
— Oi, Yongbok — falou Felipe que, com a sobrancelha arqueada em desconfiança, e talvez em maldade em julgar nós dois, olhou para mim, depois para Marissa e em seguida para placa na porta. Os lábios carnudos contorceram-se, em um sorriso malicioso. — Tudo bem se ela entrar? Vocês já acabaram ou atrapalhamos?
Totalmente paralisado com o choque, não disse palavra. Nem sequer ousei olhar para ele, muito menos depois do que ele mencionou, eu jamais ficaria com a Marissa no banheiro da faculdade, e nem outra garoto ou garoto. Em vez disso, fiquei olhando para os seus tênis cor preto tentando disfarçar a minhas bochechas vermelhas.
— Ele só não está se sentindo muito bem, como podem ver a pouco. — Ela me empurrou para fora. — O banheiro é todo de vocês agora.
Quando a porta enfim se fechou novamente atrás de mim, senti o corpo cedendo aos poucos, precisava sumir dali o mais rápido possível. — Tem algum buraco com você onde eu possa me enfiar para sempre? — gemi.
— Não liga para isso. Eles provavelmente não acharam nada estranho. Afinal, a Valeria sabe que eu namoro e não iria trair o Bucky, assim como sabe que você prefere homens. – Falou em tom alto justamente para os demais que estavam no banheiro ouvir e não espalhar falsas impressões sobre nós dois.
— Claro, claro. — Minha humilhação era absoluta, fora o sarcasmo. — Obrigado por me dar cobertura.
— Sempre que você precisar, Felix. — Marissa estava indo para a biblioteca. — Vejo você no ensaio.
Agora que as aulas tinham praticamente terminado, a probabilidade de ser pego era grande, mas mesmo assim decidi ir até o laboratório para ver se havia recebido algum novo e-mail, e esperava que sim. Respirei fundo várias vezes para me acalmar e senti que aos poucos estava conseguindo. O laboratório estava sossegado e quase vazio, a exceção de uma menina que digitava vorazmente em um terminal. Alguém devia ter dado uma saidinha bem rápida, porque outro terminal estava ligado e havia alguns livros espelhados sobre a mesa. Sentei-me na fileira ao lado.
Entrei no sistema e bem fiquei espantado ao ver que tinha uma nova mensagem. Eu tinha respondido há poucas horas antes — será que o Sam teria me respondido assim tão rápido? Pressionei algumas teclas e vi a carta aparecer na tela.
Terça-feira, 14h04min.
Para: Lixie.
De: Prince Sam.
Assunto: Oi novamente.
Caro Jasmim-dos-poetas,
Estava pelo laboratório de informática e não resisti á tentação de mandar umas poucas linhas. Você já teve dias em que nada parece dar certo, em nenhum momento? A semana inteirinha para mim foi assim. Parecia que em tudo que tocava desmoronava sem mais nem menos. Começo a desconfiar que esteja enfeitiçado, se é que isso existe. Desculpe eu me queixar assim com você — em geral guardo essas reclamações para mim mesmo. Por fora, nunca deixo transparecer que tem alguma coisa me incomodando, por ter sido ensinado assim. Até que dou a impressão de ser um cara bem confiante e tranquilo, mas essa não é bem a realidade das coisas. Fora que é bem mais fácil do que ter que explicar as coisas sempre para as pessoas que no fundo não estão nem um pouco interessadas em saber como você está. Mas de alguma forma não me importo de contar a você, porque tenho a impressão de que você me entende muito bem. Hoje pela tarde irei ver o pôr-do-sol no alto de um morro que tem perto de casa, não é lá muito alto, mas é bem melhor do que o telhado de casa. Sempre que posso estou indo lá, porque é um bom lugar para pensar e relaxar. Fico lá sentado, observando os diferentes tons se espalharem no horizonte, até que escurece. Você já fez isso alguma vez? Não estou apenas falando de ficar olhando o sol se pôr, mas de estudá-lo, de verdade. O mais impressionante é que cada dia é diferente do outro, dependendo do que você esteja passando. Por favor, escreva se puder, adoraria ter notícias suas novamente.
Cuide-se!
Sam.
Depois de ler repetidamente a mensagem do Sam, fiquei sentado na frente do computador com um sorriso imenso, meio abobado no rosto parecendo um retardado. Ele deveria ser um cara muito, muito doce mesmo. Mas não se deixe levar, me disse aquela voz interior. É tudo mentira e uma verdadeira farsa. Eu devia conhecer a maior parte dos meninos desse lugar desde o primeiro ano primário, pois sempre estivemos juntos e posso garantir que nenhum deles, era um viajante internacional sensível, preocupado com o mundo e com as chances reais de futuro. Afinal, que tipo de garoto pensa nisso na flor da idade e cheio de hormônios? Ou Sam era um mentiroso ou então talvez eu não tivesse a menor ideia de como avaliar o caráter e intensão alheia.
Um vulto entrou na sala e finalmente sentou-se no computador que estava ligado. Dei uma rápida olhada por cima do ombro e vi que Felipe estava me olhando.
— Está se sentindo melhor por agora Felix? Eu posso ajudá-lo em alguma coisa, tipo ir para casa?
Esse cara deve pensar que sou completamente pirado e pegador de garotas compromissadas. Senti uma vergonha subindo pelo pescoço. Se realmente, em algum momento nesse repulsivo dia, tivesse existido uma pequena chance esta teria desaparecido para sempre. — Estou bem sim, obrigado — sussurrei e virei novamente para o computador.
— Que bom Felix — disse ele, com seu sotaque em evidencia. — Você está mandando e-mails também?
— Estou — resmunguei sem querer. Realmente isso é tudo que você consegue dizer, babaca? Critiquei a mim mesmo. Era uma oportunidade perfeita que provavelmente não teria novamente de iniciar uma conversa, no mínimo interessante, e eu não conseguia formar uma única palavra direito. Meu estômago doeu como se tivesse levado um belo soco. Olhei sem enxergar nitidamente para a tela do computador, tentando inutilmente esquecer que o cara por quem eu estava completamente a fim de dar uns pegas estava sentado praticamente do meu lado. Tentei inclusive reler a carta de Sam, mas estava muito confuso e atordoado, com o perfume dele que estava no ar, para conseguir escrever uma resposta descente.
Aí então reparei em algo bastante interessante.
No alto da carta, logo acima do nome de Prince Sam, estava indicada exatamente a hora em que a mensagem tinha sido enviada. Às 14h04min, olhei meu relógio assustando demais para realmente ser aquilo que pensava, eram 14h20min. Fosse quem fosse o meu correspondente, não deveria estar muito longe.
Deu o último sinal da faculdade e a garota que tinha esquecido lá do canto se levantou e saiu apressadamente. Olhei em volta da sala vazia e foi aí que eu percebi. Além da menina e de Felipe, ninguém mais tinha estado no laboratório nos últimos quinze minutos.
Senti um violento frio na espinha. Seria possível que Sam fosse Perez?
Uma sensação deliciosa de ‘calor’ tomou conta de mim, enquanto brincava com a possível ideia. Jamais me passaria pela cabeça à hipótese de que meu correspondente pudesse ser ele. Estudei todas as informações anteriores nas mensagens, procurando por pistas que pudessem confirmar a minha suspeita.
Pista n° 1: Sam falou que ama viajar e conhecer gente nova; típico de pessoas participantes de Intercâmbio;
Pista n° 2: Sam mencionou ter estado na Índia, de modo que obviamente já percorreu a Ásia assim como outros continentes; coisa fácil de fazer se você é da realeza...
Pista nº 3: Sam é muito sensível e romântico; o que não deveria ser considerado uma prova de que ele e Felipe fossem à mesma pessoa. Mas também não tinha como provar o contrário.
Pista nº 4: Sam é apelido de Samuel, um nome bem comum pela América.
As provas eram apenas algumas — Sam e Felipe de fato poderiam ser a mesma pessoa, era o que eu esperava.
O que eu devo fazer agora? O pânico novamente tomou conta de mim, como numa descarga elétrica causada por raios. Será que tenho coragem de dizer a ele que eu sou o Lixie? Seria uma coisa bem simples na verdade, mas no momento sequer conseguia o olhar, ainda depois do incidente do banheiro. Mesmo que fosse a oportunidade perfeita para revelar minha identidade, talvez não houvesse outra chance.
De repente, tive uma ideia, e esperava que desse certo. Ele e eu éramos as únicas pessoas naquela sala. Se eu mandasse uma mensagem imediatamente, ele poderia fazer as conexões sem que eu lhe dissesse diretamente. Obvio não assinaria meu verdadeiro nome por hoje, mas ele pensaria que tinha sido eu quem mandara o bilhete, afinal, estávamos somente nos dois no laboratório! Era um plano brilhante, certo? Nem o Changbin teria feito algo melhor.
Digitei o mais rápido que pude uma mensagem, mas não reparei se houve algum erro, já que estava desesperado, e rezando para que ele não fosse embora antes de eu terminar. Escrevi sobre o pôr-do-sol, dizendo para manter a cabeça erguida e que no final tudo daria certo, que aquela semana ia passar, e logo as coisas ficariam bem. Tentei ser, em menos de um minuto, sensível e compreensivo. Sem piscar e respirar direito, eu enviei a mensagem.
Em seguida desliguei o computador depois de ter enrolado. Não queria estar por perto quando Sam, ou melhor, Felipe juntasse as peças daquele quebra-cabeça. Qual seria sua primeira reação quando descobrisse a verdade? Ficaria animado ou decepcionado comigo?
Virei-me e o olhei, o coração batendo parecendo fogos de artificio. Sorri gentil para ele. — Tchau, até amanhã — disse rapidamente.
Felipe então sorriu e balançou a cabeça afirmando. — Tchau, Felix. A gente se esbarra por ai. — E olhou de novo para o computador interessado em alguma coisa. Aproveite a oportunidade e sai o mais rápido da sala, sentindo-me como uma maria-mole.
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