Notas iniciais
Desculpem a demora. Agradeço aos quatro leitores que estão acompanhando a história! Boa leitura. :)

50 anos atrás.

"Eu te amo." ele diz, a surpreendendo. Ela se vira e o vê, a encarando com aqueles olhos castanhos tão encantadores. Suspira.

"Eu também te amo..." e eles sorriem. Ela se aproxima, pois não há mais nada a se fazer além de beijá-lo, mas o toque de lábios é rápido... Talvez rápido demais. Ele então, tateia o bolso e retira o celular, para checar as horas.

"São só dez e meia..." ele fala, seu tom carregado de esperança. Curva os lábios convidando-a a sugerir algo.

E ela sugere: "Quer terminar à meia-noite?"

"Parece bom pra mim."

Logo, eles voltam para o elevador e se beijam novamente. Embora tenham pouco tempo, ambos tentam esquecer sobre ele. O elevador sobe até o apartamento de sua melhor amiga, que está escuro e silencioso. Eles atravessam cautelosos até a porta da frente, como ladrões, sorridentes, em direção ao outro lado do corredor. Sabem o que querem, não precisam de palavras.

Fredward abre a porta com rapidez, as mãos um pouco trêmulas. Sua mãe está de plantão, para a sorte dele e de Samantha. Ele dá espaço para ela entrar primeiro, como o cavalheiro que sempre foi, e logo em seguida entra também. Gira a chave duas vezes no trinco, trancando-os. Vira-se e não vê Sam; escuta, então, a risada baixinha, vindo de seu quarto, no fim do corredor. Segue até lá, para encontrar a visão mais bonita de todo o universo...

Sam está deitada em sua cama, sem a jaqueta e sem as botas, abraçada em um travesseiro. Está escuro, as únicas luzes vêm da televisão que exibe um desenho animado e dos computadores de Freddie, que nunca estão desligados. Ela gargalha como uma criança e Freddie não pode evitar de sorrir também. Ela percebe a entrada dele e o chama para deitar ao seu lado. Freddie tira os sapatos e aproxima-se, tentando ignorar, sem sucesso, o relógio digital no criado-mudo. Dez e cinquenta e cinco.

Abraçam-se. Freddie enterra o rosto nos cabelos de Sam e inspira o delicioso cheiro de jasmin, a flor favorita dela. Sam sente um arrepio percorrer o corpo até a ponta dos dedos dos pés, mas não se move. Eles ficam um tempo naquela posição até que Freddie sussurra seu nome, como um segredo. "Sam..."

Ela vira-se e percebe, pela luz brilhante da televisão, que ele está com os olhos marejados.

"Não faça isso..." ela diz, mas sente que poderia chorar também. Beija-o nos lábios. Com força. Com saudades antecipadas. São onze e quatro. Freddie põe as mãos em sua cintura por debaixo de sua blusa. Seu corpo cobre o de Sam e eles ofegam.

É como se o mundo fosse deles e as mãos dos jovens apaixonados viajam, as carnes se chocam, os suspiros e gemidos orbitam ao redor dos corpos suados. Sam mal consegue pensar em outra coisa além do único nome que escapa por entre seus lábios. Como uma canção ela entoa, "Freddie, Freddie, Freddie..."; e Freddie luta para manter os olhos abertos, gosta de vê-la daquele jeito, entregue ao prazer carnal, entregue a ele. São onze e vinte e oito.

Eles se amam com intensidade, até que atingem o ápice de sua excitação. Freddie beija a clavícula de Sam e está cansado, exausto, mas não quer se mover, porque no canto dos olhos pode ver que já são onze e trinta e dois. Sam, por outro lado, está de olhos fechados, não demonstrando a ansiedade. Já seria tarde demais?

Freddie começa a pensar sobre as outras vezes em que eles passaram as noites juntos. Haviam experimentado tantas coisas. Uma de suas lembranças favoritas foi de quando eles tomaram banho. Ele a ensaboou milimetricamente, massageou-lhe as costas... Os sons que ela fez ainda são claros em seus ouvidos. Ele sabe que é quase louco de tão atraído que é por Sam. Pensa em sugerir que façam tudo de novo naquele instante, mas a escuta fungar e todos os pensamentos maliciosos se esvaem. Rapidamente se levanta e a toma nos braços.

"Shhhh, Sam, você está chorando?", pergunta ao afastar algumas mechas de cabelo do rosto de sua amada. Idiota, Sam pensa em dizer, alguma vez já me viu chorar?, mas não consegue, porque está soluçando. Que merda, ela pensa novamente, o Benson deve me achar uma fracote, mas Freddie não acha, é claro que não. Ele quer protegê-la mais que tudo e não percebe que são onze e quarenta.

"Eu estou aqui", ele diz, e em voz alta, soa como uma mentira. Parece que há muito já se foi. As palavras de Carly, amaldiçoadas, só refletiam tudo o que aqueles três meses haviam sido: estranhos e errados. É claro que eles se amavam, mas Sam havia conhecido um lado de Freddie que até então era inexistente. Ele a deixava sem defesas, como uma refém de seus carinhos. Era definitivamente uma sensação da qual ela demoraria para se acostumar. Anos, até.

E talvez, por eles terem decidido por pôr um fim em tudo com uma simples conversa, ela poderia afirmar que sabia que de fato Freddie nunca estaria disposto a acompanhá-la em sua adaptação. Mas do que aquilo importava? Sam também sabia que ela sempre tivera sido mais intensa quanto a seus sentimentos, mesmo que não demonstrasse. E, apesar de Freddie ser só um nerd que lidava melhor com máquinas do que com corações, ele havia feito com que o dela rodopiasse no peito.

Era tudo tão confuso, Sam queria apenas jogar pro alto e continuar a ser feliz ao lado dele. Claro que se implicavam, claro que brigavam, não poderiam ser de outra forma. Nem queriam que fosse. Era a essência de Sam e Freddie. Ao mesmo tempo, ela tinha fixado a seu subconsciente a realidade que considerava: se fosse para ficarem juntos, nada do que aconteceu teria acontecido. Afinal de contas, ela teria sido suficiente para Freddie. Teria sido o que ele é para ela.

São onze e cinquenta e dois. Samantha Puckett não está mais chorando, e, apesar de os corpos quase se fundirem de tão pressionados que estão, não consegue sentir que o coração de Fredward Benson quase perfura a caixa toráxica. Amanhã eles trocariam o beijo de cem dias. Ele nunca esquecia as datas.

"Eu preciso me vestir", ela murmura contra o ombro dele, após aquela eternidade silenciosa. Ele tem que dizê-la mais uma última vez que a ama, mas só consegue desafrouxá-la daquele aperto. Ela se levanta e ele cai no colchão macio abraçando os joelhos, fechando os olhos. Sam se veste envergonhada e se lembra da primeira vez, quando estava se despindo. "São onze e cinquenta e oito, Freddie". Ele não responde. "Eu tenho que ir", ela tenta. Ele continua calado. Ela engole em seco e diz: "Eu sempre amei você", mas quando o alarme do celular dele soa a meia-noite e as palavras dançam na ponta de sua língua, ele abre os olhos e ela não está mais lá.

O presente.

– Então, depois que a princesa se separa dos lábios de nosso astuto príncipe, ele sugere que cavalguem até que a lua brilhe mais forte do que os olhos dela. Eles se abraçam e pelos campos só se escuta o galope de um cavalo velho, que leva o casal apaixonado a um destino indefinido. Eles correm, correm, correm como se fugissem do astro brilhante no céu. Mas é inevitável. À distância, escutam as doze badaladas do relógio no centro do reino. O príncipe é medroso e não quer acreditar que aquilo está acontecendo, mas a princesa é corajosa, e ameaça saltar do cavalo. Ele a deixa em frente a seu castelo e pensa em dizer novamente que a ama, mas, por descuido, a deixa ir, e ela não olha para trás...

– Vovô! — Hannah choraminga. — Não pode terminar assim...

– A Nana tem razão, vô. — Chloe diz — E eu acho que em 2011 as pessoas não andavam mais à cavalo por campos à noite... Eu nem acho que existiam princesas...

– Ora, como vocês são apressadas. Este não é o fim. E, senhorita sabichona, quem lhe disse essas mentiras? — digo, sorrindo.

– Bem, a internet.

– A internet não sabe de nada. Eu sou seu avô e digo que ainda existiam príncipes e princesas.

– Ainda existem, não é, vovô? Eu sou uma princesa! — Hannah gargalha e eu cutuco suas costelas.

– Claro que sim, minha princesinha!

– Como vocês são bobos... — Chloe diz, enquanto ainda gargalhamos — Continue a história, vô, antes que eu morra de ciúmes!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.