Isso é Amor?
23 Remate - Narrador Onisciente
Narrador Onisciente
Ele ainda remoia a reminiscência daquele último beijo. Os lábios tão dóceis, cálidos, ágeis... A mistura da textura de sua pele era tão perfeita quanto à junção de um ser humano com vampiro: tão perfeita quanto ela.
Ele não sabia quanto tempo passara-se desde que Renesmee deixou os seus gélidos braços. Eles não se disseram nada, apenas despediram-se com beijos e um último olhar.
Por mais que Alec quisesse puxá-la de encontro a si e retomar os afagos tão marcantes, ele possuía uma palavra a cumprir. E tê-la em seus braços apenas reforçou o quão incontestável era a ideia de vê-la morrer. Saber que, um dia, ele poderia voltar a olhá-la, nem que fosse de longe, preenchia o seu vazio.
Vazio esse que não existia antes de despedir-se dela. Posto que ele não o previra, era um tanto incômodo. Não fora, porém, necessárias demais palavras para fazê-la deixar aquela porta. E isso o partira por dentro, também.
Sequer, a híbrida pensara duas vezes antes de deixar o aposento. Todavia, isso se deu apenas na mente de Alec, que estava fragilizada pela perda.
Realmente, realmente, Renesmee pensou que ele segui-la-ia uma vez que ela já estava livre. A mãe do vampiro, de acordo com o que ele relatara, não poderia impedi-lo de deixar a casa juntamente da meia vampira.
Entretanto, não fora só isso que a surpreendeu. O sufoco em seu peito, retirando-lhe o ar, e a moleza em suas pernas, fazendo-a andar aos tropeços pela floresta ao redor, foram seguidas pela tontura em sua cabeça. Sentia o mesmo vazio que Alec, e ambos sabiam de que necessitavam para supri-lo. E conheciam a improbabilidade de isso ocorrer tão cedo.
Melhor sem despedidas, pensou Renesmee, lembrando-se de um livro em que lera e vira que a história só acaba com um adeus ou um ponto final. E esse parágrafo, em homenagem a isso, não terminará como os demais: burlando a ortografia, deixa-se o espaço aonde deveria estar o ponto que só pode ser decidido pelas personagens
Enquanto isso, Alec ajoelhava-se sobre o chão frio da casa descoberta por sua mãe. O grito que, há tanto tempo, estava preso em sua garganta livrou-se. Simplesmente, ecoou fortemente pela mata densa, espantando algumas aves e alguns pequenos roedores que por ali estavam.
Ivy, ao ouvi-lo, sorriu. Em sua mente irracional, era um agradecimento pela liberdade que ela estava oferecendo-lhe. Sua consciência, que nunca fora muito sã, apenas tomava conta de suas ações; e, naquele momento, o desejo de ter o seu filho em seus braços novamente apoderou-se dela.
O resto não é preciso comentar. Poupá-lo-ei assim. A solidão no coração do pobre vampiro, o êxtase da mãe dele e a deslocada híbrida tornaram-se, então, personagens muito monótonos.
E Renesmee, vendo o socorro nos braços daquele que estaria sempre à sua disposição, entregou-se, em um forte abraço, a Jacob. Precisava daquele calor abrangendo-a, por mais que não fosse a frieza da pele de Alec. Necessitava de palavras para acalmar as lágrimas que se estendiam por sua face. Requeria um suporte para sobreviver e encontrara-o no Alfa, que não se importara com o uso, pois estava contente apenas com ter a sua amada nos seus másculos braços.
Assim, no passar de um mês, eles engataram em um namoro. Não era o mais feliz da vida de Renesmee; porém, ela finalmente percebera que Alec não voltaria (e, na mente distorcida dela, ele deveria estar feliz para não regredir à sua casa). Deveria, portanto, seguir em frente.
Em meio às lágrimas, recobrava o último beijo trocado com Alec, entretanto, assim que sentia os braços quentes cercando-a, tratava de lavar o rosto com as costas das mãos e fingir que estava tudo bem, que ela estava plenamente feliz. Afinal, algo faltava, e saber o quê apenas piorava tudo.
Como ela queria poder esquecer-se de algo inexplicável? O secreto era sempre mais intrigante, e o intrigante era sempre melhor. Se ao menos pudesse ter aqueles lábios rígidos e macios ao mesmo tempo... Ah, e como ela suspirava com esses pensamentos!
Enquanto isso, a rotina do vampiro tornou-se tão fastidioso que ele não queria nem pensar em sua próxima tarefa do dia. Era, basicamente, caçar animais, unir-se à mãe em aventuras, aguentar a irmã, que os acompanhara, e depois voltar à sua casa. Entretanto, esse hábito quebrou-se certa vez.
Em um tempo livre em que a mãe e Jane encontravam-se caçando humanos e Alec não quis acompanhá-las; ele aproveitou para viajar até os Estados Unidos, mais propriamente uma província do estado de Washington.
A necessidade de vê-la, ainda que não pudesse tê-la, era tamanha que não se conteve e correu até ela. Admirá-la-ia de longe, todavia não sabia o que encontraria.
E, assim que entrou na floresta de Forks, sentiu o cheiro tão adorável e amável da umidade do ar. Era algo tão peculiar e, ao mesmo tempo, particular que o impressionava. E fazia-o querer permanecer naquele lugar que reacendia a sua alma e recordava os vestígios de felicidade em seu peito... E a vontade de vivê-los novamente era imensurável! Como queria puxar o corpo franzino de Renesmee para si, ir de encontro à boca carnuda e delineada dela, chocar os seus corpos em busca de um maior contato... Sem nunca forçá-la a nada, é claro.
Porém, no momento em que ele escutou o soar de sinos, que era incrivelmente familiar e belo, o som foi acompanhado também por uma voz rouca e máscula que só poderia pertencer a uma pessoa.
Aproximou-se vagarosamente do casal, seguindo apenas os sons que eles produziam. Viu-os, pois, em uma pequena clareira, divertindo-se com algumas piadas que dividiam entre si.
Alec sorriu para si mesmo ao vê-la fazendo-o. O sentimento de alívio ao observá-la tão feliz era incrivelmente reconfortante para o vampiro. Sentia que ainda havia um motivo para viver, para continuar a sofrer. Assim, ninguém se preocuparia com a sua morte (ou deveria dizer “abandono de existência”?), e ele não prejudicaria nenhum indivíduo. Para que preocupar os demais com algo tão banal como aquele ex-Volturi?
Tirando-o de seus pensamentos, ele passou a observar a cena. Jacob estava sentado no centro da pequena clareira, rodeado por uma vegetação roliça e colorida. Já Renesmee deitava-se ao seu lado, apoiando a cabeça sobre o seu colo. Aquela cena parecia muito inocente, à primeira vista, para Alec. No entanto, ao vê-lo curvar-se em direção ao rosto de Renesmee, o vampiro pôde jurar que o seu coração parara uma batida.
Como ela poderia tê-lo esquecido tão rapidamente? Ela já estava a beijar o lobo!
E os pensamentos do vampiro não se organizavam. Estavam embaralhados, confusos e distorcidos, nem eu mesmo conseguiria decifrá-los.
Quando os lábios quentes encostaram-se aos mornos de Renesmee, Alec arfou. Não quis continuar a assistir à cena tão horrenda; porém, seu corpo não obedecia aos seus comandos. Suas pernas não se movimentariam por mais que ele, no âmago de seu ser, quisesse sair correndo para bem longe (quem sabe, outro planeta). Seu pulmão não ritmava mais consoante era acostumado a fazer. Não que ele precisava de qualquer uma das alternativas, mas não aplicá-las era mortal. Posto que sentisse o seu coração despedaçar-se cada vez mais, não resistiria muito mais à cena de entrega entre ambos.
Por isso, assim que os seus comandos voltaram a funcionar, os seus passos enviaram-no para o mais longe possível daquele local. Não gostaria de voltar ali tão cedo, pois não suportaria presenciar mais carícias entre os dois.
Ele amava-a e, porque amava, sofria.
Notas finais
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Eu acho que me inspirei um pouco, no início, na escrita de Machado de Assis (que interrompe a história com os seus pensamentos :P), porque eu estava lendo Esaú e Jacó.
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Whatever. Espero que comentem e recomendem. Só falta 1 capítulo. É agora ou nunca para ~RECOMENDAR~! (:
Beijão :* Saia daqui sabendo que te amo ♥
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P.s.: eu tinha só 500 palavras prontas e escrevi o resto agora de noite. Qualquer coisa inteligível ou errada, avisem-me para eu arrumar. Eu não regulo bem depois do kung fu nas sextas feiras (leia-se MENTIRA, eu quase nunca sou boa das bolas... Ui, tenho bolas, mãe :B #WHATTHEFREAKINGFUCKINGFUCK)
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