Isso será um Segredo?

1 Isso será um Segredo?


Notas iniciais
Queridos/as, essa é a minha primeira fanfic de PLL e eu sou apaixonada por esse ship que nem existe. Aproveitem! ✳

Quando Ashley abriu os olhos ao despertar e sentiu a claridade os invadir rapidamente lembrou-se da noite anterior e do quanto havia bebido no jantar de ensaio de Aria e Ezra. A dor em sua cabeça ajudava a sustentar a lembrança que, afinal, era a única que ela possuía.

Lembrava-se de ter chegado ao jantar, de ter cumprimentado Hanna e as meninas e depois de ter se unido as outras mães para começarem a beber, principalmente após relembrarem como escaparam do porão dos DiLaurentis. Depois disso tudo era um borrão branco, sem forma e com gosto de ressaca.

Conseguiu finalmente abrir os olhos e a primeira coisa que constatou era que estava nua, afinal sentiu que seu corpo estava enrolado em um lençol. Talvez tivesse tirado a roupa para tomar um banho, mas adormecera antes de entrar no banheiro.

Porém a teoria foi esquecida quando notou que não estava em seu quarto. A grande janela que se estendia a sua frente certamente nunca existira em sua casa, muito menos o criado mudo ao seu lado que ela nunca havia visto.

“Céus” pensou alto imaginando o que poderia ter acontecido na noite anterior quando estava totalmente embriagada e sem noção do que fazia. Com quem havia dormido? Tinha medo de virar-se e encontrar quem quer que fosse do outro lado da cama.

Quando criou coragem e se virou sentiu o corpo gelar ao dar de cara com Verônica Hastings dormindo, também enrolada apenas em um lençol. Havia dormido com ela? Com Verônica Hastings?

Sentou-se na cama sem saber o que pensar. Nunca havia se sentido atraída por uma mulher antes, o que dirá por aquela que dormia ao seu lado e que sempre fora considerada uma amiga. Fora culpa da bebida, pois certamente a senadora estava tão bêbada quanto ela ao final da noite.

Verônica aos poucos sentiu a claridade lhe tocar a despertando. Abriu os olhos e levou a mão a cabeça sabendo que havia extrapolado na noite anterior. Sabia que estava em seu quarto, mas não se lembrava como havia chegado ali.

— Spencer? – perguntou ao perceber que havia alguém sentada ao seu lado na cama – É você?

— Na verdade – Ashley começou sentindo o rosto queimar – Sou eu.

Verônica levantou os olhos e quando se deparou com Ashley levantou-se de uma vez, só então percebendo que tinha apenas um lençol lhe cobrindo o corpo. Ajeitou o tecido para que não ficasse nua na frente da mulher e tentou se recompor.

— Ashley, o quê aconteceu?

— Eu... Eu não sei – começou enquanto se levantava – Eu também acabei de acordar e sei tanto quanto você.

— Spencer havia te levado para casa, não?

E aos poucos uma vaga lembrança começara a surgir na mente de ambas.

“Spencer, vamos, você terá que fazer algumas paradas no caminho”— a voz de Verônica soava ao longe – “Marin, para o carro”.

— Sim, nós saímos juntas, eu, você e a Ella. A Spencer estava dirigindo, mas eu não me lembro de mais nada depois disso.

— Eu nem sei direito como entrei no carro – sentou-se na cama – Por que eu fui beber tanto?

— Bom, eu sei que não fui para casa, só não sei como vim parar aqui, na sua cama – também se sentou e esperou a outra lhe fitar – Nua.

Verônica desviou o olhar e pegou uma peça de roupa íntima que estava jogada no chão aos seus pés.

— Essa calcinha não é minha.

— É minha – Ashley a puxou das mãos da outra.

Por baixo do lençol conseguiu vestir a peça e em seguida procurou por suas roupas, mas não encontrou todas as peças.

— Minhas roupas sumiram – disse assustada.

— Eu te empresto – pegou as roupas que Verônica lhe emprestou e foi até o banheiro para se trocar. Verônica, ainda perdida, fez o mesmo, mas em outro banheiro.

✳

— Eu fiz um café bem forte – Verônica anunciou mostrando o bule enquanto Ashley descia as escadas.

— Eu vou querer duas xícaras – a ruiva se aproximou e se serviu.

Um longo silêncio se instalou enquanto ambas apenas tomavam seu café. Verônica sabia que sendo a anfitriã era ela quem precisava, talvez, lhe pedir desculpas, mas nem ela mesma sabia por que. Enquanto isso Ashley pensava em mil maneiras de se desculpar e se despedir sem parecer que estava desesperada para fugir dali.

— Verônica.

— Ashley.

Disseram ao mesmo tempo e acabaram rindo da situação. A senadora indicou para que a outra falasse primeiro.

— Verônica, eu sinto muito, eu não faço ideia do que aconteceu noite passada, mas não quero que pense mal de mim.

— Ashley, por favor, nós duas estávamos completamente bêbadas. Talvez apenas caímos no sono juntas.

— Nuas? Com as roupas espalhadas pelo seu quarto?

Os fatos eram inegáveis, havia acontecido mais do que apenas uma noite de sono tranquila.

— Você acha que – Ashley começou, mas foi Verônica quem completou a pergunta.

— Nós dormimos juntas? – a outra assentiu – Acho que isso pode ter acontecido.

— Que vergonha – a ruiva alcançou sua bolsa – Eu preciso ir embora.

Levantou-se, mas antes de sair buscou seu celular na bolsa e quando o encontrou viu que havia algumas chamadas perdidas de Hanna. Abriu as mensagens e leu o que a filha havia lhe enviado na noite anterior.

“Mãe? Onde você está? Cheguei em casa e você não estava aqui”.

E depois outra enviada 1 hora depois.

“Mãe, como você pode ter feito aquilo com a Verônica na frente da Spencer? Você me mata de vergonha. Nunca mais vou conseguir olhar para a Sra H”.

— O quê foi? – Verônica assustou-se ao ver o semblante da outra.

Ashley apenas estendeu o celular para que a mulher o pegasse e lesse as mensagens. Em seu rosto instalou-se o mesmo semblante.

— O quê nós fizemos, na frente da Spencer?

— Eu não sei – Verônica parecia atordoada – Mas Spencer só virá para casa mais tarde, ela tem estado ocupada esses dias e só vem para dormir.

— Eu não posso ir embora sem perguntar para ela o que houve e me desculpar. Se eu chegar em casa a Hanna irá me bombardear com perguntas que eu nem sei como responder.

— Você pode ficar, claro.

Ashley soltou a bolsa e ficou.

✳

Verônica passou boa parte do dia em seu escritório resolvendo algumas coisas do senado, embora sua cabeça ainda pesasse. Ashley pegou um notebook emprestado da Hastings e decidiu responder alguns e-mails do trabalho.

Ambas sabiam que estavam evitando uma a outra por causa da vergonha e das dúvidas, afinal eram amigas e nunca tiveram problemas quando estavam juntas, a conversa sempre fluía sobre diversos assuntos.

Na hora do almoço decidiram esquentar alguma comida pronta para não precisarem ter o trabalho de fazer o almoço e limpar a cozinha. Afinal, essa seria uma tarefa que exigiria contato e era o que elas menos queriam, imaginando que já haviam tido contato suficiente na noite anterior.

Porém, em determinado momento a ruiva soube que não poderia fugir, e lidar com a situação estando preparada seria melhor do que ouvir tudo da boca de Spencer e ter que olhar nos olhos de Verônica depois. Fechou o notebook e se dirigiu ao escritório parando na porta e encarando a outra.

— Nós precisamos conversar, você não acha?

Verônica também fechou o notebook e se levantou. Puxou a outra até a sala e sentaram-se lado a lado.

— Eu acho que está muito claro o que aconteceu noite passada, não é mesmo? – Hastings começou a conversa.

— Nós – Ashley procurava as palavras, sabendo que só havia uma a dizer – Nós transamos. Por causa da bebida.

— Por causa da bebida – Verônica reafirmou.

— E como você se sente sobre isso?

— Ashley – alcançou a mão da outra com a sua – Nós sempre fomos amigas, isso muda algo entre nós?

— Eu me sinto tão envergonhada, não posso acreditar que fiz isso com você, com Verônica Hastings.

— Por que esse tom, como se eu fosse superior?

— Eu sempre te vi como um exemplo de mulher, inalcançável, alguém que eu admiro a ponto de querer ser igual.

— Ashley, por favor, eu sou como você, como a Ella, a Pam, eu sou uma mulher normal.

— Não para mim – os olhares se encontraram e assim ficaram por algum tempo – Você se arrepende, mesmo sem se lembrar?

— Não – o tom suave fez a pele da ruiva se arrepiar – Você se arrepende?

— Bom, você é uma mulher linda, então com certeza não.

— Eu nunca pensei que dormiria com uma mulher antes, mas se aconteceu fico feliz que tenha sido com você.

Apoiaram os braços no sofá e a cabeça nas mãos se olhando, ambas na mesma posição. Sentiam-se mais tranquilas e até sorriram.

— Eu já ouvi dizer que quando estamos bêbados fazemos as coisas que sempre quisemos e nunca tivemos coragem.

— Eu não acho que precisamos estar bêbados para isso – Verônica quando percebeu já estava colocando uma mecha ruiva atrás da orelha de Ashley e depois deixando a mão passear acariciando seu rosto.

Foi Ashley quem se movimentou indo em direção a outra e sem medo se sentou em seu colo. Sabiam o que estava acontecendo e não queriam parar.

As mãos da ruiva seguraram o rosto da morena e os dedos entraram se enroscando em seus cabelos antes de se beijarem. E o que começou lento e delicado logo se transformou em urgência.

Verônica retirou o casaco de Ashley e o atirou longe, em seguida separaram os lábios e a ruiva começou a desabotoar a camisa que a morena usava. Logo a peça também foi jogada longe, se levantaram se beijando e se despindo e assim foram até as escadas.

Subiram alguns degraus e Ashley encostou Verônica na parede puxando sua perna para cima e agarrando sua coxa enquanto lhe beijava o pescoço. A morena gemia sentindo os toques, mas logo continuaram subindo e entraram no quarto onde tudo começou naquela manhã.

Terminaram de retirar as peças que faltavam e se deitaram na cama. Não sabiam como havia sido na noite anterior, mas sabiam o que queriam naquele momento.

As mãos percorriam os corpos, que se enroscavam. Ashley estava sobre Verônica e se movimentava friccionando as intimidades. Os olhares não se desviaram em momento algum o que indicava a ambas que ali havia muito mais do que apenas prazer envolvido.

Envolveram-se nos lençóis após atingirem o ápice e continuaram com os beijos e carícias.

— Eu estava louca para sentir o que havia sentido noite passada.

— E foi uma boa lembrança? – Ashley perguntou quando estavam apenas deitadas se olhando e conversando.

— Foi muito melhor do que eu esperava.

— Eu não quero que isso acabe – e se aproximou para beijá-la novamente.

✳

Spencer chegou em casa quando já estava prestes a anoitecer, entrou e encontrou peças de roupas jogadas pela sala, todas ela sabia que pertenciam a sua mãe.

— Mãe? – chamou indo em direção as escadas.

Verônica e Ashley conversavam e riam juntas no quarto que não ouviram a moça chegar. Spencer abriu a porta e as três se assustaram.

— Vocês ainda estão aqui – disse parecendo incrédula.

— Spencer, eu posso explicar – Ashley se levantou enrolada no lençol.

— Aconteceu de novo, o mesmo que na noite passada – Verônica se adiantou.

— Sério? Por que você não deu um remédio a ela, mãe? Ashley, você melhorou? – seu semblante parecia preocupado.

As mais velhas se entreolharam perdidas.

— Spencer, você pode clarear nossa mente relembrando o que aconteceu noite passada? – a ruiva pediu.

— Vocês estavam muito bêbadas, eu deixei a Ella em casa e depois quando fui deixar você – disse se referindo a Ashley – Você não conseguia achar a chave para entrar, minha mãe desceu para te ajudar a procurar e você vomitou nas duas. Eu não podia te deixar daquele jeito, então te trouxe para casa, tirei a blusa de ambas, mas depois vocês começaram a retirar tudo. Eu vi que não teriam condições de tomar banho, então só enrolei vocês no lençol e deixei que dormissem – finalizou como se fosse a história mais óbvia do mundo – Não acredito que vocês ficaram no quarto o dia todo.

Spencer saiu após a sua última frase e as duas permaneceram estáticas, sem conseguir olhar uma para a outra.

— Verônica.

— Eu não me importo – a senadora a cortou. Alcançou sua mão e entrelaçou seus dedos – Eu não me importo que entendemos tudo errado, o que aconteceu depois foi porque nós quisemos e estávamos bem sóbrias para decidir.

Ashley sorriu e se aproximou para beijá-la.

— Eu vou repetir o que eu já disse, eu não quero que isso acabe.

E sorriram durante o beijo sabendo que não iria acabar, que na realidade estava só começando, mas as duas ainda queriam aproveitar um pouco mais uma a outra antes de precisarem contar uma longa história que não queriam que fosse um segredo, para duas garotas que sabiam muito bem sobre segredos.

Notas finais
Me contem se agora vocês também shippam Vashley?
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!