Isso não é normal - Perina
22 "Lar doce lar"
Notas iniciais
O sábado tão esperado chegou, o dono do apartamento chegou, Karina chegou e nada de Pedro. “Eu mato aquele moleque!!” pensou a lutadora fechando os punhos e olhando para o relógio a cada segundo, até que o guitarrista atrasado chegou. Depois de muita bronca da lutadora, muitas risadas de Carlos e muitos papéis assinados eles já eram oficialmente inquilinos e dividiam um apê. Eles foram andando o caminho todo combinando alguns detalhes sobre, quem paga que conta e quando iriam fazer a primeira feira, quem vai ficar em qual quarto... Etc.
...
Karina chegou em casa e começou a arrumar suas malas, ela já tinha visitado a irmã algumas vezes, inclusive tinha contado sobre a mudança e agora que moraria no mesmo bairro ficaria ainda mais fácil de aparecer para ver sua sobrinha. Gael concordou em adiantar o salário da filha e dar a ela uma semana de folga, para arrumar as coisas e se organizar numa rotina, e Nando fez o mesmo com Pedro.
_*_
― Pai pega aquela caixa ali pra mim! ― Disse Karina indo na direção do carro com outra caixa nos braços. Ela combinou com Pedro de encontra-lo na frente do apartamento às 8:00 para colocar as coisas lá, já que o dono sempre mandava uma diarista de confiança ir limpar o apartamento toda semana eles não teriam o trabalho de ter que fazer uma faxina antes de colocar as coisas lá. No apartamento tinham coisas básicas: Fogão, geladeira, armários, camas, sofá, mesa (cozinha), cadeiras, uma televisão e um banheiro completo.
― Karina o que você guardou nessas caixas em?? Chumbo?? ― Disse João carregando uma das caixas com dificuldade.
― Ai João deixa de moleza! ― Disse Karina levando sua mala para o carro.
― Pegamos tudo? ― Perguntou Gael parado na frente do carro.
― Acho que sim... ― Disse Karina e Bete apareceu correndo com uma maleta.
― Espera! Falta essa maleta aqui! ― Disse Bete chegando e colocando a tal maleta no carro.
― Obrigada Bete! ― Disse Karina dando um abraço na moça.
― Tem certeza que tá tudo limpinho no apartamento? ― Disse Bete ao lado de João.
― Tenho, no sábado a moça foi lá e fez uma faxina... Hoje eu ajeito o que tiver sujo. ― Disse Karina e Gael ainda não acreditava que sua filhinha já estava saindo de casa.
― Bom, então vamos? Eu tenho que voltar pra academia porque o Duca não vai segurar as pontas sozinho, mas pode ficar tranquila e arrumar lá o apartamento porque essa semana vai dar pra levar sem você... Agora qualquer coisa, já sabe, né? Pode voltar correndo pra casa! ― Disse Gael e Karina riu da preocupação dele.
― Vamos logo pai. Tchau João! Tchau Bete! ― Disse Karina entrando no carro. Dandara não pode faltar ao trabalho na ribalta porque ela e Nando iriam se revezar para substituir Pedro.
― Tchau minha menina! ― Disse Bete um pouco emocionada, já que ela tinha visto Karina crescer.
― Tchau K, vê se não vai me esquecer! ― Disse João fazendo drama. Gael saiu com o carro na direção do apartamento e Karina tentou ligar para Pedro, porque ele estava com as chaves, mas ele não estava atendendo.
_*_
O músico decidiu fazer diferente, ele não queria ouvir sermões de Karina logo no primeiro dia em que eles iriam passar no apartamento, então ele acordou cedinho para não se atrasar e de 7:50 já estava lá na frente do apartamento. Marcelo tinha usado a van do restaurante para trazer as caixas com o filho e deixou tudo na portaria, pois tinha que deixar Tomtom na escola e abrir o restaurante. Assim que a van do pai de Pedro deixou o local, Karina chegou no carro do pai.
― Pai a gente deixa tudo lá na portaria e eu vou levando quando o Pedro chegar. ― Disse Karina descendo do carro.
― Tá certo. ― disse Gael saindo do carro e abrindo o porta malas. Pedro tinha aberto a porta do “lar doce lar” e estava começando a levar suas coisas para lá, enquanto Karina não dava sinal de vida.
― Nossa tem tanta caixa aqui, será que tem mais gente de mudança hoje? ― Perguntou Karina ao pai.
― Deve ser... O prédio é novo... ― Disse Gael levando uma das malas da lutadora para o local.
― Obrigado Pai, de noite eu ligo pra dizer como eu tô. Tchau! ―Disse Karina com a última caixa nos braços.
― Qualquer coisa eu venho aqui e te arrasto de volta pra casa! ― Disse Gael entrando no carro e indo embora. Karina voltou com a última caixa para a portaria, ela iria esperar Pedro chegar para começar a levar as coisas, mas quando ela estava passando para deixar a caixa perto do resto das malas alguém esbarrou nela derrubando todos os livros, as medalhas, os CD’s e outros objetos aleatórios no chão.
― Não olha por onde anda não?? AH TINHA QUE SER O PEDRO!― Disse Karina irritada.
― Foi mal, mas você passou na minha frente e eu não te vi! ― Disse Pedro tentando se explicar.
― Você chegou cedo! Que milagre! ―Disse Karina arrancando um sorriso do músico.
― Pois é... Você é que se atrasou. ― Disse o músico pegando sua última mala e seguindo na direção do elevador. Karina pegou uma de suas caixas e levou para o elevador, subindo ao lado do rapaz.
― Pedro me ajuda a trazer as coisas que estão lá na portaria? ― Perguntou Karina da forma mais doce que conseguiu.
― Eu a sua disposição esquentadinha. ― Disse Pedro deixando a mala na sala e seguindo Karina. Depois de algumas idas e vindas no elevador eles já estavam trazendo as últimas coisas.
― Ai... Caramba... ― Karina disse baixinho se referindo ao peso da caixa.
― Me dá aqui. ― Disse Pedro segurando a caixa sem muito esforço, enquanto Karina babava e pegava outra caixa.
― Nossa que calor! ― Disse Karina se abanando e encostando na parede do elevador.
― Tá muito quente, nem parece que tem ar condicionado. ― Disse Pedro suspirando.
― Só falta mais uma caixa e uma mala. UFA! ― Disse Karina deixando a caixa que segurava sobre outra.
― Ainda bem! Tô cansadão. ― Disse Pedro tirando a camisa e jogando em cima de algumas caixas. Karina ficou estática observando o peitoral do músico e só parou de olhar quando o mesmo falou com ela, tirando-a do “transe”. ― Vamos? ― Disse Pedro e a lutadora o seguiu, um pouco desconcentrada e aérea.
― Nossa tá quente mesmo, né? Meu Deus... ― Disse Karina se abanando dentro do elevador.
― Karina você tá bem? Tá estranha... ― Disse Pedro que a poucos minutos tinha flagrado a mesma olhando para ele com uma cara nada “santa”.
― T-tô ótima! É só que tá quente mesmo... Vem. ― Disse Karina assim que a porta do elevador abriu.
― Nossa tem muita coisa pra gente arrumar! ― Disse Pedro se jogando no sofá, que estava coberto por um plástico.
― Tô cheia de fome... ― Disse Karina sentando no sofá ao lado dele involuntariamente.
― Também, tem o que pra comer? ― Disse Pedro olhando para ela.
― Nada. PEDRO A GENTE ESQUECEU DE FAZER FEIRA! MERDA! ― Disse Karina levantando do sofá.
― Calma! Eu vou tomar um banho e depois a gente vai. ― Disse Pedro se levantando do sofá.
― Tá eu vou tomar um banho também. ― Disse Karina prendendo o cabelo num coque apertado. Pedro pegou uma toalha e foi para o banheiro.
―Nossa, a água tá uma delícia! ― Disse Pedro saindo com a toalha enrolada na cintura, enquanto passava a mão pelos cabelos, agora curtos, na tentativa de tirar o excesso de água. “Eu tô vendo outra coisa que tá uma delícia também... KARINA ACORDA!” Pensou a lutadora levantando do sofá.
― E-eu vou... Tomar banho! É eu vou tomar banho. ― Disse Karina entrando no banheiro tentando não olhar para o músico. ― Safado. Ele tá fazendo de propósito! Eu tenho certeza! ― Disse Karina num sussurro baixo dentro do banheiro. Ela vestiu roupas limpas, porque as outras estavam suadas, e saiu do banheiro secando os cabelos na toalha. ― Moleque você molhou a casa toda! ― Disse Karina tentando não perder a paciência.
― Você também tá molhando com esse seu cabelo gigante! ― Disse Pedro parando para analisar o que havia mudado nela, fora o tamanho do cabelo.
― Tira uma foto que dura mais. ― Disse Karina rindo do músico.
― Por que? Não enten- AH! Eu não tava olhando! ― Disse o rapaz um pouco sem graça.
― Fala sério moleque! Você tava quase babando. ― Disse Karina sorrindo. Ele de fato estava, mas também com ela usando um short tão curtinho ficava difícil não olhar.
― Babando? Eu? Que eu saiba foi você quem estava babando me olhando no elevador E quando eu saí do banho. Eu vi Karina. ― Disse Pedro e ela ficou vermelha.
― Eu não olhei! Olha, vamos parar com essa palhaçada de quem olhou o que e ir logo fazer essa bendita feira. Pegou a carteira? ― Perguntou Karina enquanto pegava a sua.
― Peguei... Mas como a gente vai trazer as coisas? ― Perguntou o rapaz.
― A gente vem de táxi. Vamos logo! ― Disse Karina indo na direção da porta.
― Calma, se não eu vou ter que mudar seu apelido pra apressadinha! ― Disse Pedro saindo enquanto ela trancava o apartamento.
― Olha já que estamos com fome, a gente come em algum lugar agora e vamos direto pro supermercado, ok? ― Disse Karina dentro do elevador.
― Tá, eu já ia te perguntar quando a gente ia comer... Minha barriga tá roncando! ― Disse Pedro e eles sairam do elevador. Duas ruas depois do prédio tinha uma subway, eles entraram e, depois de Pedro ter devorado uma baguete de 30 centímetros, eles foram ao supermercado. Chegaram lá às 10:00.
― Pedro pega um carrinho! ― Disse Karina e o rapaz o fez.
― Ei esquentadinha! A gente vai comprar comida, não é? ― Disse o músico e Karina o olhou com uma expressão de quem não estava acreditando que tinha ouvido aquilo.
― Não moleque, a gente veio aqui pra comprar dois unicórnios... É CLARO QUE A GENTE VEIO COMPRAR COMIDA! ― Disse Karina já sem paciência.
― E como a Einstein aí espera cozinhar essas comidas? Porque eu não me lembro de ter visto nenhuma panela lá. ― Disse Pedro com seu típico sorrisinho.
― Merda. ― Disse Karina sentindo a ficha cair.
― Olha a boca suja. ― Disse Pedro rindo da irritação da garota.
― Pedro, lá não tem panelas, ok, mas tem copos? Talheres? Nada? Ótimo, agora vamos ter que comprar tudo. Ai meu Deus a gente ainda tem que comprar produtos de limpeza, não tem pano de prato lá também... Acho que vou pirar. ― Disse Karina coçando a nuca.
― Olha, fica calma. A gente vai olhando pras prateleiras e vendo o que não tem lá. E se faltar alguma coisa depois a gente volta, temos uma semana pra organizar tudo. Calma, vai dar certo. ― Disse Pedro se posicionando na frente dela, que sentiu uma segurança que nunca imaginou sentir ao lado dele, já que o “Pedroso” não era do tipo que “protegia”, mas do que precisava de proteção, proteção que ela até gostava de proporcionar.
― Tá, vamos logo. ― Disse Karina segurando um carrinho e seguindo para o primeiro corredor. Eles foram pegando meio mundo de coisas e no final já tinham dois carrinhos lotados.
― Cê não acha que é muita comida não? ― Disse Pedro que não tinha muita noção de quantidade.
― Somos dois, cada um come por dez. Acho que ainda vai faltar. ― Disse Karina sorrindo e fazendo ele sorrir também. Depois de ficarem 2 horas escolhendo as coisas, 1 hora na fila e de Pedro ter escutado Karina sussurar palavrões que ele nem conhecia, eles saíram com as compras, colocaram tudo num táxi e foram para casa.
― Obrigado! ― Disse Pedro pagando o taxista. ― Olha só esquentadinha eu tô rezando pra não faltar nada, porque meu salário tá quase no fim. ― Disse Pedro indo para a portaria.
― Pelo menos a gente pagou tudo a vista. Vamos logo, porque a gente ainda tem que desempacotar um monte de coisa. ― Disse Karina pegando algumas sacolas.
― Vocês precisam de ajuda? ― Perguntou o zelador que estava passando pelo local.
― Sim, obrigado! ― Disse Pedro e Karina agradeceu baixinho enquanto o homem segurava algumas sacolas e seguia com o casal pelo elevador. Eles subiram e desceram 4 vezes cheios de sacolas e quando subiram pela última vez estavam esgotados.
― Agora vamos arrumar as coisas. Moleque procura comigo os panos de pia e os detergentes pra mim, por favor? ― Disse Karina indo na direção da cozinha e abrindo os armários.
― Achei! Segura! ― Disse Pedro jogando os utensílios que ela havia pedido. Karina limpou a geladeira e Pedro foi separar as coisas para guardar. Depois de guardar a feira, Pedro foi lavar o banheiro e Karina arrumou as camas e limpou os quartos.
― Agora vamos guardar as coisas, porque ainda tem a sala e a varanda pra limpar... ― Disse Karina se sentindo uma doméstica. Cada um foi levando suas roupas para o seu quarto e guardando seus objetos, algumas coisas ficaram nas caixas num cantinho em cada quarto. Pedro tirou os plásticos da mesa e do sofá, foi instalar a televisão e lavar a varanda, enquanto Karina limpava a sala. A área de serviço era pequena e foi fácil de limpar, quando terminaram a “faxina” estavam moídos.
― Eu tô um caco... Tô com fome...Tô cansado... ― Disse Pedro estendendo o pano que usou para secar a varanda.
― Eu também. Preciso tomar banho. ― Disse Karina e Pedro concordou. ― Eu tô fedendo? ― Perguntou a lutadora boquiaberta.
― Não é que eu também preciso de um banho. Você tá até cheirosinha pra quem acabou de fazer uma faxina. ―Disse Pedro rindo da lutadora.
― Eu vou tomar banho. ― Disse Karina indo pegar sua toalha.
― Não, eu vou primeiro. ― Disse Pedro indo pegar a toalha dele.
― Não, EU vou primeiro. ― Disse Karina num tom ameaçador.
― É o que veremos! ― Disse Pedro correndo na direção do banheiro e Karina foi logo atrás.
― Pedro sai! Eu vou tomar banho primeiro! ― Disse Karina tentando passar pela porta.
― Karina, você não tem educação não? Primeiro os mais velhos! ― Disse Pedro que também estava tentando passar pela porta.
― Moleque para de ser ridículo! Eu disse primeiro! ― Disse Karina se impulsionando para dentro do banheiro.
― Ah quer saber ? Vai logo então! ― Disse Pedro se afastando e Karina que estava fazendo pressão para entrar acabou caindo.
― AII! ― Disse Karina ao se espatifar no chão. Ela tentou levantar, mas o piso estava escorregadio.
― Esquentadinha, tá tudo bem? Desculpa é que eu já tava sem paciência. ― Disse Pedro entrando no banheiro e escorregando no piso. ― Aii! Caraca, isso tá escorregando pra cacete! ― Disse Pedro tentando levantar.
― Pedro o que você passou no chão??? ― Disse Karina segurando no vaso sanitário para se levantar.
― Sabão em pó. ― Disse o músico segurando na pia.
― O QUE?? PEDRO E-EU NÃO... Moleque você enxaguou o chão pelo menos? ― Perguntou Karina se apoiando no box.
― Não. Espera... Era pra enxaguar? Eu não vi você jogar água na sala, aí achei que não era pra jogar água aqui também... Deixei secar... ― Disse Pedro e Karina riu da ingenuidade dele.
― Era pra enxaguar moleque! Olha só, é por isso que tá escorregando! ― Disse Karina ainda sorrindo.
― Desculpe, mas faxina não está entre os meus dotes. ― Disse Pedro se aproximando dela e se encostando no box .
― Que dotes Pedro? ― Disse Karina rindo.
― Quer que eu refresque sua memória? ― Disse o músico olhando naquele pequeno oceano.
― P-Pedro vamos enxaguar isso aqui antes que a gente caia de novo! ― Disse Karina pegando um balde que estava sob a pia e colocando ele em baixo do chuveiro. ― Pedro vai pegar um pano de chão. ― Disse a lutadora e ele o fez. Eles jogaram água no piso do banheiro e o sabão seco acabou formando bastante espuma, mas no fim das contas eles conseguiram terminar. ― Olhe bem pra esse piso Pedro. Isso é lavar um banheiro, decorou? ― Disse Karina sorrindo.
― Decorei comandante! ― Disse Pedro ficando em posição de “sentido”.
― Agora vaza, porque eu vou tomar banho! ― Disse Karina empurrando pedro.
― Eu tenho uma ideia melhor... ― Disse Pedro empurrando Karina para dentro do box. Ela ficou sem reação, não estava acreditando na ousadia dele “onde foi que o Pedro aprendeu a ter atitude?? Socorro! Me beija logo!” Pensou ela e ele ficou a centímetros dela, só para tortura-la.
― Pedro o que você pensa que está fazendo? ― Disse Karina tentando recobrar a lucidez.
― Estou apenas economizando água. ― Depois de dizer isso ele ligou o chuveiro e deu, literalmente, um banho de água fria nas fantasias da lutadora.
― Você não fez isso! ― Gritou Karina tateando a parede a procura do registro. Pedro entrou no chuveiro ao lado dela e se molhou também.
― Me dá o sabonete? ― Pediu Pedro e Karina não estava acreditando. “Ele só pode estar de brincadeira.”
― Pedro a única coisa que eu quero te dar nesse exato momento é uma voadora. ― Disse Karina toda molhada passando para o lado oposto do box, péssima ideia, já que daquele ângulo a água escorrendo deixava o corpo do músico coisa de outro mundo.
― Está gostando da vista? ― Perguntou o rapaz irônico.
― Você aprendeu com quem a ficar tão convencido? ― Disse Karina que já estava sacando o “joguinho” dele.
― Eu? Convencido? Que nada. Eu só estou constatando que pra você estar tão concentrada no meu banho, é porque deve estar gostando da vista. ― Disse Pedro e Karina tentou não ruborizar.
― Eu? Concentrada no seu banho? Há, é só que eu tô morrendo de calor e você não libera o chuveiro. ― Disse Karina e o rapaz lançou um olhar que claramente dizia “vou fingir que acredito...”
― Já que você está com tanto calor, vem. ― Disse Pedro arqueando uma das sobrancelhas. Ele saiu do box e pegou sua toalha. Quando ele se virou para falar com Karina viu algo que nem ele acreditou: Ela tinha tirado seu short e sua regata e tinha entrado debaixo do chuveiro. “Tomtom você é uma gênia!” pensou o guitarrista, é óbvio que ela percebeu que ele estava jogando charme e se fazendo de desentendido, como ela não gostava nenhum pouco de perder, entrou no “joguinho”.
― Ah Pedro, agora eu sei porque você demorou tanto aqui. A água tá uma delícia. ― Disse a lutadora que nem se reconhecia.
― Uma delícia... ― Disse Pedro num quase sussurro olhando para a lutadora.
― Vai ficar aí a noite toda? ― Disse Karina ao sair do box. Ela pegou sua toalha, enrolou no corpo e saiu do banheiro. Pedro foi logo atrás. Cada um foi para o seu quarto se trocar e Karina decidiu ligar para Fabi.
― Alô, Fabi? ― Disse Karina ao ouvir a voz da amiga.
― Oi K! Como foi a mudança? Tudo certo? ― Disse Fabi bocejando.
― Fabi eu preciso de ajuda! O Pedro tá tentando me enlouquecer... Só pode! ― Disse Karina sentada na cama.
― Iihh... Como assim? Me explica isso direito! ― Disse Fabi que agora já estava totalmente acordada.
― Ele tá tentando me seduzir ou sei lá! Eu não sei mais o que fazer! Olha só, ele tá jogando charme, se fazendo de inocente... Cê acredita que ele me puxou pro chuveiro com ele? ― Disse Karina e Fabi deu um suspiro alto. ― Pois é... E pior: Eu entrei na dele. ― Disse Karina nervosa.
― COMO ASSIM?? ― Disse Fabi eufórica.
― Eu fiquei lá, no chuveiro, com ele dentro do banheiro... Só de calcinha e sutiã... E ainda me fiz de lesa. Cê acha que eu fiz certo? ― Perguntou Karina que não sabia como agir.
― MAIS CERTO IMPOSSÍVEL! Eu não tô nem acreditando! K, você tem que entrar na dele! Tem que jogar charme, usa suas armas mulher! Ele tem que ver que você não é mais a garota boba de 4 anos atrás! ― Disse Fabi pulando de alegria, já que ela previa onde isso tudo iria parar...
― Que armas Fabi? Eu nem sei como fiz isso... ― Disse Karina prestes a roer as unhas.
― Karina na hora sai. Pode ter certeza e confiar no seu potencial, ainda mais que pra você seduzir o Pedro vai ser a coisa mais fácil do mundo, já que vocês já namoraram e ele sempre disse que te acha linda. ― Disse Fabi tentando passar confiança para a amiga.
― Olha só Fabi, eu vou desligar, porque eu tô morrendo de fome... Amanhã eu te conto se tiver alguma novidade. ― Disse Karina sentindo sua barriga “roncar”.
― Ok! Eu quero saber de tudo! Tchau K, boa noite! ― Disse Fabi desligando a chamada. A lutadora vestiu uma calça de moletom cinza e uma blusinha roxa, ela não tinha ideia do que fazer e agora só pretendia comer “não dá pra seduzir de barriga vazia” pensou a lutadora saindo do quarto. Pedro estava na cozinha, “Esse filho da mãe não podia colocar uma camisa não? Assim não dá pra me concentrar...” pensou ela chegando perto dele.
― O que o chef Pedro está fazendo? ― Perguntou ela parando ao lado do músico.
― Um misté alá Pedrô. Está servida? ― Perguntou o guitarrista e ela sorriu com a piadinha.
― Aham... ― Disse Karina observando ele preparar os mistos.
― Tá vendo só, eu tenho mil e uma utilidades. ― Disse Pedro dando um largo sorriso enquanto tirava os mistos da sanduicheira.
― Hmm, sei... ― Disse Karina sorrindo. Ele foi para sala com ela e ligou a televisão.
― Vai, diz aí... Ficou bom? ― Perguntou Pedro olhando com uma expressão de “cachorrinho pidão”.
― Dá pra comer... ― Disse Karina rindo do quão bobo ele era.
― Vai Karina! ― Disse o guitarrista chamando a atenção dela.
― Pedro, isso é Pão, manteiga, queijo e presunto. Não tem como ficar ruim! ― Disse Karina e ele sorriu “aliviado”. Depois que eles comeram e guardaram os utensílios, eles voltaram para a sala e foram procurar um filme.
― Ah não Pedro! Ninguém merece documentário do animal planet! ― Disse Karina pegando o controle remoto.
― “Ah não” digo eu! Não dá pra ficar a noite toda vendo um monte de cara sem camisa se batendo até a morte! ― Disse Pedro pegando o controle da mão dela.
― Então vamos entrar num acordo. Olha só... Esse filme parece ser legal! ― Disse Karina colocando num canal onde passava um filme de terror.
― “A vila sangrenta” nossa que atrativo, não? Karina isso parece sangrento demais pra mim. ― Disse Pedro que não tinha medo de fantasmas, mas não gostava de ver filmes tão “sangrentos”.
― Cala a boca e assiste moleque. ― Disse Karina colocando os pés no “braço” do sofá.
― Delicada como sempre... ― Disse Pedro sorrindo da cara de satisfação que ela fazia ao ver as cenas de ação do filme, que nem era tão “sangrento” assim. Antes do fim do filme ela pegou no sono e quando ele foi levantar para ir pro quarto, ele notou que ela estava encostada no seu ombro e lembrou que ela ficava uma gracinha dormindo, lembrou-se do dia em que eles estavam no resort e dormiram abraçadinhos... Ele então decidiu leva-la para a cama. O guitarrista a pegou no colo e a levou para o quarto, deitou ela na cama e a cobriu. Naquele momento ele sentiu um enorme Déjà vu, parecia que nada tinha mudado, que eles ainda estavam juntos e que ela iria chamar ele para perto quando ele estivesse prestes a fechar a porta, mas ela nem se moveu.
Pedro desligou a TV e foi para seu quarto, não demorou para pegar no sono, já que ele estava super cansado. Para o primeiro dia no novo apartamento, tinha sido tudo muito intenso.
_*_
“If you close your eyes
Does it almost feel like
Nothing changed at all?
Se você fechar os olhos
É quase como se
Absolutamente nada mudasse?”
Fale com o autor