Notas iniciais
Olá novamente! Esse é o último capítulo que eu tenho pronto no computador, então... pode ser que entremos em hiatus de novo, pode ser que não...

A verdade é que Romeu gostava de Aaron, ele era um bom amigo e parceiro de jogos — quando não estava sacrificando todos os companheiros de equipe para salvar a própria pele, ou simplesmente os jogando em uma vala cheia de demônios “só de curtição” —, mas ele não gostava de pensar em Aaron e Julys juntos.

Julieta já era por si mesma alguém bem… pavio curto, e com uma alta probabilidade de arrumar problemas, por isso tia Alice estava sempre com medo de Julys acabar indo presa por perturbação da paz ou agressão… e agora com Aaron junto com ela, isso deixava de ser um medo para se tornar uma certeza.

De certa forma, Aaron era como Margot havia descrito meses atrás: chave de cadeia.

Mas Romeu não conseguia expressar essa preocupação e receio diretamente, então, como sempre, usava os jogos online para extravasar… matando Aaron dezenas de vezes.

—Mas é realmente tão ruim assim? — Japonese Doll perguntou.

—Ah desculpe, vocês querem ver de novo o vídeo da escola? — Romeu respondeu no microfone — Ele viralizou um tempo desses, é só pesquisar “Queda de cotovelo na escola”.

—Você só pode estar brincando que aquilo era realmente a sua Julieta — Miragem riu — Então ela existe mesmo?

—É claro que existe! — Romeu retrucou impaciente — Foi nossa amiga quem filmou, Aaron está lá a ajudando a bater ao invés de pará-la, e dá para ouvir meus gritos ao fundo… Impostor, conta para eles!

—Pessoal, só concordem, eu acho que ele realmente acredita que essa “Julieta” exista. — Heleno respondeu calmamente.

—Seu…! — Romeu bateu na mesa — Ela é sua sobrinha!

Através dos fones de ouvido Heleno começou a rir.

—Tá bom, já chega, tanto faz se o Chillie, que também nega a existência dessa suposta Julieta, está ou não pegando uma amiguinha imaginária do Montéquio que pode ou não existir… — Japonese Doll reclamou.

—Ela existe! — Romeu protestou — Eu tenho provas! Eu não sou louco!

—Vamos logo terminar essa fase porque estamos presos aqui há quase uma hora, daqui a pouco o Lorde Zucker chega e eu nem sequer vesti minhas calças ainda. — Japonese Doll o ignorou.

—Você está sem calças na casa do Lorde Zucker, de novo?! — Miragem perguntou.

—A culpa é dele por me dar as chaves e ter camisas tão confortáveis e cheirosas, e o wi-fi aqui é muito melhor também. — Pelo tom de voz dava para saber que Japonese Doll estava girando os olhos. — Vamos logo, quero passar dessa fase logo, estamos pulando para a morte há quase uma hora! O que faremos?

Pensativo, Romeu tamborilou na mesa, eles estavam todos acorrentados juntos, e tinham que pular pelas plataformas móveis até chegar ao outro lado, mas se dois caíssem o peso deles puxava o resto… e só cabiam três por plataforma…

—O plano é o seguinte! — Romeu falou pelo microfone — Temos que ir por ordem, mas um de cada vez! Heleno, primeiro vai você… NÃO, MAS NÃO ERA PARA PULAR AGORA!

—Desculpa gente, apertei errado. — Romeu ouviu pelos fones de ouvido a resposta de Heleno — Vamos de novo?

—E que jeito, não é?! — Japonese Doll reclamou — Mas presta atenção aí pô! Quem foi que o colocou na frente?!

—Vamos de novo. — Romeu suspirou — E dessa vez NINGUÉM pula até eu disser “já”! Entenderam? Então de novo… primeiro pula o Heleno, depois eu, aí a Japonese Doll, depois o Heleno de novo, e vem a Miragem... Vocês entenderam? Vamos lá, 1, 2 e… Já! Ai! A Japonese Doll me empurrou!

—Coitadinho! — Japonese Doll riu através dos fones de ouviu. — Vai chama a mamãe vai? “A Japonese Doll me empurrou”.

—E eu achando que o Heleno que iria nos matar de novo! — Miragem riu — Ei Montéquio, não é engraçado quando não é você quem empurra, não é?

Romeu estava resmungando qualquer coisa sobre da próxima vez só jogar em player único quando o celular vibrou sobre a mesa, exibindo uma notificação na tela.

—Temos que acabar isso logo, porque eu vou precisar sair daqui a vinte minutos. — avisou dando uma olhada no celular.

—Vinte minutos? Está brincando?! Estamos presos aqui há uma hora! — Japonese Doll reclamou.

—Foi mal, está bem? Mas a Julys está me chamando…

Para mim isso tem cara de quem está inventando desculpas. — Heleno provocou.

—Disse o cara que ficou nos atrasando esse tempo todo! — Romeu retrucou. — Vamos de novo, sem erros E SEM EMPURRÔES dessa vez, porque vai ser a última!

—Típico, sempre que o Zac está off o Montéquio acha que vira o líder.

Japone Doll reclamou, mas seguiu as instruções de Romeu sem voltar a empurrá-lo de novo… embora de qualquer forma Heleno tenha acabado os matando outras duas vezes também.

—Você está atrasado. — Julieta reclamou abrindo a porta do carro.

—Eu sei, desculpe é que… — Romeu começou a se desculpar enquanto entrava no carro sem prestar muita atenção, Julieta só havia dito que eles dariam uma volta e ele precisava estar ali, então não fez perguntas… mas então percebeu algo: — Hã… Julys, cadê o seu pai?

Perguntou enquanto colocava o cinto de segurança.

—Sei lá, trabalhando. — Julieta respondeu também entrando no carro e sentando… no banco do motorista!

—Se ele está trabalhando… por que o carro está aqui? — perguntou já temeroso.

—Porque ele geralmente vai trabalhar de bicicleta, exceto quando está chovendo muito ou vai fazer alguma consulta a domicílio mais longe. — Julieta respondendo concentrada em ajeitar o espelho retrovisor.

—Hã… Julys? — chamou cada vez mais nervoso. — Por que você se sentou no banco do motorista?

—Obviamente porque sou eu quem vai dirigir. — Julieta respondeu colocando o cinto de segurança.

Romeu arregalou os olhos e praticamente pulou em seu assento.

—Desde quando você tem CNH?!

—Eu não tenho.

—Então por que você está se sentando no banco do motorista?!

De repente Aaron abriu a porta do carona sentou-se ali respondendo:

—Porque é preciso aprender a dirigir antes de ter a CNH! — as portas do carro se trancaram antes que Romeu pudesse escapar — Ah, gostei da sua camisa hoje Romeuzinho!

Romeu olhou para baixo, mas agora não sabia se a camisa preta com “GAME OVER” escrito em letras vermelhas pixeladas que vestira de manhã havia acabado sendo uma grande ironia ou simplesmente um mau — pressagio desde o começo.

—Então podemos ir? — Julieta perguntou.

—Liga o carro e pisa no acelerador, ¡mi bien! — Aaron exclamou antes que Romeu pudesse reagir.

E naquele instante, quando o carro ligou, Romeu soube que morreria!

Porém… quem morreu foi o carro.

—Qual é?! — Julieta socou o volante com força, fazendo a buzina ligar — Que monte de lixo inútil! A mãe disse ao pai para levar o carro na oficina!

—Qual o problema do carro?! — Romeu arfou — São os freios?!

Aaron por outro lado continuava calmo como se Julieta não estivesse brincando com as vidas deles ali, inclinando-se para frente ele deitou a cabeça sobre os braços cruzados no painel e comentou:

—Ótimo mi bien, já está xingando como uma motorista experiente, agora tente passar a primeira marcha também.

Por que Aaron parecia tão determinado a matá-los?!

Xingando mais algumas vezes Julieta fez uma nova tentativa fazendo como Aaron apontava… mas o carro saiu tão rápido que eles saíram da garagem e quase subiram na calçada do outro lado da rua e ela precisou enfiar o pé no freio bruscamente fazendo Romeu bater a parte de trás da cabeça com um solavanco.

—Pise no acelerador com mais gentileza, mi bien. — Aaron aconselhou, sua voz continuava calma, mas de alguma forma uma das mãos dele estava tão fortemente agarrada ao freio de mão que ele tinha os nós dos dedos brancos.

Esse cara realmente não pretendia colocar o cinto de segurança?! Mas uma daquelas e todos três sairiam voando pelo para brisas!

Largando o freio de mão, Aaron ajeitou-se no banco do carona como se estivesse tudo bem.

—Gentil, entendi. — Julieta resmungou.

Girando o volante ela fez o carro avançar para virá-lo cuidadosamente na rua, mas freou em dois segundos, acelerou, freou, acelerou… Romeu já sentia seus miolos como bolinhas sendo sacudidas dentro da cabeça.

—Está indo muito bem. — Aaron comentou cruzando os braços e encostando o ombro na janela — Saímos da garagem, só precisa virar o carro e ajeitá-lo na rua…

Muito devagar o carro começou a andar enquanto Julieta mantinha os braços rígidos bem esticados.

—Eu só queria que Astofinho estivesse aqui também! — Romeu lamentou cobrindo o rosto com as mãos.

—O que é que você quer dizer com isso? — ouviu Julieta reclamar — Acha que um porquinho pode dirigir melhor do que eu?!

—Não, só que se ele estivesse aqui você tentaria nos manter vivos! — ele respondeu sem coragem para descobrir os olhos.

—Hã… ¿mi bien? Acho que é melhor olhar para frente quando dirigi.

Aaron a chamou calmamente esticando uma mão e puxando o volante de lado quando Julieta começou a ir muito para esquerda, apesar da baixa velocidade.

—Eu sei, está bem? Não precisa dizer! — Julieta respondeu impaciente afastando a mão dele dali.

—Claro… agora gire o volante devagar para direita antes que nós… urgh! É, acabamos de subir na calçada… — ele abriu a janela e olhou para fora — É melhor dar a ré antes que batamos na lixeira do seu vizinho uou! Isso deve ter arranhado a pintura, não tem câmeras aqui, tem? — riu colocando os óculos escuros e voltando para dentro do carro — Ok, mi bien, talvez um pouco mais devagar… está indo rápido demais… rápido demais...! Mi bien, descer a ladeira de ré não é a melhor forma de começarmos!

Aaron colocou o cinto de segurança enquanto Romeu tentava esconder a cabeça entre os joelhos, eles estavam descendo a ladeira de ré! Quem havia sido o gênio que tivera aquela ideia?!

—Está tudo bem! Eu estou indo em linha reta! — Julieta gritou com os braços rígidos e esticando o pescoço para olhar para trás — Não tem ninguém na rua, está tudo bem!

—Mas tire o pé do acelerador mim bien…!

De repente o carro freou e girou com um som de pneu cantando na base da ladeira e, por dez longos segundos, tudo o que se ouviu foram as respirações ofegantes dos três.

—V-viu? Eu disse que estava sobre controle… — Julieta gaguejou hesitante. — E agora?

—Vamos dar uma volta pelo quarteirão. — Aaron respirou fundo largando as laterais do banco. — E Romeuzito, pare de chutar meu banco, o seu freio imaginário não vai funcionar, você sabe… vai ficar tudo bem, é como aprender a andar de bicicleta.

—Não é não! — Romeu protestou — E você não estava lá quando a Julys aprendeu a andar de bicicleta!

Aaron o ignorou:

—Sigamos, mi bien?

—Por que vocês não podiam só ficar apostando corrida na praça como sempre?! — Romeu reclamou em desespero quando Julieta voltou a acelerar o carro.

—Ora, porque colocá-la atrás de um volante foi à única forma que eu arrumei de fazê-la parar de ver vídeos daquele loirinho sem graça no celular dela! — Aaron bufou.

Aaron e Romeu foram jogados contra as portas do lado direito quando Julieta fez uma curva.

—Eu sabia que você estava com ciúmes! — Julieta reclamou — Mas que idiotice, Luciano só posta vídeos da calopsita de estimação dele! Ele ensina vários truques a ela também! — o carro deu um solavanco que fez os três sacudirem em seus assentos — Por que foi escolher um trajeto tão esburacado também?!

—Acho que era um quebra molas. — Aaron respondeu massageando a cabeça — E está na cara que não é para o passarinho que você fica olhando!

—Você está arriscando nossas vidas porque prefere nos matar a ver a Julys olhando o crush famoso dela no instagram?! — Romeu chutou o banco com mais força — Eu sabia desde o começo que vocês dois namorarem era uma péssima ideia!

Reclamou fechando os olhos, com uma mão agarrada ao cinto de segurança e a outra à alça de segurança no teto do carro.

—Nós não estamos namorando! — Julieta protestou.

—Ah, para com isso Julys! — Romeu retrucou no auge do pânico — Quem aqui acha que vocês estão namorando, levante a mão!

Ele já estava com a própria mão levantada agarrada a alça de segurança do teto do carro, e não conseguia abrir os olhos, mas pôde ouvir claramente Julieta reclamar:

—Aaron abaixa essa mão agora!

—Eu sabia que deveria ter ficado com a minha mãe experimentando as roupas do bebê na Perséfone! — Romeu se lamentou.

—Como é que é Romeuzito? — Aaron virou-se no banco do carona — A sua mãe está experimentando as roupas da sua irmãzinha na gata?!

—Ela quer tirar umas fotos para mandar para o papai! — Romeu explicou em pânico — Mas vai lavar tudo depois, eu juro! SINAL VERMELHO!

Julieta pisou com força do freio, fazendo Aaron e Romeu ricochetear para frente.

Cierto… bons reflexos, mi bien. — Aaron a elogiou como se estivesse tentando ver o lado positivo da coisa — Agora, quando o sinal ficar verde, pode dobrar ali para começarmos o retorno…

—Mas pode ser um pouco mais gentil no acelerador se quiser.

Romeu sugeriu sem querer sugerir que Julieta tinha pé de chumbo logo antes do carro dar um novo solavanco.

Oiga, mi bien, em geral a dica é diminuir a velocidade nas lombadas. — Aaron sugeriu massageando o ombro.

—Calem a boca antes que eu chute os dois para fora, eu já sei! Estou indo devagar… — Julieta respondeu agora curvada sobre o volante e muito concentrada.

Romeu calou-se em dúvida sobre qual seria a opção menos arriscada: estar dentro do carro com Julys no volante, ou estar na rua com Julys no volante.

—Claro mi bien, não está mais aqui quem falou. — Aaron concordou cruzando os braços e se recostando ao assento enquanto admirava a paisagem pela janela… até começar a bocejar um minuto depois — Mas sabe mi bien, talvez você pudesse acelerar só um pouq…

—NÃO SE ATREVA A DIZER PARA ELA ACELERAR! — Romeu protestou chutando o banco de Aaron. — Meu pai deve chegar amanhã para montar o berço e eu ainda quero estar vivo até lá!

—Romeu você quer mesmo descer e ir andando?! — Julieta se irritou virando-se para olhá-lo.

—Olha para frente, olha para frente! — ele exasperou-se chutando o banco de Aaron algumas vezes — Por que você não podia tê-la deixado quietinha no canto dela assistindo os vídeos de um passarinho adestrado?!

Ele olhou pela janela desesperadamente, talvez se abrisse a porta e pulasse agora só sairia rolando pela rua, mas sem ter grandes ferimentos.

—Nunca! — Aaron protestou — Está indo bem, mi bien, apenas ignore o Romeuzito e siga… despácio como te gusta, pero mirando hacia adelante. — ele cruzou os braços e olhou pela janela — Vejam, acho que aquele caracol ali acabou de nos ultrapassar.

Comentou estalando a língua, fazendo Romeu chutar-lhe o banco outra vez enquanto cogitava seriamente tentar amordaçá-lo com o cinto de segurança.

Foi um grande alívio quando finalmente adentraram a rua de Julieta sem mais nenhum incidente — exceto por uma ou outra lombada mais brusca e ter subido o meio fio durante algumas metros novamente, mas pelo menos não o suficiente para fazer Romeu cogitar novamente saltar do carro em movimento… não seriamente pelo menos.

—Oh merda! — Julieta xingou deixando o carro morrer. — Esquecemos a porta da garagem aberta.

Aaron espirou o ar por entre os dentes.

—Isso é um problema. — comentou — Oíga, mi bien, uma vez meu vizinho da frente esqueceu a porta da garagem dele aberta e vinte minutos depois quando lembrou e voltou para fechá-la… já tinham limpado a casa!

—Que horror! — Romeu exclamou.

—Ah sim, com certeza, as minhas costas doem só de lembrar daquele dia.

Aaron concordou se olhando no espelho retrovisor para arrumar com os dedos das mãos o topete que havia sido amassado pelas seguidas cabeçadas na janela do carro graças à direção cuidadosa de Julieta.

—Por quê? — Julieta perguntou desconfiada.

—Ah, não importa. — Aaron deu um último retoque em seu cabelo e piscou para Julieta — Mas já contei a vocês da vez em que surpreendemos nossa mamá com uma máquina nova de lavar roupas?

Ele não podia estar falando sério, só estava apenas dizendo uma porção de besteiras, Julieta sacudiu a cabeça e desafivelou o cinto de segurança.

—Cale-se e pegue o volante! — reclamou abrindo a porta — De jeito nenhum eu vou conseguir colocá-lo de volta na garagem! E lembre-se de colocá-lo de ré, exatamente como estava antes!

Ordenou já saltando para fora do carro, deixando assim Aaron e Romeu sozinhos no veículo.

—Aaron quando foi que você tirou a carteira? — Romeu perguntou vendo como o outro passava do banco do carona para o banco do motorista.

—Eu nunca tirei carteira. — Aaron respondeu religando o carro.

Foi a deixa para Romeu abrir a porta e fugir rapidamente.

Mas apesar dos temores de Romeu e Julieta — e dois possíveis planos de Julieta de jogar toda a culpa em Aaron caso arruinasse o carro do pai dela — o colombiano entrou de ré na garagem e estacionou o carro com facilidade.

—Aí está mi bien! — ele vangloriou-se saindo do carro — E agora que tal um beijo?

Arregalando os olhos Julieta lançou um olhar para Romeu antes de mostrar um gesto ameaçador a Aaron e então virar-se e correr para dentro da casa.

—Você é um homem muito descarado, sabia disso? — Romeu o criticou balançando a cabeça e cruzando os braços.

—Oras Romeuzito, está dizendo isso só pela história da máquina de lavar? — Aaron riu finalmente fechando a porta da garagem — Aquilo foi uma piada!

—É claro que eu sei que aquilo foi piada, você não iria…

—Foi mi padre quem machucou as costas, eu só estava carregando um forno microondas e uma cafeteira.

Aaron completou jogando um braço por cima dos ombros de Romeu, que se engasgou.

—Como é que é?!

Aaron bagunçou-lhe os cachos.

—É brincadeira Romeuzito! — riu, mas Romeu não tinha tanta certeza assim — Mas estou feliz que tenha vindo hoje.

Acrescentou já se afastando em direção à porta da casa.

—Por quê? — Romeu desconfiou o seguindo — Por acaso esse circuito quase mortal foi idéia sua como algum tipo de vingança por aquele dia no cinema? Eu já disse que foi coincidência!

Romeuzito. — Aaron parou sorrindo-lhe de lado. — Si quisiera venganza, me habría asegurado de que estuvieras en la calle mientras Julieta conducía y no en el auto con nosotros.

—O que? — Romeu arqueou as sobrancelhas, mas Aaron foi embora sem lhe dar explicações o obrigando a segui-lo — Aaron, o que foi que você disse?!

—E então mi bien, o Toucinho é um bom cão de guarda ou a casa foi depenada? — Aaron chamou por Julieta andando casa adentro, ignorando totalmente Romeu.

—Não está faltando nada, então minha mãe não vai surtar quando voltar da aula de yoga e mandar o “namastê” lá para o quinto dos infernos, mas claro que não graças ao Astolfinho. — Julieta respondeu vindo da cozinha comendo um tomate com o porquinho já aos seus calcanhares — Se dependesse dele, ele apontaria a TV e depois rolaria no chão pedindo carinho na barriga.

Astolfinho roncou como se concordasse… ou talvez estivesse apenas pedindo por comida e carinho.

Isso explicava como Julys tinha pegado o carro, um pai que ia trabalhar de bicicleta e uma mãe que tinha ânimo para andar três quadras depois de uma aula de yoga na academia, a família dela era sem dúvida muito estranha.

Aaron apoiou-se em um joelho para brincar com as orelhas do porco.

—Então zero instinto de sobrevivência, não é Pururuca? — lamentou estalando a língua — Mi bien, já que não ganhei o beijo, ao menos mereço um copo de água, certo?

Instintivamente Julieta amassou o tomate em seu punho, antes de dizer com um rosto aparentemente inexpressivo e tranquilo:

—Tudo bem.

E voltar para cozinha sem dizer mais nada.

—O motivo pelo qual estou feliz de te ver é porque eu queria falar sobre a festa de formatura. — Aaron recomeçou a falar, ainda brincando com Astolfinho — Você pretende chamar Julieta?

Romeu sentou-se ao seu lado no chão.

—Que festa de formatura?

—É sério isso irmão? — Aaron o olhou incrédulo antes de baixar o tom de voz — Você e Julieta estão no último ano, lembra? Você está pensando em chamá-la?

Mas Romeu continuou olhando-o sem ter idéia do que Aaron estava falando.

—Bailes de formatura não é o tipo de coisa que só se vê em filmes norte americanos?

—Ai caramba! — Aaron deu uma tapa na própria testa. — Como é que eu, que estou no primeiro ano, sei da festa que a escola está planejando anunciar e você não?! Seus pais não estão pagando os boletos da festa? Eu já recusei o convite de quatro garotas!

—Por que estão te chamando se você não está no último ano? — Romeu piscou.

Ao que Aaron respondeu-lhe com um sorriso convencido passando a mão pelos cabelos… até se lembrar de que não era isso que importava agora.

—Deixa isso para lá, apenas me diga se você está ou não querendo convidá-la! Porque eu quero!

—Mas você nem é…!

—Aqui a sua água. — Julieta anunciou retornando com o copo d’água.

Gracias, mi bien. — Aaron agradeceu com um sorriso — Dá próxima vez posso te dar umas aulas de direção na moto da minha irmã, ¿que te parece?

—Uma péssima ideia! — Romeu respondeu no lugar de Julieta, empalidecendo. — Você nem tem carteira! É óbvio que não deveria estar ensinando ninguém também!

—Bobagem, você se preocupa demais Romeuzito! — Aaron retrucou após beber a água — Eu piloto moto desde os quinze, e dirijo carros desde os treze… dois se você contar a vez que roubei o carro do meu tio.

—Que?!

—É… criança. — Aaron deu de ombros.

—J-Julys, vem aqui comigo um pouquinho…! — Romeu atrapalhou-se na pressa de se levantar e puxar Julieta de volta para a cozinha, onde baixou o tom de voz: — Esse namoro é perigoso! Eu estou preocupado, ta?! Desse jeito vocês dois vão parar no pronto socorro antes do fim do ano!

—Eu não vou ter aulas de pilotagem com ele! — Julieta cruzou os braços e girou os olhos — E eu já disse que não estamos namorando, nós só…

—Como fica Roma ao contrário? — Romeu perguntou de repente.

—Amor? — Julieta respondeu confusa.

—Que foi mi bien?

Aaron respondeu automaticamente da sala, fazendo Julieta corar… embora se de raiva ou vergonha era um assunto discutível.

Notas finais
Aaron não perde tempo, sempre atacante! Obrigada a quem leu até aqui e até a próxima... seja quando for.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.