Uma ruiva, obviamente grávida, estava sentada. De cabeça baixa, aos poucos ergueu a cabeça.

Naruto colocou-se de pé, imediatamente. A ruiva era tão linda! Cabelos compridos pela cintura, uma pele clara, olhos castanho claros, uma boca pequena, nariz arrebitado. Quando ela começou a falar, Naruto começou a respirar o mais lentamente que pode, prestando o máximo de atenção que conseguia.

– Ohayo, pessoal. – quando ela começou a falar, seus olhos vagaram pela sala, como se estivesse verificando quem estava ali. – Se essa projeção estiver sendo feita, é porque nem Tomoe Hyuuga ou eu, Kushina Uzumaki estamos vivas. – ela mordeu o lábio inferior, antes de dar continuidade, ao que falava. – Bem, se isso realmente estiver acontecido, espero que na sala estejam meu marido, o homem mais doce do mundo, Minato Namikaze... E aquela criatura arrogante e xarope, chamada Hiashi Hyuuga. – Kushina fez uma careta, para ninguém em particular. – E obviamente Naruto e Hanabi, se aquele chato não resolveu trocar o nome da primogênita.

Respirou fundo, como se estivesse tomando coragem.

– Bem, se estão aqui, é sinal que uma de nós utilizou o jutsu que os envolveu em um... – Kushina fingiu tossir discretamente. – Vamos por partes, assim vocês todos entendem tudo. Eu vim parar aqui em Konoha, depois da destruição da minha vila, procurando... Bem, depois Minato-kun explica melhor. O importante, é que quando a primeira vez que eu vi a minha amiga Tomoe, eu... não sei bem como explicar... Achei uma parte, que eu considerava perdida, para sempre. Afinal de contas, encontrei a antiga Kushina, aquela da infância pela qual Minato-kun se apaixonou...

Ela suspirou.

– De certa forma, quando nossos olhos se cruzaram pela primeira vez, eu senti que a partir daquele momento, a irmã que sempre me apoiaria... puxaria a orelha de vez em quando... Eu tinha encontrado. E sempre foi assim. – Kushina sorriu, revelando uma incrível meiguice.

Kushina acariciava a barriga, enquanto falava. Naruto sorriu. Volta e meia, enquanto falava, a mãe olhava para o ventre, como se estivesse o acariciando também com o olhar.

– Conhecemos varias pessoas, que geralmente quando são amigas, sempre dizem que querem que, quando tem filhos, que quando crescerem, se casem. Bom, meu amor... – quando falou ‘meu amor’ Kushina tinha os olhos fixos no ventre, todos sentindo a ternura que ela queria transmitir ao filho – a mamãe também. Mas como a mamãe gosta de ficar inventando jutsus, consegui inventar um, que você vai ficar junto de uma menina doce, carinhosa, gentil... isso se ela tiver puxado para a Tomoe. Rezo para que isso aconteça. Porque se for mais parecida com o Hiashi...

Naruto, inconscientemente, engoliu em seco. Lançou um breve olhar ao pai de Hinata que parecia estar a ponto de explodir. Graças a Kami, Hinata havia puxado a mãe... Hiashi encarou Naruto, que ficou branco e voltou a encarar a mãe, que ria.

– Só espero então, que você tenha puxado ao Minato-kun, para conseguir aturar a coisinha arrogante que deve ser. Porque se puxou a mim, Naruto... pode botar fogo nas roupas dela... com ela dentro, alias! Mamãe deixa.

– Eu já ouvi demais de tudo isso! Já chega! – Hiashi levantou-se irritado. – Hinata vamos logo! Com jutsu ou não de impedimento, você não fica perto desse daí!

– Não precisa se irritar, Hiashi. – Kushina pareceu adivinhar o que iria acontecer a dezoito anos na frente. – Eu só falei isso, para irritar você... – Ela riu novamente. – Não que esse jutsu tenha sido imaginado apenas para isso. Se quer saber, você foi a última coisa que eu pensei, quando estava pesquisando para fazê-lo. Coisas de maior importância estavam na minha mente. Tipo, como eu faria para arrebentar o Ebisu pela gracinha de me chamar de baleia... E não quebrar nenhuma unha, no processo. – O jutsu para funcionar, precisa da autorização de todos os pais, ou seja, Hyuuga... você consentiu. – uma expressão de deboche surgiu no rosto de Kushina. – Espero que não esteja se queixando. – A expressão travessa que Kushina fez, colocou um sorriso involuntário em Naruto. Cada gesto, que a fazia parecer com um moleque, era uma referencia ao seu ser. – As autorizações, estão junto com a certidão de casamento, que assim que os bebês tiverem dezoito anos, irá se consolidar. Nenhum dos dois irá conseguir entrar na casa onde estão morando, antes do dia anterior ao ultimo aniversario do caçula, por um ano. É claro que essa não é uma condição intransponível. Eles podem alterar essa situação a qualquer momento, desde que estejam apaixonados... Ou que Jun tenha realmente pena da situação e conte como tirar você dessa enrascada e...

Hiashi parou de prestar atenção, perante o nome com três letras. De que adiantava a filha mais velha de Kushina Uzumaki saber como desfazer o jutsu, se estava morta?

– Bem... acho que todos esses foram os avisos do monastério que eu precisava dar. Por favor, Naruto, Hanabi... E Minato. Não achem que eu e Tomoe, estamos agindo por puro egoísmo. Apenas queremos... Achamos que vocês merecem ter uma chance de se conhecerem. De amadurecerem não como a líder do clã Hyuuga e o filho do Hokage. De serem Hanabi e Naruto.

Aos poucos, a imagem de Kushina começou a desaparecer. Naruto levantou-se, chegando perto da mãe. Kushina começou a cantar uma melodia infantil, acariciando a barriga, com os olhos fechados, lagrimas escorrendo pela face.

– Eu amo você. – Kushina sussurrou. – me perdoe, por favor, Naruto...