Isso Não É Uma História De Amor

3 Capítulo 3 - Não fui com sua cara. sua oxigenada.


Mal descansei e já vai começar o inferno de novo. Eu odeio ser nova em um lugar. Fica todo mundo fazendo perguntas e te olhando. Isso é horrível.

Mas eu não tinha escolha, então lá fui eu de novo, abri a mala, e revirei inteira pra achar alguma roupa que prestasse, e no fim achei algo que não era nem pra estar ali.

Achei uma camiseta dele, era uma regata vermelha, ainda tinha o cheiro doce e ao mesmo tempo forte do perfume dele. Mas eu gostava. E sentia falta. Como sentia.

Suspirei fundo e impedi as lembranças de virem na minha mente. Eu não podia ficar triste. Não naquele dia. Era o meu primeiro dia e eu ia fazer tudo diferente. E ninguém nunca mais iria me magoar.

Me troquei e desci as escadas correndo, minha mãe estava na sala me esperando, e por algum motivo eu senti que ela estava mais nervosa que eu.

Entramos no carro, eu liguei o rádio. Estava tocando Even If She Falls – Blink 182. Eu gosto dessa música. Não demorou nem cinco minutos e chegamos, talvez amanhã eu não precisasse ir de carro, poderia ir a pé, assim eu conhecia mais o lugar também.

Agradeci a minha mãe por ter me levado, e um pouco antes de eu sair do carro ela segurou meu braço:

- Filha se quiser ir embora, é só ligar.

“se ela tivesse dito isso antes eu não teria nem vindo” pensei. Mas em vez de falar isso, eu apenas disse que não tenho mais cinco anos e que daria tudo certo.

As pessoas lá pareciam normais, a escola era grande, acho que eu talvez fosse me perder nos primeiros dias. Então fui a secretaria, e uma moça me levou ate onde seria a minha sala. Eu fiquei com um pouco de receio antes de entrar, acho que era medo. Mas eu entrei. E todo mundo ficou me olhando. Do jeito que eu não queria que acontecesse.

— Bem-vinda. Você deve ser a Sophie, certo? Sou Lerry, professor de matemática.

Eu olhei pra sala meio tímida, e agora é o momento em que eu e um garoto lindo e perfeito nos olhamos, acontece todo aquele clima em câmera lenta, e blá blá blá.

Só que não. Não teve esse momento. Não teve esse garoto. Isso nunca acontece. Única coisa em que pensei foi: “puta merda, matemática?”

E então me sentei em um lugar que estava vazio. A menina loira que estava na minha frente virou, eu achei que ela fosse fazer perguntas como: de onde você veio? Mas não. Ela apenas disse:

— Esse lugar é do Drew.

Eu não liguei. Com continuei “prestando” atenção na aula, quanta chatice, quantos números. ARGHHH.

Passou uns dez minutos e um menino entra na sala, ele era moreno, tinha os olhos em uma tonalidade de azul tão lindos, meio que azul caribenho, era tão, tão não real.

- Atrasado de novo Drew. Porque será que você só se atrasa na minha aula?

- Desculpa professor Lerry, prometo que vou tentar não me atrasar mais.

Acho que esse é menino que sentava aqui. E sim, sentava, porque não esta escrito o nome dele aqui. Ninguém mandou chegar atrasado.

— Drew, pode sentar aqui, a menina nova já vai sair.

Disse a garota loira que estava na minha frente. Ela tinha uma voz tão nojenta. Eu não gostei nem um pouco dessa menina. E quem ela pensa que é pra... Ah, esqueceu comecei pegar minhas coisas pra sair dali.

- Não, não precisa sair. Pode ficar sentada ai, tem outros lugares que eu posso sentar, e bom, esse lugar não tem meu nome.

Nossa, é lindo e tem bom senso. Só que não. Esquece Sophie, esquece. Ele só foi gentil.

E como se não tivesse outros lugares mais longes, ele sentou do meu lado. E isso ia acabar tirando a minha concentração em algum momento. Então eu me lembrei de que essas coisas nunca acabam bem. E me lembrei da camiseta vermelha que achei na minha mala hoje. E esse é um puro exemplo. Essa camiseta é apenas uma lembrança, lembrança de algo que eu tento, mas não consigo esquecer. E eu não preciso de mais lembranças. Já sofri bastante.