Isso Não É Uma História De Amor

7 Capitulo 6 - Nunca gostei de domingos.


Minha mãe entrou no meu quarto abrindo janela, deixando a luz me cegar, reclamando da bagunça, fazendo a maior zoeira. E eu mal sabia que estava acordada. Mas tudo bem, fiquei mais uns cinco minutos deitada na cama e levantei.

Me troquei, fui até o banheiro, lavei o rosto e me olhei no espelho. E deixa eu falar uma coisa: A situação não estava nada boa. Sério, parecia que eu tinha tomado um choque.

Mas esse lance do meu cabelo estar tipo "acabei de voltar dos jogos vorazes" eu ia dar um jeito depois. Por isso fui para a cozinha, cheguei lá estava todo mundo sentado tomando café da manhã. Foi então que eu olhei pro relógio. Eram sete horas. SETE HORAS DA MANHÃ. Ninguém tem o direito de acordar as sete horas da manhã em um domingo. Era madrugada praticamente.

– Então mãe, ainda são sete horas da manhã, porque diabos você me acordou como se o mundo tivesse acabando? — perguntei.

– Pra te avisar que eu e seu pai vamos sair, e voltamos só amanha de manhã, por isso vê se não perde a hora de acordar pra ir pra escola.

" Podia ter deixado um bilhete, não precisava ter me acordado." Pensei.

Meus pais saíram, eu estava sozinha. A casa era toda minha.

Ah, como meu dia estava entediante, eram 9 horas da manha e eu ainda não tinha feito nada de útil. Mesmo eu não me importando em fazer algo de útil, não gostava de ficar sem fazer nada, então saí. Fui dar uma volta pelo bairro.

E adivinha, eu encontrei o Drew e a loira oxigenada, que por sinal chama Megan, conversando, na verdade brigando, ele deu um fora nela que doeu até em mim.

Continuei andando, toda feliz, estava sem pais por um dia. Estava tudo dando certo. Se não fosse por um idiota de skate que me atropelou.

Ele me ajudou a levantar, então eu fiquei esperando ele pedir desculpas.

– O que foi? ta esperando o que olhando pra mim? — perguntou o babaca.

– Você pedir desculpas. — Falei.

E ele riu, ELE RIU. Não sei porque, eu não contei nenhuma piada.

– Não vou pedir desculpas gata, a culpa foi sua.

Eu franzi a sobrancelha.

– OI? como é que é? A culpa é minha? Você é um retardado que me atropela com esse skate porque não sabe nem andar direito e a culpa é minha? Vá pro inferno.

– Acho que você devia andar com uma placa escrito: Cuidado, gata brava.

– Isso era pra ser engraçado? porque se era, não foi.

– A gata, qual foi, não te atropelei por querer...

– ENTÃO TA ASSUMINDO QUE A CULPA É SUA — interrompi.

– Eu não disse nada, mas você pode me dizer seu nome e telefone — perguntou ele na maior cara de pau.

– Não, obrigada. — falei e saí dramaticamente. Não sei se perceberam, mas eu gosto de saídas dramáticas.

Estava indo para casa, quase entrando na verdade, então ele me chamou. Sabia que morava perto da minha casa, mas não imaginava que morava na casa na frente da minha.

– Sophie, espera.

– Qual foi Drew, quer o que agora?

– Ver se está com muito ciúmes por ter me visto conversando com a Megan.

– Garoto, olha a minha cara de quem se importa com você. — Fiz um olhar tão ignorante que se eu fosse ele teria ido embora.

– Ah é, você só se importa com o George...

– George? O idiota do skate chama George? Hm.. bom saber.

– Aff. Você não vai me chamar pra entrar?

Ele é idiota ou o que? Porque diabos chamaria ele para entrar na minha casa? Sério, ele tem problema mental. Ou eu tenho problema mental, porque deixei ele entrar.

– Bonita casa, cade seus pais? — perguntou o intrometido.

– Voltam amanha de manha.

– Ah...

Ele chegou se aproximando de mim, eu sentia a respiração dele muito próxima a minha. Mas não, o empurrei.

Ficamos em silêncio por uns minutos.

– É, acho melhor eu ir indo, qualquer coisa meu telefone ta em cima da mesa.

E ele foi embora.

Estava ficando tarde, eu já tinha jantado e visto uns dois filmes na televisão, então eu fui me deitar. Mas não conseguia dormir. E pra piorar ouvi um barulho bem assustador, como de alguem mexendo em algo lá na cozinha. Me paralisei de medo. Estava sozinha, e se fosse um ladrão? Alguem pra me matar? Ai meu deus, estava tremendo. Liguei para a Drew, não sei porque, mas ele era a pessoa que chegaria mais rápido.

– Alô? — disse ele com voz de que estava dormindo

– Drew, é a Sophie, ouvi um barulho no andar de baixo, na cozinha, estou morrendo de medo, não sei o que é.. pode vim ver.

– Tá.

Ele desligou, eu achei que ele ia voltar a dormir, mas não. Cinco minutos depois ele tava gritando aqui no andar de cima meu nome.

– Aqui ...

E ele abriu a porta do meu quarto.

– Era um esquilo, ele fez a maior zona na sua cozinha.

– Ai, desculpa, é que pelo barulho eu imaginei que...

– Tudo bem — ele me interrompeu e foi se aproximando de mim que estava deitada. — Tem medo de ficar sozinha né?

– Um pouco, é que não estou acostumada.

– Quer que eu fique aqui com você? — ele perguntou, e confesso que foi até fofo.

– Não seria uma boa ideia. — falei rapidamente.

– Relaxa, só amigos.

Então eu apenas fui um pouco para o lado e ele se sentou na cama , e pegou a minha mão.

– Prometo que quando você dormir eu saio.

Eu sorri. Ele não era tão babaca assim, na verdade só agia como um, mas no fundo era um ótimo garoto.

Ele me fazia não ter medo do escuro, nem medo de estar sozinha, talvez pelo fato de que com ele ali eu não estava mais sozinha.

E não sei como deixei isso acontecer, mas aconteceu, ele se aproximou de mim, e me beijou, lentamente, e foi como se tudo tivesse parado, naquele momento ele não era babaca, ele era... ele. E eu gostei.