Isn't it Ironic
46 Capítulo 46
Notas iniciais
– E então ele plantou as provas contra o Vítor dentro da mochila dele. — Ana acabara de contar aos outros, que ficaram de boca aberta. Sal era pior que imaginavam. —
– Meu próprio irmão... — Vítor falou perplexo, e Lia o abraçou — Como ele pôde ter feito isso comigo?
– Ele queria se livrar do processo. Não queria ser preso. — Ana suspirou — Ai, gente, eu me sinto tão mal por isso. Eu sabia o tempo todo disso... mas não o ajudei. Quando o conheci, o Vítor já estava solto e aqui no Rio.
– É, mas você também não fez nada pra ajudar, né, Ana? — Lia a falou com desprezo — Só resolveu dar uma de boazinha porque está grávida e ele te deu um pé na bunda!
– Lia... — Fatinha começou a falar — A Ana não é flor que se cheire, mas ela pelo menos está tentando se redimir. Já é uma coisa. — riu fraco —
Lia sorriu, zombando. — Me admira você, Fatinha. Depois de todo que ela te fez...
– Lia, eu sei que fui horrível. Causei muita dor nas pessoas, mas estou tentando ajudar. Vitor, me desculpa?
– Isso é muito cedo para pensar. Mas eu te desculpo. Não foi você quem fez. Foi meu irmão.
Bruno apenas assentiu e deixou Fatinha prosseguir.
– Então... o que tem em mente, Ana? — ela tamborilou os dedos na mesa e fitou Ana, que encolheu-se —
– Eu sei onde o Sal mora em Brasília, claro.
– Isso é óbvio, né? — Lia fala irritada — Você era amante dele!
– Amor, por favor... — Vítor beija a cabeça da namorada, que assente —
– Vai, fala. Ninguém vai te cortar mais, não é pessoal? — Bruno pergunta e observa todos na mesa —
– Eu sei o esquema de drogas dele. Quer dizer, já ouvi ele falando ao telefone. É num bairro nobre de lá. Coisa grande. Ele vai lá todo final de semana, pelo menos quando eu estava lá, e volta com muito, mas muito dinheiro.
– E qual é o ponto? — Fat pergunta —
– Eu vou voltar com o Sal, e tirar tudo que precisar dele. Vou fazer ele confessar. E além do mais, ele guarda umas provas na casa em que vive. Numa espécie de galpão. — ela suspira — Eu já entrei lá. Ele disse que nunca queimou ou deu fim na papelada, porque quer deixar aquilo de garantia pros traficantes não executarem ele.
– Ok. E quando vai começar o plano?
– Próxima semana. — ela riu — Preciso de dois meses. Até a barriga não crescer. Digo que perdi o bebê e que estou arrependida de ter terminado com ele.
– Isso não é arriscado pra você e pro bebê? — Vitor a olha preocupado —
– Sempre tem um risco. Mas se agirmos rápido, teremos menos chance de ocorrer o pior.
–E onde nós entramos?
– Aí é que está. Eu vou mandar periodicamente fotos, comprovantes, escutas e coisas do tipo pro email de todos vocês. Só precisam guardar e mandar para um local seguro. No caso de dar algo errado.
– Isso é mole. — Bruno disse — Conte com a gente.
–Você vai sair dessa, meu amor. — Lia depositou um selinho na boca de Vítor e o abraçou —
– Com fé em Deus.
Todos na mesa entreolharam-se e assentiram.
– Bom, agora tenho que ir se quiser chegar em Bsb a tempo de ver ele. — Ana levantou-se da cadeira — E mais uma vez, mil desculpas.
– Você já está nos ajudando muito, Ana. — Vítor levantou-se da cadeira e a abraçou — Cuida bem desse moleque que está aí. — Sorriu —
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