Isis, Osiris e Hórus
1 Casa da Decisão
Notas iniciais
(N-Nina)
Fazia um ano que eu não via o pessoal do colégio, não voltei para casa no terceiro ano por causa da minha avó, ela adoeceu gravemente, a um tempo ela morreu. Sinto falta deles, Amber, Patrícia, Alfie, Jerome, Mara, Mike e as vezes até da Joy, mas, mais do que todos eles sinto falta do meu Osiris e do Faibian, Faibian, esse nome faz meu coração disparar, eu ainda o amo, isso é fato, mas tenho que esquecê-lo, quer dizer ele está com a Mara agora e eles estão bem juntos, quero que sejam felizes.
As vezes eu falo com Eddie no telefone, mas eu sinto falta do seu abraço, seus braços aquecendo o meu corpo, me fazendo sentir protegida, afinal é o dever dele me protejer, se eu o amo? Sim, amo, como um irmão mais velho que cuida de mim, sinto muito a falta dele.
Liguei o computador, abri no site do jornal e li algo que me surpreendeu.
A velha, histórica e misteriosa casa de Anubis, casa de um internato inglês, perde seu guardião, um homem com cara de 50 porém com 97 anos Victor Rodenmaar filho morreu no começo da semana. Obituário de Victor Rodenmaar .Clique para visualizar.
Mas como isso é possível? Victor ainda estava tomando o elixir, precisava falar com o Eddie, peguei o celular na cama ao meu lado, eu ia começar a discar quando o celular tocou, era o Eddie.
-Alô?!
-Alô!- disse Eddie com o tom procupado- Nina o que aconteceu? Você está bem?
-Sim Eddie eu estou — acalmei-o.
-Que bom,- ele parecia aliviado- tive a sensação de que você precisava de falar comigo.
-Na verdade preciso, achei algo que vai te surpreender tanto quanto a mim.
-O que?
-Espera vou te mandar o arquivo- entrei no email e colei o link, alguns minutos depois de enviar ouvi o som de email chegando do outro lado da linha.
-Como assim?- Eddie perguntou depois que leu o artigo- isso é loucura ele estava tomando o elixir, não podia ter morrido.
-Pois é foi o que eu pensei, mas ele morreu, você sabe de alguma coisa?
-Não, quer dizer eu tenho falado com o meu pai no telefone, mas ele não me disse nada sobre o Victor.
-Mas temos de dar um jeito de descobrir, porque alguém morrer na casa de Anubis mesmo tomando o elixir quer dizer que algo ruim está para acontecer.
-Tem razão...
-EDDIE JÁ FALOU COM SEU PAI HOJE DESLIGA ESSE TELEFONE NÃO QUERO QUE FIQUE FALANDO TANTO COM ELE, SABE DISSO.-uma voz de mulher veio do outro lado da linha e parecia irritada.
-MÃE NÃO É O MEU PAI É A NINA.
-AH...-disse a voz sem graça- ME DESCULPA.
-Desculpa Nina, é a minha mãe, ela fica reclamando que eu falo demais com o meu pai no telefone.
-Não faz mal, mas ele não é seu pai?! Você tem direito.
-É, mas ela não gosta, acho que porque ela sabe do que aconteceu nos outros anos, sabe que eu sou o Osiriano e não quer que eu me meta com as coisas que o meu pai fazia na escola... Ah o que me faz lembrar que acho que tenho uma solução para os nossos problemas.
-Que bom-disse aliviada- o que?
-Bem, a escola está oferecendo um curso especializante, humanas, biológicas e exatas, poderíamos nos inscrever o que você acha?!
-Ótima ideia Eddie, mas tem um problema, eu não tenho dinheiro você sabe disso...
-Bom minha mãe pode pagar o meu e você fica com a minha bolsa.
-Não Eddie não precisa eu...
-Nina não temos tempo de ficar negociando generosidade, temos algo maior para resolver do que problemas financeiros, vou falar com o meu pai e com a minha mãe, você vem pra minha casa hoje a tarde e amanhã vamos juntos para o aeroporto.
-Ta, você tem razão, te encontro em umas 20 horas vou arrumar minha mala para escola e tenho outra coisa para fazer.
-Ta bem até a noite então.
-Até
Desliguei o telefone e levantei da cama em um pulo, me troquei e tirei do armário a mala que eu usava para levar para a escola, sentia falta dela, separei as roupas e coisas de higiene e coloquei na mala, fechei e encostei na parede ao lado da porta, para fazer isso levei umas 3 horas, consultei o relógio e eram 13:00 hora. Tomei café da manhã, e um banho, cacei pela casa cada centavo que eu tinha e enfiei na minha carteira, peguei a bolsa e fui até a minha motocicleta no estacionamento, para isso levei mais umas 2 horas, eram 15:00.
Cheguei na livraria/biblioteca, a dona Beth me surpreendeu enquanto eu a procurava entre as prateleiras altas de madeira envelhecida.
-Nina!
-Dona Beth, a senhora me assustou.
-Sinto muito querida-ela riu- senti sua falta não veio mais depois que a sua avó morreu, nem consegui lhe dar meus pêsames.
-Sinto muito eu queria ter vindo seria muito bom para me distrair com tamanho conhecimento armazenado nesse lugar, mas infelizmente não tenho tido tempo.
-Ah entendo... Mas o que te traz aqui hoje? Parece preocupada? Quer algo em especial?
-Na verdade sim, quero um livro sobre mitologia egípcia, o livro mais raro que tiver, aquele com as mais secretas e curiosas informações.- eu sussurrei.
Ela levou o óculos até a ponta do nariz e me avaliou com o olhar crítico, depois o ajeitou e disse sem titubear- Acho que sei o que você precisa.
Eu a segui durante vários corredores, largos e estreitos, cheios e vazios, até chegar em um pequeno e estreito, a madeira estava mais velha e corroída, ela me apresentou o corredor com um movimento grandioso com um dos braços.
-Aqui estão os melhores, fique a vontade.
-Muito obrigada.
Passei horas a fio olhando livros, grandes e pequenos, com fotos, desenhos ou sem, de autores jovens velhos, alguns que até já tinha morrido, que eram os livros mais interessantes, até que encontrei um que me chamou mais atenção, o livro tinha sido escrito por ele, Robert Frobisher Smythe, era grande e grosso, precisava apoiar na mesa para ver, o abri e ele era diferente dos outros, era escrito todo em hieróglifos, legendas de imagens e os textos, algumas coisas eram um tipo de hieróglifo que eu nunca tinha visto antes, outros eram mais comuns que líamos no colégio, mas que eu não tirava de letra, comecei a ficar tonta, as letras começaram a girar e de repente pararam, mas agora eu podia entender.
Nesse mundo há dois, que...
Meu celular tocou e a dona Beth chegou e disse.
-Faça silêncio Nina.
-Ah... Sim me desculpe.
Eu atendi o celular.
-Eddie?! O que aconteceu?
-Não sei eu senti algo estranho, me senti tonto e ouvi alguma palavras, de repente pensei que tinha acontecido algo com você e te liguei.
-Que palavras?
-Nesse mundo há dois, que... E foi onde me interrompi, porque?
Eu expliquei a ele o que estava acontecendo ele disse.
-Você pode continuar a ler?
-Eu não sei- me voltei novamente ao livros mas os hieróglifos não se mexeram- não, não mais.
Dona Beth pigarreou, e eu a olhei.
-Sem celular Nina.
-Ta bem. Eu tenho que desligar depois conversamos.
-Ta, qualquer coisa me avise.
Eu desliguei ainda olhando para a dona Beth, será que ela tinha ouvido?
-Quero levar esse livro- me virei para a mesa, o fechei e entreguei para a mulher.
-Ah claro, Robert,- ela sorriu- um grande egiptólogo, arqueólogo e estudioso com certeza, me lembro que quando eu era menina...
-Não quero ser rude mas já são- consultei o relógio enquanto falava- 19:00 horas e eu tenho que estar em uma lugar as 20:00 e é muito longe.
-Ah... Esta bem, eu me perdi em meus pensamentos, são... U$$70.
-O que? U$$70 eu não tenho esse dinheiro, não posso pagar por isso esse livro.
-Então não posso te vender.
-Mas eu preciso dele.
Ela pareceu pensar por um instante.
-U$$50
Tirei o dinheiro do bolso
-Tenho U$$49.
-Suficiente- disse me entregando o livro- Agora vá, irá se atrasar.
Eu ia sair mas me ocorreu algo.
-Dona Beth.
-Sim
-Se alguém perguntar por ele, diga que não sabe de nada, nem de mim, nem do livro, ta bem?
-Me desculpe quem é você querida?- ela piscou.
-Obrigada.
Sai e fui pra casa, coloquei o livro na mala e amarrei ela na parte de trás da motocicleta, vesti o capacete e fui para a casa do Eddie, cheguei lá as 20:01.
-Ta atrasada- ele disse
-E você está sujo de chantili na boca.
Rimos e nos abraçamos, era bom sentir aqueles braços fortes envolvendo o meu corpo, me aquecendo no frio da noite, senti falta do meu Osiriano.
-Eddie...- sussurrei- sentia sua falta.
-Eu também- ele disse com uma voz suave.
Entramos e ele me ajudou com a mala, estávamos cansados por causa do longo dia, então assistimos um filme, tirei o livro da mala e comecei a folhear, dentro encontrei um DVD.
-Eddie olha.
Ele encarou o DVD por uns minutos, parecia pensar.
-Vamos assistir- ele disse finalmente enquanto o colocava.
(N-Eddie)
Um homem e uma mulher estavam sentados sobre uma cama de casal, os dois tinham expressões preocupadas.
-Podemos?- perguntou a mulher
-Sim.. Já está gravando- respondeu a voz trêmula e familiar da mulher que segurava a câmera.
-Escute- disse o homem- nós não temos muito tempo- ele dizia com pressa.
-Mas tome cuidado- avisou a mulher- ouça o seu coração, deixe que ele te guie, ele lhe dirá em quem você pode confiar.
-N...-o homem foi interrompido por uma raio.-Acabou, temos que ir.
-Não temos escolha, nem tempo, vamos vá embora-ela disse para quem segurava a câmera.
Sem titubear a mulher saiu e fechou a porta, colocou a câmera no buraco da fechadura, algo entrou pela janela ou simplesmente apareceu.
-Deveriam ter ouvido meu aviso, agora é tarde, acabou.
-Por favor não.-disse o homem.
A câmera tremia, o barulho de uma cajado batendo no chão tomou conta do lugar, o casal caiu sem vida no piso de madeira, a câmera desligou.
Nina apertava a minha mão com uma força que seria capaz de arranca-la, olhei pra ela, estava com os olhos cheios de lágrimas.
-Nina?! O que houve?
-Eddie, o homem e a mulher-a primeira lágrima escorreu- eles... São- ela secou a segunda- são... Os meus pais.
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