Isabella Swan: O Retorno
16 Amor é confusão
POV. Edward
Isabella me dizia palavras tão frias, mas seus olhos estavam conectados aos meus, a intensidade na qual me olhava me dizia que parte daquilo era mentira. Ela me odiava, era fato, mas algo dentro dela lutava contra isso. No fundo ela ainda era minha Bella, a mulher que eu conhecia com a palma da minha mão. E então ela correu.
Não queria ficar pra ouvir todo o discurso da minha família sobre como eu fui um imbecil facilmente provocado, eu já sabia disso. Mas em se tratando de Isabella, eu não tinha controle de quem eu era. Atravessei o lago num salto e sentei a beira do rio. Gemidos altos me chamaram atenção. Eu sabia que eram dela, eu sabia que ela estava com Damon, mas o som me guiou como um imã. Você pode até pensar. “Você está louco?” Posso até parecer um voyer obcecado pela ex, mas eu precisava me conformar que ela jamais seria minha de novo, eu precisava aceitar, senão acabaria morto, ou matando o companheiro dela. E ela me odiaria. Eu soava obcecado, e de fato estava. Isabella estava ali, viva, respirando e absurdamente bonita. Eu estava fascinado com a beleza de seu corpo, seus movimentos, seus gemidos de prazer. Sua pele era tão linda, ela emitia um certo feitiço, que me fazia ignorar a pessoa em baixo dela, Isabella era única no mundo, e não era mais minha.
Um momento de lucidez me bateu, poucos segundos tinham se passado desde que eu chegara e a dor foi absurda. Ela era de outro agora, e eu tinha que aceitar. Me virei pra ir embora, e eu de fato iria se as cenas de minha lua de mel não tivessem invadido minha mente. Logo de primeira pensei que fossem minhas memórias, mas elas estavam menos nítidas para a memória de um vampiro. Então percebi que, por mais impossível que pareça, eu estava na mente de Isabella. Ela intercalava entre memórias comigo e o presente ali com Damon, eu via tudo o que ela via, sentia o que ela sentia. Seu prazer era tanto, que não precisava ser um telepata pra sentir. Bella era puro instinto.
Ela se deitou de costas pra Damon e de frente pra mim, lágrimas rolavam de seus olhos. Seu olhar se levantou quase cruzando com o meu, saí correndo dali antes de que fosse visto. Isabella ainda me desejava, mesmo em seu inconsciente, eu precisava tê-la, precisava chamá-la de minha. Precisava me redimir, me aproximar de novo. Fazer certo dessa vez.
Botei um sorriso no rosto e entrei na sala onde todos estavam, pude ouvir dois pares de passos a poucos metros de distância, é isso seria interessante.
POV. Bella.
Quando eu e Damon voltamos pra casa dos Cullen todos estavam na sala. Edward estava com um sorriso convencido no rosto, um arrepio correu minha coluna pelo que tinha acabado de acontecer. Ele veio em nossa direção e os músculos de Damon já ficaram tensos, botei a mão em seu peito e esperei.
— Calma, eu vim em paz, desta vez. — Edward soava sincero. — Começamos mal e eu não quero perder essa nova oportunidade. Agi por impulso, e fomos bastante idiotas por nos atacar por aí. — Disse olhando pra Damon. — Bella está com você agora, e pelo bem da família, eu quero que sigamos todos em paz.
— Isso é muito maturo da sua parte, Edward. Obrigada. — Disse sem olhar em seus olhos.
— Que seja vampiro-fada, eu não vou começar a gostar de você, mas pelo bem da minha filha vou tentar não te matar. — Damon deu um passo a frente. — Só fique longe da minha mulher.
— O que a Bella quiser. — Disse me encarando profundamente nos olhos como se soubesse de algo. E então voltou para o seu lugar no sofá.
Olhei pra Damon e sorri, depositei um beijo na sua boca e sussurrei no seu ouvido, mesmo sabendo que todos ali podiam ouvir.
— Você é incrível, obrigada. — Puxamos um assento na sala.
Aparentemente Stefan já havia explicado quase tudo sobre a raça dos Salvatores para os Cullen. Carlisle, particularmente, estava fascinado com toda a nova mitologia.
— (...) Mas Bella ainda é um mistério pra nós, ela claramente é uma vampira, porém sua espécie é uma incógnita até hoje.- Stefan explicava com maestria. — Rose a mordeu, mas Damon quebrou seu pescoço depois que ela deu a luz. — Esme se espantou. — É assim que nossa espécie se transforma, precisamos morrer pra renascer. — Explicou.
— Ele quer dizer que eu peguei o melhor das duas raças, Carlisle. — Interrompi. — Sou a híbrida perfeita das duas raças. — Botei minhas presas pra fora, e minhas orbes vermelhas denunciaram minha dieta. Sim, meus olhos ficavam vermelhos quando eu me alimentava, depois voltavam ao tradicional castanho.
— Oh, Bella, seus olhos. — Alice acusou assustada.
— Sim, eu me alimento de sangue humano. Não eu não os mato, na maioria das vezes são bolsas de sangue. — Expliquei antes que começassem com os julgamentos. — Eu juro que eu tentei comer coelhos como o Stefan. — Ri da cara do meu cunhado, essa piada nunca ficava velha. — Mas não dá, essa é minha dieta. — Na verdade tudo na caçada me excitava, principalmente quando caçava com Damon, mas eles não precisavam saber dessa parte.
— Tudo bem, Bella. A gente não julga. — Carlisle se prontificou. — Só não te queremos longe de novo. Foi triste o suficiente esses anos que se passaram. Bem vinda de volta, filha.
O abracei fortemente, assim como o resto da família. Esme, Jasper, Alice. Ah como eu sentia falta da Alice. Até que vim pra Forks não foi de todo mal. Eu ainda não tinha estômago pra visitar a antiga casa de meu pai, mas com diz o ditado: Um passo de cada vez.
Fui atrás de Renesmee, voltaríamos pra Seattle, afinal ainda tinha aula amanhã…
POV. Renesmee.
Meses se passaram desde o nosso encontro com os Cullen. As visitas a Forks eram constantes. As vezes com Bella e Damon, as vezes Rose e Emmett. Conhecer minha nova família foi um presente. Eu ainda não tinha emocional pra lidar com o fato de Edward ser meu pai biológico, mas ele já não era mais um completo estranho.Tínhamos muita coisa em comum, além do fato parecermos irmãos gêmeos.
Eu adorava fazer compras com Alice e Esme. A baixinha era maravilhosa, e tínhamos a personalidade bem parecida, como minha mãe sempre disse. Jasper, que era sempre fechado, se tornou bastante divertido com tempo, principalmente depois de eu o convencer a me ensinar a lutar. Carlisle passava horas me contando histórias, e era fascinante ouvi-lo. E tinha Chris, foi de longe a pessoa que eu mais me aproximei na casa. Ele me fazia tão bem.
Bella disse que eu estava me apaixonando pelo melhor amigo do meu pai biológico. E por mais bizarro que possa soar, era verdade. E era assustador se for pensar que ele é mais velho que minha mãe, mas eu não me importava com nada disso quando nossos lábios estavam conectados. Ninguém além de minha mãe e Alice sabiam, eu tentara ligar pra Hope diversas vezes, mas o telefone em New Orleans parecia simplesmente não funcionar. Hope era o mais próximo que eu já tive de uma melhor amiga, precisava contar a ela, desabafar meus medos.
Era intervalo da escola, disquei o número de Hope de novo, estava quase perdendo as esperanças quando ela finalmente atendeu.
— Hops? Eu preciso de ajuda, graças as divindades você me atendeu! Eu to tão confusa…- Fui disparando a enxurrada de uma vez até uma voz masculina me interromper.
— Nessie? Hope não está. É o Elijah, o que aconteceu? Eu posso ajudar? — Corei com a mais profunda vergonha. Mas Elijah e eu sempre fomos próximos.
— Ah, oi tio Elijah. Não é nada demais, só problemas com garotos. Pode pedir pra Hope me ligar quando ela puder? — Fiz um muxoxo.
— Claro Ness, mas você tem certeza que eu não posso ajudar? — Decidi contar.
— Tem esse garoto, Chris. E ele me faz tão bem, sabe? — Ele me mandou prosseguir com o problema. — E ele me pediu em namoro, já faz uns meses que a gente tem essa conexão boa e mesmo assim eu não me sinto cem por cento segura, ele é tão mais velho. Tão mais experiente… — Ele me ouvia atentamente. — Eu sei que tu tem um milhão de anos, mas, tio, imagina conhecer uma mulher de 2? É assustador.
— Nessie, me escuta. Ele te faz bem? Te faz sorrir? — Respondi afirmativamente pra todas as perguntas. — Então você já tem sua resposta, querida. Pra quem ama idade é só um número, principalmente pra nós imortais. Veja sua mãe e seu pai, Caroline e Klaus, Stefan e Elena. Centenas de anos de diferença e feitos um para o outro. Amor é diferente pra nós, a gente sabe que a pessoa é pra ser no primeiro toque, no primeiro beijo, no primeiro olhar. Se esse Chris te passa tudo isso, minha querida. Só deixe acontecer.
— Você é o melhor, tio Elijah! Obrigada. — Eu sorria grata. Agora eu só precisava vê-lo, já fazia semanas desde que ele me propôs, e não tínhamos nos falado mais.
— Claro que sou, eu tenho 1 milhão de anos. Se cuida, Nessie. — Riu e desligou.
Minha aula terminou mais cedo do que a do resto da família, um dos meus professores faltaram. Me dirigi a saída e fui ouvindo um burburinho ao me aproximar do estacionamento. A chuva caia lá fora, Seattle, né? Logo hoje que eu tinha estacionado na área descoberta. Fui andando na chuva mesmo já que um grupinho de garotas atrapalhou meu caminho. Droga, meu cabelo molhou todo. Estava distraída ajeitando minha juba que nem percebi o motivo daquelas garotas estarem amontoadas como urubus olhando carniça.
— Você fica tão linda com o cabelo molhado. — Chris me assustou. Ele estava encostado na minha moto.
— Chris, oh meu deus, o que você faz aqui? — Ele tinha um sorriso estampado no rosto, pude ouvir os suspiros da audiência logo atrás.
— Ah, eu sempre quis conhecer Seattle. — Dei um tapa no seu braço. — Ah, tem uma ruivinha linda nessa cidade, você viu ela por aí? Ela me deixa louco sabe? Principalmente quando ela sorri, nossa se você pudesse ver o sorriso dela. — Eu sorria apaixonada. Me aproximei mais dele, enlaçando meus braços no seu pescoço. Ele passou os braços em minha cintura. Pude ouvir o “ahhh” de desapontamento das meninas.
— Opa, cuidado com a proximidade. Não quero deixar sua namorada com ciúmes.
— Namorada? Ness, você… — O Interrompi selando nossos lábios.
— Sim, eu aceito seu pedido, namorado. — Subimos na moto e ele deu partida. — Só tem um problema. — Encarei as costas dele por um momento e depois gargalhei.
— O que? — Ele perguntou assustado.
— A gente tem que contar pros meus pais. — Respirou aliviado.
— Tudo bem, Damon e Bella me adoram. — Abracei ele mais apertado, ainda rindo. — O que?
— E pro Edward — Chris freou bruscamente.
— Ruiva, eu to ferrado. — É, não deve ser fácil contar pro seu melhor amigo que você tá namorando a “filha” dele.
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