Isabella Potter

6 Lembranças do meu passado


Notas iniciais
OIE! espero que gostem. Qualquer duvida, sobre os personagens ou outra coisa me perguntem nos comentários

1 ano atrás

Isa P. O. V.

Eu sorri quando abri a porta para ele, mas ele não estava nenhum pouco feliz. Parecia preocupado, depois de subitamente sermos atingidos por um milhão de memórias no mês anterior, ficamos um pouco distantes, mas isso tinha acabado essa semana, simplesmente decidimos que o melhor era não pensar por agora naquilo.

─ A gente precisa conversar. – Eu assenti e tentei ignorar a falta de um beijo ou algo do tipo. Entramos e nos sentamos no sofá da sala de estar. – Meus pais estão se mudando para a França e eles querem que eu vá junto. – Eu assenti.

─ Tudo bem, não é como se fosse muito longe, então... – Ele negou, antecipando o que eu ia dizer.

─ Eu acho que a gente devia dar um tempo. – Ele disse me olhando nos olhos, ele estava sério, mas não convicto do que tinha dito. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e eu presumo que os meus também. – Eu amo você eu sei que eu amo, mas eu acho que deviríamos experimentar viver um sem o outro por um tempo.

─ Tudo bem – Ele me olhou surpreso. – Temos que aprender a pensar sozinhos de novo. – Eu me justifiquei e ele assentiu.

─ Sério? Porque eu não consigo conviver com a ideia de você me odiando. – Ele disse e eu ri.

─ Achei que já tínhamos passado essa faze a um bom tempo. – Ele rui também e assentiu.

─ Sabe, depois que eles devolveram a nossa memória, eu comecei a pensar nisso e eu acho que também já deve ter passado pela sua cabeça. – Eu assenti, não era a melhor sensação do mundo, mas ao mesmo tempo eu também tinha a necessidade de organizar os meus pensamentos sozinha. ─ De qualquer forma, a estrela continua bem onde nós deixamos. – Eu sorri e assenti. ─ Eu preciso ir agora.

─ Tudo bem. – Eu disse e ele saiu.

A partir daquele dia, eu passei a pensar muito em Nárnia, em como as coisas fizeram um nó na minha cabeça e em como eu odiava a sensação de impotência que isso me causou.

Às vezes é difícil encontrar alguma coisa que me faça sentir normal, eu não sou normal o meu corpo sabe disso, as minhas personalidades também, os sonhos e pesadelos, as lembranças que agora não saem da minha cabeça, mas eu tento pensar que isso pode acontecer, quando fico um, dois dias sem problemas, acabo me esquecendo um pouco que eles existem, mas ai vem um sonho, um pesadelo uma lembrança escondida no fundo da minha mente que me faz lembrar de tudo, talvez uma nova luta, um novo objetivo, um desafio.

Pensar em tudo que aconteceu em Nárnia e pensar que passei a minha vida toda se lembrar de nada era um tipo novo de desafio para mim, e eu tinha que concordar que era o tipo que eu resolveria sozinha, com meus próprios pensamentos.

As lembranças da nossa infância eram tão claras para mim, tão reais e eu não queria que isso mudasse, mas ao mesmo tempo não podia deletar o fato de que já fizemos mal um ao outro. Acaba que adicionar novas coisas afetam as coisas boas também e eu estava procurando uma maneira de não pensar por esse lado. O mais estranho era que a única certeza que eu tinha era de amar ele.

Lucas P. O. V.

Chorando, sim pode parecer estranho já que eu tomei a iniciativa de ir falar com ela, mas aquilo doeu tanto em mim como eu sabia que tinha doido nela, foi como ser atingido por um vazio que eu mesmo causei, tive vontade de voltar lá e dizer que aquilo era loucura, mas eu sabia que não era o certo. O certo era esperar e dar tempo ao tempo, nesse momento precisamos nos encontrar primeiro, viver nossas próprias escolhas sem pensar um no outro. Nunca pensei que um dia fosse fazer isso ou pensar assim, mas quando você descobre que a sua vida tinha muita coisa escondida em um passado, você tem que pensar. Voltar para os trilhos e viver de novo.

─ Filho, já acabou de organizar as suas coisas? – Minha mãe perguntou adentrando a porta, eu rapidamente sequei uma lágrima involuntária do meu rosto. ─ O que aquela garota fez com você? – Eu revirei os olhos.

─ Nada mãe, ela nunca faria nada que me machucasse. ─ Eu disse, sabendo que era verdade, apesar de tudo nós nunca faríamos aquilo de novo, não conseguia nem pensar na hipótese de sentir raiva por ela ─ E sim, eu já peguei tudo, apesar de não entender o Porquê de levar tanta coisa você vai comprar tudo de novo mesmo. ─ Eu acrescentei, sabia como a minha mãe era, eu já deveria ter um guarda-roupas lotado na casa nova, sendo que eu nem poderia escolher uma roupa dele.

─ Tudo bem então, seu pai está esperando, o jatinho está nos aguardando no aeroporto. ─ Eu assenti, apesar de tudo eu ainda me referia ao meu padrasto como pai, eu me lembro quando eu descobri que ele não era meu pai biológico, foi um pouco chocante, mas agora eu acho ele mais pai do que Zeus, qualquer pessoa é melhor do que Zeus. Afinal que pai faria qualquer coisa para machucar os seus filhos? E sim eu agora podia falar do assunto já que tecnicamente eu já tive filhos, o que é muito estranho de se pensar.

Eu me levantei e peguei uma foto minha e da Isa de quando fomos para a Itália que estava na minha escrivaninha, tirei do porta-retratos, e guardei na minha carteira. Dei uma última olhada para o meu quarto antes de descer e me encontrar com meus pais que estavam me esperando para irmos para o aeroporto.

A única coisa que eu conseguia pensar era que quando eu disse que queria um tempo, eu espero que ela tenha pensado assim como eu de que esse tempo não seria muito longo, porque não sei se seria humanamente possível, ou seria semideusamente possível? Se é que isso existe, mas o fato é que ficar separado dela por muito tempo não seria algo que eu poderia suportar, a final já sentia falta dela antes mesmo de ir.

Notas finais
Reviews??