Isabella Marie Crouch
6 Capítulo 6
Isabella Crouch POV:
No dia seguinte, uma fina camada de neve cobria o jardim, varria a parte de cima da minha caminhonete, e deixava a estrada toda branca. Mas essa não era a pior parte. Toda a chuva de ontem tinha congelado, virado gelo — cobrindo o topo das árvores em padrões deslumbrantes, e cobrindo a calçada com um gelo sujo e mortal. Eu tive bastante dificuldade para não cair no chão seco, poderia estar mais seguro para eu voltar agora para cama. Malditas restrições opostas do velho babão! Malditas! Eu sempre fui perfeitamente equilibrada e graciosa e agora não conseguia andar em um chão plano sem tropeçar... Nesse gelo é capaz de que eu quebre alguma coisa, e eu não estou falando de objetos...
Eu tive que usar toda a minha concentração pra conseguir sobreviver á descida nos tijolos cobertos se gelo da entrada. Eu quase perdi o equilíbrio quando finalmente cheguei á caminhonete, mas eu consegui me agarrar no retrovisor e me salvar.
Claramente, hoje seria uma merda.
Dirigindo para a escola, eu me perdi nas especulações sobre os trouxas dessa cidade. Eu não entendia o que diabos Mike, Eric, Tyler e todos os outros meninos viam nesse corpo sem graça que eu era forçada a usar. Talvez fosse porque eu era novidade aqui, onde as novidades são algo muito raro. Talvez o meu atual jeito desajeitado fosse visto como uma coisa mais encarecedora do que patética (Ou talvez os dois), me transformando numa donzela ao invés de alguma nerd sem corpo. Talvez o gosto desses trouxas seja tão ridículo e pequeno quanto suas mentes... Eu mal suportava olhar para o espelho e ver a monstruosidade que o velho fez comigo, mal via a hora de poder usar minha aparência como quisesse. Não ser forçada a parecer uma tabua horrorosa.
Minha caminhonete parecia não ter problemas com o gelo preto que cobria a estrada. Apesar disso, eu dirigi bem devagar pra não cravar uma espécie de trilha na rua principal. Quando eu saí do meu carro na escola eu vi porque eu tive tão poucos problemas ao dirigir. Algo prateado chamou minha atenção, e eu caminhei para o fundo da caminhonete — segurando cautelosamente o suporte lateral- para examinar os meus pneus. Haviam pequenas correntes cruzadas em formatos de diamantes ao redor deles. Charlie deve ter acordado sabe-se lá que horas pra colocar as correntes nos meus pneus. De repente eu senti minha garganta apertando. Eu não estava acostumada a ser cuidada, e a preocupação de Charlie me pegou de surpresa.
Mas que merda? Eu não posso ter pensado isso! Eu não pensei isso certo? Não claro que não... Pelas Serpentes de Salazar! Eu não posso estar me tornando uma amante de trouxas sentimental... Não... Isso são somente as restrições do velho, que me obrigam a agir e pensar fora do meu personagem. É Isso. Somente isso.
Eu estava no canto de trás da minha caminhonete, ainda me repreendendo mentalmente, quando eu ouvi um som estranho. Era como um arranhão muito alto, estava rapidamente se tornando dolorosamente alto. Eu olhei para cima, estarrecida. E vi várias coisas simultaneamente. Nada de câmera lenta como todos relatam. Ao invés disso, a adrenalina, como sempre fez o meu cérebro trabalhar muito mais rápido, e eu fui capaz de absorver em detalhes claros várias coisas ao mesmo tempo.
Edward Cullen estava parado quatro carros á minha frente me encarando horrorizado. O rosto dele se destacou do mar de rostos, todos petrificados com a mesma expressão de choque. Mas de mais imediata importância havia uma van azul escura derrapando, pneus guinchando contra os freios, girando com descontrole no gelo do estacionamento. Ia bater num dos cantos traseiros da minha caminhonete, e eu estava entre eles. Eu nem tive tempo de fechar os meus olhos, pensando em quão miserável e humilhante seria morrer assim, uma morte trouxa, numa espécie de prisão, onde eu não estava mesmo com a minha gloriosa aparência, não podia usar magia e nem mesmo estava com minha varinha. Isso é algo a acrescentar a minha lista de ódio para o velho. Se eu morresse certamente retornaria para assombrá-lo até a morte!
Logo antes de ouvir o barulho de algo se quebrando vindo da carroceria da minha caminhonete, alguma coisa bateu em mim, forte, mas não da direção que eu estava esperando. Minha cabeça bateu contra o gelo entretecido, e eu senti alguma coisa sólida e fria me pressionando no chão. Eu estava deitada no chão atrás do carro de pintura queimada que estava estacionado próximo ao meu.
Mas eu não tive a chance de prestar atenção em mais nada porque a van ainda estava vindo. Ela havia feito uma curva no fundo da minha caminhonete, e ainda girando e deslizando, estava prestes a colidir comigo de novo. Duas mãos longas, brancas ficaram protetoramente na minha frente e a van parou a um palmo de distância de mim, as mãos grandes cabendo perfeitamente num vão profundo na lateral da van. As mãos dele se moveram tão rápido que ficaram fora de foco.
Uma delas estava de repente agarrando o fundo da van, e alguma coisa estava me puxando,empurrando minhas pernas como se elas fossem de uma boneca de trapo até que elas encostaram no pneu do carro com a pintura queimada. O baque de um som metálico fez meus ouvidos doerem, e a van estava estabilizada no chão, vidro caindo no asfalto — exatamente onde minhas pernas haviam estado. Tudo ficou absolutamente silencioso por um longo segundo antes da gritaria começar. Mas mais claramente que a gritaria, eu podia ouvir a voz baixa, desesperada de Edward no meu ouvido.
- Bella? Você está bem? – Não respondi pois minha cabeça pulsava dolorosamente meu estômago revirando como se um bombarda o atingisse, minha visão ficou turva e eu rapidamente girei para o lado ficando de quatro e vomitando.
Pequenas lágrimas reflexivas da regurgitação surgiam nos cantos dos meus olhos e eu podia sentir o gosto de ácido e algo metálico que eu sabia ser sangue, em minha boca.
Ouvi Edward prendendo a respiração ao meu lado, e eu senti uma pontada de medo em minha mente, e se ele não resistisse ao sangue? Coloquei isso para a parte de trás da minha mente, não pensaria nisso agora. Senti as mãos frias dele em minha testa, e isso ajudou um pouco, por alguns segundos antes que suas mãos começaram a parecer frias de mais embora eu podia sentir o suor escorrendo por meu corpo, minha mente se tornando lenta e minha visão com manchas negras, senti meu corpo enfraquecendo, antes que minha mente escureceu totalmente, e a ultima coisa que percebi eram os braços frios do Cullen me impedindo de bater no chão úmido.
[...]
Lentamente minha mente foi se clareando, até que eu senti-me plenamente acordada. Abri meus olhos devagar os fechando imediatamente quando uma luz ofuscante quase me cegou. Alguns segundos depois tentei novamente e consegui, piscando várias vezes enquanto meus olhos se ajustavam à claridade.
Percebi que estava em um tipo de enfermaria, podia ver na porta alguns metros de mim, escrito a frase “Sala de Emergência”. Uma sala longa com uma fileira de camas separadas por cortinas em tom pastel. Uma enfermeira colocou um medidor de pressão arterial no meu braço e um termômetro embaixo da minha língua, antes que eu pudesse me sentar.
Quase rosnei para ela, sentia-me perfeitamente bem agora! Tentei mexer meu pescoço só para sentir algo sólido me impedindo. Levei minhas mãos ao meu pescoço pegando em alguma coisa que cobria meu pescoço.
- O que é isso? – Perguntei em uma voz seca e rouca.
- É um suporte para seu pescoço. O rapaz que estava com você disse que você bateu a cabeça e colocamos isso para garantir que os danos não se tornassem piores. – A enfermeira respondeu. Quase rolei os olhos. Que coisa ridícula. Eu estava perfeitamente bem. Encontrei alguns fechos no suporte desconfortável e o tirei rapidamente ganhando um olhar desaprovador da enfermeira retribuído com um olhar escuro que a impediu de me repreender verbalmente.
Quando a enfermeira foi embora, eu pude finalmente me sentar. Havia outro fluxo do pessoal do hospital, outra maca foi trazida para o meu lado. Eu reconheci Tyler Crowley da minha aula de História embaixo das bandagens apertadas na cabeça dele que estava coberta de sangue.
Tyler pareceu 100 vezes pior do que eu me sentia. Mas ele estava me encarando ansiosamente.
- Bella, me desculpe.
"Eu estou bem, Tyler – Falei rapidamente, as pessoas tendem a presumir milhares de coisas nessas situações e eu não queria ficar muito mais aqui. — Você parece horrível, está tudo bem? – Mudei o foco da conversa para ele. Enquanto falávamos, as enfermeiras começaram a tirar as bandagens encharcadas dele, deixando expostas uma porção de cortes superficiais em toda a sua testa e na bochecha esquerda.
Ele me ignorou. — Eu pensei que fosse matar você!Eu estava indo rápido demais e bati errado no gelo...
Ele choramingou enquanto a enfermeira tocava o seu rosto de leve. Resisti a vontade de rolar os olhos para isso.
— Não se preocupe com isso. Você errou a pontaria.
- Como é que você saiu do caminho tão rápido? Você estava lá, e de repente não estava mais... – Perguntou ele confuso.
- Umm... Edward me tirou do caminho. – Respondi hesitante.
- Quem?
- Edward Cullen- ele estava do meu lado.
-Cullen? Eu não vi ele... Uau, foi rápido demais, eu acho. Ele está bem?
- Eu acho que sim. Eu ainda não o vi desde o acidente. – Falei. Novas enfermeira apareceram me levando pra fazer um exame chamado raio-x. Eu disse a eles que não havia nada errado comigo, e eu estava certa. Nem uma concussão. Eu perguntei se podia ir embora, mas a enfermeira disse que eu tinha que falar com um médico antes. Então eu estava presa na sala de emergência, esperando, sendo molestada pelos pedidos constantes e irritantes de desculpa de Tyler e pelas promessas de que ele ia me recompensar.
Eu tentei convencê-lo de que estava bem, mas ele continuou me atormentando. Finalmente, eu fechei os meus olhos e ignorei ele. Ele continuou com o seu discurso cheio de remorso.
- Ela está dormindo? — Perguntou uma voz musical. Meus olhos se abriram. Edward estava no pé da minha cama, sorrindo. Eu encarei ele.
- Ei, Edward, eu lamento muito... — Tyler começou.
Edward levantou a mão para parar ele. Mas eu falei antes que algum dos dois dissessem algo.
- Tyler. Por favor. Está tudo bem ok? Não precisa mais pedir desculpas. – Forcei meu tom a não ser irritado e ofensivo, mas tava difícil.
O Cullen foi se sentar na borda da cama de Tyler, me encarando. Ele sorriu de novo.
- Então, qual é o veredicto? — Ele me perguntou.
- Não tem absolutamente nada de errado comigo, mas eles não querem me deixar ir embora. — Eu reclamei. Trouxas estúpidos.
— Como é que você não está acorrentado numa cama como o resto de nós? – Perguntei tentando mudar o assunto e descobrir mais sobre ele.
- Tudo depende dos seus contatos. — Ele respondeu. — Mas não se preocupe, eu vim pra te animar. – Não está conseguindo...
Nessa hora um médico virou no corredor e o meu queixo caiu. Ele era jovem, ele era loiro... E muito bonito do. No entanto, ele era pálido e parecia cansado, com círculos embaixo dos olhos. Pela descrição de Charlie, esse tinha que ser o pai de Edward.
- Então senhorita Swan. – Dr. Cullen disse numa voz notável. Fiz uma careta para o sobrenome. — Como é que você está se sentindo?
- Eu estou bem. — Eu repeti pela última vez, eu esperava. Queria sair logo daquele hospital estúpido. Eu estava ótima!
Ele caminhou para o painel de luz em cima da minha cabeça, e o ligou.
- Seu raio-x parece bom. — Ele disse. — A sua cabeça está doendo? Edward disse que você bateu com força.
- Ela está bem. — Eu repeti com um suspiro.
Os dedos frios do doutor tatearam levemente no meu crânio. Ele percebeu quando eu gemi. Uma sensação de náuseas me perpassou quando ele me tocou.
- Delicado? — Ele perguntou.
- Na verdade não. – Falei. Podia ser pior. Como desmaiar, da mesma forma que eu fiz antes.
Eu ouvi uma gargalhada e olhei pra ver o sorriso complacente de Edward. Revirei os olhos para sua atitude imbecil.
- Seu estômago está normal também. Parece que seu enjôo e desmaio foi apenas por causa da pressão da situação. – Quase bufei reprimindo o olhar assassino que queria dar a ele. Eu não era de desmaiar em situações extremas! A culpa é do velho maldito! – Alice me disse que essa não foi a primeira vez que você passou mal, mas provavelmente é só uma má reação à mudança climática. – Sanguessuga fofoqueira! — Bem, o seu pai está na sala de espera você pode ir pra casa com ele agora. Mas volte se você tiver vertigens ou se tiver qualquer problema com a sua visão.
- Eu posso voltar para a escola? — Eu perguntei, era melhor do que passar o dia com Charlie tentando ser atencioso.
- Talvez você devesse pegar leve hoje.
Eu dei uma olhada pra Edward. — Ele vai poder voltar para a escola? – Perguntei quase fazendo bico. Novamente, eu amaldiçôo todas as gerações do velho filho de um trasgo!
- Alguém tem que espalhar a boa notícia que nós sobrevivemos. — Edward disse fazendo chacota. Idiota!
- Na verdade. — Dr. Cullen corrigiu. — Parece que toda a escola está na sala de espera.
- Ah não. — Eu gemi cobrindo o rosto com as mãos. Não estava com paciência para os trouxas chatos nesse momento. Só queria voltar pra casa e me esquecer toda essa merda! Queria encontrar meu pai, o verdadeiro, e matar o velho maldito. Isso era pedir muito? Claro que não!
Dr. Cullen ergueu as sobrancelhas. — Você quer ficar?
- Não, não! — Eu insisti jogando as minhas pernas pelo lado da cama e me colocando rápido de pé. Rápido demais, eu cambaleei, e Dr. Cullen me segurou. Ele pareceu preocupado.
- Eu estou bem. — Eu assegurei pra ele. Não tinha porque dizer pra ele que os meus problemas com o equilíbrio não tinham nada a ver com o fato de eu ter batido, supostamente, com a cabeça. Eu não iria explicar toda a situação das restrições mágicas.
- Tome Tylenol para a dor. — Ele sugeriu enquanto me sustentava.
- O que é isso? – Seria um tipo de remédio? Tipo poção para dor? Seja o que fosse eu não precisava. E mesmo que precisasse tomaria uma das minhas poções. Era muito mais seguro e eficaz.
- Parece que você teve muita sorte. — Dr. Cullen disse enquanto assinava a meu quadro com um gesto floreado.
- Muita sorte... – Disse mascarando meu sarcasmo ao olhar para Edward.
- Eu temo que você terá que ficar conosco um pouco mais de tempo. – Dr. Cullen disse para Tyler e começou a checar os cortes dele.
Assim que o Dr. ficou de costas eu me aproximei de Edward.
- Será que eu posso falar com você por um minutinho? — Eu cochichei por baixo do fôlego. Ele deu um passo se afastando de mim, sua mandíbula subitamente apertada.
- Seu pai está esperando por você. — Ele disse entre dentes.
Eu olhei de relance pra Dr. Cullen e Tyler.
- Eu gostaria de falar com você em particular, se você não se incomodar. — Eu pressionei. Qual seria a desculpa que ele daria? Eu o tinha visto no lado oposto do estacionamento, e no segundo seguinte ele estava ao meu lado. Certamente ele teria que explicar algo.
Ele me olhou fixamente, e depois me deu as costas e caminhou pelo longo quarto. Eu praticamente tive que correr para acompanhá-lo. Bastardo!
Assim que viramos na curva para um pequeno corredor, ele se virou para me encarar.
- O que você quer? — ele perguntou, parecendo aborrecido. Seus olhos eram frios.
A expressão nada amigável dele não me intimidou. Minhas palavras saíram com menos severidade do que eu pretendia. — Você me deve uma explicação. – Eu afirmei.
- Eu salvei a sua vida- eu não te devo nada. – Idiota metido! Seria um Grifinório imbecil!
Eu continuei a olhá-lo obstinada.
- Bella, você bateu com a cabeça, você não sabe do que está falando. — O tom dele era cortante. Mas eu estremeci não por seu tom, mas para o apelido horroroso.
Agora o meu temperamento estava em chamas, eu encarei ele desafiadoramente.
- Não tem nada errado com a minha cabeça. – Praticamente rosnei.
Ele me encarou de volta. — O que você quer de mim, Bella? – Que você morra e vá pra puta que pariu!
- Eu quero saber a verdade, — eu disse. — Eu quero saber por que estou mentindo por você.
- O que você acha que aconteceu? — Ele soltou.
— Tudo o que eu sei é que você não estava em nenhum lugar perto de mim, Tyler também não viu você, então não diga que eu bati muito forte com a cabeça. Aquela van ia esmagar nós dois e não esmagou, e as suas mãos deixaram buracos na lateral dela- e você deixou um buraco na lateral daquele outro carro, e você não está absolutamente machucado. E a van devia ter amassado as minhas pernas, mas você estava segurando ela... – Eu sei, se fosse uma trouxa, dizendo isso soava ridículo. Até pra mim soava um pouco estúpido nessa situação. Mas eu não podia dar indícios de que já sabia sobre ele.
Ele estava me olhando incrédulo. Mas o rosto dele estava tenso, na defensiva.
- Você acha que eu tirei uma van de cima de você? — O tom dele questionava a minha sanidade, o que inflamou minha raiva, cuidadosamente contida. Eu simplesmente afirmei com a cabeça uma vez, mandíbula apertada.
- Ninguém vai acreditar nisso, sabe. — Agora a voz dele tinha um tom de zombaria. Como ousa...! Maldito! Ninguém zomba de mim sem levar ao menos uma maldição imperdoável!
- Eu não vou contar pra ninguém. — Eu disse cada palavra vagarosamente, cuidadosamente controlando a minha raiva. Como se algum trouxa imbecil fosse acreditar em mim.
A surpresa apareceu no rosto dele. — Então porque isso importa?
- Importa pra mim. — Eu insisti. — Eu não gosto de mentir, então seria melhor se eu tivesse uma boa razão pra fazer isso. – Menti. Não tava nem aí para mentir. Mas precisava que ele me dissesse o que era. Isso tornaria mais fácil de me aproximar dele, e conseqüentemente me colocar em mais perigo, fazendo minhas barreiras caírem mais rápido. Eu desconfiava que meus enjôos súbitos em sua presença, fossem meu lado bruxo duelando contra as restrições do velho, para se libertar.
- Será que você não pode só me agradecer e esquecer isso? – Imbecil! Eu gostaria de ter meu poder livre aqui para te mostrar a dor de uma imperdoável.
- Obrigada. — Eu disse fumegando e esperando.
- Você não vai desistir, vai?
— Não. – Disse obstinada.
- Nesse caso... Eu espero que você goste do desapontamento. – Arrgh! Que vontade de estrangular esse maldito!
Nós nos olhamos em silêncio. Eu fui a primeira a quebrar o silêncio, tentando manter o Foco sob a minha raiva.
- Porque você se incomoda? — Eu perguntei friamente deixando meu tom escorregar um pouco assim como minha expressão que era fria e nem um pouco amigável. Meus olhos demonstrando uma frieza sem fim, embora houvesse raiva congelante ali.
Ele pausou, por um instante seu rosto ficou inesperadamente vulnerável, e surpreso com minha demonstração de frieza rapidamente escondida sob uma máscara.
- Eu não sei. — Ele cochichou.
Aí ele me deu as costas e caminhou pra longe de mim. MALDITO! FILHO DE UMA LULA GIGANTE!
Eu estava com tanta raiva que demorou uns minutos até que eu pudesse me mover sem sair por aí dando socos em todo mundo. Quando eu consegui andar, eu caminhei lentamente para a saída no final do corredor.
A sala de espera estava mais desagradável do que eu temia. Parecia que todos os rostos que eu conhecia em Forks estavam lá, me encarando. Charlie correu para o meu lado, e eu levantei as mãos.
— Não tem nada de errado comigo. — Eu assegurei solenemente. Eu ainda estava importunada, sem o mínimo humor pra conversinha.
- O que o doutor disse?
- Dr. Cullen me viu, e ele disse que eu estava bem e que podia ir pra casa. — Eu suspirei.
Mike e Jéssica e Eric estavam todos lá, começando a vir na nossa direção. – Vamos logo. — Eu apressei.
Charlie colocou o braço atrás das minhas costas, não necessariamente me tocando, e me guiou até as portas de vidro da saída. Eu acenei minimamente para os meus ‘amigos’, esperando convencê-los de que eles não precisavam mais se preocupar comigo e não me importunar.
Era um enorme alívio- a primeira vez que já me senti assim — entra na viatura. Nós dirigimos em silêncio. Eu estava tão presa nos meus pensamentos que praticamente nem reparei que Charlie estava lá.
Quando nós chegamos em casa, Charlie finalmente falou.
- Umm... Você vai precisar ligar pra Renée. — Ele baixou a cabeça, em sinal de culpa.
Eu estava apática. — Você contou á ela!
- Desculpe. – Era tudo que eu precisava! Uma trouxa histérica achando que era minha mãe para me encher o saco, e que eu provavelmente teria que acalmar pelas próximas horas. ARGH!
Passei, presumivelmente, as próximas horas acalmando a tal Renée, que queria que eu voltasse para casa. Eu também queria, mas não necessariamente para a mesma casa que ela se referia.
Depois de um longo banho, tomei uma poção para dor que estava pronta dentro do meu malão me jogando na cama e adormecendo rapidamente.
Aquela foi a primeira noite que eu sonhei com Edward Cullen. Mais necessariamente, eu sonhei que eu alegremente lançava um Crucio bem no meio da fuça de mármore dele. Mas o mais estranho do sonho, foi que alguns metros de nós, Tom Riddle nos olhava com apreciação, seus olhos mudando de mim para o vampiro se contorcendo à minha frente, o que de alguma forma me fez sentir mais animada sobre torturar o sanguessuga bastardo...
É... Realmente... Forks estava me enlouquecendo...
Fim do Capitulo.
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