Isabella Marie Crouch
5 Capítulo 5
Isabella Crouch POV:
No dia seguinte, na escola, eu já me sentia melhor. Tinha tomado uma poção para enjôos, que tinha melhorado bastante meu estado, embora eu não arrisquei comer nada no jantar. O dia correu tão normal e entediante como uma escola trouxa pode ser, todos os professores idiotas fazendo perguntas para mim, por ser novata, e por não fazer quase nenhuma anotação na classe ou mostrar muita atenção ao professor. Eu sempre respondia as perguntas corretamente, voltando a ignorar parcialmente a aula, vagamente ouvindo as explicações.
No almoço, eu comprei apenas uma maçã, ainda sem muita fome, mantive meus olhos longe da mesa dos Cullens, ainda não tinha um plano de como me aproximaria deles... E sinceramente, eu ainda estava cautelosa, se o Cullen nutria um ódio profundo por mim, eu devia me manter longe, por que eu, apesar de tudo ainda estava indefesa.
Tinha Biologia depois do almoço, ou seja, se o Cullen tivesse vindo, eu teria que passar a aula toda ao seu lado. Uma vez dentro da sala de aula, percebi que a minha mesa continuava vazia. Talvez ele tenha realmente desistido... Ou faltado... A aula não começou por alguns minutos e a sala zumbia com a conversa insignificante e fofocas dos trouxas ao meu redor. Eu mantive-me ocupada, desenhando distraidamente em meu caderno. Em algum momento ouvi muito claramente quando a cadeira próxima a mim se moveu, mas os meus olhos se mantiveram no que eu estava fazendo, minha raiva retornando um pouco, ainda não satisfeita pelo modo que o sanguessuga tinha me tratado.
– Olá. – Disse uma voz calma, levemente musical, mas muito fina para o meu gosto, preferia vozes mais grossas e profundas.
Eu olhei pra cima, porque diabos ele estava falando comigo? Semana passada não era só ódio e desprezo? Sanguessuga bastardo!
Ele ainda estava sentando tão longe de mim quanto a mesa permitia,mas sua cadeira estava virada pra mim. O cabelo dele estava pingando de tão molhado, desgrenhado- mesmo assim, parecia que ele havia acabado de gravar um comercial de gel pra cabelo. Seu rosto era amigável, aberto ,um leve sorriso torto nos seus lábios . Mas seus olhos eram cautelosos.
– Meu nome é Edward Cullen – Ele continuou. – Eu não tive a oportunidade de me apresentar na semana passada. Você deve ser Bella Swan. – Contive o resmungo não só para sua atitude bipolar quanto para o nome estúpido. Odiava esse apelido, Bella, e odiava ainda mais esse sobrenome trouxa.
Ele era perfeitamente educado agora. Então eu tomei uma decisão, eu queria me aproximar não é? Correr perigo, essa era a minha chance.
– C-como você sabe o meu nome? — Gaguejei.Dessa vez não fui forçada pelas restrições, desta vez era perfeitamente calculado, um fingimento, que eu atuaria para conhecê-lo melhor e cativá-lo à continuar ao meu redor. Normalmente bastava uma olhada em meu corpo e uma breve conversa, sendo o ultimo poucas vezes realmente necessário, para que os homens caíssem aos meus pés. Mas nesse corpo eu tinha que me esforçar um pouco mais.
Ele sorriu um sorriso leve, provavelmente com a intenção de ser encantador.
– Oh, eu acho que todo mundo sabe o seu nome. A cidade inteira esteve esperando você chegar. – Bando de Fofoqueiro!
– Não. – Eu insisti, vamos ver o que o sanguessuga responde. – Eu quis dizer,porque você me chamou de Bella?
Ele pareceu confuso.
– Você prefere Isabella? – Não idiota, eu prefiro o Hipogrifo de Holly’s Heall’s!
– Não, eu gosto de Bella. — Eu Menti. – Mas Charlie- quer dizer meu pai- deve me chamar de Isabella pelas costas- é assim que todos parecem me conhecer. – Ele pareceu um pouco nervoso, mas logo disfarçou.
- Oh. — Ele deixou sair
O Sr. Banner começou a aula nessa hora. Olhei para a experiência que faríamos na hoje. Os slides na caixa estavam fora de ordem. Trabalhando como parceiros de laboratório, nós tínhamos que separar os slides em tipos de raízes das espécies de células das fases da mitose que eles representavam e etiquetá-las adequadamente. Nós não podíamos usar os nosso livros. Em vinte minutos ele voltaria pra ver quem havia acertado.
- Comecem. — Ele ordenou.
— Primeiro as damas, parceira? — Edward perguntou. Eu olhei pra cima pra vê-lo sorrindo
Provavelmente para me deslumbrar. Eu o olhei fixamente, sem entender como ele queria que eu reagisse. Caísse em uma poça de elogios e corasse feito uma virgem? Soltasse risinhos histéricos e maliciosos como uma adolescente obcecada com garotos? Eu jamais faria uma coisa dessas, fingimento ou não, restrições ou não, eu não era tão tola. — Ou eu posso começar, se você quiser. — O sorriso sumiu.
— Não — Eu disse ficando corada, porra, odeio aquele velho maldito. — Eu vou na frente.
Eu coloquei o primeiro slide no lugar embaixo do microscópio e ajustei a lente para o objetivo de 40 X. Eu estudei o slide brevemente. Não que eu precisasse.
— Prófase. — Respondi confiante.
- Você se importa se eu der uma olhada? — Ele perguntou quando eu comecei a remover o slide. A mão dele segurou a minha, para me parar, quando ele perguntou. Os dedos dele eram frios como gelo, como se ele tivesse colocado-a no gelo antes de entrar na sala de aula, mas não foi por isso que eu puxei minha mão tão rápido, eu sabia que a pele dura e fria era uma característica de sua espécie. Quando ele tocou minha mão, eu senti uma punção como se uma corrente elétrica tivesse passado por nós, se instalando em meu estômago trazendo a sensação de enjôo novamente. Não era nem um pouco agradável, na verdade, era horrível. Eu sentia algo borbulhando em meu estômago como se quisesse sair minha garganta se apertando e minha mente se tornando turva.
Eu não vou vomitar! Eu não vou passar mal! Eu não vou vomitar... Argh! Minha lista de ódio para o velho só cresce.
- Me desculpe. — Ele murmurou tirando sua mão, imediatamente me senti melhor, mesmo que a sensação de enjôo persistisse. No entanto, ele continuou tentando alcançar o microscópio. Eu observei ele, ainda vacilante, não queria sentir novamente aquela sensação horrível! Parece tão terrível quanto Weasley alguns anos atrás cuspindo lesmas...
Ele examinou o microscópio por um tempo ainda menor do que eu.
– Prófase. – Ele concordou, escrevendo cuidadosamente no primeiro espaço em branco da nossa folha de trabalho. Ele rapidamente trocou o primeiro slide pelo segundo, e então olhou curiosamente para ele.
— Anáfase. — Ele murmurou, escrevendo no papel enquanto falava.
Não deixaria parecer que confiava nele assim, mesmo que seja para um maldito trabalho de biologia.
— Posso? – Perguntei mantendo minha voz indiferente. Ele sorriu maliciosamente e me passou o microscópio. Sanguessuga estúpido!
Eu olhei pela lente sem realmente precisar, eu era muito boa em todas as minhas matérias incluindo Herbologia, mesmo na área de plantas trouxas, e nós estudamos sobre a mitose das plantas, embora o tema tenha sido apenas brevemente mencionado, já que a professora se preocupara em explicar mais as vantagens que as planas tinham para os bruxos.
Ele estava certo. Era Anáfase. Idiota!
- Slide três? — Eu levantei minha mão sem olhar pra ele.
Ele me passou, parecia que ele estava sendo cuidadoso para não tocar minha pele de novo. Graças a Merlin! É capaz de eu desmaiar que nem o idiota do Longbotton, de tão ruim que era a sensação de seu toque.
Eu fingi olhar com interesse para o Slide, sem realmente olhar, apenas identificando o nome da raiz, sabendo imediatamente sua mitose, ignorando seu olhar interrogatório, provavelmente por perceber meu desinteresse.
- Intérfase. — Eu passei o microscópio antes que ele pudesse pedir. Ele deu uma olhada rápida e então escreveu. Sua escrita era limpa e elegante, mas eu ainda preferia a minha, era elegante, bem desenhada, muito semelhante as escritas vistas em pergaminhos antigos escritos à tinta e pena tanto no mundo bruxo e trouxa, depois da invenção dos cadernos, canetas e eletrônicos os trouxas deixaram de se importar com a beleza e elegância de suas letras tornando-as comuns e desleixadas enquanto o mundo bruxo ainda apreciava esse tipo de escrita. Eu usei uma carta que havia junto com as memórias da minha mãe, direcionada a mim, para aperfeiçoar minha letra bela e muito parecida com a dela.
Mas como eu estava no mundo trouxa e escrever como se você viveu na época das colônias inglesas não era exatamente normal, eu tinha que disfarçar minha letra para garranchos comuns e bagunçados como os adolescentes trouxas normais escreviam.
Nós terminamos antes que qualquer outra pessoa estivesse perto. Eu podia ver Mike e sua parceira comparando dois slides de novo e de novo, e outro grupo tinha aberto o livro por debaixo da mesa. Idiotas, um assunto tão fácil quanto esse... Até mesmo o Longbotton sairia melhor...
Abri meu caderno outra vez, parando na página do meu desenho anterior que eu percebi ser uma réplica do salão Comunal da Sonserina. Virei a página rapidamente, pegando um lápis e começando a desenhar outra vez, com um pouco mais de atenção. Lentamente a imagem foi se formando até que a imagem do lago negro em preto e branco se mostrava na folha. Leves contornos davam a impressão de algo grande, que era a lula gigante, dentro d’água.
- Você desenha bem. – Edward falou me fazendo olhar para cima, encontrando seu olhar confuso e frustrado. Quase arqueei uma sobrancelha desdenhosa para isso, mas me parei a tempo. De alguma forma eu tinha um pouco mais de controle das minhas ações desde ontem, visto que essa manhã eu pude xingar um trouxa que quase bateu na minha caminhonete horrorosa, e eu tive que várias vezes mascarar minhas expressões e reprimir minhas emoções desdenhosas e irônicas, sem que houvesse um tipo de restrição me obrigando a fazê-lo.
Isso era bom. Eu só esperava que as outras restrições fossem embora com a mesma rapidez, não que eu colocasse esperança de mais nisso, afinal eu sentia que elas eram muito mais poderosas que as que se foram.
- Obrigado. – Disse dando um sorriso tímido, e obviamente falso. Observando bem o seu rosto, eu percebi qual era a súbita diferença no rosto dele. Que inconscientemente vinha me incomodando desde que o vira mais cedo no inicio da aula.
— Você usa lentes de contato? – Perguntei. Ele pareceu confuso pela minha pergunta inesperada.
- Não. – Respondeu.
— Oh. — Eu murmurei. — Eu achei que havia algo diferente nos seus olhos. – Tinha algo diferente em seus olhos. Eu sabia disso, lembrava vividamente aquela cor negra nos olhos dele na última vez que ele olhou pra mim- a cor era facilmente notável em contraste com a sua pele pálida e seu cabelo ruivo. Hoje os olhos dele tinham uma cor completamente diferente, um ocre estranho,mais escuros que Whisky, mas com a mesma tonalidade dourada, mas eu não podia simplesmente abordar o tema e perguntar abertamente sobre isso. Precisava fingir ignorância. Realmente, eu precisava saber mais sobre a espécie dele. Era irritante saber tão pouco.
Arquivei em minha mente uma nota para fazer anotações no diário mágico que eu havia trago comigo para o mundo trouxa, somente podia ser aberto por mim, ou seja, era seguro para anotar as informações sobre os frios e qualquer coisa interessante que eu pudesse descobrir aqui. Poderia ser útil mais tarde.
Ele encolheu os ombros e olhou pra longe. Eu olhei pra baixo. As mãos dele estavam apertadas contras os punhos de novo. Sanguessuga idiota.
O Sr.Banner veio até a nossa mesa nessa hora,pra ver porque não estávamos trabalhando. Ele olhou por cima dos nossos ombros para ver a experiência completa,e então olhar ainda mais atentamente para checar as respostas.
- Então, Edward, você não achou que Isabella podia ter uma chance com o microscópio? — O Sr. Banner perguntou em um tom que indicava que ele acreditava que o sanguessuga tinha feito o trabalho todo sozinho. Trouxa inútil!
- Bella. — Edward corrigiu automaticamente. Como se me conhecesse há anos e não horas, bastardo insolente... — Na verdade, ela identificou três dos cinco. — Sr. Banner olhou pra mim agora, sua expressão era cética. Tive que esconder a expressão de desdém e presunção para algo calmo e acanhado.
- Você já fez essa experiência antes? — Ele perguntou.
Eu sorri timidamente.
— Não com raízes de cebola.
- Blastula de peixe branco? – Nunca tinha visto isso, mas a julgar pela sua expressão era melhor concordar.
- É. — Sr. Banner concordou com a cabeça.
— Você estava numa colocação avançada no programa de Phoenix? – Perguntou.
- Sim. – Na verdade eu estava em todas as minhas classes avançadas em Hogwarts enquanto fazia tutorial com o chefe do departamento de aurores, e um tutorial com Madame Pomfrey para a área de medicina mágica. Eu estava em dúvida sobre qual dos dois seguir visto que eu gostava dos dois e me dava bem nos dois. Além do fato de que saber magia de cura era extremamente vantajoso nesses tempos enquanto ser um auror era ótimo, tanto para o lado da luz quanto para o lado escuro... Quem sabe quando voltar eu possa continuar fazendo os dois cursos? Exceto é claro que desta vez eu pegaria tutorial em medicina com algum medi-bruxo do St Mungus, e iniciaria minha formação de auror com um parceiro. Um sentimento melancólico de raiva se formou em meu peito ao pensar nos meus estudos mágicos. Dumbledore maldito havia trancado meus estudos colocando a desculpa de que eu faria uma viagem de um tipo de estudo sobre os trouxas. Aquele filho e um trasgo com um dementador! Eu poderia estar no processo de me formar neste momento, mas não, aquele maldito velho bastardo tinha que tentar me fazer ver a importância dos trouxas. Como se isso mudasse minha opinião sobre ele! Mesmo que por algum tipo de loucura, eu me apegue aos trouxas, (impossível, passei onze anos e mais alguns meses com eles e ainda os odeio.), eu nunca lutaria ao lado do velho. Meu maior desejo é matá-lo. E os trouxas não mudariam isso, nem as restrições impostas a mim. Apesar do velho não saber que eu me lembro que ele matou minha mãe ou mandou meu pai pra Azkaban, ele provavelmente acha que o feitiço da memória que lançou em mim funcionava até hoje.
- Bem. — Disse o trouxa à minha frente me tirando dos meus pensamentos. — Eu acho que é bom que vocês dois são parceiros de laboratório. — Depois que ele foi embora, eu comecei a desenhar no meu caderno de novo.
- É uma pena sobre a neve, não é? — Edward perguntou. Eu tinha a sensação de que ele estava se esforçando pra conversar bobagens comigo. Logo tudo clicou em minha mente. Ele tivesse ouvido minha conversa com Jéssica no almoço e estava tentando provar que eu estava errada, hmm seria tão fácil assim fazer o sanguessuga continuar por perto? Eu pensei que teria mais trabalho devido às condições no mínimo precárias que me encontrava agora. Mas parece que eu estou no caminho certo.
— Na verdade... Não... — Eu respondi honestamente, ao invés de tentar agir como os trouxas estúpidos, eu realmente não sentia nenhuma falta da neve suja e horrorosa que caíra por aqui.
- Você não gosta do frio. – Falou. Não era uma pergunta.
- Ou do molhado. – Isso era uma mentira, eu gostava do frio, depois de tanto tempo nas masmorras era impossível não associar isso como ‘lar’. E boa parte do tempo em Londres era bastante úmido e molhado, eu realmente gostava do clima de lá, e gostava de nadar às vezes no lago, o que eu não gostava era daqui. Tudo era chato e odioso nessa cidade.
- Forks deve ser difícil de viver pra você. — Ele meditou.
- Você não faz idéia. — Eu murmurei obscuramente.
Ele pareceu fascinado pelo que eu disse, por algum motivo que eu não podia imaginar, o que havia de fascinante em não gostar do frio ou dessa cidade inútil de nome ridículo?
O rosto dele era uma distração tão grande que eu me perguntava se ele era louco ou sei lá o que.
- Então, porque você veio pra cá? – Perguntou saindo do seu transe. Intrometido!
Ninguém havia me perguntado isso- não diretamente como ele perguntou, exigente, como se achasse que tem o pleno direito de perguntar.
- É... Complicado. – Falei em voz baixa impedindo-me de mandá-lo ir comer merda de hipogrifo.
- Eu acho que consigo acompanhar. — Ele pressionou. Reprimi um bufar. Ficando calada por um longo tempo antes de decidir contar a mentira criada pelo velho.
- Minha mãe casou novamente. — Eu disse.
- Isso não parece tão complicado. — Ele discordou, embora parecesse de repente simpático. Rolei os olhos mentalmente para isso.
— Quando isso aconteceu?
- Setembro passado. — Menti, com uma falsa nota de tristeza na voz.
- E você não gosta dele. — Edward presumiu, seu tom ainda gentil.
— Não, Phil é legal. Talvez novo demais, mas legal o suficiente. – Eu devia ganhar um prêmio de melhor atriz... Sério, eu nunca nem tinha visto o cara, mas meu tom indicava totalmente o contrário. Tinha um pouco de intimidade, um pouco de gentileza, um pouco de defensiva e um pouco de aceitação, uma mistura que fez parecer que o trouxa e eu nos dávamos realmente bem.
- Porque você não ficou com eles?
Eu não conseguia compreender o seu interesse na história patética, mas ele continuou a me olhar com olhos penetrantes, como se a história chata da vida trouxa e sem emoção fosse de alguma forma vitalmente importante.
— Phil viaja muito. Ele joga bola pra se sustentar. — Eu dei um meio-sorriso, reprimindo o desprezo em minha voz. Eu gostava de jogar quadribol, mas não via nenhum benefício em ser profissional nisso. Além de é claro um corpo atlético e uma grande propensão para acidentes graves.
- Eu já ouvi falar dele? — Ele perguntou, sorrindo em resposta. Resisti ao impulso de lhe lançar um olhar que dizia claramente que ele era estúpido.
- Provavelmente não. Ele não joga bem. Só na menor liga. Ele se muda muito.
- E sua mãe te mandou pra cá pra poder viajar com ele. — Ele disse novamente como uma suposição, não uma pergunta.
Meu queixo levantou uma fração, idiota! Não suponha que minha suposta mãe iria se livrar de mim assim tão fácil!
- Não, ela não me mandou, eu mandei a mim mesma. – Falei quase conseguindo esconder o tom mordaz.
Suas sobrancelhas se encontraram.
- Eu não entendo. — Ele admitiu e pareceu excessivamente frustrado com o fato. E eu estava ficando incrivelmente irritada! Se esse sanguessuga bastado acha que eu devo explicar alguma coisa pra ele está muito enganado!
Eu suspirei. Contando mentalmente até cinqüenta me acalmando para recuperar paciência e poder continuar o ato sem perder o controle. Porque mesmo eu estava explicando isso pra ele?
Ele continuou a me encarar com obvia curiosidade.
- No início ela ficou comigo, mas ela sentia a falta dele. Eu a fiz infeliz, então eu decidi que estava na hora de passar umas horas de qualidade com Charlie. — Minha voz estava mal-humorada quando eu terminei. Embora a história tenha saído com naturalidade, quase como se fosse real.
- Mas agora você está infeliz. — Ele apontou. Reprimi outro bufar. Se ele se achava o mestre da adivinhação porque não se juntava com as ciganas e me deixava em paz?
- E? — Eu desafiei.
- Isso não me parece justo. — Ele encolheu os ombros, mas seus olhos ainda estavam intensos.
Eu sorri sem humor. — Nunca te contaram? A vida não é justa. – Isso era uma grande verdade.
— Eu acredito que eu já tinha ouvido isso antes. — Ele concordou secamente.
- Então isso é tudo. — Eu insisti,me perguntando porque ele ainda estava me olhando daquele jeito estranho parecendo a louca da Trewlaney, uma das mais incompetentes em Hogwarts.
O olhar dele se tornou avaliativo. — Você faz um belo show. — Ele disse vagarosamente. E só a minha grande habilidade de mentir me permitiu manter a expressão normal, e não ficar tensa. O que ele quis dizer? Ele não podia ter descoberto meu fingimento assim. E ele certamente não podia ler minha mente, eu ainda tinha minhas barreiras de oclumencia fortes, e eu sentiria se houvesse uma tentativa de invasão. — Mas eu seria capaz de apostar que você está sofrendo mais do que deixa os outros verem. – Ele completou me fazendo relaxar um pouco. Ele realmente é estúpido...
Eu fiz uma careta pra ele, tentando controlar o impulso de mandá-lo ir cuidar da própria vida, e virei o olhar para o outro lado impedindo-o de ver a raiva crua em meus olhos, antes que eu a disfarçasse.
- Estou errado? – Insistiu o bastardo.
O ignorei.
- Eu acho que não. — Ele disse. Se achando um vidente todo, o imbecil!
- Porque isso importa pra você? — Eu perguntei irritada, embora não tanto quanto eu me sentia de verdade. Mantendo-me dentro do papel que desempenhava.
- Essa é uma pergunta muito boa. — Ele murmurou, tão baixo que eu imaginei se ele estaria falando consigo mesmo. Essa foi à única resposta inútil que recebi.
Eu suspirei e olhei para o quadro negro carrancuda.
- Eu estou te aborrecendo? — Ele me perguntou parecendo divertido. Não há nada de divertido nisso! Seu filho de uma sanguessuga maldita! A aula do Binns é mais interessante que você! Gritei mentalmente em sua direção extravasando um pouco da minha raiva reprimida.
O professor chamou a atenção da turma, interrompendo minha resposta sarcástica, para meu alívio.
Quando o sinal finalmente tocou, Edward correu tão rapidamente da sala como na segunda feira passada. Eu o observei ir resistindo ao impulso de gritar ‘Já vai tarde!’.
Mike pulou rapidamente pra o meu lado e pegou os meus livro pra mim. Eu imaginei-o com um rabinho balançando.
- Aquilo foi horrível. — Ele gemeu. — Todos eles pareciam exatamente iguais. Você tem sorte por ter Cullen como parceiro. – Sorte é a dele que eu não tenho meus poderes disponíveis agora ou o Cullen e todo o resto da cidade maldita não estariam mais vivos!
- Eu não tive nenhum problema. — Eu disse, com raiva pela suposição dele, bando de estúpidos! Minha inteligência é superior a de todos vocês! Ao perceber suas expressão confusa pelo meu súbito comportamento desdenhoso e esnobe eu acrescentei. — Eu já havia feito essa experiência. — Eu falei em um tom mais calmo e um pouco cansado.
- Cullen pareceu amigável o suficiente hoje. — Ele comentou enquanto vestíamos os casacos de chuva. Ele não pareceu feliz com isso. Reprimi uma rolada de olhos para isso.
— Eu me pergunto qual era o problema dele na segunda passada. – Comentei indiferente.
Eu não consegui me concentrar na conversa de Mike enquanto caminhávamos para a aula de Educação Física, e também não fiz muito pra me manter concentrada.
Eu descobri que os esportes trouxas eram chatos e sem graça, sem toda a emoção que o quadribol proporcionava. Eu não me preocupei em me concentrar em aprender o que tinha que fazer deixando Mike jogar por mim, simplesmente saindo da minha posição quando era a minha vez.
A chuva era só uma névoa quando eu caminhei para o estacionamento. Mas ainda era repugnante e eu estava contende de sair dela ao entrar na cabine seca da caminhonete. Eu liguei o aquecedor, ignorando o barulho ensurdecedor do motor. Eu baixei o zíper do meu casaco nuclear, baixei o capuz e afofei meu cabelo para que o aquecedor o secasse no caminho pra casa. Que falta fazia a magia... Suspirei.
Eu olhei ao redor pra ter certeza de que o caminho estava limpo para sair da vaga no estacionamento. E vi Edward Cullen encostado na porta do seu Volvo á três carros de distância de mim, olhando atentamente na minha direção. Eu rapidamente olhei pra longe e dei a ré na caminhonete quase batendo num outro carro, que reconheci ser um Corolla na minha pressa.
Pra sorte do Corolla, eu pisei no freio a tempo. Esse é exatamente o tipo de carro que a caminhonete deixaria em pedacinhos. Eu respirei fundo, olhando pra fora pelo outro lado do meu carro, e cautelosamente tirei o carro, com mais sucesso. Eu olhei direto para frente quando eu passei pelo Volvo, mas pela minha visão periférica, eu poderia jurar que vi ele rindo. Idiota!
Deixa só a minha magia voltar e eu vou te mostrar quem é que vai rir!
Fim do Capitulo.
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