Isabela: Amor e Vingança
1 O Menino Novo na Turma
Era uma manhã de sexta-feira de uma semana comum de um bairro nobre de São Paulo, Morumbi para ser mais exato e dentro daqueles enormes casarões ouviu-se um tiro a distância, o grito de um homem de dor e uma mulher gritando:
— Você agora vai penar tudo o que eu passei nessa vida seu FILHO DA PUTA!
1993
Isabela Cruz, mais conhecida por Bela, pela sua beleza ela tinha os seus 15 anos e habitava numa comunidade muito pobre do Rio de Janeiro, o morro do Alemão, ela arrastava multidões com sua beleza exuberante, cabelos cacheados, cor negra, corpo bem definido e um andar sensual, sempre sorridente, nunca triste apesar da situação em que vivia. Bela morava num casebre junto com seus três irmãos: Vitor 13, Ana 9 e Gabriel 5 respectivamente. Seu pai os havia abandonado ainda muito cedo, e sua mãe Joscélia sustentava a casa como faxineira na zona sul do Rio. Os anos se passavam a crise econômica aumentava mais e mais, e dona Joscélia ficava cada vez mais doente incapacitada de trabalhar. Sua madrinha Dona Jussara começara a cuidar da comadre, antes dela cair em uma terrível tuberculose e ser dispensada pelos patrões como um lixo sem direitos. Bela teve que assumir as contas de casa, começou a fazer produtos artesanais, vendê-los e trabalhar na lanchonete do seu Júlio um velho amigo da família e a noite ela ia para a escola com dor no coração.
Na escola ela com suas amigas Beatriz e Gabriele iam para a primeira aula de matemática, elas eram grandes amigas desde o primeiro ano do ensino médio, Beatriz tinha boas aquisições, era loira e linda pernas de modelo, quando ela entrou no colégio muitos acharam que ela iria ser seguidora fiel das Patricias, mas o que não ocorreu seus pais sempre a ensinaram-na a ser humilde com quem fosse e isso a tornava uma menina de ouro, Gabriele era ruiva, cabelos cacheados adorava moda e as amigas, era um tanto popular na escola, pois desde o fundamental ter sempre enfrentado Emily isso a tornava audaciosa, elas iam a caminho da aula comentando:
— Vocês viram o menino do terceiro ano que acabou de entrar na escola ele é um gato, não é, meninas?
— Nossa dizem que ele veio lá de São Paulo, uma família de grande aquisição, mas teve que vir para cá, agora o que um tipão destes veio fazer numa escola dessas.
Bela estava no mundo da lua pensando na sua mãe e seus irmãos, nem estava ligada no que diziam até que Beatriz a cutucou:
— Bela, tudo bem? Estamos falando sobre Fábio que acabou de entrar na escola, mas você não disse nada.
— Eu estava com a cabeça lá em casa.
— Miga, tudo vai ficar bem sua mãe vai ficar boa. – Completou Gabriele
— Assim espero.
De longe viam-se “As Patricias” ou como era conhecida pelas garotas, “As odiáveis”, eram em três: Emily (A líder), Jéssica e Dora suas seguidoras fiéis que eram o corpo de Emily tudo que a líder mandava elas faziam, elas usavam a camiseta da escola, mas elas usavam saias rosas nos joelhos, todas eram morenas com cabelos estilo californiana, corpos magros, na escola elas não tinham amigas e sim aliadas, quem fosse contra o que Emily dizia era esnobado por ela, isso era motivo de chacota. As únicas que as enfrentavam eram as “Bolsistas” conhecida por elas, mas a turma da escola dividia opiniões metade tinha inveja porque elas tinham coragem de enfrentar “As Patricias”, outros admiravam-nas.
Bela ia caminhando de cabeça baixa até que as viu, no ímpeto ela levantou a cabeça não só ela como Gabi e Bia que passaram por elas e apenas olhares de despeito foram trocados, mesmo com problemas que Bela enfrentava ela não se deixava abalar por Emily, elas pensaram que iriam se livrar delas, mas Emily cochichou algo no ouvido de Dora que colocou o pé e fez Bela tropeçar derrubando seu material no chão, Emily e seu bando deram uma risadinha e continuaram até que Gabi se abaixou e perguntou levantando Bela:
— Bela, você está bem?
— Estou sim. – Respondeu raivosa e com tristeza.
Bia não deixou passar a limpo:
— Suas cretinas por que vocês não vão fazer isso com a avó de vocês?!
— Do que você nos chamou? – Emily indignou-se virando o rosto, consequentemente Jéssica e Dora.
O pessoal que estava conversando parou instantaneamente e começou a olhar para as duas, Bia retrucou:
— Você é surda? CRE-TI-NAS! Eu tenho vergonha viu, mas vocês não têm um pingo de vergonha na cara, derrubar minha amiga no chão.
— Escuta aqui – Vociferou Emily – Eu não te dei essa liberdade para você me insultar dessa maneira.
— E quem você pensa que é para sair derrubando as pessoas sua mau educada, seu pai não te deu educação.
— Primeiro que não fui eu quem a derrubou, ela pode ter tropeçado e segundo meu pai me deu muita educação e o que ele me ensinou foi a respeitar os semelhantes, mas gentinha como vocês com pouca aquisição porque respeitar?
— Eu também sou rica, tenho terras da minha família, mas nem por isso eu desprezo meus semelhantes – Intrometeu-se Gabi – Agora você tome cuidado com o que você faz porque eu posso falar com o diretor do colégio sobre esse seu preconceito.
— Querida, meu pai é dono deste e de mais três colégios? Você sabia? – Ironizou Emily
— E meu pai é empreendedor de materiais, fornecedor de todos os colégios da região e você nem iria sonhar a dívida que seu pai tem com o meu, então fica na sua. – Finalizou Gabi
A galera que acompanhava a discussão ovacionou Gabi, Emily ficou com a cara no chão ela saiu sorrateiramente virou-se e disse:
— Mesquinha, barraqueira E favelada, vocês todas vão me pagar.
Ela terminou e foram-se em direção oposta, as três grandes amigas comemoraram e passado a discussão todas foram para sala, já eram 19 horas.
A aula de matemática começou com o professor Aroldo um senhor de meia idade, com cabelos brancos e magro ensinando a fazer cálculos de matrizes, em exato momento que ele ia pedir que os alunos abrissem na página 20 do livro, eis que surge na porta um menino alto, musculoso e encorpado, um pouco bronzeado com roupa do colégio, e pergunta sorridente:
— Professor com licença aqui que é o segundo ano A? Sou novo na escola.
— Rapaz é aqui mesmo, qual é o seu nome?
— Meu nome é Fábio vindo de São Paulo.
— Muito bem jovem, procure um lugar e sente-se
— Obrigado. – Disse entrando na sala e procurando um lugar vazio, todos na sala estavam olhando para ele como todos conheciam carne nova no pedaço. Rapidamente, Bela tirou um papel escreveu para Gabi e depois passar para Bia:
“Meninas vocês não disseram que ele era do terceiro ano? ”
Elas leram e em seguida responderam no papel:
“Foram boatos então ele é da nossa sala mesmo”
Mas aquilo ficou martelando na cabeça delas, como um rapaz que aparentava ter 18 anos estava ali no segundo ano? Bom isso só o destino iria dizer, será que ao menos elas teriam a chance de o conhecer melhor? Bela não prestou mais atenção nas aulas apenas em Fábio.
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