Era horário do intervalo no colégio todos foram para o pátio principal, Bela e suas amigas se sentaram no banquinho que tinha no pátio, Gabi surpreendeu-se:

— Gente, como eu poderia saber que ele era do nosso ano?

— Será que ele não está em sala errada – Falou Bia – Você viu na aula de português a professora pediu para que ele se apresentasse ele disse que tem 18 anos.

— É., mas ele nem terminou a explicação a professora nem deixou, mulher chata, odeio aquela mulher.

Bela estava com seu pensamento longe daquele diálogo entre Bia e Gabi ela apenas olhava para a parede azul e os alunos aglomerados na cantina, entretanto mal ouvia a conversa. Bia olhou para ela falando:

— Essa aqui desde que viu o bendito cujo na sala, só vê ele...

Estalou o dedo a frente dos olhos de Bela que despertou do sonho distante

— O que foi Bia? – Ainda despertando respondeu Bela

— Conte-nos o que você viu nele? Está apaixonada? Amor à primeira vista?

— Nada disso, você só pensa nisso como você acha que vou me apaixonar por um menino que está atrasado dois anos na escola. Jamais isso acontecerá.

— Como diria o velho ditado “Quem desdenha quer comprar”— Interrompeu Gabi- Para mim você está apaixonada por ele e vai negar até a morte.

— Nossa vocês estão atacadas mesmo... eu vou na biblioteca preciso estudar biologia.

E lá se foi Bela pensativa com os olhos para baixo pensando em Fábio, ela parecia aquelas garotas de doze anos que se apaixona desesperadamente, ela negava, mas suas amigas tinham razão ela perdera a razão e estava apaixonada por ele, seus pensamentos voavam, quando se viu já estava na biblioteca principal o vidro quase batera em sua cara, mas ela se esquivou e entrou lá, qual não foi sua surpresa que ele estava lá com cadernos emprestados de colegas, pois ele tinha entrado no colégio agora e queria correr atrás do prejuízo, já que era abril e as primeiras provas começavam em duas semana. Bela o viu e não iria mais voltar atrás, ela não era moça de voltar atrás por causa de meninos, ela procurou uma mesa vazia, não encontrou então ia saindo da biblioteca até que uma voz a chamou:

— Ei, moça sente-se aqui nesta mesa.

Ela estava de costas ficou em dúvida se ele não estava chamando outra pessoa, ela estava abrindo a porta e ele a chamou de novo:

— Moça.

Ela virou-se, seu coração palpitava, mas não se deixava abalar pelas emoções e foi ao seu encontro:

— Pois não?

— Sente-se nesta cadeira – Entusiasmou-se Fábio apontando uma cadeira a frente dele na mesa

Bela sentou-se e ele começou:

— Qual seu nome mesmo? Vi você na sala sentada quase no fundo e sou assim espontâneo gosto de conhecer pessoas novas, e você é muito linda.

— Obrigada – Envergonhou-se Bela – Então meu nome é Isabela, mas eu sou conhecida por bela.

— Nome lindo. O meu é Fábio prazer em conhecê-la.

Bela viu a sua frente a oportunidade de ter um diálogo com ele e iniciou-se uma conversação.

— Fábio, você tem quantos anos mesmo?

— 18 Anos, mas você deve se perguntar porque não estou fazendo uma faculdade, então eu sou nômade, vivo de mudança meu pai trabalha em transportadora então ele percorre o país inteiro, em uma dessas viagens moramos em Fortaleza, outra hora em Maceió, períodos pequenos e acabei perdendo dois anos, por isso estou no segundo ano. – Riu – Fale de você onde mora? Há quanto tempo estuda aqui?

— Eu moro no Morro do Alemão, eu moro com minha mãe e meus irmãos.

Ela percebeu que se surpreendeu e admirou ao mesmo tempo. – Você pode ficar assustado, mas consegui uma bolsa aqui nesse colégio graças ao meu empenho, disto eu não me arrependo.

— Uau, você é mesmo demais. Então...

— Os dois estão aqui para conversar ou para estudar? – Intrometeu-se a bibliotecária autoritária e mandona. – Se estão para conversar tem o pátio a disposição, se vieram para estudar, bico fechado. Entendido?

— Sim, senhora. – Respondeu Fábio com cautela – Eu estava apenas perguntando da matéria de biologia para ela.

— Então falem mais baixo, e a propósito o sinal vai bater é bom que retornem para vossas salas.

— Ok madame, não iremos mais te atrapalhar – Bufou Bela – Com licença.

Bela se retirou da biblioteca, Fábio pegou o seu material e a seguiu, quando saíram porta afora a bibliotecária reclamou consigo:

— Esses jovens acham que biblioteca é local de conversa.

De longe ela viu um aluno do primeiro ano ruivo com sardas, colocando o pé na cadeira para amarrar o tênis, ela bufou:

— Ei mocinho....

— Nossa, essa bibliotecária é tão amargurada. – Riu Fábio

— Essa mulher é insuportável, dizem que ela é uma mulher solitária que vive com dois gatos.

— Titia solteirona– Os dois riram.

Nesse instante o sinal bateu e tiveram que retornar para a sala, Fábio disse:

— Se quiser ir comigo para casa, e a gente ir conversando, gostei muito de falar com você.

— Eu também Fábio. – Bela Riu – Quem sabe vou ver?

— Pensa com carinho.

De longe via-se Bia e Gabi olhando com olhar malicioso para os dois, Bela percebeu despediu-se e ele subiu escadarias acima, logo vieram as duas rindo na malícia:

— Aí está você. Já sabemos que tipo de biologia você foi estudar. A biologia da atração.

— Calem a boca – Riram.

***

A aula de português ia bem, a professora Alda era dinâmica e animada para dar as aulas, aprendiam sobre literatura romântica, Bela estava mais alegre já não estava mais tão para baixo e até ria das piadas da professora Gabi passou um bilhete para ela:

“ E aí como foi o encontro com ele na hora do intervalo”

Bela escreveu em baixo:

“ Foi maravilhoso, nos conhecemos e ele até me ofereceu para a gente ir junto para casa”

Passado para Bia e Gabi que leram, responderam:

“Você está louca? Sair com um cara que mal conhece”

“A Bia está certa, como assim? ”

O bilhete já estava ficando todo surrupiado:

“Acalmem-se meninas, eu não confirmei nada ainda com ele, irei dispensá-lo hoje”.

Em seguida as meninas leram e cochicharam:

— Acho bom mesmo.

A aula já estava no fim e agora para encerrar a noite era aula de Física com o professor Geraldo, um velho que estava perto de se aposentar, mal conseguia explicar os conceitos de Eletrodinâmica, os alunos achavam a aula entediante, alguns cochilavam, outros olhavam para o teto e outros conversavam, apenas os nerds conseguiam prestar atenção, isso que alguns estudantes indignavam-se, As meninas Bia, Gabi e Bela tomavam nota do que estava no quadro, e de repente uma colega que sentava a frente de Bela entregou um bilhete dizendo:

— Mandaram te entregar, parece que é do Don Juan.

— Obrigada. – Agradeceu Bela pegando o papel e lendo o que estava escrito.

“ Então moça linda, graciosa e cheia de charme, Anita, você aceita ir comigo até o ponto de ônibus hoje? Se achar que é perigoso, vamos você, suas amigas e eu, o que você pensa sobre isso”

Bela ficou pensativa e passou o papel para as amigas que retornaram em seguida noutro papel:

“Gente que charme te chamar de Anita, ele tem se mostrado um cavalheiro, mas é um tanto de atrevimento, sai com ele só que a gente vai te seguir para se acontecer algo a gente te socorrer” Aquela era letra de Gabi

Ela leu e agradeceu as meninas em seguida mandou a resposta a Fábio:

“Vamos sim Fábio, gostei muito do nome Anita, poderemos ir sim”

Depois feito os colegas de pombos correios, o recado chegou até ele, que sorriu em seguida para ela com olhar penetrante.

A aula acabou, as meninas foram com bela até o pátio e qual não foi a surpresa ao ver que Fábio estava conversando com Emily no banco principal, Emily estava jogando o cabelo sobre o ombro, as meninas ficaram indignadas com tal cena, Bela ia se retirando do recinto junto com suas amigas, até que Fábio disse:

— Olha Emily preciso ir.

— Por que gato, o Danilo amigo da família meu vai me levar em casa hoje, meus pais não virão me buscar e a gente pode dar uma volta.

— Não, hoje não dará quem sabe outro dia.

— Por que hoje não.

— Eu já tenho compromisso.

— Tchau – Despediu-se Fábio com o beijo no rosto.

Ele desceu as escadas rapidamente, e Emily ficou com uma pulga atrás da orelha: “O que seria mais importante que ela? “ Ela chegou até dispensar as suas seguidoras fiéis para ficar com Fábio, ela não iria descansar até descobrir o que era mais importante do que ela.

As amigas quase chegavam no ponto até que atrás delas surgiu correndo e esbaforido Fábio:

—Me..ni...nas...Es...pe...rem.

Elas fingiram que nem escutaram, até que ele cutucou Bela que virou quase num surto, e as meninas pararam de andar e começaram a fita-lo, Bela perguntou cuspindo as palavras:

— Nossa, não sabia que Emily era sua prioridade.

— O que?

— Você sabe muito bem, combinamos de sair juntos e você com aquela metidinha a besta da Emily.

— Gata...

— Não sou tão intima sua para você me chamar de gata.

— Isabela ou Bela como você preferir, Emily me puxou na hora da saída e como sou uma pessoa que gosta de fazer bons amigos, ela me pareceu legal, mas ao mesmo tempo muito artificial.

— Ah que explicação mais comovente, ela te puxou... – Ironizou Bela

— E outra...Por que você está com olhar de deboche para mim? Será que é o que estou pensando?

Gabi e Bia fitavam-nos e o olhar que elas lançaram para Fábio foi: “Nossa como você é pateta não percebeu ainda” Bia se intrometeu:

— Essa aí está com o faniquito aceso desde que você chegou na sala.

— Bia. – Censurou Bia

— Então é verdade, você está apaixonada por mim.

— Sim. – Confirmou Bela meio resistente.

Os dois se aproximaram um ao outro e ficaram se olhando, Bia interviu:

— Beija logo ela, porra odeio romantismo barato e muito menos showzinho.

Fábio riu e beijou Bela o beijo mais intenso da vida dela, poxa, realmente ela parecia uma daquelas garotinhas de doze anos, o beijo foi intenso, caloroso e estranho ao mesmo tempo, jamais poderiam imaginar que naquela noite de Abril, o céu estrelado com lua cheia, o ponto quase bombando de gente Bia e Gabi presenciando aquela cena, mas não era apenas elas que estavam admirando, tinha Emily do outro lado da rua junto com Danilo que não admirava e sim invejava aquele beijo, ela cuspiu:

— Filhos da puta como ele pôde me deixar por essa e ela como pode beijá-lo essa favelada vai me pagar tanto ela quanto esse Judas.