Notas iniciais
A fanfic se passa no baile de gala da competição anterior a que o Yuuri pediu para o Viktor ser seu treinador, se eu não me engano quando ele tinha 23 anos.

Houve apenas uma vez em que Yuuri conseguiu se lembrar de algo depois de ficar bêbado, foi durante o Baile de Gala depois do Grand Prix, pouco depois de ter feito 23 anos.

E ele mais uma vez, não conseguira chegar ao pódio.

Um poço de inutlidade, foi assim que se sentiu o tempo todo antes de se embriagar no Baile de Gala. Erros e mais erros, pontos perdidos por besteira, o silêncio da plateia enquanto ele caia.

Yuuri ainda podia sentir a frieza do gelo mesmo depois de ter saído do rinque.

Ele não queria ver a pontuação, mas ele foi mesmo assim, ele devia encarar suas falhas. Entretanto, ele apenas conseguiu olhar para o chão desolado enquanto ouvia a sua nota.

Um perdedor covarde, era isso que Katsuki Yuuri era.

Mas tinha alguém que não era assim.

Olhar inquebrável mesmo depois da derrota, e cabeça erguida diante da falha, aquele era Lee Seung Gil, que parecia possuir uma alma de puro aço. Foi ali, no palco de sua desolação, que o calor invadiu o peito de Yuuri, e as batidas de seu coração pareceram parar por um segundo.

Mais rápido que um piscar de olhos, ele se apaixonara pelo jovem patinador.

***

Antes mesmo da metade festa, Yuuri havia bebido o suficiente para esquecer o que significava dignidade e pudor.

Com passos cambaleantes e incertos, ele se dirigiu até a sacada do prédio, sentindo o vento frio de inverno em seu peito nu – já que ele havia aberto a camisa em algum momento da festa. O que não o afetava, já que o álcool havia tomado sua sanidade a este ponto.

Quando percebeu que não estava sozinho, e quem era seu acompanhante, o sangue em seu corpo pareceu ferver imediatamente fazendo com que sua boca agisse antes do seu senso comum.

— Lee.. Seung Gil? — Yuuri sussurrou, a voz arrastada pelo álcool. — É você mesmo. — Disse um pouco mais confiante quando os olhos inabaláveis do adversário se viraram para ele.

— Você está bêbado. — Ele constatou sem nenhuma emoção em sua voz, recebendo um riso sem humor como resposta.

— Eu sei. — Respondeu enquanto se apoiava na sacada ao lado de Seung Gil, olhando o céu nublado acima de sua cabeça. — Eu invejo você.

— Por que? — Aquela simples frase pareceu instigar a curiosidade do coreano, que deixou escapar a pergunta, mas antes que o mesmo fizesse algo para impedi-lo, Yuuri começou a falar.

— Porque a derrota não te afeta. — Yuuri suspirou, já sentindo falta do gosto de champagne em sua boca. — É como se... Enquanto meu coração fosse de cristal, o seu é puro aço. — O silêncio pesou durante um tempo, e quando ele achou que o outro ia apenas ignorá-lo, o outro o respondeu.

— Você está errado. A derrota me afeta. — Ele disse e Yuuri olhou para seu rosto. — Eu só não demonstro isso, mas eu... Estou muito triste. — A confusão tomou conta de seu olhar, como se ele não soubesse o porquê de estar confessando isso. — E talvez seja isso que falte em mim, expressar o que eu sinto. O meu coração é tão frágil quanto o seu, só que... Ninguém consegue ver.

Os dois ficaram quietos por um tempo, e Seung Gil voltou a falar.

— Mas me conforta saber que eu ainda posso tentar, então eu não desisto. — A cabeça de Yuuri caiu e um sorriso nasceu em seu rosto. Seus pés o levaram com dificuldade para longe do muro em que estava apoiado, parando de frente ao adversário que o olhou com curiosidade antes de perguntar. — O que você vai...

Ele não sabia o motivo que o levou a fazer aquilo, mas quando percebera, Yuuri já havia colado seus lábios com os o do jovem a sua frente, segurando seu rosto com as duas mãos. Foram os três segundos mais longos de toda sa vida, e por um momento, quase achou que Seung Gil cederia e aprofundaria o beijo, mas ele apenas o empurrou, derrubando faciolmente Yuuri no chão, de onde conseguiu ver os olhos arregalados, encarando-o sem conseguir acreditar.

Antes de andar de volta para festa, Lee Seung Gil o encarou longamente, desistindo no fim de tomar alguma atitude, provavelmente pensando que não havia sentido em prolongar mais aquilo tudo.

Ele deixou Yuuri naquela sacada gelada, olhando para o céu nublado, sentindo o vento gelado em seu corpo.

E estranhamente, ele não conseguia se arrepender de ter feito aquilo.

Assim como Seung Gil não conseguia sentir raiva pelo ocorrido.

***

O dia seguinte apenas trouxe um choque de realidade e a maior ressaca de todos os tempos, e Yuuri gemeu ao perceber que não lembrava de nada depois de beber o terceiro copo de champagne.

Bem, quase nada.

Seu rosto se avermelhou e seu coração disparou quando os flashs de memória surgiram como um turbilhão em sua cabeça, e ainda na cama, ele cobriu o rosto com as mãos numa tentativa inútil de esquecer tudo aquilo, e levou um tempo até ele aceitar tudo sem querer se estapear.

Suspirando, Yuuri finalmente se levantou da sua cama, refletindo enquanto se preparava para se dirigir ao aeroporto.

Tudo aquilo que sentia pelo jovem patinador coreano...

Aqueles sentimentos poderiam desaparecer tão rápido quanto apareceram, independentemente deles serem ou não recíprocos.

Aquele beijo fora um momento fugaz causado pelo excesso de bebida, porém que ficaria gauardado para sempre na memória de Katsuki Yuuri, apesar da triste certeza de que para Seung Gil não tinha significado nada além dos impulsos de um bêbado.

Mas confortava Yuuri saber que ano que vem, ele poderia vê-lo tentando de novo.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado de ler tanto quando gostei de escrever!

Péço perdão qualquer coisa, mas tenham em mente que eu estou super enferrujada ahaha
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!