"Is in here..."
3 What I was supposed to be...
Notas iniciais
O que eu deveria ser...

Sardenta estava se divertindo enquanto fazia amizade com os Terrores Terríveis, fora um processo mais fácil do que a garota Perna de Peixe pensara que seria, mas não era novidade que Sardenta se dava bem com dragões, era natural dela.
Melequenta, por outro lado, tentou não demonstrar o alivio por sua prima estar bem ou a preocupação que sentiu ao ver que a mesma não se lembrava de nada ou talvez só lembrasse-se da época em que ela era uma má pessoa com ela... Melequenta não fora uma boa prima no começo e, mesmo assim, Sardenta fora uma ótima pessoa com ela, principalmente na vez em que ela e seu dragão foram chamados pela rainha das lagartas de fogo por ajuda.
Melequenta também não sabia que estava bem na mira das bombas fedorentas dos gêmeos logo ali.
Como eu disse, parecia apenas mais um dia normal na academia, mas apenas parecia...
De repente, um borrão azul tomou conta dos céus, passando rápido e silencioso num borrão, ele havia retornado. O piloto e sua Nadder Mortal pousaram na entrada da arena, aquele era Aster, um dos guerreiros mais valentes que você poderia conhecer.
Aster era um rapaz alguns meses mais novo que Sardenta, ele tinha cabelos loiros com uma fina trança na lateral, uma franja cobria seus olhos azuis, ele também era forte e com um ar ameaçador. Todavia, não deixe essa aparência lhe intimidar, ele era um ótimo amigo também, ajudava todos a sua volta, era só chamar que ele vinha.
Perna de Peixe arregalou os olhos quando o viu.
“Oh oh” pensou ela.
Felizmente, Sardenta estava atrás de um monte de dragões o que foi tempo o suficiente para detê-lo. Perna de Peixe correu atrapalhadamente até ele no máximo que seu vestido deixou.
— Onde está ela? Sardenta já acordou?
Perna de Peixe fazia o máximo para segurá-lo, mas ele era teimoso demais para ouvir.
— Agora não, Aster! Espere um pouco! Há algo que você deve saber, ela...
Mas era tarde demais, Sardenta ouviu a confusão e apareceu ali, Perna de Peixe não conseguiu segurá-lo mais. Aster correu em direção á garota e a abraçou tirando-a do chão.
— Que bom que você está bem!
Ele a pôs no chão e recuou a segurando pelos ombros.
— Hã... me desculpe, mas eu não sei quem você é.
— Sard, do que está falando? – Seu sorriso despencou.
— Hã... bem, a situação é que – Sardenta engasgou e não sabia o porquê – Eu não me lembro quem é você, me desculpe.
Aster deu um passo para trás cerrando os punhos, mas tentou se controlar então foi até Perna de Peixe a pegando levemente pelo punho e a levando até o outro lado da arena.
— Uma explicação, agora – Ele pede cruzando os braços.
Perna de Peixe pede para que Melequenta e os gêmeos a levem para Gothi, o ancião da vila, talvez ele pudesse acelerar o processo. Uma vez que eles se foram, Perna de Peixe observa a tristeza nos olhos do rapaz.
— Então, ela não se lembra de nada?
— Eu sinto muito, Aster – Perna de Peixe mexeu em uma mexa de cabelo nervosamente – Pensei que ela acordaria fraca, mas aquilo... bem, ela não se lembra nem da própria mãe ou de Banguela.
— Quem dirá de mim...
— A questão é que não podemos desanimar agora, enquanto ela estiver assim você foi nomeado no comando e temos que ajudá-la, lembre-se que há um problema maior.
— O olho de dragão... – Confirmou Áster – Nosso tempo está passando...
Sendo assim, Perna de Peixe e Aster seguiram para encontrar os outros com Gothi. Sardenta estava passando por uma série de exames e parecia meio desconfortável, mas tinha esperanças de que algo conseguisse curá-la.
Infelizmente, pouco do que Gothi fez adiantou de alguma coisa, mas a ultima coisa que poderiam fazer é sentar e esperar, eles tinham que recuperar as lembranças de Sardenta, mas toda aquela pressão e discussão a sua volta, fez com que a garota se sentisse extremamente desconfortável então ela fez o de sempre e desapareceu.
***
— Ah, maravilha! Os deuses me odeiam — Reclamava Sardenta – Tem vikings que perdem uma espada ou um escudo, mas eu? Eu tinha que perder logo a cabeça toda!
Sardenta andava pela floresta sem rumo, era como se estivesse explorando o lugar pela primeira, mas não se deu conta disso, no seu subconsciente era apenas mais uma fuga para as florestas e não se deu conta de que poderia se perder ou algo assim.
Ela continuou o caminho até ouvir passos lhe seguindo cautelosamente, Sardenta vira-se e vê o Fúria da Noite na tentativa de ser discreto.
Sardenta dá um passo para trás hesitante, mas ao olhar nos olhos do dragão sentiu algo familiar que não conseguiu descrever, Banguela notou isso e sabia o que fazer.
O dragão passou veloz por ela levando os cabelos da garota consigo na brisa que fizera, Sardenta estava impressionada.
— Ei, aonde você vai? – Perguntou a garota correndo atrás do reptil tropeçando naquela perna metálica.
O dragão a levou até uma clareira não tão perto de onde estavam, Sardenta tinha a sensação de que já andara sobre aquele chão, o lago e até mesmo as rochas lhe eram familiares com a luz do sol batendo forte e reluzente sobre ambos.
— Eu conheço esse lugar...
De repente, um clarão de lembranças lhe vieram à mente, tantos momentos, tanta coisa num só lugar... Sua cabeça doía numa sobrecarga de pensamentos. Seus joelhos fraquejaram, ela caiu no chão.
— Minha cabeça... – Ela pressionou os dedos contra a testa.
A dor durou um tempinho, mas passou. Sardenta levantou seu olhar para o dragão novamente e com um pequeno sorriso. Ela levantou-se e ergueu sua mão timidamente como num flashback em suas memórias.
Quando sentiu as escamas frias de Banguela, Sardenta sorriu, lembranças boas vieram a sua mente e momentos...
E foi assim que todos perderam Sardenta Haddock o resto do dia...
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