Is beginning or not
5 You know it can get hard sometimes
Notas iniciais
POV. Romero
Tóia e eu conversamos até o entardecer. Projetos, reformas, contas, família, no geral, um papo bem dinâmico. Agora, estamos voltando ao Rio com o lugar do sol está sendo substituído por um lua nova quase imperceptível. Quando fui deixar a morena no morro, percebi que ela tinha um olhar duvidoso. Parecia que não queria entrar ali.
— Algum problema? — questionei — Isso aqui é vazio sem... — a Djanira — completo.
— Depois do que aconteceu foi ótimo dar esse tempo longe, mas voltar para aqui é lembrar de tudo — ela abre a porta do carro e interrompo
— Não precisa acabar assim. Você pode ficar comigo...O que acha? — proponho, mas percebo que terei que morar naquele muquifo — Que isso, Romero... não posso aceitar. Vou acabar atrapalhando
— A gente pode ajudar um ao outro, Tóia. O momento não é dos melhores, mas ia ser bem legal. Vamo vai... — a encaro — Eu não devia, mas tá certo. Eu aceito. — coloca o cinto novamente e seguimos rumo a cobert... Dessa vez, não.
POV. Atena
Fui dar umas voltas no shopping e comprei umas coisinhas. Quando sai do táxi e passei pela portaria do prédio, perguntei a Josi sobre o Romero, mas sem sucesso. Parece que meu maridinho ainda não voltou para o nosso ninho de amor. Assim que subi, deixei minhas sacolas no sofá e fui tomar um banho. No momento, estou na frente do espelho colocando um vestidinho preto, preso na cintura e com um corte lateral destacando as pernas.
— Pena que você não me verá goxxtosa desse jeito, comunistinha — coloco o cabelo de lado e passo um batom nude. — Esqueci! Eu estou sempre assim. Hahahaha — gargalho e deixo o cômodo.
Seja quem for esse homem, não resistirá a mim. Vai falar tudo que preciso saber, embora não saiba exatamente o que isso quer dizer. As informações foram bem vagas, porém vou tentar saber o básico sobre ele. Já tenho um plano para isto. Está quase na hora do encontro. O misterioso está esperando alguém para conversar sobre um projeto de mercadorias. Essa é minha deixa.
Já pedi um táxi. Estou esperando-o na frente do prédio até que o Josi pede para falar comigo.
— Quê que foi? Tô sem aquelas notinhas de cem aqui, já que cê não disse nada sobre o...
— O Romero, isso mesmo! A senhora pediu pra dizer caso ele chegasse. Ele tá aí, acabou de deixar o carro no estacionamento. — fala o porteiro.
— Fez muito bem em me dizer. — o táxi chega e entro nele. Meu amorzinho vai ter que esperar por mim. Está na hora da minha nova personagem inspirada em James Bond.
POV. Romero
Deixo a Tóia tomando banho no cafofo do Che Guevara, como a Atena gosta de falar, e vou em direção a cobertura para pegar uns documentos da fundação e ter uma ideia de como foi o encontro com a facção. Chego lá esperando vê-la já que é praticamente um móvel da casa, mas não a encontro. É um sentimento estranho, o qual ainda não sei se é bom o ruim. Na verdade, deve ser bom, só é confuso. Quando estou saindo, o aterro sanitário bate na porta. Por que Ascânio tinha que aparecer logo agora para piorar ainda mais?!
— Velho,velho...o que cê quer? — pergunto,revirando os olhos — Isso é jeito de tratar seu paizinho? — ignoro
— Vim fazer um acordo, filhote. Tô com seu filminho de bandido. Me dá uma grana que ele é seu ou então... — ameaça e o seguro pela camiseta — Como assim?! Tava contigo o tempo todo, era? Argh! Sabia que devia ter dado um tiro na tua fuça. — aponto meu dedo pra testa dele em formato de arma
— Calma, calma... — se solta — Tava com a madame, sim. Mas matei a pomba correio dela. Agora é meu! — me impressiono com o que o terreno baldio fala — Como assim, matou?
— Sabe o que tu não tem coragem de fazer, porque é frouxo, pronto, eu fiz! É um leilão, quem pagar mais leva — esse velho só pode está de brincadeira. — Primeiro, eu quero ver o vídeo e depois a gente fala disso. — ele pega o celular e diz que aquilo é uma cópia — E o original, cadê? Como vou saber se tu vai dar o verdadeiro?
— Vai ter que confiar no papai aqui...Fica tranquilo que se pagar bem não tenho motivo pra mentir, neh mermo? — ri daquele jeito porco e sai pela porta levando duas garrafas de whisky.
POV. Atena
Já estou no bar do hotel para o encontro. Peço um Dry Martini e sento-me em uma das cadeiras, observando o local.
— Olá, você é o contato, certo? — alguém se aproxima, toca no meu ombro esquerdo e viro — Depende do contato que está esperando... — tento ser engraçada — É, com certeza é você. Me disseram sobre isso. — é um homem branco, alto, usando uma calça jeans, uma camisa branca e um blazer amarronzado. Tem olhos castanhos e uma barba curta, o que reforçava ainda mais seu semblante. Além de um porte esportivo, um cabelo preto, liso e jovial. Aparenta não mais que uns 35 anos. Com certeza era o homem das instruções, porém mais bonito do que nas fotos.
— Me acompanhe, por favor. — mostra-me o caminho com uma mão e coloca a outra sob minha cintura. — Já quer me levar ao quarto? Animadinho você em... — não fala nada, no entanto, sabia que não iria resistir. — Entre. — abre a porta de uma suíte após saímos do elevador. — Seu encontro está aí dentro. — como assim? Me disseram que era ele.
— Atena, não é mesmo? — uma voz feminina ecoa no quarto. — Sim, mas e você, voz misteriosa, quem é? — olho pelos cantos mas ninguém — Desculpe, estava no banheiro. Sabe como é...uma mulher precisa estar na altura da companhia. — uma mulher loira, magra, branca, com uma blusa listrada, uma jaqueta de couro, uma calça skinny e um batom vermelho aparece.
— Não fique surpresa. Sei que preferia o Hector, porém disfarce sua chateação. — a olho com suspeita até porque ela sabe quem sou. — Não me disseram muita coisa, mas é surpreendente mesmo. Você claramente sabe sobre mim.
— Exatamente. Sei de tudo que preciso saber. — detecto um tom ameaçador
— Agora é minha vez. Quem é você?
— Meu nome é Kiki Stewart. Aposto que já ouviu esse sobrenome — não canso de me surpreender — Mãe do Dante, ex-mulher do Romero, a tal que foi sequestrada... Se é que foi isso. — dá um sorriso malicioso e continua — Você é esperta, Francineide. Parabéns! — bate palmas ironicamente
— Então o que faço aqui? Está afim de uma festinha é? — me aproximo, também com ironia — Dessa vez, não. Você está aqui, por que eu negociarei com a facção e prefiro fazer isso com outra mulher. Nos entendemos melhor. — faz uma indicação para que me sente e nós duas começamos a conversar.
Já no transporte, penso sobre tudo que ouvi. Kiki não é o anjo que todos conhecem, ela tem um ar perverso e controlador. Embora, um ótimo gosto para seguranças. Não entendi como ela veio parar nesse mundo. Afinal, é filha de um milionário como o Gibson.
Tudo que me contou está correndo pela minha cabeça. Ela quer montar um trajeto para traficar armas em parceira com a facção. Pelo que percebi, conhece uns bandidos pela Colômbia e pretende intermediar as vendas. De informação pessoal, analisei que tem um bloqueio para falar do Dante. Ao citar o nome dele, enquanto falei da polícia, vi que sua expressão mudou e o assunto também. O mesmo não aconteceu quando o Romero surgiu no tópico “facção”.
Agora, deve ser quase meia noite e estou no elevador a caminho da cobertura. Ainda é confuso, mas uma boa noite de sono deve ajudar. As luzes do apartamento estão ligadas. Deve ser o Romero.
— Até que enfim você chegou, Atena. — ele estava tomando algo, sentado na base da escada.
— Me esperando, amor?! O sexo te mudou mesmo em? — largo os sapatos enquanto me aproximo e sento-me ao seu lado
— Por que você entrou na minha vida? Por quê?!!!!!!! — grita e encosta sua cabeça no corrimão. Percebo que está chateado.
— Você bebeu. Vem cá,vem... — tiro o copo da sua mão, porém ele levanta e me olha — Escuta, pesadelo! Escuta! Por que você está aqui? — grita de novo
— Eu...eu... — Cê está aqui por causa do maldito vídeo, porém acabou. Acabou!!! — afirma de modo sério.
— Do que tu tá falando, Romero? — levanto e ficamos frente a frente — Tu perdeu o trunfo. Perdeu! — cambaleia em direção ao quarto
— Tá maluco é? A bebida te deixou alterado — o sigo — hahahaha bem que você queria, mas não. Tu perdeu, Francineide. Tua amiguinha que tava com o vídeo morreu...morreu! hahaaha — debocha e pega roupas minhas, enquanto não entendo nada.
— O que cê vai fazer? Ei.Ei,Romero, larga isso. Eu te salvei, lembra? — seguro nos braços dele, o fazendo parar — Cê fez aquilo porque sabia que entraria na facção — sai quase como um sussurro e se encosta em um vidro do closet.
— Não. Fiz aquilo, por que sou leal. Nunca te trai. Nunca — Mas me roubou — Depois de tudo que fiz por tu, com certeza já paguei essa dívida. — Não vou cair nessa de novo — tenta se levantar, mas a embriaguez não deixa
— Fica aqui, fica....quietinho — encosto em suas mãos que se apoiam no joelho e nos olhamos. Uma expressão de paz e calma estampa-se naquele momento. Me aproximo ainda mais e descanso minha cabeça em seu ombro. Desarma-se e olha para frente. Não precisava saber de nada agora. Ainda havia confusão, no entanto só queria aquele instante. O dia havia sido cansativo para nós dois, disso eu tinha certeza.
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