Is beginning or not
1 Loving can hurt
Notas iniciais
POV. Romero
Depois de saber toda a verdade daquela mulher, não irei mais tocá-la, senti-la ou deixa-la me fazer de bobo novamente. Se havia algo que eu estava decidido, com certeza, era isto. Após momentos felizes, agora, estou em uma encruzilhada, preciso focar no meu golpe contra a Tóia, mas também não posso esquecer da facção.
Esses são meus pensamentos ao passar todos aqueles documentos na tela do computador. Mas não duram muito.
— Romero, o telefone ai tá tocando. A doença afetou seus ouvidos também?
— Atende, velho maldito! — grito
— Sou tua telefonista não.
— Agh...Atende essa porcaria logo, antes que te bata com ele. Você sabe que eu posso.
Ascânio recebe a chamada, provavelmente com medo de receber outro soco. Mas quando percebo que pode ser importante, levanto e pego o objeto de sua mão rispidamente.
— Alô, aqui é a Fundação Livre Viver. O que deseja?
— Sou eu, Romero, Tóia.
— Oi Tóia. Como você está? Algum problema? — Ainda não sei exatamente como falar com ela. Depois que soube da minha doença, ficou complicado.
— Aconteceu uma coisa comigo e acho que tem haver com o Zé Maria e a tal facção...Acho que você pode ajudar. Será que a gente pode se encontrar? Então te conto.
Percebo que a voz parece receosa, mas decidida. Porém aceito pelo fato de ter conexão com a facção. — Claro! Te vejo mais tarde no morro, certo?
— Aqui não. Melhor em um lugar neutro e calmo. — Ela está mesmo com medo. Deve ser sério.
— Conheço um local ótimo pra isso. Me encontra na frente do meu prédio às oito da noite.
Ela desliga logo em seguida e resolvo ir para casa afinal, já passa das cinco horas e depois de um convite desse, sei que hoje será a noite. Aperto os botões do elevador para ir direto à minha cobertura. Aquele apartamento inferior não possui os apetrechos necessários para conquistar a garota.
— Romero. Tão cedo em casa, sentiu falta da minha companhia? — Escuto no momento que estou prestes a cruzar a cozinha.
Dou um passo para trás, olho para cima e lembro o motivo de não chamar a Tóia para conversar por aqui. — Estranho neh, Atena?! Você chama isso aqui de casa, mas está de penetra.
— Penetras são os que mais se divertem, não sabia disso? Mas você não respondeu...Sentiu saudades? — fala irônica, parada no topo da escada com um hobby colocado sob seu corpo.
— Quando eu sentir saudades de te encontrar no MEU apartamento, pode ter certeza que pirei de vez — coloco minha pasta no sofá e começo a subir as escadas. Ela fica imóvel até nos equipararmos nos degraus.
— Ainda bem. Pelo que saiba você já é maluquinho, meu comunistinha. — Dá um sorriso malicioso e se aproxima do meu rosto. Tremo na base. Mas suporto e continuo andando ao meu destino. Quarto.
Atena me segue e deita-se na cama, vendo-me tirar minha camisa com estampa ecológica, tênis, calça jeans e cueca. Seu olhar sedutor é difícil de desviar. Parece que tenta ler meus pensamentos e já conhece cada parte do meu corpo. Essa parte até que é verdade.
Vou para o banheiro e ela continua a falar. — Vamo sair pra jantar, é? Espero que não me leve em um daqueles restaurantes que você acredita serem “sem escândalos”. — Ligo o chuveiro e percebo que ela está prestes a entrar no cômodo.
—Hoje é a vez de outro alguém. Não pretendo ficar aqui hoje. Tenho um encontro maravilhoso com uma gostosa. — a provoco
— Hahaha! Aposto que é a Jéssica. — ironiza — Chama ela pra cá de novo. Daquela vez não deu muito certo. A segunda sempre é melhor, neh amor?!
— Quando eu falo “gostosa” é beeemmmm superior. Naquele dia não deu certo, porque era com você, aí não pinta clima. — solto um sorriso discreto em baixo do chuveiro e por trás do vidro do banho a vejo desanimar um pouco.
— Não lembro disso... Depois rolou ainda mais e era só nós dois. — Continuamos a nos alfinetar. Retiro o vidro da nossa frente e falo olhando para ela. — Sabe o que é ainda melhor na pessoa de hoje? Ela não invadiu minha casa, não mentiu seu nome e com certeza vai rolar bem mais do que com todas as outras. — Atena me olha diretamente e por um momento penso que se sente culpada, mas era mentira afinal, nem era Atena, e sim, Francineide.
Nosso papo acabou naquela última frase. Como não escuto barulhos, percebo que só pode estar na cozinha ou sala. Coloco minhas roupas e faço meu ritual de auto confiança: relógio, blazer e um “aquecimento dançante” para animar. Quando desço, percebo que minhas suposições estavam corretas. A mulher estava deitada no sofá, tomando uma taça de champanhe e assistindo um programa qualquer na televisão. Ela percebe que cheguei na sala e olha rapidamente. Não falo nada para não demorar ainda mais minha saída.
— Só digo uma coisa, Romerinho... Essa sua roupa não ia ter serventia comigo. Tiraria rapidinho. — Morde os lábios discretamente e dá um sorriso safado, enquanto olha pra a tv. Não presto atenção, mas quando cruzo a porta dou um olhar e sorriso reservado.
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