Is Not Too Late.
1 Capítulo Único - Is Not Too Late.
Notas iniciais
Regina abriu a porta da mansão com indiferença, não queria ver ninguém, queria ficar sozinha e não sabia quem poderia estar a procurando naquele momento. E ao abri-la encontrou foi uma surpresa. Mary Margareth.
–O que faz aqui ? -perguntou séria, com as palavras carregadas de desprezo. Era principalmente ela que Regina não queria ver.
–Me mate. -Mary pediu com os olhos marejados e Regina a olhou surpresa. Não sabia se era uma boa ou má surpresa. Nenhuma delas sabia.
–O quê ? -Regina balançou a cabeça tentando entender o pedido, enquanto um riso irônico saía de sua boca.
–Vim fazer justiça. Eu lhe tirei algo importante, então me mate. Arranque meu coração Regina, e o esmague. Acabe com isso de uma vez.
–E por quê eu faria isso ? -Regina usava seu tom mais sarcástico.
–Porque eu sei que você quer, foi isso que você sempre quis, desde o início. -Mary a olhou nos olhos, ela sabia o que estava dizendo.
A garota gritava e o seu cavalo corria em disparada. Regina viu a cena e seu coração se apertou, se o animal não parasse, a garota poderia morrer. Ela precisava salvá-la e foi isso o que fez, os gritos de desespero da garota a moveram á aquele ato heroico. Regina montou em seu cavalo e correu logo atrás da menina que não parava de gritar. Quando seu cavalo estava próximo ao dela, pode ver que era uma garota pequena e mesmo de longe podia ver o medo estampado em seu rosto.
–Me dê sua mão. -Regina gritou encostando seu cavalo ao da garota e estendendo a mão para ela.
–Eu não posso, tenho medo. -a menina gritou de volta.
–Você precisa confiar em mim. -Regina continuou com a mão estendida e a garota virou o rosto para olhar para ela, a morena sorriu tentando passar confiança para a menina. E conseguiu.
A garota agarrou a mão de Regina e a morena a puxou para junto de seu cavalo, a menina ficou pendurada enquanto seu animal fugia para o meio da floresta. Regina foi diminuindo a velocidade, até que a garota pudesse pular no chão sem se machucar. Ela desceu logo em seguida e se ajoelhou ao lado da menina que estava no chão, tentando recuperar o fôlego.
–Tudo bem ? O que aconteceu com seu cavalo ? -a morena perguntou enquanto se certificava de que a menina estava bem, inteira.
–Eu não sei o que aconteceu, ele nunca fez isso antes. -a menina conseguiu dizer já com a respiração se normalizando, mas seu rosto ainda demonstrava medo.
–Está tudo bem agora, não precisa mais ter medo. Já passou. -Regina passou a mão pelos cabelos da garota e sorriu pra ela sendo retribuída logo em seguida.
–Obrigada. -a menina sorriu e Regina percebeu que era um sorriso sincero, assim com o dela. -Você salvou a minha vida, não sei como te agradecer.
–É só ter mais cuidado com os cavalos que escolhe da próxima vez. -Regina respondeu e as duas riram. -Regina. -a morena falou se apresentando.
–Snow. -a menina ainda sorria. -Snow White.
–Você está enganada, desde o início não. -Regina falou entendendo as palavras anteriores de Mary.
–Você salvou a minha vida, mas depois tentou tirá-la diversas vezes mais e quando não conseguiu, tirou a vida de pessoas próximas a mim. -Mary tinha os olhos transbordando de lágrimas. -Só eu sei o quanto dói perder alguém que amamos, e eu estou arrependida e por isso vim te pedir isso, me mate Regina.
–Eu era só uma jovem cheia de sonhos ... -Regina começou com os olhos brilhando, relembrando tudo que aconteceu naquela época. Seu tom agora era de dor. — ... e você uma garota em quem eu achei que podia confiar.
–Eu também pensei que podia confiar em você, eu era uma garota que só queria alguém que a ajudasse a superar o medo, a dor que a perda de alguém que amava deixou ... -Mary começou, mas foi interrompida por Regina.
–Você podia confiar em mim e confiou, e eu não te apunhalei pelas costas, eu não traí sua confiança como você fez comigo. -Regina cuspiu as palavras.
–Eu era só uma criança que queria ajudar. -Mary já começara a chorar, também se lembrando de tudo.
–Ajudar a quê ? A fazer o mesmo que você disse que eu fazia ? -Regina voltara a usar o tom sarcástico. -A tirar a vida de pessoas que eu amava ?
–Isso não é verdade. -Mary já não continha as lágrimas e Regina a olhava fixamente, parecia um olhar de ódio, mas era de dor. -Mas se te machuca tanto, então vá, arranque o meu coração e o faça virar pó pra acabar com tudo isso de uma vez.
–Isso seria fácil, eu já tentei tantas vezes como você mesma falou. -Regina tinha os olhos brilhando, marejados, mas se mantinha forte.
–Mas agora é diferente, em todas as outras vezes eu estava fugindo, agora não, agora eu estou aqui te implorando que me mate. -Mary gritou por entre as lágrimas cheias de dor.
Snow estava lá, na hora marcada, no local marcado, esperando por Regina. A morena havia dito que encontrou uma solução que acabaria com o sofrimento das duas, e Snow estava disposta a aceitar a solução. Não demorou muito e Regina apareceu, já sorrindo ironicamente para Snow enquanto se aproximava dela com um saquinho preto em mãos.
–Ande logo Regina. Que solução é essa ? -Snow perguntou, sua voz demonstrava medo e coragem ao mesmo tempo, era algo contraditório, algo em Snow que deixava Regina furiosa.
–Espero que tenha vindo sozinha. -Regina comentou passando ao lado de Snow que assentiu com a cabeça.
–Sozinha. -Snow confirmou. -Aqui estamos só eu e você, como me pediu.
–Eu, você e a solução. -Regina mantinha aquele mesmo sorriso no rosto e seus olhos brilharam quando tirou de dentro do saquinho uma maçã, a mais vermelha que se poderia encontrar. Ela apontou a maçã para Snow.
–O que tem essa maçã ? -Snow perguntou.
–Eu a encantei. -Regina começou a explicar. -Aqui tem um feitiço que faz você não dar mais importância para as coisas que ama, que faz um pequeno vazio existir no lugar disso. Um vazio igual o que você provocou em mim. -ela completou a olhando com ódio.
–E o que você quer que eu faça ? Que eu coma a maçã ? -Snow a olhava com dor.
–Basta uma mordida, e eu terei minha vingança. -Regina estendeu mais ainda a maçã para Snow que a segurou em mãos e respirou fundo antes de dizer:
–Você venceu Regina, eu aceito. Se fui eu mesma que lhe causei esse vazio, mereço um também. -e sendo assim mordeu a maçã. No segundo seguinte o ar começou a faltar em seus pulmões e ela caiu no chão, havia perdido os sentidos e a maçã rolara de sua mão.
Regina apenas observou a cena com diversão, havia conseguido enganá-la, havia conseguido o que queria. Matar Snow White.
–O que te fez mudar de ideia assim tão facilmente ? -Regina perguntou com desprezo, queria escutar o que fez Mary Margareth vir lhe fazer esse pedido tão surpreendente.
–Eu preciso de ajuda. -Mary respondeu com lágrimas lhe escorrendo lentamente o rosto.
–Ajuda ? -Regina riu. -Por que você pediria ajuda pra mim ? Pensei que eu fosse a última pra quem você fosse pedir esse tipo de coisa, na realidade eu nem sabia que eu estava nessa sua lista.
–Você me entende Regina, eu sei que me entende. E eu também te entendo. -Mary não tentava ser forte e se deixava chorar na frente de Regina.
–Não, não diga que me entende. -Regina a cortou, seca, mas era como se aquelas palavras lhe doessem tanto a ponto de deixá-la assim. -Ou melhor, você deve entender o porquê de eu achar estranho seu pedido de ajuda pra mim. Você entende, não é mesmo? Pensei que havia dito que era tarde demais pra mim. -completou e a dor pareceu aumentar, em suas palavras, em seu olhar e em seu coração.
Snow caminhava com aquela mulher que acabara de salvar a vida. Não sabia quem ela era, não sabia nada a seu respeito, apenas de que precisava ajudá-la. Confiou tanto na mulher que lhe contou toda sua história com Regina, mas sem mencionar o nome da morena em questão, afinal lhe doía lembrar que aquela jovem doce que a salvara, havia se tornado alguém tão fria. Não mencionou também que aquela mulher era a Rainha Má, contou apenas os bons momentos que viveu com Regina.
O que Snow não sabia, era que a mulher que ela estava ajudando, a mulher que caminhava ao seu lado, para quem ela dava a mão e o apoio que precisava, era na verdade Regina. O plano era perfeito, se disfarçar e assim matar Snow White. Jamais saberiam que havia sido ela. Porém os planos mudaram quando Regina ouviu a história dela e de Snow contada pela própria. Jurava que havia visto dor nos olhos dela, que havia sentido carinho nas palavras de Snow quando falava dela e de repente o melhor caminho não era a vingança, mas sim o perdão.
–Você acha que um dia poderia perdoar a Rainha Má, já que ela lhe machucou tanto ? -perguntou Regina, queria saber se o novo plano daria certo tanto quanto o primeiro poderia dar. Podia perguntar aquilo sem medo de ser descoberta, afinal todos conheciam a história de Snow e a Rainha Má.
–Claro que sim, ela ainda pode mudar, eu sei que sim. E eu estou disposta a perdoá-la se ela quiser isso. -Snow completou sorrindo e o peito de Regina quase explodiu de dor.
–Quem sabe ela não esteja disposta a pedir perdão, quem sabe ela já não mudou ... -Regina vinha falando com os olhos fixos em Snow, mas foi cortada pela própria.
–Não ... -Snow falou com o olhar se enchendo de dor e fixos no que tinha em sua frente. — .. retire o que eu disse. É tarde demais pra ela. -Snow completou e Regina voltou seu olhar para o lugar em que a outra também olhava e encontrou uma vila toda sem vida, e era ela mesma que havia dado as ordens para aquilo. Agora se arrependera, mas era tarde demais.
–Não, mas e se ela fez isso antes de mudar, e se ela se arrependeu ? -Regina tentava explicar de uma maneira que não mostrasse quem ela era de verdade. Ela precisava do perdão nesse momento. -E se ela voltou a ser aquela jovem que salvou sua vida um dia ?
Snow continuou olhando fixamente para frente e então falou sem expressão:
–Eu nunca disse que aquela jovem era a Regina. -e em poucos segundos, puxou uma flecha e a apontou para Regina. -É você Regina, eu não sei como, mas é você.
Regina percebeu que era um plano perdido. Os dois, o melhor era tentar fazer o que Snow acreditava que era só o que ela sabia. Se enganou se um dia achou que poderia receber o perdão, duvidou até se realmente queria isso.
–Sim, sou eu. -ela respondeu friamente e mexeu as mãos tentando conjurar magia. Não conseguiu, se lembrou então que isso fazia parte do disfarce.
Sem magia e com os planos falhados, fugiu. Era só o que restava a ela.
–Só há uma maneira de saber se eu estava certa ou não. -Mary parou de chorar e a olhou fixamente. -Faça o que eu te pedi.
E então Regina fez. Enfiou a mão no peito de Mary Margareth que se contorceu com o toque, e quando Regina puxou sua mão, junto dela veio o coração de Mary. Ela o olhou por completo e soltou um riso fraco.
–Anda Regina, o esmague. Faça-o virar pó, como você sempre quis. -Mary conseguiu dizer, mas ainda sentia dor e as lágrimas haviam voltado ao seu rosto.
Regina ainda tinha o sorriso irônico nos lábios, mas seu olhar ainda sustentava aquela dor. Então apontou o coração para Mary e falou:
–Eu não vou te matar. -Mary a olhou confusa. -Não quando posso te deixar sofrendo. -então apontou para um ponto do coração da outra que estava ficando negro. Mary se assustou no mesmo minuto. -Parece que você também está trilhando o mesmo caminhou que eu. Por isso não vou matá-la Snow, vou deixá-la sofrer. -Regina completou e devolveu o coração ao peito de Mary.
A mulher se recompôs e levou a mão ao local em que ficava seu coração antes de dizer:
–E parece que você está trilhando os mesmos caminhos que eu, ou os mesmos do início. -ela completou olhando para Regina como a olhou quando a mesma a salvara.
Regina não sabia se havia entendido ou não as palavras de Mary, mas o olhar ela havia entendido e lhe devolveu um igual. Mary percebeu. Não podia ver o coração de Regina, mas sabia como ele era apenas por causa daquele olhar. E Regina sustentou aquele olhar por mais alguns segundos antes de fechar a porta lentamente enquanto seus olhos deixavam as lágrimas que tanto segurou escaparem.
Assim que a porta se fechou não deixando Mary ver mais o sofrimento de Regina, se virou e tocou rumo a saída. O pedido que havia feito para a mulher já não cabia mais no momento, porém ela ainda sofria, assim como Regina. Parou no portão da mansão e olhou para trás mais uma última vez, apertou forte a mão em cima do peito e então soltou um sorriso fraco antes de ir embora.
Não era tarde demais para ela. Não era tarde demais para Regina.
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