Irônica Vida
2 Capítulo 2 - A menina que nunca sorri
Notas iniciais
Depois daquele duro dia, tivemos algumas semanas para nos ajeitar e comprar material escolar, para ter mais um ano frequentando um inferno disfarçado, também conhecido como escola, eu acho que a única coisa boa nesse lugar é a saída e os amigos, ele contribui para nossas miseráveis vidas de apenas existência tenha amigos, o que é difícil de se fazer.
Faz tempo também que não vejo o Adam, afinal tenho ignorado ele porque quero ficar sem nada para fazer nas poucas férias que me restam, que a maioria dos dias já passou, sendo que amanhã já é o primeiro dia de escola, infelizmente.
Então eu tive de acordar cedo para me acostumar e me vestir decentemente e não como um mendigo, o que me chateia até agora, que já estou na mesa, esperando meu café da manhã, quase cochilando com uma camisa branca mostrando minha nuca, que está com uma gargantilha prática, cabelo preso e um jeans mais solto e confortável para eu não ficar tão deslocada e longe do lazer.
Estava com a minha cabeça deitada até que minha mãe me cutucou e me mostrou meu prato com pão e queijo, também sonolenta, quando nós ouvimos a campainha ressoar pela casa vazia e silenciosa, nós ignoramos o primeiro ressoar, ficamos irritadas no segundo e eu fui abrir com ordens e xingamentos da minha mãe no terceiro ressoar.
Eu peguei meu pão com queijo, dei uma mordida no caminho para porta, abri a mesma com uma cara sonolenta e chateada quando eu vi o Adam sorridente, esperando uma permissão para entrar.
—Olá de novo
Eu disse antes de dar a permissão, sair caminhando para de volta a mesa e escutar ele fechando a porta, indo atrás de mim para a mesa.
—Para que veio mendigar? – Digo me sentando, percebendo o olhar de desaprovação da minha mãe, tossindo falsamente e me “corrigindo” – Para que devemos essa visita?
Adam, obviamente, riu da minha cara de um jeito disfarçado, coçando a cabeça.
—Vim te levar para sair comigo.
—Sair, como encontro romântico? – Pergunta minha mãe, se intrometendo
—Como amigos – Estabeleço, fitando o menino que confirma com a cabeça, ainda sorrindo. – Aonde?
—Cinema, talvez?
—Veio aqui para me chamar para um “rolê” e não sabe para onde vamos? – Rio da cara dele – Um cinema está ótimo
Adam sorri, vitorioso, se levantando, pegando na minha mão e me puxando para fora, todo se achando guia de turismo, me levando para o cinema mais próximo, com uma pressa óbvia, quando chegamos em um cinema bem legal, todo retrô, ele pediu duas entradas, me fazendo colocar a mão no bolso e entregar para ele o dinheiro.
—Eu pago – Ele recusa o meu dinheiro, mais sorridente ainda, me fazendo dar um largo sorriso e ver ele pagar as entradas para um filme qualquer que estava para começar agora, o motivo da pressa de Adam.
Nós entramos na sala, já escura e nos sentamos nas cadeiras do lado esquerdo, onde há três cadeiras enfileiradas, e no nosso caso havia só nós dois nesse lado esquerdo, me fazendo entrar primeiro e me “obrigando” a sentar na cadeira perto da parede, assim como ele me obrigou a ver este filme, muito repentinamente; O filme já havia começado e eu não estava a entender nada porque além de já ter começado era uma continuação de outro filme aleatório que Adam gostava e que me era entediante.
Depois de alguns minutos tentando entender o que se passava na grande tela de cinema, eu desisti de entender e me apoiei na parede e, aparentemente, o garoto percebeu meu tédio e confusão e sorriu para mim, tirando um pouco os olhos da tela e me puxando para mais perto, me fazendo corar um pouco e fazendo meu coração palpitar, como ele fazia antes de eu me mudar, como ele sempre fez e sempre fará comigo, eu achei que tinha esquecido dele, mas só de ver minha respiração acelerar com a nossa aproximação, vi que era tudo uma ilusão que eu tinha escapado do amor.
—Você não gosta deste tipo de filme? – Ele falou com um tom baixo, para o resto não ouvir e ficar irritado por atrapalhar a continuação confusa.
—Não – Respondi tímida, com um tom um pouco mais baixo que o dele, fazendo o mesmo se aproximar do meu ouvido para falar de um jeito mais compreensível.
—Que tipo de filme você gosta? – Eu fiz o mesmo que ele e aproximei meu rosto do ouvido dele.
—Gosto de romance – Percebi que a respiração calma dele se acelerou e ele esquentou um pouco, ainda com o sorriso bobo na cara.
—Qual parte do romance?
—O beijo é bem legal.
Adam nos afasta e olha nos meus olhos e eu, temendo que ele pudesse ver meu constrangimento, olhei para direção da tela, com um pequeno sorriso disfarçado na cara, quando, para minha surpresa ele me pegou pela gola da camisa, me puxou e aproximou nossos rostos, quase tocando nossas bocas umas nas outras, quando o filme acaba e as luzes se acendem, aparecendo um cara do limbo para afastar Adam de mim, levando ele para fora do cinema.
Eu, confusa, sai também, indo para casa e continuando minha última rotina de férias normalmente.
A noite inteira foi usada por mim para pensar no que aconteceu no cinema, me deixando com muita vergonha nas horas que pensava em como fiquei ansiosa pelo beijo do garoto, a quem sou apaixonada há vários anos atrás, acho que dava para perceber isso, porque quando fui comer o café da manhã, minha mãe comentou sobre isso e não sobre minha roupa, que eu ainda não tinha mudado, mas me apressei e mudei, trocando por uma calça jeans e uma camisa com as mangas pretas e o resto branco com letras pretas na região da barriga, escrito “NEW YORK” e apenas soltei meu cabelo, com preguiça e sai me arrastando como um zumbi para escola.
Quando eu cheguei foi muito estanho, porque eu esperava boas vindas e várias festinhas, mas ninguém me reconheceu, e houve uma série de mal-entendidos, como, por exemplo, eu sofrer uma tentativa de assalto e acontecer uma convulsão no ladrão, como eu ter que bater em alguns alunos porque estavam a fazer a coisa errada e várias outras coisas.
Eu me descuidei e não relembrei do poder da escola com vários adolescentes, então por esse descuido eu não fui reconhecida e agora sou uma delinquente e me chamam de “A menina que nunca sorri”, talvez isso seja verdade no colégio, mas no resto não, mas mesmo que tente mudar isto, não consigo e só pioro e o Adam nem percebeu até agora e era para ser ele meu melhor amigo.
Ai! Irônica Vida.
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