Irreversível

6 Capítulo VI


Notas iniciais
Olá, não me esqueceram né? hahaha Espero que não. Finalmente atualização. Pensei que nunca ia conseguir atualizar esta querida fanfiction. Capítulo dedicado a Naomi Manzuma pela segunda recomendação que me fez o ser humano mais feliz do mundo com suas palavras repletas de carinho e fofura. Obrigada minha querida. Seja bem-vinda a este cantinho. Também deixo as boas vindas a Uzumaki Maiko que leu todos os capítulos e comentou. Enfim, segue o baile. Boa leitura.

Capítulo VI

Estava apreciando aquilo, de verdade.

Sua atenção não se desviava do palco de onde saia as melodias mágicas repletas de efeitos. A apresentação durou por um longo tempo, mas Ichigo nem viu a hora passar.

Aquelas músicas que lhe fizeram lembrar de reinos encantados, princesas, príncipes e contos de fadas, aquelas coisas encantadas que suas irmãs assistiam na infância e que ele também assistia.

O dono daquelas melodias cheias de efeitos era um homem muito jovem, alto, magro de longos cabelos loiros e enrolados. Rosto atraente e muito pálido, de expressão serena. Ele conduzia o instrumento em seu ombro de forma leviana e aprimorada, hipnotizando toda sua plateia.

Ichigo se encontrava hipnotizado também, nunca tinha visto algo tão bonito quanto aquilo antes. Por um sucinto momento, num um gesto mecânico obedeceu ao impulso de desviar seus olhos do palco para saber qual era a reação de Aizen naquele momento.

O publicitário estava sentado ao seu lado sustentando os olhos fechados, os seus lábios repuxados num sorriso satisfeito os cotovelos se encontravam apoiados no braço da cadeira de veludo e as costas da mão direita sustentava o queixo. Azien se encontrava em outro mundo.

E de repente Ichigo começou a achar que assistir Aizen, naquele estado de nirvana, era muito mais interessante que assistir o que acontecia no palco, porque não era todo o dia que ele tinha permissão de ver seu sempre carrancudo, frio, debochado e malicioso chefe com aquela expressão de serenidade mesclada com satisfação no rosto.

O Kurosaki não soube exatamente quanto tempo ficaram ali aproveitando o espetáculo, mas foi longo.

Após o termino da orquestra os dois saíram do hotel, Ichigo pensou que a noite tinha terminado ali e que seria levado diretamente para casa, entretanto, Aizen resolveu surpreendê-lo mais uma vez e ao invés disso, levá-lo a um Pub. Ichigo não contestou. Ah, ele não queria ser desagradável com as boas intenções de seu chefe, que só queria agradá-lo, e estragar a noite que até aquele momento estava agradável.

O lugar era bem a cara de Aizen. Pouca iluminação, música instrumental baixa, tocava um Jazz quase impossível de ouvir, móveis lustrosos e antigos, tudo de marfim. O fluxo ali dentro era baixo, poucas eram as pessoas que estavam lá naquele horário. Nas mesas havia no máximo três pessoas conversando e bebendo socialmente. Ichigo achou agradável pois não tinha toda aquela algazarra de gente falando ao mesmo tempo.

Ichigo chegou à conclusão de que aquele era um ótimo programa para final de encontro. Mas não se enganem ele não considerava aquilo um encontro romântico ou coisa do tipo, mas sim um passeio entre... dois colegas de trabalho e nada mais que isso.

Até parece.

Aizen deu o primeiro passo conduzindo-o a uma mesa num canto bem mais afastado das demais. Era uma mesa redonda de cor marfim que ficava perto de uma enorme janela no fundo do recinto.

Ichigo sentou sem cerimonia e Aizen ajeitou seu terno antes de fazer o mesmo, sentando na cadeira estofada e, assim ficando de frente para o pensativo morango.

Depois da apresentação no salão do hotel, Ichigo foi arrastado para o salão principal onde tinha um aglomerado de pessoas que cumprimentavam os músicos da orquestra. Lá teve a oportunidade de conhecer as pessoas por trás daquela magia acima no palco, também teve a honra de cumprimentar a atração principal, Otoribashi Roujuurou.

Roujuurou foi encontrado pela dupla no meio do salão rodeado de mulheres, todas ricas e frescas, sendo atacado pelas mesmas com perguntas impertinentes e risinhos falsos. No entanto parecia bastante acostumado com tudo aquilo, pois sorria graciosamente. Ele era de longe um homem carismático e atraente, embora em seu rosto carregasse uma expressão um tanto fechada.

Ao contrário do que Ichigo pensou Aizen não se aproximou de imediato do violonista, o publicitário ficou poucos centímetros de distancia da rodinha, talvez esperando que aquelas mulheres se afastassem primeiro. Algumas mulheres ricaças se aproximaram deles iniciando uma conversa idiota que fez o Kurosaki revirar os olhos diversas vezes, depois foi a vez de dois homens de meia idade que provavelmente eram sócios ou antigos clientes, enfim Ichigo não dava muita atenção à essas coisas banais. Se iniciou um diálogo onde o secretário ruivo ficou completamente de fora. Uma conversa meio idiota sobre o mundo dos negócios, propagandas e etc. O Kurosaki achou tudo um saco. Ele gostava da profissão que exercia, entretanto, falar de trabalho num ambiente como aquele era um tanto enfadonho.

Sua atenção se voltou obsessivamente para os músicos, não que possuísse algum tipo de interesse pessoal em algum deles, era apenas... curiosidade, só isso. Queria elogiar suas performances no palco, mas não sabia como se aproximar ou articular apropriadamente palavras que não o fizesse parecer um completo babaca. Mas não rolou, a timidez e o receio eram tamanho para que pudesse fazer. Depois de apertar a mão do violonista as palavras morreram na ponta da língua, o cara tinha uma elegância desconcertante, o único que conseguiu manter um diálogo com ele foi Azien... claro. Ichigo não podia esperar menos dele. Todavia o medo de falar besteira gritou mais alto que sua determinação em elogiar o trabalho dele.

— O que achou da apresentação? — Ichigo foi surpreendido sendo expulso de seus devaneios, piscou duas vezes se recompondo e encarou o homem a sua frente.

— Foi boa. — respondeu sem rodeios, foi sincero, mas ao que parece aquela resposta não foi satisfatória, julgando pela cara azeda que Aizen fez. Ichigo tentou corrigir. — D-Digo, foi... foi... interessante.

O publicitário ergueu uma sobrancelha fazendo o ruivo pigarrear.

— Eu gostei tá legal? — e reforçou notando que a nova resposta não surtiu o efeito desejado. — De verdade!

Aizen deu um sorriso fechado.

— Fico satisfeito em ouvir isso.

Ah, finalmente! Mas por algum motivo saber que Aizen estava satisfeito irritou Ichigo.

— É, exceto pela parte que você ficou acariciando minha mão no escuro e quando tentei afastar, você, com sua maldita persistência, a agarrou tão forte que cheguei a pensar que ia quebrar meus dedos.

Aizen curvou os lábios num sorriso pequeno e fechou os olhos fazendo a mesma expressão de satisfação que irritava Ichigo profundamente.

— Perdão, acho que me excedi um pouco. — ele pediu sem mostrar nenhum tipo de remorso no rosto.

Ichigo rodou os olhos e começou a batucar com os dedos na mesa, tentando mostrar-se entediado com o assunto. Mas também não surtiu efeito.

— Dá próxima vez vamos fazer algo diferente. — Olhou de esgueira ouvindo a nova proposta de Aizen. Antes que ele pudesse contestar um atendente se aproximou da mesa depositando uma garrafa de vinho tinto e duas taças.

O ruivo encarou a garrafa com uma sobrancelha arqueada. Quem fez esse pedido?

— Perdão, mas acho houve um pequeno equivoco, não lembro de ter feito esse pedido. — Aizen apontou impedindo o rapaz de servir as taças.

— O pedido veio da mesa sete, senhor. — respondeu o atendente apontando para a tal mesa sete.

Os dois olharam. Aizen teve que girar um pouco o pescoço para ver, visto que estava de costas para as demais mesas.

A mesa sete era ocupada por um homem que aparentava ter seus trinta e poucos anos carregava no rosto um sorriso vulgar e dissimulado, tinha cabelos loiros e curtos e vestia uma camisa branca social. Sorriu quando seus olhos se encontraram com os de Ichigo.

Aizen franziu de leve a testa e viu o homem erguer uma taça de vinho tinto e oferecer ao morango. O publicitário voltou sua atenção ao seu secretário para saber de sua reação.

Ichigo sustentava no rosto uma expressão desconcertada e assentiu de leve com a cabeça.

Aizen fez um sinal para o atendente pedindo uma caneta, o rapaz tateou os bolsos enfim encontrando uma no bolso lateral e entregou-a. Aizen pegou um guardanapo e começou a escrever alguma coisa que Ichigo não conseguiu ler por causa da maldita garrafa que estava na frente atrapalhando. Dobrou o guardanapo, agora, riscado e entregou ao atendente.

— Entregue ao cavalheiro este bilhete. Você pode levar a garrafa e... — Tirou do bolso de seu terno a carteira e abriu entregando uma nota alta de dinheiro junto. —... Isto também, depois, por gentileza me traga uma garrafa de vinho Château Petrus-Gaïa "No. 2".

Ichigo engasgou com o pedido de Aizen não querendo nem imaginar a nota que Aizen ia pagar por aquele vinho. Quando o rapaz se afastou da mesa Ichigo não conteve sua curiosidade.

— O que escreveu no guardanapo?

— Coisas.

— Tá, mas que coisas? — insistiu.

Aizen encarou seu secretário com severidade.

— Isso não importa agora. — Respondeu com o maxilar endurecido. O morango rodou os olhos.

Uma vez Aizen, sempre Aizen.

Embora ele tenha dito aquilo era impossível Ichigo ignorar o que havia acontecido, tanto que inconscientemente ficou observando o atendente se dirigir e depositar a garrafa sobre mesa do cara entregando o guardanapo riscado. O ocupante da mesa sete ainda olhou pra ele mostrando-se confuso com a desfeita, afinal o vinho parecia caro.

Desatento, Ichigo não notava que enquanto fixava seus olhos na mesa sete Aizen sustentava os olhos em sua figura e o maxilar contraído.

— Acho que ele está sozinho. — comentou Ichigo distraído.

— Porque não se junta a ele? — a pergunta saiu seca surpreendendo até mesmo Aizen, entretanto ele não deixou evidente esse tipo de emoção no rosto.

Ichigo desviou sua atenção da mesa encarando seu chefe e quando o fez sentiu um frio correr na espinha com o peso das obres castanhas, engoliu e tentou retomar o outro assunto.

— Sobre o que estávamos falando mesmo? — perguntou tentando soar o mais casual possível.

Mas Aizen não estava disposto a mudar de assunto tão cedo, o publicitário entrelaçou as mãos sobre a mesa e disparou:

— Oras, por que não se junta a ele, Ichigo?

O ruivo suspirou e respondeu resoluto.

— Porque não quero, algum problema com isso?! — E por um instante se viu pensando que se fosse a algumas semanas atrás jamais cogitaria a possibilidade de um dia falar com aquele homem usando aquele tom.

Aizen ainda ficou um tempo encarando-o inexpressivo. Ichigo concluiu que tudo que ele queria era deixá-lo desconcertado. Amedrontá-lo. E assim ficaram, numa disputa de olhares para ver quem seria o primeiro a se render, mas ninguém cedeu.

O atendente voltou, agora, trazendo o verdadeiro pedido de Aizen, depositando a garrafa sob a mesa em conjunto das taças, que logo foram servidas. Mas nenhum dos dois deu a mínima pra ele.

— Deseja mais alguma coisa, Aizen-sama? — Ichigo ficou surpreso pelo atendente usar um tom tão requintado ao se dirigir a Aizen.

— Por enquanto não, Ulquiorra. — O rapaz fez uma curta reverência deixando os dois a sós novamente.

— Você costuma vir muito aqui, é? — Quando viu a sobrancelha castanha se erguer, Ichigo quis morrer por causa da maldita pergunta que fizera.

Ficou muito evidente que imaginar que Aizen costumava a frequentar aquele pub o incomodava. E nem o próprio Ichigo sabia porque se sentiu enfadonho.

“... Que gosta de ter relações intimas com seus funcionários.” (1)

Saco.

E de repente Ichigo se viu completamente perturbado com o rumo que seu raciocínio estava tomando. Ciúmes?

No fundo, mas bem no fundo havia uma fagulha de ciúme sim, ciúme só de cogitar a possibilidade de Aizen ter levado alguém até ali em outras oportunidades.

Aizen sorriu. Aquele sorriso perturbador e convencido, o que imediatamente quebrou o clima pesado que havia se instalado antes.

E que ódio Ichigo sentiu de si mesmo.

— Sempre que posso ou quando necessário. — Aquilo não aliviava em nada o incomodo na boca do estômago do Kurosaki.

Aizen observou-o pegar sua taça e sorver um gole considerável do vinho tinto, fez o mesmo, porém de forma relaxada, bem diferente de sua companhia que parecia um tanto... Nervosa.

— Hun... quando necessário? — Repetiu Ichigou.

— Exatamente. — confirmou Aizen, sorrindo fechado.

— Sei. — girou o rosto para janela. — Com seus antigos secretários, suponho. — completou num resmungo.

Quando voltou a olhar para frente o sorriso de satisfação não adornava mais os lábios do publicitário.

Droga.

— D-Digo, para reuniões é claro. — Aizen continuava com aquela cara de quem não havia achado graça nenhuma na piada.

— Sou o dono deste lugar, Ichigo.

A fala morreu na ponta da língua do morango. Embora aquilo não provasse nada, quer dizer... ele não negou que costumava levar outras pessoas ali. Mas o peso da expressão, dos olhos... a profundidade deles, incomodou Ichigo.

Aquele desconforto permaneceu em seu corpo o resto da noite inteira.

(#)

Ichigo não sabia exatamente que horas era quando a Lamburguine de Aizen estacionou em frente ao seu prédio, mas deduziu que era tarde ou que provavelmente já era domingo. O desconforto na hora da despedida era tamanho, ele não conseguia disfarçar. Aizen mantinha aquela expressão serena no rosto, ou seja o desconforto era coisa só dele mesmo.

Ichigo pensou em dizer um “Até segunda”, quem sabe um “Obrigado pelo passeio a noite foi realmente encantadora”, mas ia soar muito superficial, embora fosse verdade, exceto pela última parte. No fim escolheu em dizer apenas um “Obrigado pela noite”, mas antes mesmo que pudesse abrir a boca para dizer uma palavra Aizen o surpreendeu pela vigésima vez naquela noite, saindo do carro primeiro.

Ichigo ficou estático dentro do automóvel, atrapalho desceu do carro também. Esperava sinceramente, de todo coração que Aizen não estivesse pensando em entrar. Mas o satânico chefe insistiu tanto em levá-lo até o elevador que Ichigo não teve argumentos suficientes para não aceitar.

Os dois entraram no prédio lado-a-lado, cumprimentaram o porteiro e se dirigiram ao elevador. O silêncio a seguir foi tão desconcertante que o morango quis morrer, nunca desejou tanto que o maldito elevador chegasse logo.

Não era como se Aizen estivesse ofendido, chateado ou coisa do tipo, mas ele estava calado demais e isso perturbava o Kurosaki. Admitia que tinha pisado na bola com o seu comentário no pub, mas foi inevitável não pensar besteira quando ouviu o atendente se dirigir à Aizen naquele tom formal e ao mesmo tempo informal. Parecia que se conheciam a anos. Quando se deu conta já tinha cuspido as palavras sem perceber.

Tá, mentira.

Estava aborrecido e acabou falando demais, porém não estava em seus planos que Aizen ouviria, enfim, a besteira estava feita não tinha jeito de consertar.

Quando o elevador finalmente chegou o ruivo sentiu a tensão se esvair. Aizen segurou a porta e Ichigo entrou girando os calcanhares com uma frase ensaiada na cabeça para se despedir sem maiores constrangimentos, contudo, não rolou.

Aizen entrou junto, deixando-o chocado. O elevador que era um cubículo ficou mais apertado ainda. O perfume de Aizen exalou e Ichigo respirou fundo, tentando conter a agitação na boca do estômago.

O publicitário apertou o botão 4 e as portas do elevador se fecharam, encarando Ichigo colocou as duas mãos nos bolsos laterais de sua calça. A distancia entre os dois era mínima, quase nula.

— Aizen...! — Engoliu aflito. — O que é isso?

Aizen sorriu, mas... não respondeu a pergunta. Bem... Pelo menos ele voltara ao normal, o aborrecimento havia passado.

— Onde pensa que vai? — reforçou Ichigo, tentando ser firme.

— Decidi te levar até a porta.

— Não precisa fazer isso. — em sua voz havia presente certo aborrecimento.

— Faço questão. — a teimosia de Aizen era indiscutível.

Ok, não tinha mais disposição para argumentar com se chefe.

Ichigo cruzou os braços acima do peito por falta do que fazer, e olhou para o teto tendo consciência que Sousuke não desgrudava os olhos de seu rosto.

Ao que parece tudo voltou ao seu devido lugar, o que de certa forma trouxe alivio para o ruivo, mas mesmo assim algo dentro de si gritava por alerta.

Seus olhos estacionaram nos números acima da porta, constatando que estavam recém no segundo andar. Os poucos minutos ali dentro pareciam uma eternidade para Ichigo.

Muito aborrecido com a mirada persistente de Aizen, Ichigo baixou os olhos estacionando-os no rosto do publicitário, afim de encará-lo com a mesma intensidade. Apenas para provar que aquilo não o abalava, mas se arrependeu imediatamente. A distancia entre eles agora era quase nula.

Ele tremeu da cabeça aos pés.

— Senhor... tá muito perto. — apontou nervoso.Quando foi que ele?

— Não venha com formalidades agora, Ichigo. — sussurrou Aizen. Ichigo olhou por cima do ombro dele, confirmando que o elevador não saia nunca do segundo andar. Que droga! — Porque dessa vez não vai me convencer.

De repente ficava difícil de respirar e a temperatura insuportavelmente alta. Por instinto de sobrevivência o morango espalmou as duas mãos no peito de Aizen impedindo-o que se aproximasse mais e também virou o rosto.

— T-Tem câmeras... — argumentou apontando para cima, mas Aizen nem deu bola, sequer olhou.

— E...? — Aquele “e?”, para Ichigo era o mesmo que: pouco me importo com as câmeras.

Ichigo ficou sem resposta. Engasgou, pigarreou, apertou os olhos, apertou a boca, mas nada daquilo impediu Aizen de se aproximar e postar as duas mãos ao lado do corpo exprimido do morango. Seus lábios tocaram nos lábios dele calorosamente.

O publicitário entreabriu a boca deixando que a ponta de sua língua encostasse nos lábios que se encontravam fechados e que involuntariamente tremeram com aquele ato ousado.

Com aquele súbito ataque Ichigo entregou-se derretido nos braços de Aizen. O beijo aconteceu, e foi tão profundo que ele amoleceu. Fechou os olhos gradualmente perdendo as forças das mãos e deixou seus braços caírem ao lado do corpo.

Certo que aquele era seu fim. Mas Ichigo não queria pensar nisso, pelo menos não naquele momento, deixou suas mãos pousarem nas laterais do rosto bonito do homem a sua frente, profundando a intimidade que rolava entre as bocas.

O sinal das portas se abrindo não foi capaz de trazê-lo para realidade, ele continuava lá grudado no pescoço de Aizen como se estivesse bebendo água, saciando sua cede.

O beijo só teve seu fim quando sentiu o ar faltar, porém Aizen não recuou nenhum passo, mantendo a pequena distancia entre os corpos. Continuou provocando-o passeando com a ponta do nariz na lateral de seu rosto e roçando os dedos nos lábios entreabertos ao mesmo tempo que ia direcionando sua boca para a orelha rubra pelo calor.

— Viu?! Não foi difícil, nem doeu. — Sussurrou Aizen deixando o hálito morno bater naquele local sensível.

Não precisou de mais nada para trazer Ichigo à realidade. Abismado com a fúria de sua própria excitação recuou, cambaleou e avançou para fora do elevador.

Aizen o seguiu e Ichigo nem precisou ver para verificar este fato, pois o barulho da porta sendo impedida de se fechar confirmou sua suspeita.

Tateou os bolsos da calça numa busca desesperada das chaves, encontrando-as no bolso direito, mas e no meio de sua agitação as deixou cair duas vezes seguidas. Na terceira conseguiu apanhá-las e colocá-las na fechadura. Enfim abrindo a porta.

Ichigo viu, quando girou os calcanhares para fechar a porta, que Aizen se aproximava, mas sem pressa e lhe sorria satisfatoriamente.

Surtou, correu para dentro do apartamento fechou a porta num estrondo, fechando-a na cara de Aizen.

Droga. Ele não acreditava que tinha caído direitinho na teia da aranha como uma mosca tonta. Arfava com a mão prensada no peito agitado. Engoliu com aflição como se pudesse tirar aquelas últimas palavras de sua mente.

Como pudera ceder facilmente, Aizen queria o que... brincar com sua sanidade?!

Aquilo era castigo demais.

Encostou-se na porta girando a chave com agilidade e desespero, medo ou... sei lá o que... Atribulado demais deixou o corpo escorregar até sentar no chão.

Estava... excitado. Quente e ofegante. Aquilo tinha sido perigoso, ele queria que um enorme buraco surgisse no chão para engoli-lo.

Ouviu um risinho dissimulado do outro lado da porta. E ainda assim achou que desgraçado ficava malditamente sexy.

Que ódio.

— Uma hora você vai ter que ceder, Ichigo.

— Nunca. — e ele ainda se atreveu a responder. Amaldiçoou sua voz que denunciava sua excitação. Soando rouca quase falha.

— Nós dois sabemos que vai. Ninguém resisti a tentação por tanto tempo. — Ichigo engoliu seco, postando uma mão na boca para impedir alguma babaquice saísse sem seu consentimento. — Boa noite, até mais.

Até nunca mais isso sim, segunda feira seria demissão na certa.

Notas finais
(1) - flash rápido da conversa entre Ichigo e Hisagi no segundo capítulo. Se caso entrarem algo anormal no texto sintam-se a vontade para apontar. Obrigada a quem chegou até aqui. Eaí gostaram? Beijo enorme até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.