Irreal
11 Indiana Americana part.2
Entre, entre! Suas visitas são sempre bem vistas e bem-vindas!
Sabe... O desespero de uma mulher é a indecisão, pois ela sabe que uma escolha é ruim e a outra é a boa, porém, ambas tem seus lados bons e ruins, falta-lhe saber o que pesa mais dentre as decisões. O mundo é cruel com as mulheres, principalmente os homens...
Digo-te tal coisa pois ao voltar a assistir a novela da Indiana Safira, revoltei-me com tais acontecimentos. Logo saberá o que estou-lhe dizendo.
Ao descobrir da gravidez, Safira contou ao Amante, toda contente, imaginando ingenuamente que o Policial moraria com ela e criaria o bebê, tal como uma família feliz. Porém, para teu desgosto, ele disse apenas:
– Aborte.
A mulher, antes de mais nada, olhou para o Amante, desiludida, seus olhos marejados e sofridos, ela não acreditava no que ouvia, e nem viu, apenas eu vi, o amor que ela tinha por ele escapar-te do coração. Ela não viu, não sentiu, estava ocupada demais sofrendo pela pior palavra que ouvira.
–O que está dizendo?
– Aborte, eu já tenho uma família, não posso estragá-la por sua causa.
– Não fiz este filho sozinha! — Ela protesta, cerrando os dentes, querendo se impedir de gritar.
– Aborta ou nunca mais nos veremos.
– Como pode ser tão insensível!? Não me ama como diz amar?
– O que o amor tem haver com isso? Isso é questão de ser racional. Vocês mulheres confundem tudo! E é por isso que vivem estragando tudo!
– Não sou seu saco de pancadas! Não vou abortar e vou contar para tua mulher o que andamos fazendo enquanto ela trabalhava!
O policial a segura pelos braços e ergue a moça do chão, lançando-a contra a parede.
– Se você chegar perto da minha família, eu te mato, está ouvindo?
Jogadas as palavras ao vento, ele se vai, deixando Safira caída no chão, machucada e chorando. Eu a vejo, sem poder fazer nada. Apenas lamentando pelo futuro da ingênua garota que carrega em teu ventre uma criança. Ela enxuga as lágrimas após alguns pares de minutos, determinada, se levanta e anda até seu quarto, de onde tira uma mala e enfia todas as roupas dentro dela. Saiu do apartamento e pôs-se a andar pela rua. Desconsolada, porém, firme. Já passou por coisas piores, dores piores, ela sabia que tinha de se manter firme.
O amor, criança, é engraçado. Parece coisa de filme, mas não é. Ele acontece como nos filmes, como nas novelas. Pois se não acontecesse, da onde os roteiristas tirariam esta história de amor por acaso?
O amor estava caminhando perto dela. Cada segundo mais perto, e mais perto... Até que se trombaram um no outro. Ambos desorientados pelas grosserias que a vida colocou em seus caminhos. Ambos sem nem imaginar o que a vida guardava para eles.
Era o Amor, minha cara criança... O amor...
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