Ironic
1 And isnt it ironic... Dont you think?
Notas iniciais
Escrita na correria, por isso a capa não ta tuuuudo aquilo.
Depois eu arrumo ela xD
Beijoos
A traffic jam when you're already late
A no-smoking sign on your cigarette break
It's like ten thousand spoons when all you need is a knife
It's meeting the man of my dreams
And then meeting his beautiful wife
And isn't it ironic... don't you think?
A little too ironic.. and yeah I really do think...
Bem,- Pensei, enquanto batia com força no volante.- Isso não é simplesmente ótimo?
Quero dizer, estar presa em um maldito engarrafamento enquanto meu chefe deve estar amaldiçoando até a quinta geração da minha família.
De novo.
Bufando, ascendi um cigarro, não dando a mínima que uma das minhas promessas de ano novo fosse parar de fumar. Pelo terceiro ano seguido.
Era como se houvesse alguém seriamente brincando comigo lá em cima, alguém que simplesmente achava muito engraçado quando eu me dava mal.
Como se não fosse o suficiente que meu chefe, — Edward-gostoso-embora-demoníaco-Cullen, — me fazer trabalhar no ano novo, eu havia ferrado com a minha lavadora de louças essa manhã e simplesmente não podia achar uma faca limpa dentro de casa, muito menos tempo para lavar as sujas.
Claro que não era só isso, eu também havia sido completamente desiludida pelo fato de que o que parecia ser o homem perfeito, — alto, moreno, engraçado, forte e inteligente, — também fosse um canalha e tivesse traído a esposa com, Hey, Eu!
Óbvio que quando eu contei a minha melhor amiga, tudo o que ela disse foi; “Eu te avisei”.
Oh bem, obrigado por me deixar pior, Rosalie. Pode deixar que a partir de agora, eu sempre vou seguir seus conselhos.
De qualquer forma, eu só estava profundamente irritada porque recebera a noticia hoje pela manhã, de que teria de cancelar minha passagem para Forks hoje à tarde, — onde eu iria passar o ano novo com meus pais -, pelo simples fato de que meu chefe filho da puta achava que tínhamos muito trabalho para nos dar o luxo de tirar um dia de folga e teve a brilhante realização de que, Oh que lindo, a noite de ano novo era perfeita para colocar a papelada em dia.
E quem teria de fazer isso, passar quase 12 horas em uma sala com Edward Cullen e pilhas de papéis? Claro que a sortuda aqui.
Hey, chefinho querido, só porque você não tem vida fora do escritório, não significa que o resto do mundo também não tenha.
Batuquei no volante com a mão livre enquanto tragava, por simples ansiedade.
Eu parecia uma bomba relógio ultimamente.
O transito andou um pouco e eu me movi, em incríveis 10 km/h.
Deus, Edward vai me matar.
Como se tivesse sido chamado, meu telefone começou a tocar com uma ligação do meu amado chefe, me fazendo revirar os olhos e atender no viva-voz do carro, porque embora eu estivesse basicamente parada, ainda poderia ser multada.
—Onde diabos você está, Swan? Eu disse para estar aqui as 16:00! São 16:45 e nada de você!-Ele berrou no telefone, e eu me mordi para não xingá-lo gritando de volta.
—Me desculpe Sr.Cullen, mas estou presa no transito. Inclusive, estou falando com o senhor pelo viva-voz do carro para não ser multada.- informei, na minha melhor voz profissional e calma, embora eu estivesse louca da vida. O ouvi bufar.
—Onde, exatamente, você está?– perguntou furioso. Rolei os olhos, feliz por ele não poder ver.
— Na Mercer, entre a 5th e a Taylor.- respondi, olhando em volta para me situar.
—Ainda?!-exclamou, e eu estava a ponto de xingá-lo de novo. Quero dizer, não era como se a culpa fosse minha, eu teria saído com 20 minutos de antecedência de casa, se não tivesse derramado café na blusa e tido de trocá-la. E mesmo assim sai com 10 minutos de dianteira. Não como se tivesse feito diferença, a propósito.
— Me desculpe Sr.Cullen, eu até sai mais cedo de casa para não pegar transito, mas realmente...- deixei a frase no ar. Eu o ouvi respirar fundo.
— Tudo bem, pegue a Dexter e a Harrison, devem estar com menos transito essa hora.- disse ele, parecendo frustrado. Bem, gênio, como se eu não soubesse disso. Como se eu não morasse em Seattle desde que aprendi a dirigir, em primeiro lugar.
Eu odiava quando ele agia como se eu fosse uma estúpida.
— Sim, senhor Cullen, eu ia fazer isso.- respondi, tendo de controlar meu tom de voz. Bastardo ignorante.
— Oh bem, esteja aqui logo. Temos muito trabalho. E ah, passa em algum lugar e compre nosso jantar para a viajem. Não vamos sair daqui tão cedo.- Oh, claro que ele só podia estar brincando. Quero dizer, ele sabia que eu estava presa no transito e que não havia nenhum restaurante no caminho.
Ele desligou a tempo de eu ouvir ele gritando ao fundo; “Isabella, traga meu café logo!”. Era óbvio que a outra secretária do Sr.Cullen não se chamava Isabella também, mas ele simplesmente se recusava a gravar o nome de Tanya, achando mais fácil chamá-la pelo meu, que ele já havia decorado por eu estar trabalhando com ele a mais tempo. E ah, ele ficava realmente bravo quando ela não atendia, como se fosse a obrigação da pobre garota atender pelo nome de outra pessoa. Bem, eu já havia sofrido isso quando era nova, e só por isso não me metia. Lá pelo oitavo mês dela, ele decoraria seu nome. Experiência própria.
Eu bufei novamente, vendo que, se fosse buscar nosso jantar, além de chegar mais atrasada, a comida iria esfriar, já que não jantaríamos antes das 22h, certamente. Edward sempre jantava às 22h. Por isso, eu simplesmente liguei para um restaurante ali perto e pedi para que entregassem o jantar no mínimo cinco minutos antes deste horário. Meu chefe ficava mais insuportável ainda, — se isso fosse possível, — com fome. E de quebra, já liguei para a Subway e pedi dois sanduiches, — Um B.M.T sem cebola para Edward,com um café preto grande e um italiano sem tomate,cebola nem peperoni para mim, com um suco de laranja também grande.- e exigi enfaticamente que chegassem entre 17:45 e 18:20, hora em que Edward já está quase rugindo de fome.
Você aprende coisas sobre as pessoas quando é assistente pessoal delas por dois anos e pouco.
Longos dois anos.
Levei dez minutos a mais para chegar até a Harrison do que o normal, e mais sete até a empresa, a cede da Amazon.com
Estacionei o carro e entrei no elevador quase correndo, passando meu crachá pelo leitor antes de apertar o botão do 3ª andar, onde ficava o escritório do presidente, Sr. Jeff Bezos claro, e também do vice.
Ninguém menos que o meu chefe.
É, pra você ver a seriedade da coisa. Aparentemente, nós passaríamos a noite analisando toda a burocracia sobre as filiais que pretendíamos abrir em vários países. Como se isso não pudesse esperar um dia.
Respirei fundo quando cheguei a nosso andar, cumprimentei as secretárias do Sr.Bezos e fui até a “minha” sala, que na verdade era a antessala de Edward Cullen, a qual eu dividia com Tanya Denali, a segunda secretária.
Quando cheguei, Tanya parecia especialmente apavorada, digitando furiosamente em seu ultrabook.
— Hey Tanya,- a cumprimentei, enquanto largava minhas coisas e começava a me dirigir a sala do Sr.Cullen. Ela nem se mexeu, e então, vendo sua expressão, rolei meus olhos.- Hm, Hey Isabella dois.- zombei, mas ela levantou a cabeça em um átimo, como se estivesse esperando levar um tiro a qualquer momento.
Okay, quase me senti mal por ela. Mas hey, também estava tendo um dia do cão.
Respirou aliviada quando viu que era eu.
— Oh Bella, você não sabe como ele está louco com você.- choramingou a loira.- E você sabe que ele simplesmente desconta em todo mundo quando está louco da vida desse jeito.- sussurrou mais baixo. Eu respirei fundo.
— Yeah, eu sei. Ele já me ligou.- respondi mau humorada. Ela mordeu o lábio e assentiu, apontando com o queixo para a porta dele logo depois.
— Boa sorte lá dentro.- disse assustada. Eu rolei os olhos e respirei fundo de novo, agradecendo. Ela não sabia ainda, mas em breve se acostumaria com o humor de nosso chefe.
Na maioria das vezes, eu só pensava que ele precisava de uma boa dose de sexo quente.
Geralmente, melhora o humor de qualquer um.
Desejando ter me olhado no espelho antes de ir a sala dele, para ver se meu cabelo estava desarrumado. Não que fizesse diferença, mas era bom estar apresentável.
Alisei minha saia lápis e bati duas vezes na grande porta de madeira, abrindo-a logo em seguida.
— Eu só vim avisar que cheguei, Sr. Cullen. – falei, mantendo a voz controlada e profissional. Ele não levantou a cabeça dos papeis que lia.
— Ótimo, saiba que este atrasado vai ser descontado do seu salário.- resmungou, franzindo a testa para o papel. Meu queixo caiu de indignação.
— Mas Sr. Cullen, eu estou fazendo hora extra e...- comecei. Mas ele bufou.
— Não me importo.- respondeu, ainda sem me olhar. Eu fechei os olhos com força, cerrando os dentes. Não devo xingar meu chefe, não devo xingar meu chefe.
— Tudo bem Sr. Cullen, qualquer coisa estou na minha mesa.- respondi por entre os dentes. Não que ele tenha percebido, simplesmente fez um sinal me despachando de sua sala.
Sai da sala e fechei sua porta, me sentando em minha mesa grande e com tampo de vidro. A grande cadeira de couro almofadado me tirou um suspiro.
— Ah, finalmente!- Tanya exclamou, então se levantou de sua mesa e quase correu para fora, murmurando “xixi, xixi,xixi,xixi...”
Eu não pude deixar de rir, provavelmente ele a tinha infernizado tanto que a pobre não ia ao banheiro desde que saíra de casa.
Me recostei na cadeira, fechando os olhos. Eu merecia um pouco de paz.
Não durou muito, é claro, pois logo ambos os telefones que ficavam em nossas mesas, — uma de frente para a outra -, começaram a tocar e eu rolei os olhos atendendo.
E lá se vai minha paz.
— Escritório do Sr. Edward Cullen, Amazon.com,Inc. – atendi. Uma mulher bufou.
— Passe para Edward agora!- ela quase gritou. Oh deus, eu não devo explodir com clientes, não devo explodir com clientes...
— Quem deseja, por gentileza?- perguntei, em minha melhor voz doce. O que não era muita coisa, já que estava a ponto de explodir.
— Oras quem deseja, é Alice, a irmã desse desnaturado filho de uma chocadeira!- Pois é, ela estava tão fula quanto eu. Viu, nem os parentes dele o aguentavam...
Espera, ele tinha parentes? Desde quando?
— Eu vou checar se o Sr. Cullen não se encontra muito ocupado e já passo a ligação, okay?- pedi, e antes que ela me xingasse, apertei o botão de espera e liguei para o ramal de Edward.
— O que foi agora, Isabella?- rugiu, e eu rolei os olhos, sabendo que ele achava que era Tanya.
— Sua irmã na linha 1, Sr. Cullen. E ela parece bastante estressada.- disse calmamente. Ouvi ele socar a mesa.
— Droga, dia a Alice que estou em reunião. – grunhiu, eu fiz uma careta e confirmei, trocando de linha novamente.
— Srta.Cullen, não conseguimos contatar seu irmão no prédio, ele provavelmente está em reunião com o Sr. Bezos.-informei. Alice bufou.
— Ótimo, vou esperá-lo na linha. Ligue para o escritório de Jeff e diga a Edward que estou esperando no telefone.- respondeu esganiçada. Eu quis dar um soco nessa mulher, aparentemente, ser insuportável era de família.- E a propósito, é Sra. Withlock!- Gritou no meu ouvido, como se eu fosse obrigada a saber. Eu nem sabia que esse demônio tinha irmã, quem dirá que ela era casada.
Ainda anotei em um post it para não esquecer e para que, se ela eventualmente ligasse de novo, Tanya não fosse xingada até chorar. A pobrezinha ainda não estava acostumada a ser mal tratada, não foram poucas as vezes que saíra chorando do escritório.
Liguei para Edward novamente, e ele quase rosnou para o telefone. Animal.
— Sr. Cullen, sua irmã disse que vai esperar o tempo que for preciso no telefone.- informei, meu chefe bufou.
—Arg, então espere cinco minutos e passe a ligação. Maldita anã de jardim...– murmurou. Eu rolei os olhos e quase ri. Era estranho saber que meu chefe tinha uma relação tão comum com a irmã, quero dizer, com toda a coisa de apelidos e tal.
— Sra. Withlock, falei com seu irmão e ele disse que desce em cinco minutos para falar com a senhora, se puder esperar um pouquinho...- pedi.
— Claro, eu espero. De qualquer forma, não me chame de senhora, me sinto absolutamente velha. Me chame de Alice,Sra. Withlock é minha sogra. Você por acaso não é Isabella Swan, é? Quero dizer, a verdadeira.- Ela respondeu, a voz de repente calma e doce. Bipolar.
— Sim, sou eu.- respondi, com a testa franzida e olhando para o relógio. Iriam ser cinco minutos cronometrados.
— Oh bem, é bom falar com você querida, ouço tanto seu nome que as vezes é como se te conhecesse! Você sabe, Edward não vive sem você.- Ela riu, e eu não poderia estar achando aquela conversa mais bizarra.
Quero dizer, oi?
Edward Cullen falava de mim com a família? Família essa que eu sequer sabia da existência em dois anos que trabalho com ele?
— Oh, bem. Obrigada, eu acho. Mas sinto em dizer que não ouvi falar da senhora, digo de você.- respondi rápido. Três minutos. Alice riu, uma risada que eu não acharia que ela era capaz de dar a quatro minutos atrás.
— Eu não esperava que tivesse.- disse ela, e para meu alivio, a linha dois começou a piscar, revelando outra chamada.
— Se me der licença, Senh... digo Alice, tem outra pessoa na linha e minha colega está no banheiro, então... – pedi.
— Oh, claro querida, vá em frente e faça seu trabalho. Estarei esperando.- disse docemente, e eu me perguntei se era só ela que tinha transtorno bipolar ou se meu chefe também era assim fora do escritório. Vai saber.
— Escritório do Sr. Cullen, Amazon.com, Inc. Isabella Swan falando.- atendi a outra linha. Era só Irina, a irmã de Tanya ligando para fofocar. Ela era secretária de alguém lá de baixo ou coisa assim. Eu lhe disse que Tanya estava no banheiro e ela desligou.
Faltavam dois minutos para que eu pudesse passar a ligação de Alice para Edward quando Tanya voltou à sala, parecendo bem mais composta.
— Alguma novidade?- perguntou calmamente, quando viu que havia uma chamada em espera. Eu rolei os olhos.
— Aparentemente, teremos uma discussão de família mais a frente.- gesticulei para a porta de Edward. – Falando nisso, anote ai que a irmã dele é bem nervosinha, Alice Withlock, embora odeie ser chamada de senhora, a chame no primeiro momento. –respirei fundo. Um minuto. Tanya assentiu, anotando. Ela sempre anotava tudo que eu falava.- e ah, Irina ligou para fofocar.- levantei uma sobrancelha, vendo-a corar.
— E-eu já disse a ela para não fazer isso.- sussurrou, eu dei de ombros. Não era da minha conta, afinal.
Ah, cinco minutos.
Tirei Alice da espera.
— Vou passar sua ligação para o Sr. Cullen, Alice.- eu disse, tentando colocar um sorriso na voz, tive sucesso, pela cara de surpresa de Tanya.
— Oh, Obrigado Isabella! Foi muito bom conversar com você!- Ela disse, e eu podia dizer que ela estava sorrindo. Novamente, pus um sorriso na voz.
— Igualmente, Alice. Obrigado por esperar, Tchau.- sorri dizendo, então a passei para Edward, desligando meu telefone.
Eu e Tanya nos olhamos quando os gritos começaram, mas não comentamos.
Eu já conhecia Edward o suficiente para saber que ele provavelmente descontaria toda sua raiva na irmã e seria até menos grosso comigo, depois disso. Eu estava bem.
Tanya, por outro lado, parecia pensar o contrario, pois se encolhia a cada grito e parecia assustada.
Um dia ela se acostuma.
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Eram quase meia noite e eu estava quase bocejando.
Só estávamos eu, Edward e os vigilantes no prédio, pelo que eu sabia. Quem mais seria louco o suficiente para trabalhar no réveillon?
Meu chefe estava mais calmo depois da briga com a irmã, percebi, ele não estava gritando comigo ainda, só sendo grosso.
Era algo a se notar sobre Edward Cullen.
Estávamos trancado em sua sala com ar condicionado nos esquentando há quase cinco horas. Eu já quase nem sentia minha bunda.
Ao nosso redor, só se viam papéis e mais papéis, embalagens de comida e copos de café. Eu me sentia um trapo infeliz.
Quero dizer, era noite de ano novo, eu deveria estar vestida com o meu vestido branco Dior,- que eu só havia conseguido comprar porque estava em liquidação- , meus sapatos prata Gucci,- que eu havia ganhado de Rose porque combinavam com o vestido que era perfeito para o ano novo -, e tomando champanhe com meus pais no clube de Forks enquanto os fogos de artifício enfeitavam o céu.
Bem, pelo menos os fogos eu poderia ver, já que a parece que dava para fora, da sala de Edward, era toda de vidro.
Faltavam cinco minutos para a meia noite quando, me assustando, Edward se levantou abruptamente e se dirigiu ao bar que ficava no canto de sua sala, pegando duas taças de cristal e, — wow -, uma champanhe que devia custar mais do que o meu apartamento.
Ele veio em minha direção e colocou as taças sobre a mesa, me estendendo a mão para me ajudar a levantar.
Okay, quem é você e o que fez com Edward Cullen?
Quando viu minha expressão surpresa, ele riu.
Sim,ele simplesmente riu! Quantas vezes, em quase três anos, eu havia visto Edward Cullen rir?
— Você realmente achou que eu faria você perder seu réveillon e não iria nem ao menos brindar ao novo ano com você?- perguntou sorrindo, e de repente, ele parecia outra pessoa.
Sua expressão mais leve e relaxada, o fazia parecer mais novo e , — se possível,- mais bonito. Eu perdi o ar por alguns segundos, mas não deixei ele perceber.
O negocio é que, isso não poderia ser bom para a minha saúde.
Quero dizer, eu não estou falando do álcool ou do oxigênio. Eu estou falando de Edward.
Durante dois anos e sete meses eu havia trancado meu coração e o oprimido, lhe esfregando na cara todas as grosserias do homem a minha frente.
Dizendo a mim mesma todas as noites que Edward Cullen era um homem detestável, um ogro que só pensava em dinheiro.
Não importasse quantas vezes ele me xingasse por ir trabalhar gripada, resfriada ou sequer com um ataque de rinite. Não importava quantas vezes eu mesma houvesse encomendado cestas de flores, frutas ou chocolates para cada funcionário que tivesse um filho, se casasse ou, até mesmo algumas vezes, fizesse aniversário.
Porque eu tinha de me convencer que ele não prestava, mesmo quando ele havia mandado uma cafeteira nova para minha casa depois de me ouvir reclamar que havia quebrado a minha.
Eu tinha de meter na minha cabeça, e mais importante, no meu coração, de que aquele homem era uma máquina sem sentimentos.
Porque se não, me apaixonaria.
Mas naquele momento, com ele me olhando com aquele sorriso lindo e aquela expressão jovem e leve, eu percebi o quanto fracassara.
Quero dizer, eu me convencera por anos de que o odiava quando a verdade era que...
Bem, eu o amava.
Cara, não havia um momento mais oportuno para que eu percebesse que estava apaixonada pelo meu chefe? Quero dizer, um momento em que não estivesse praticamente sozinha com ele em um prédio enorme em uma noite especial.
— Obrigada.- foi tudo que consegui dizer. Então ouvimos os fomos sendo queimados do lado de fora, fazendo um espetáculo a céu aberto.
Edward estourou a champanhe e serviu nossas taças, brindando comigo enquanto me olhava nos olhos, eu percebi que haviam dois caminhos a serem seguidos a partir de agora.
Eu podia guardar meus sentimentos para mim mesma, continuar trabalhando com ele normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Ou, eu poderia tentar a sorte, me declarar ou simplesmente beijá-lo, encarando a possibilidade de ser rejeitada e demitida do melhor emprego que eu tinha em anos.
Eu simplesmente não conseguia decidir qual a pior alternativa.
Mas, eu não tive de decidir, pois depois de tomar um gole de seu campanhe, Edward me olhou intensamente nos olhos e disse com uma voz rouca que eu nunca havia ouvido vindo dele.
— Feliz ano novo, Bella.- sussurrou, então me puxou pela cintura com o braço livre e me beijou. Como eu sempre, secretamente, desejei. Eu sequer tive tempo de me surpreender por ele me chamar pelo meu apelido.
Os fogos de artifício eram reais, mas eu tinha certeza de que os sinos de igreja só estavam soando na minha cabeça, assim como eu sabia que as borboletas que se agitavam em meu estomago não eram reais.
Mas ainda sim, era perfeito.
Algum tempo depois, Edward nos afastou com alguns selinhos e grudou sua testa na minha, ainda ofegante assim como eu.
— Há uma coisa, que eu preciso te contar.- sussurrou, como se um ruído mais alto fosse estragar a magia do momento. Eu só assenti levemente, não confiando em minha voz.- Me prometa que, se não aguentar o que vou te contar, não vai fugir de mim e nem se demitir. Eu realmente não posso mais viver sem você para organizar minha agenda ou meus horários. Acho que nem comer eu sei mais, sem você.- fez piada, e eu ri levemente.
— Prometo.- sussurrei, vendo que de fato tinha motivos para não confiar em minha voz. Ela parecia esganiçada e feliz demais, como se eu tivesse ganhado um premio.
— Desde que você entrou na empresa e começou a trabalhar pra mim, tem sido um sacrifício te ver todo o dia em suas saias comportadas e suas camisas justas, sem te tomar nos meus braços e te dizer o que esta entalado na garganta. Por isso eu fiz você ficar hoje, eu precisava te contar isso, precisava que você soubesse e... eu realmente sinto muitíssimo por fazê-la perder sua festa.- ele disse, parecendo uma criança nervosa, que estava contando aos pais que fizera algo errado.
— Pode dizer, Sr. Cullen.- sussurrei, sem conseguir tirar meus olhos dele. Era tudo tão irreal, eu estava esperando o momento em que meu despertador tocaria e me puxaria para o mundo real, onde Edward Cullen nunca olhava para mim duas vezes.
— Me chame de Edward.- pediu suplicante, então respirou fundo, largando a taça e me fazendo largar a minha, para logo depois me apertar mais em seus braços.- O que eu estou querendo dizer, Bella... É que eu te amo.- disse sério, olhando em meus olhos, os quais senti ficarem úmidos. – Eu não posso dizer que te amo desde o primeiro momento, mas eu te amo desde que percebi que, a mesma mulher que basicamente cuidava da minha vida por mim, rolava seus olhos quando eu era grosso de mais e não parecia me temer. Eu me apaixonei pela garota que consegue ser educada mesmo quando está me matando em pensamento. – riu, e eu percebi sua voz embargada. Mas quando sua risada cessou, ele me olhou parecendo tão frágil e assustado, como o passarinho machucado que certa vez eu achei no quintal de casa quando criança, e cuidei até que ficasse bom.
Ele estava com medo, medo de ser rejeitado.
Como se eu fosse louca o suficiente.
Eu queria fazer uma declaração grande e bonita também, contando sobre como eu tive de ser forte e pensar nele como um imbecil para tentar controlar meu coração. Mas a essa altura, eu já estava chorando e tudo que saiu pela minha garganta fechada, foi um tremulo e choroso;
— Eu também te amo, Edward.- chorei.- muito.
E então, depois de ficar paralisado por alguns segundos por não conseguir acreditar em seus ouvidos, ele deu o maior e mais bonito sorriso que um dia eu poderia ver, e me apertou em seus braços, me beijando novamente.
Como a vida é irônica, não é? Quero dizer, eu deveria odiar esse cara, deveria ter explodido na cara dele e o xingado de todos os nomes que eu conhecia. Porque eu estava tendo um dia de cão e parte da culpa disso era dele.
Mas lá estávamos nós, nos beijando como o casal apaixonado que éramos.
Que ironia...
Notas finais
=D
D.
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